FIQUE DE OLHO

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

Mercados operam em queda com preocupações com guerra comercial; no Brasil, destaque para a safra de resultados 

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 1,3%, aos 104.115 pontos, acompanhando os ganhos das bolsas internacionais. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 1,4%, 1,9% e 2,2% respectivamente.

Quem animou os investidores globalmente foi a China, que fixou um novo valor para o yuan refletindo a desvalorização recente, mas em um patamar acima do que era esperado pelos economistas.

Hoje, as bolsas e os futuros de Nova York operam em queda generalizada, com exceção do Japão, que registrou alta do PIB acima da projetada.

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Na China, o Banco Central definiu a referência oficial do yuan em 7,0136 por dólar – o nível mais fraco desde 3 de abril de 2008, porém mais forte do que o esperado pelos analistas. Foi a segunda vez nesta semana que as autoridades chinesas estabeleceram a referência diária em um nível mais fraco do que o valor psicologicamente importante de 7 yuan por dólar.

Enquanto a guerra cambial da China segue controlada, a guerra comercial dá sinal de recrudescimento com notícia de que os EUA estão adiando a decisão sobre licenças para empresas retomarem seus negócios com a Huawei.

No Brasil, seguem os debates sobre a Previdência e novas propostas, relacionadas ao Imposto de Renda, que devem ser incorporadas na reforma tributária.

1. Bolsas Internacionais

As bolsas asiáticas fecharam com sinais diversos, enquanto o S&P futuro e bolsas europeias recuam com o ressurgimento de temores sobre a guerra comercial com as notícias de que os EUA estão segurando licenças à Huawei à medida que a China suspende a compra de grãos.

Entre os dados econômicos, na China, a inflação ao consumidor subiu 2,8% em julho – ligeiramente acima do esperado pela Reuters (2,7%) – na comparação anual, puxado pelo preço dos alimentos, que tiveram alta de 9,1%, diante das consequências da febre suína, segundo a CNBC.

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Apenas os preços da carne suína aumentaram 27% em relação ao ano passado em julho, enquanto os preços de frutas frescas subiram 39,1%, mostraram os dados do Departamento Nacional de Estatísticas.

“Os preços crescentes da carne suína continuaram a aumentar a inflação dos preços ao consumidor”, disse Julian Evans-Pritchard, economista sênior da Capital Economics na China à CNBC. Mas “o enfraquecimento da demanda arrastou a inflação dos preços ao produtor para território negativo no mês passado”, acrescentou.

O Índice de Preços ao Produtor da China, por sua vez, caiu 0,3% em julho em relação ao ano anterior, ante projeção de queda projetada pela Reuters, de 0,1%. Essa foi a primeira vez que o PPI da China caiu em três anos.

Com a aceleração dos preços ao consumidor e o retorno da queda nos preços ao produtor, “o resultado é que a China enfrenta o pior dos dois mundos”, escreveu Evans-Pritchard.

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Ainda na Ásia, o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão cresceu 0,4% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano, acima das projeções dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal, de alta de 0,1%. O PIB anualizado no segundo trimestre teve crescimento nominal de 1,7%.

Segundo o Ministério das Finanças japonês, a demanda externa foi responsável por uma redução de 0,3 pontos porcentuais no PIB do segundo trimestre, enquanto a demanda interna foi responsável por um avanço de 0,7 pontos porcentuais.

Na Europa, as bolsas operam no vermelho. A maior queda acontece na Itália, com a turbulência no governo local, após um dos vice-primeiros-ministros do país Matteo Salvini pedir eleições antecipadas, ao afirmar que o governo de coalizão é impraticável e pedindo novas eleições gerais.

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Já no Reino Unido, às voltas com Brexit, o PIB do Reino Unido recuou 0,2% no segundo trimestre, encolhendo pela primeira vez de 2012. A manufatura puxou a contração, recuando 2,3%, na maior queda trimestral desde os primeiros três meses de 2009.

Entre as commodities, o preço do minério opera em nova queda nesta sexta-feira, enquanto o petróleo sobe apoiado pelas expectativas de mais cortes na produção da Opep, mesmo com a Agência Internacional de Energia (AIE) relatar que o crescimento da demanda está em seu menor nível desde a crise financeira de 2008.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h29 (horário de Brasília):

S&P 500 Futuro (EUA), -0,52%
Nasdaq Futuro (EUA), -0,74%
Dow Jones Futuro (EUA), -0,46%
DAX (Alemanha), -0,93%
FTSE (Reino Unido), -0,30%
CAC-40 (França), -0,88%
FTSE MIB (Itália), -2,36%
Hang Seng (Hong Kong), -0,69% (fechado)
Xangai (China), -0,71% (fechado)
Nikkei (Japão), +0,44% (fechado)
Petróleo WTI, +1,14%, a US$ 53,14 o barril
Petróleo Brent, +1,13%, a US$ 58,03 o barril
Bitcoin, US$ 11.773,79, -0,74%
R$ 46.406, -0,85% (nas últimas 24 horas)
Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 3,77%, cotados a 639,00 iuanes, equivalentes a US$ 90,55 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, a Fipe divulgou o IPC da primeira quadrissemana de agosto com alta de 0,14%. Já o IBGE informa às 9h00 a pesquisa mensal de serviços de junho.

No corporativo estão previstas as divulgações dos balanços da BRF e Ser Educação, antes da abertura dos mercados, e da Alpargatas, Heringer e M.Dias Branco, após o fechamento do pregão da B3.

Nos Estados Unidos, a principal divulgação será às 9h30, com o Índice de Preços ao Produtor (PPI).

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3. Imposto de Renda

Após a aprovação da reforma da Previdência, a equipe econômica deverá mexer na tabela do Imposto de Renda (IR). A intenção do governo é reajustar pela inflação a faixa inferior de isenção, atualmente em R$ 1.903,98 mensais, isentando um maior número de pessoas. Segundo o Estadão, também está em estudo o corte linear nas alíquotas de todas as faixas de renda.

As propostas são uma contrapartida ao fim das deduções de gastos com saúde e educação, que vem sendo debatido dentro do Ministério da Economia. Estudos apontam que apenas 20% dos contribuintes mais ricos são beneficiados pela deduções médicas, que representam uma renúncia de R$ 45,9 bilhões. As medidas devem ser parte do pacote da reforma tributária.

Segundo a Folha, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deverá apresentar na próxima semana uma proposta de reforma tributária, que terá o tripé formado pelo IR, imposto único sobre consumo e contribuição previdenciária sobre movimentação financeira. Segundo Marcos Cintra, secretário da Receita, a “nova CPMF” é impopular, mas necessária para sustentar a Previdência.

Em evento em São Paulo, Guedes ressaltou ontem que o governo caminha na direção de uma “simplificação brutal de impostos”. Segundo ele, o governo tem dado sinais claros nesse rumo, direcionando os planos para um imposto único. O ministro destacou ainda no primeiro semestre ocorreu o menor déficit dos últimos quatro anos. “O que significa que estamos fazemos a coisa certa lá no front fiscal”, disse.

4. Previdência

O relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado, Tasso Jereissati (PSDB), evitou confirmar que o texto aprovado na Câmara dos Deputados teria maioria no plenário do Senado, mas comentou que o “ânimo é francamente pró”. Já a presidente da CCJ, Simone Tebet (MDB-MS), avalia, no seu “achismo”, que haveria 49 votos pró-reforma dentro do Senado – o mínimo necessário para aprovação.

Para Simone, essa maioria estaria correlacionada ao avanço de uma proposta de emenda constitucional paralela para incluir Estados e municípios. “Dentro do meu achismo, do que eu conheço da Casa, eu entendo que temos mais de 49 votos, com texto que veio da Câmara, desde que possamos avançar em uma PEC Paralela de Estados e municípios”, disse Simone.

Jereissati também elogiou o texto que veio da Câmara, ressalvando apenas a ausência de Estados e municípios. A reinclusão dos entes pelo Senado através da PEC Paralela, para o relator, já é “praticamente um consenso” na Casa. “Se mudar alguma coisa tem que ser o mínimo possível, reforma que veio da Câmara é boa, trabalho ótimo. A grande ausência é a questão de Estados e municípios”, disse.

Perguntado se não haveria risco de os deputados derrubarem essa proposta paralela, uma vez que a Câmara resistiu a colocar os entes federativos na reforma, Jereissati respondeu que “risco sempre tem”, mas que há fatos novos que podem colaborar com uma aceitação por parte dos deputados, como o apoio oficializado de governadores. “Dos municípios já recebi de duas grandes associações de prefeitos o apoio total e até pedido de inclusão”, afirmou.

Em relação ao sistema de capitalização, Jereissati afirmou que não vê chances de que a Casa aprove um modelo de sistema de capitalização com implantação no curto prazo. “Eu não vejo nenhuma possibilidade de colocar capitalização que comece logo na PEC Paralela. Mas que fosse de implantação lá na frente, não agora”, disse.

O senador ponderou que o tema ainda não foi discutido, lembrando que há vários modelos de capitalização. Para Jereissati, se a capitalização voltar, deverá ser incluída na Proposta de Emenda à Constituição paralela, que deve também contar com a reinclusão dos Estados e municípios na reforma.

5. Noticiário Corporativo

O Valor Econômico traz entrevista com ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque em que garante que o governo vai perder o controle da Eletrobras. Segundo a publicação, essa é a primeira vez que o ministro reconheceu que a capitalização será acompanhada de perda de posição majoritária da União. O desenho da privatização, ainda em segredo, terá sete etapas, envolvendo Congresso, Tribunal de Contas da União e, por fim, a capitalização.

A Rede D’Or São Luiz anunciou a compra de cerca de 10% das ações ordinárias da Qualicorp, pertencentes ao fundador da companhia, José Seripieri Filho, mais conhecido como Júnior. Até a conclusão da operação, o executivo permanecerá como CEO e membro do conselho da companhia. Depois disso, deixará a administração da Qualicorp e seguirá, como acionista indireto, detendo ações representativas de cerca de 9,9% do capital da empresa.

Entre os balanços divulgados destaque para a B3, que registrou um lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 654,8 milhões no segundo trimestre, uma queda de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado. A queda ocorreu por conta das despesas relacionadas à alta do preço da ação, com encargos sociais, trabalhistas e provisões.

Já a produtora de celulose Suzano teve lucro líquido de R$ 700 milhões no segundo trimestre, revertendo o prejuízo de mais de R$ 2 bilhões de um ano antes. Além do balanço, a Suzano divulgou uma redução em sua projeção de investimento em 2019, que passou de R$ 6,4 bilhões para R$ 5,9 bilhões.

Confira mais resultados: Burger King teve prejuízo de R$ 600 mil no segundo trimestre, revertendo lucro de R$ 8,6 milhões do mesmo período do ano passado. Já CVC teve prejuízo por conta da crise da Avianca, mas no resultado ajustado teve lucro 16,9% maior, a R$ 41,1 milhões.

Entre as concessionárias, a CCR registrou lucro líquido de R$ 347,7 milhões, alta de 25,1% sobre o mesmo período de 2018. A Triunfo, por sua vez, teve uma piora de 155% no prejuízo, que subiu a R$ 103 milhões.

Entre as construtoras, a MRV teve lucro de R$ 190 milhões (+15%); Cyrela lucrou R$ 114 milhões, revertendo prejuízo de R$ 28 milhões um ano antes; enquanto a Tecnisa viu seu prejuízo subir 67,9%, para R$ 144,140 milhões, e a Tenda ampliar em 41% seu lucro, para R$ 73 milhões.

No varejo, o prejuízo da Marisa recuou 23,6%, para R$ 28,282 milhões; a Lojas Americanas teve lucro de R$ 112,7 milhões (+4,3 vezes); enquanto a B2W viu seu prejuízo aumentar 15,1%, para R$ 127,6 milhões.

Por fim, a BR Malls registrou lucro liquido ajustado de R$ 148,9 milhões, alta de 17,7%.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)