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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

Bolsas voltam a cair com rendimento dos Treasuries no radar; PEC Emergencial e vendas no varejo no Brasil são destaques na sessão

Câmara dos Deputados (Najara Araujo/Câmara dos Deputados)

SÃO PAULO – Após a alta dos principais índices mundiais na véspera, a sessão é de queda para as bolsas da Europa e para os índices futuros americanos, acompanhando a alta do rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA, com os Treasuries com vencimento em 10 anos com rendimentos próximos aos 1,6%.

Por aqui, a Câmara concluiu no início da madrugada a aprovação, em segundo turno, da proposta de emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que prevê mecanismos para controle dos gastos públicos e viabiliza a retomada do auxílio emergencial. Veja mais clicando aqui. O texto deve seguir para promulgação pelo Congresso Nacional. Ainda no radar dos mercados, está a reação aos resultados do quarto trimestre e a expectativa pelos dados de vendas de varejo.

Confira os destaques:

1. Bolsas mundiais

As bolsas europeias têm em sua maioria quedas, os índices futuros americanos recuam nesta sexta-feira (12) e as principais bolsas asiáticas fecharam em alta.

Na quinta, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assinou a lei criando um pacote de estímulos no valor de US$ 1,9 trilhão, por meio do qual pagará até US$ 1.400 para a maioria dos cidadãos americanos. Mas o otimismo gerado pela medida foi parcialmente ofuscado pela alta de juros de títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos, que voltaram a bater pela manhã a marca de 1,6%.

Os depósitos diretos aos cidadãos americanos devem começar a ser pagos já neste final de semana. Além disso, a lei também estende um valor extra no seguro-desemprego de US$ 300 por semana até 6 de setembro, e expande o crédito de impostos por criança por um ano.

E direciona US$ 20 bilhões à vacinação contra Covid, US$ 25 bilhões em assistência para aluguéis em serviços e US$ 350 bilhões para assistência estadual, local e tribal.

Pouco antes de assinar, o presidente Joe Biden afirmou: “esta legislação histórica trata de reconstruir a estrutura deste país e dar ao povo desta nação, pessoas trabalhadoras, pessoas de classe média, aquelas que vão reconstruir este país, uma chance de lutar”.

As bolsas americanas tiveram altas recordes nas negociações de overnight. O índice S&P subiu 1%, com bom desempenho de ações do setor de tecnologia.

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Mas os juros dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos voltaram a subir na manhã de sexta, atingindo brevemente a marca de 1,6% antes de recuar para US$ 1,595%.

A alta de juros dos títulos do Tesouro com vencimento no longo prazo vem ganhando espaço no noticiário econômico nas últimas semanas. Há temor de que a elevação leve investidores a migrarem do mercado de ações para o de títulos, considerado seguro por ser garantido pelo governo, que tem o poder de criar ou extinguir impostos, caso necessário.

E a sinalização de alta da inflação pode levar o Fed a rever a sua política sobre os juros referenciais de curto prazo. Além disso, a alta dos juros dificulta a tomada de empréstimos por empresas que necessitam de grande volume de recursos para crescer, como as do setor de tecnologia.

As principais bolsas asiáticas, por sua vez, fecharam em alta na sexta-feira. O índice Nikkei, do Japão, subiu 1,73%; o Kospi, da Coreia do Sul, 1,35%, com destaque para os ganhos de empresas do setor de tecnologia. Bolsas da China continental tiveram resultados mais modestos. O índice Shanghai composto subiu 0,47%; o Shenzhen componente teve alta de 0,22%.

Também na Europa, investidores temem que a alta dos juros de títulos dificulte a recuperação no continente por aumentar o custo dos empréstimos em países que já têm dificuldades em decorrência da crise causada pelo coronavírus.

Além disso, na quinta a União Europeia aprovou a vacina de dose única da Johnson & Johnson’s contra a Covid, à medida que o bloco busca impulsionar a vacinação, que vem sendo apontada como lenta. Até 10 de março, 10,09% da população do bloco havia sido vacinada, contra 28,92% nos Estados Unidos e 5,53% no Brasil, de acordo com dados oficiais compilados pelo Our World In Data.

O índice Eurostoxx, que reúne ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, cai 0,46%. Ações do setor de tecnologia lideram as perdas, com recuo de 1,2%. Por outro lado, bancos têm alta de 0,6%.

Nesta sexta foram divulgados dados indicando que a economia do Reino Unido encolheu 2,9% em janeiro na comparação com o mês anterior. A contração foi menor do que o esperado, em um momento em que o país voltou a entrar em lockdown.

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Os gastos extras do governo com programas focados em testar cidadãos e rastrear contatos que poderiam ter se infectado, além de programas de vacinação, contribuíram com os resultados acima do esperado, adicionando 0,9% ao PIB.

Veja o desempenho dos principais indicadores às 7h30 (horário de Brasília):
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,64%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,86%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,1%
Europa
*Dax (Alemanha), -0,72%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,32%
*CAC 40 (França), -0,24%
*FTSE MIB (Itália), -0,34%
Ásia
*Nikkei (Japão), +1,73% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -2,2% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +1,35% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,47% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +0,08%, a US$ 66,07 o barril
*Petróleo Brent, +0,23%, a US$ 69,79 o barril
*Bitcoin, +2,38%, a US$ 56.242,74
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com queda de 0,28%, cotados a 1059 iuanes, equivalente hoje a US$ 162,78 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,51

2. Agenda

Às 7h foram divulgados dados sobre produção industrial na Zona do Euro em janeiro, com avanço de 0,1% na comparação anual, acima da expectativa de queda de 2,4% e do patamar do mês anterior, de queda de 0,2%. Na comparação mensal, a produção avançou 0,8%, acima da expectativa de 0,2% e da queda de 0,1% no mês anterior.

No Brasil, o destaque fica para os dados de vendas no varejo às 9h em janeiro e varejo ampliado, que deve ter alta de 0,10% ante dezembro. Paulo Guedes, ministro da Economia, fala ao site Jota sobre “o que esperar do cenário econômico” às 18h.

Às 10h30 será divulgado o IPP (Índice de Preços ao Consumidor) nos Estados Unidos em fevereiro. Às 12h, a Universidade de Michigan divulga índices sobre sentimento quanto à economia, expectativas, inflação e condições atuais, relativos a março nos Estados Unido

3. PEC Emergencial, auxílio e programa contra demissões

A Câmara aprovou na quinta o texto principal da PEC Emergencial em segundo turno, que viabiliza o pagamento de até R$ 44 bilhões em auxílio emergencial, cujos valores e duração não foram detalhados.

De acordo com o jornal Valor, o Congresso deve promulgar a PEC apenas na próxima semana. De acordo com um interlocutor cujo nome não foi divulgado, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) “convocaria sessão do Congresso para fazer a promulgação na sexta caso os deputados tivessem terminado a análise dos destaquem antes do fim da sessão do Senado. Como isso não ocorreu, 99% de chances de ficar para semana que vem”.

Ficaram de fora da PEC dispositivos que proibiam promoções e progressões de carreira de servidores públicos durante momentos de desequilíbrio fiscal, quando as despesas obrigatórias da União chegarem a 95% do total previsto pelo teto. Mas foram mantidas medidas que barram o aumento a salário de servidores e a contratação de novos funcionários. Novas contratações poderão ocorrer para repor vagas, para cargos de chefia e contanto que não representem aumento de gastos.

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A Câmara também derrubou um trecho que vedava a vinculação de receitas do órgão, despesa ou fundos públicos. Este trecho abria espaço para cortes de gastos do fundo da Receita Federal, alvo de protesto de auditores fiscais.
De acordo com o Valor, com o adiamento o governo deve esperar que a PEC seja promulgada para encaminhar ao Congresso a Medida Provisória que restabelecerá a retomada do auxílio emergencial.

Na segunda, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que o valor do auxílio deve ficar em entre R$ 175 e R$ 375. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou pelas redes sociais que o benefício deverá ser retomado ainda no mês de março.

Além disso, na quinta Guedes afirmou que governo pretende retomar o programa que permitiu às empresas suspenderem contratos ou cortarem salários e jornada de funcionários como forma de lidar com a crise do coronavírus.

De acordo com o ministro, parte do benefício de complementação de renda paga pelo governo aos trabalhadores virá da antecipação do seguro-desemprego. Ao invés de pagar R$ 1.000 por quatro meses em seguro-desemprego a pessoas desempregadas, poderá pagar R$ 500 para segurar o emprego por até 11 meses.

No ano passado, por meio do programa, chamado BEM (Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda), o governo pagou uma complementação de renda aos trabalhadores das empresas que aderiram ao programa, ao custo de R$ 33,5 bilhões.

“O presidente deve anunciar novas medidas para a frente”, afirmou Guedes. De acordo com informações do secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, o novo programa será lançado “nos próximos dias”, informou o jornal O Estado de S. Paulo.

4. Recordes nas médias móveis de mortes por Covid e de novos casos

Pelo 13º dia seguido, o país bateu na quinta (11) seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 1.705, alta de 49% em comparação com a média de 14 dias antes. O patamar de 1.500 mortes na média de 7 dias foi ultrapassado pela primeira vez há três dias.

Pelo segundo dia seguido o país ultrapassou a marca de 2.000 mortes por Covid em um único dia, com 2.207 mortes.
As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de quinta o avanço da pandemia em 24 h no país. Foram contabilizados dados de dois dias do Distrito Federal, que não havia divulgado números de mortes e casos na quarta.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 69.680, alta de 32% em relação ao patamar de 14 dias antes. A média móvel de novos casos representa um recorde desde o início da pandemia. Em apenas um dia houve 78.297 diagnósticos.
Até a segunda, 9.294.537 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 4,39% da população. A segunda dose foi aplicada em 3.317.344 pessoas, ou 1,57% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Em seu boletim quinzenal divulgado na quinta, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) afirmou que o Brasil vive o pior momento da pandemia, acumulando 10,3% das mortes por Covid notificadas no mundo, apesar de o país possuir apenas 3% da população global.

Na terça, a fundação havia divulgado um boletim extraordinário, em que afirmava que 20 unidades da federação estavam em “estado crítico”, com mais de 80% de suas vagas em UTIs ocupadas. Destas, 13 tinham mais de 90% das vagas ocupadas.

“Os recordes de novos casos e óbitos vêm sendo superados diariamente, acompanhados por uma situação de colapso dos sistemas de saúde em grande parte dos estados e municípios”, afirmou a Fiocruz no boletim de quinta.

Segundo reportagem de bastidores do jornal Valor a partir de conversas com técnicos do Ministério da Saúde cujo nome não foi revelado, a expectativa do governo é de que nas próximas seis semanas a média de mortes por covid seja de entre 2.200 e 2.600 por dia. Parte da cúpula da pasta acredita que é possivel que o pico chegue a 3.000 portes por dia.

Também na quinta, o governo de São Paulo endureceu as medidas da fase vermelha, proibindo a realização de cultos, missas e outras atividades religiosas no estado, além de todos os eventos esportivos, inclusive jogos de futebol. Foi instituído um toque de recolher das 20h às 5h. As medidas passam a valer na segunda-feira (15).

Medidas do tipo sofrem oposição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que na quinta-feira classificou o toque de recolher instituído na segunda (8) pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), como “estado de sítio”, e também criticou as medidas adotadas pelo governo de João Doria (PSDB) em São Paulo.

“Até quando nossa economia vai resistir? Que se colapsar, vai ser uma desgraça. Que que poderemos ter brevemente? Invasão a supermercado, fogo em ônibus, greves, piquetes, paralisações. Onde vamos chegar?”, afirmou. Pela noite, em sua live semanal, Bolsonaro afirmou “estamos vendo municípios com guarda municipal e cassetete mantendo todo mundo dentro de casa. Imagina umas Forças Armadas com fuzil (…) como é fácil impor uma ditadura no Brasil”.

Bolsonaro disse que somente ele, na condição de presidente da República, teria poder de tomar uma medida do tipo, mediante consulta ao Congresso Nacional. Segundo juristas ouvidos pelo portal G1, o presidente se equivocou em sua avaliação.

Mas, segundo o jornal Folha de S. Paulo, o presidente vem sendo convencido a alterar seu discurso, devido ao diagnóstico de que sua popularidade vem sofrendo abalo devido à gestão da pandemia. E de que a demora em vacinar pode dificultar a retomada da economia até 2022. Em sua live smentiu ao dizer que nunca teria se referido à Covid como uma “gripezinha”, expressão que usou ao menos duas vezes em março de 2020, e afirmou que nunca foi contra a vacina, apesar de declarações contrárias à imunização.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes anunciou a suspensão da vacinação prevista para pessoas a partir de 75 anos por falta de doses de vacina. Pelo Twitter, Paes afirmou: “tivemos uma procura acima da expectativa e não temos garantia de que as doses que já dispomos sejam suficientes”.

O Consórcio Nordeste, formado pelos governos de estados do Nordeste do país, deve assinar nesta sexta um acordo com o governo da Rússia para comprar 39,6 milhões de doses da vacina Sputnik V, que ainda não obteve aprovação definitiva ou para uso emergencial da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

5. Radar corporativo

A temporada de resultados volta a movimentar o mercado. A construtora e incorporadora Tenda obteve lucro líquido consolidado de R$ 72 milhões no quarto trimestre de 2020, recuo de 5,6% em comparação com o mesmo período de 2019. No acumulado do ano, o lucro totalizou R$ 200,3 milhões, baixa de 24%.

A Moura Dubeux, por sua vez, reverteu o prejuízo de R$ 31,1 milhões do quarto trimestre de 2019 e lucrou R$ 8,7 milhões de outubro a dezembro de 2020. Já a a RNI elevou seu lucro líquido em 145%, na comparação anual, para R$ 12,9 milhões.

A processadora da pagamentos Stone, cujas ações são negociadas na Nasdaq, teve lucro líquido ajustado de R$ 357,8 milhões para o quarto trimestre, alta de 30,1% sobre um ano antes. A elétrica Energisa, por sua vez, lucrou R$ 192 milhões no quarto trimestre de 2020, queda de 45,6% em relação a igual período do ano anterior.

A Eletrobras, por sua vez, anunciou que adiou a divulgação de seus resultados do quarto trimestre de 2020 de hoje (12) para a próxima segunda-feira (15), após o fechamento do mercado. A teleconferência, que seria realizada na segunda, passou para terça-feira às 12 horas.

Ainda no radar dos mercados, a estatal paranaense de energia Copel informou uma proposta de desdobramento das ações da companhia foi aprovada em assembleia geral extraordinária de acionistas.

Entre as companhias com planos de abrir capital, a Athena, controlada pelo Pátria Investimentos, pediu nesta quinta-feira registro para realizar uma oferta inicial de ações (IPO), uma vez que a pandemia da Covid-19 amplia o foco público sobre operadoras de planos de saúde e de hospitais.

Já o novo conselho da mineradora Vale, cujos 12 nomes foram aprovados pelo atual colegiado na véspera, terá sete membros com ampla experiência em sustentabilidade, além de oito considerados independentes, dentre outras inovações, no que promete ser a maior mudança do órgão administrativo desde que a companhia se tornou privada, em 1997. A eleição dos indicados para o período de 2021 a 2023 será feita pelos acionistas na Assembleia Geral Ordinária, em 30 de abril.

Segundo o jornal Valor, de saída da presidência da Petrobras, o economista Roberto Castello Branco deve disputar uma vaga no conselho da Vale, assim como a presidência do colegiado da mineradora nas eleições para renovar o conselho.

 

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