Fique de olho

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

Tensão entre EUA e China aumenta com nova lei de segurança nacional em Hong Kong; no campo político, Celso de Mello decide sobre divulgação de vídeo

arrow_forwardMais sobre
(Shutterstock)
Aprenda a investir na bolsa

A escalada da tensão entre China e Estados Unidos volta a derrubar as Bolsas em todo o mundo e deve dar o tom nos negócios nesta sexta-feira. O estopim dessa vez foi o desejo, expressado pelo governo chinês, de impor uma nova lei de segurança nacional em Hong Kong. Essa nova etapa do conflito entre as duas maiores economias do mundo ocorre no momento em que ainda se lida com a pandemia do novo coronavírus, que já infectou mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo e causou 335 mil mortes.

No Brasil, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a antecipação do feriado de 9 de Julho para a próxima segunda-feira, o que deve levantar novamente discussões sobre o que deve ou não funcionar nessa data. No entanto, os serviços financeiros devem funcionar normalmente, a exemplo do que ocorreu com a antecipação de feriados realizada pela Prefeitura de São Paulo.

Já na esfera política, é esperada da divulgação do vídeo da reunião ministerial em que o presidente Jair Bolsonaro teria ameaçado interferir na Polícia Federal. O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello deve tomar a decisão até as 17h, o que eleva a temperatura política em meio a um cenário de aceleração do coronavírus no país após o alívio na véspera com o apoio dos governadores ao veto de Bolsonaro ao reajuste dos servidores.

1. Bolsas mundiais

Aprenda a investir na bolsa

A tensão entre China e Estados Unidos gera um novo pregão de perdas nos principais mercados globais de ações. O estopim dessa vez foi o desejo, expressado pelo governo chinês, de impor uma nova lei de segurança nacional em Hong Kong, o que que daria ao Partido Comunista mais controle sobre a cidade semiautônoma, após protestos realizados nos últimos meses. Os manifestantes pró-democracia contavam, de forma geral, com o apoio de países ocidentais.

“A lei de segurança de Hong Kong na agenda do Congresso Nacional do Povo, em Pequim, causa insegurança nos mercados à medida que crescem os riscos de conflito entre Estados Unidos e China e novos protestos em Hong Kong ”, avaliaram, em relatório, analistas do Mizuho Bank.

É essa tensão que derrubou os mercados na Ásia. O Hang Seng Index, de Hong Kong, despencou 5,56%.

A decisão da China em relação a Hong Kong ocorre no momento de escalada das tensões entre China e Estados Unidos, com troca de acusações sobre a extensão e origem da pandemia causada pelo coronavírus. O presidente americano, Donald Trump, já mostrou intenção de retaliar a China no âmbito tributário.

Esse mau humor predomina em escala global. Os futuros americanos operam em baixa. O Dow Jones cai 0,34% e o S&P 500 recua 0,32%.

Vale destacar ainda que, na reunião legislativa que começou hoje, a China decidiu não fixar uma meta para seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, num reconhecimento dos desafios que enfrenta em meio a esforços para amortecer os impactos da covid-19, como é conhecida a doença provocada pelo coronavírus. É a primeira vez que o governo chinês não estabelece uma meta numérica de crescimento desde 1994.

PUBLICIDADE

No mercado de commodities, o petróleo WTI chegou a despencar 9,4% antes de reduzir suas perdas para operar um pouco acima de US$ 31. Os metais caem em Londres após a China abandonar meta para PIB, enquanto o minério de ferro tende a se sustentar com receios sobre oferta no Brasil devido ao coronavírus.

Veja o desempenho dos mercados às 7h27 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,32%

*Nasdaq Futuro (EUA), -0,48%

*Dow Jones Futuro (EUA), -0,34%

Europa

*Dax (Alemanha), -0,50%

PUBLICIDADE

*FTSE 100 (Reino Unido), -1,21%

*CAC 40 (França), -0,26%

*FTSE MIB (Itália), +0,60%

Ásia

*Nikkei 225 (Japão), -0,80% (fechado)

*Hang Seng Index (Hong Kong), -5,56% (fechado)

*Shanghai SE (China), -1,89% (fechado)

*Petróleo WTI, -5,60%, a US$ 32,02 o barril

PUBLICIDADE

*Petróleo Brent, -4,33%, a US$ 34,50 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 0,77%, cotados a 716.500 iuanes, equivalente hoje a US$ 100,40 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 7,1365 (+0,30%)

2. Indicadores econômicos

As vendas de varejo no Reino Unido registraram queda de 18,1% na comparação com março e de 22,6% ante abril de 2019, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Essa é a maior queda já registrada e reflete o impacto econômico da pandemia do coronavírus.

Nesta manhã, o Banco Central Europeu (BCE) divulga ata de sua última reunião, que deve trazer considerações sobre a atuação situação econômica da região.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro tem reunião com presidente da Fiesp, às 11h30. Depois, se encontra com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, às 14h. Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa de reunião virtual promovida pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), às 8h.

O Banco Central faz operações compromissadas em moeda estrangeira mediante a venda, à vista, de títulos soberanos com compromisso de recompra. O acolhimento das propostas acontece das 10h às 14h e o resultado deve ser divulgado em seguida pelo BC.

Na véspera, o Ministério da Economia informou que os pedidos de seguro-desemprego na primeira quinzena de maio subiram 76,2% sobre igual período do ano passado, totalizando 504.313 solicitações, em dado que ilustra o impacto sobre o mercado formal de trabalho da pandemia do coronavírus.

3. Tensão política

A reunião de quinta-feira acalmou o ânimo entre o Palácio do Planalto e governadores, que possuem visões distintas sobre as melhores medidas para lidar com os impactos do novo coronavírus. No entanto, o avanço da doença tem potencial de suscitar novos conflitos.

O Brasil já registra mais de 310 mil contaminados e a marca de mortes já superou os 20 mil casos. A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a antecipação do feriado de 9 de Julho para a próxima segunda-feira em uma tentativa de aumentar o isolamento social.

Outro assunto que deve repercutir é a divulgação do vídeo da reunião ministerial em que o presidente Jair Bolsonaro teria ameaçado interferir na Polícia Federal. O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello deve tomar a decisão até as 17h.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Celso de Mello ficou incrédulo com o vídeo da reunião e, segundo interlocutores, a tendência do ministro é atender ao pedido do ex-ministro Sérgio Moro e levantar o sigilo da íntegra do vídeo do presidente, em nome do interesse público.

4. Ajuda econômica

No momento em que o Brasil ultrapassa a marca de 20 mil mortos pela Covid-19, aumenta na Justiça o pedido de trabalhadores para terem acesso a um volume maior de suas contas do FGTS. Segundo reportagem do “O Estado de São Paulo”, isso suscitou um alerta da equipe econômica, que teve que essas ações prejudiquem a sustentabilidade do Fundo, que é a principal fonte de financiamento do mercado imobiliário.

As medidas de suporte para que a população de menor renda lide com os impactos econômicos do novo coronavírus será 54% superior ao inicialmente previsto. Essa é a avaliação feita pelo secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, lembrando que esse valor chegou a R$ 151,5 bilhões.

Em coletiva no Palácio do Planalto, o secretário indicou que o governo deve prorrogar o auxílio emergencial, mas não no valor atual de R$ 600 ao mês e sim próximo ao valor médio pago pelo Bolsa Família, que é de cerca de R$ 190.

Na quinta-feira à noite, o Congresso Nacional aprovou crédito suplementar de R$ 343,6 bilhões, o que deve permitir ao governo federal fazer as medidas de suporte à economia sem descumprir a “regra de ouro” do Orçamento.

5. Panorama corporativo

A Lojas Renner registrou lucro líquido de R$ 10,4 milhões no primeiro trimestre do ano, uma queda de 94% na comparação com igual período do ano passado. O recuo decorre, principalmente, das provisões feitas para perdas financeiras.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado despencou 65%, para R$ 110,9 milhões, enquanto a receita líquida com vendas de mercadorias caiu 6%, para R$ 1,55 bilhão.

A Guararapes, dona da marca Riachuelo, foi outra varejista que registrou piora no resultado no primeiro trimestre do ano. O prejuízo líquido ficou em R$ 47,5 milhões, ante lucro de R$ 29,3 milhões apurados entre janeiro e março de 2019%. O Ebitda recuou 46,4%, para R$ 101,1 milhões, e a margem passou de 18% para 10%.

No caso da Algar Telecom, a queda no lucro foi de 11,8%, para R$ 45 milhões. O Ebitda ficou em R$ 233,8 milhões, uma leve alta de 2,3%.

Fora da temporada de balanços, a JBS informou que retomou a operação na unidade de aves de Passo Fundo (RS), fechada desde o dia 24 de abril devido a contaminação de funcionários por coronavírus e que tem capacidade de abate de 320 aves ao dia.

A fabricante de calçados Vulcabras Azaleia informou que as operações na fábrica localizada em Horizontina (CE) estão suspensas até o dia 31 de maio. Os funcionários permanecem dispensados do trabalho com o período sendo compensado pelo banco de horas. O retorno está previsto para o dia 1º de junho. A decisão deve-se à prorrogação do “lockdown” determinada pelo governo do Ceará.

Já a Santos Brasil divulgou na quinta-feira à noite que fez o arrendamento, pelo prazo de 180 dias, da instalação portuária no Saboó, localizada na margem direita do porto de Santos. A área tem 42 mil metros quadrados e será utilizada para movimentação de carga.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

Como ler o mercado financeiro e aproveitar as oportunidades: conheça o curso A Grande Tacada, do Fernando Góes – de graça nos próximos dias!