FIQUE DE OLHO

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

Mercados seguem alívio da véspera após sinalização de Pequim ao diálogo com Washington; moratória argentina segue no radar 

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 2,37%, aos 100.524 pontos, repercutindo o desempenho acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre e das bolsas internacionais após dirigentes da China reduzirem o tom da retórica sobre guerra comercial.

Dessa forma, a bolsa brasileira voltou a fechar acima dos 100 mil pontos pela primeira vez em cinco pregões, registando o melhor desempenho diário desde 21 de maio, quando o benchmark subiu 2,76%.

Hoje, os investidores vão acompanhar os números do desemprego do IBGE e do setor público consolidados de julho. Já nos EUA, na agenda de indicadores, sairá o índice de preços de gastos dos consumo de julho, que serve de indicativo para a política monetária do Federal Reserve.

Na Argentina, a S&P rebaixou o rating soberano em moeda estrangeira de longo prazo do país de B- para SD (default seletivo).

Confirma os destaques desta sexta-feira:

1. Bolsas Internacionais

As bolsas asiáticas fecharam em sua maioria em alta, em meio aos sinais positivos por parte de Pequim, anunciados ontem, após o fechamento dos mercados locais.

Ainda no Oriente o Banco da Coreia manteve sua taxa básica de juros, em uma decisão que estava de acordo com as expectativas dos analistas consultados pela Reuters.

Na Europa, as bolsas operam em alta nesta manhã. Junto com as preocupações com a guerra comercial sino-americana, os investidores monitoram o movimento de saída do Reino Unido da União Europeia.

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A oposição ao primeiro-ministro Boris Johnson busca desencadear um debate de emergência no Parlamento na próxima semana na tentativa de impedir um Brexit, no dia 31 de outubro, sem um acordo.

Entre os indicadores, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 1% na comparação anual de agosto, permanecendo no nível de julho. O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

A leitura prévia de agosto mantém a inflação da zona do euro bem distante da meta do Banco Central Europeu (BCE), que é de uma taxa ligeiramente inferior a 2%, abrindo o caminho para que a instituição volte a adotar medidas de estímulos.

Já a taxa de desemprego da zona do euro ficou em 7,5% em julho, igual à do mês anterior e permanecendo no menor nível desde julho de 2008, segundo a Eurostat. O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

A Eurostat estima que havia 12,322 milhões de desempregados na zona do euro em julho. Em relação a junho, o número de pessoas sem emprego na região teve queda de 16 mil.

Já na Alemanha, as vendas no varejo sofreram queda de 2,2% em julho ante junho, no cálculo com ajustes sazonais, segundo dados divulgados hoje pela agência de estatísticas do país, a Destatis. Na comparação anual, por outro lado, as vendas no varejo alemão tiveram alta de 4,4% em julho.

Entre as commodities, o preço futuro do minério de ferro dispara, enquanto o do petróleo recua nesta manhã.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h25 (horário de Brasília):

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S&P 500 Futuro (EUA), +0,61%
Nasdaq Futuro (EUA), +0,64%
Dow Jones Futuro (EUA), +0,61%
DAX (Alemanha), +1,20%
FTSE (Reino Unido), +0,52%
CAC-40 (França), +0,88%
FTSE MIB (Itália), +0,54%
Hang Seng (Hong Kong), +0,08% (fechado)
Xangai (China), -0,16% (fechado)
Nikkei (Japão), +1,19% (fechado)
Petróleo WTI, -0,95%, a US$ 56,18 o barril
Petróleo Brent, -0,15%, a US$ 60,99 o barril
Bitcoin, US$ 9.625,29, +1,47%
R$ 40.487, -0,27% (nas últimas 24 horas)
Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 4,02%, cotados a 607,50 iuanes, equivalentes a US$ 84,99 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, às 9h00, o IBGE informa os números do desemprego medidos pela PNAD Contínua do trimestre encerrado em julho. Antes, às 8h00, a FGV divulga o índice da confiança empresarial de agosto, enquanto às 10h30 o Banco Central o resultado fiscal e da dívida do setor público.

Nos Estados Unidos, às 9h30, o Departamento do Comércio informa a renda pessoal de julho; às 10h45, sai o índice de atividade industrial de agosto do ISM/Chicago; e às 11h00, o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan.

À noite, na China, será informado o índice de gerentes de compras (PMI) industrial de agosto.

3. Noticiário Político e Econômico

O presidente Jair Bolsonaro comemorou a alta do PIB do segundo trimestre do ano em sua Live semanal. “Não sei o que será desse trimestre que já começou, mas o 0,4% é muito bem-vindo”, disse. Bolsonaro aproveitou para falar dos cortes de gastos. Os gastos públicos diminuíram sobre o primeiro trimestre, estamos fazendo tudo para que não haja desvios”, afirmou.

“Questão da nossa economia vem em função que começamos a recuperar a confiança perdida nos últimos anos”, declarou, ponderando que “obviamente, a economia tem de melhorar bastante”. E disse reconhecer o “árduo trabalho” que teria o ministro da Economia, Paulo Guedes. “Precisamos de recursos”, acrescentou.

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O presidente voltou a afirmar sobre o estado que encontrou o País. Disse que também havia problema “ético e moral”. “A agenda conservadora é tão criticada, mas é essencial, é a âncora, base de uma sociedade”, disse ele.

Sobre possíveis vetos ao Projeto de Lei de Abuso de Autoridade, aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados no dia 14 de agosto, ele afirmou que o ministro Sergio Moro está propondo, “se não me engano, nove vetos”. “E tem mais pessoas propondo vetos. A gente vai analisar e vamos decidir”, disse o presidente.

Bolsonaro descartou, entretanto, o veto integral ao projeto, apesar de pressões de alguns setores da sociedade por esse encaminhamento. “O projeto lá tem dezenas de artigos. Bons artigos a gente vai deixar lá”, acrescentou.

Ainda sobre Moro, Bolsonaro defendeu seu ministro da Justiça, afirmando ser “um patrimônio nacional”, que abriu mão de 22 anos de magistratura “não para entrar numa aventura, mas sim na certeza que todos nós juntos podemos fazer melhor para nossa pátria”.

O presidente afirmou mais de uma vez que seus ministros têm “liberdade”. “Eles devem satisfação a vocês, povo brasileiro. E eles têm uma coisa importante: iniciativa. Têm essa liberdade de buscar soluções ao nosso Brasil”, declarou o presidente.

Na política, destaque também para a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que negou mais um pedido feito pela defesa do ex-presidente Lula para reconhecer a suspeição dos procuradores da Operação Lava Jato e determinar a soltura dele.

No habeas corpus protocolado em 12 de agosto, a defesa de Lula alegou que supostas mensagens divulgadas pelo site The Intecept Brasil e por outros órgãos de imprensa confirmam que os procuradores atuaram ilegalmente para acusar Lula. Segundo Fachin, a questão deve ser decidida definitivamente, no mérito.

4. Argentina

A S&P afirmou que o anúncio do governo da Argentina, segundo o qual o país adiaria pagamentos de dívida de curto prazo a investidores institucionais, representa um default “sob nossos critérios”. Isso levou a agência a rebaixar o rating soberano em moeda estrangeira de longo prazo do país de B- para SD (default seletivo). Os ratings de emissão de curto prazo foram rebaixados para D (default).

Em comunicado, a S&P argumenta que, por seus critérios, a extensão dos vencimentos de dívida de curto prazo que devem ser pagos somente mais adiante, segundo o governo local, constitui um default. Os ratings de emissão de longo prazo da Argentina foram cortados de B- para CCC-, complementa.

A S&P diz que há riscos associados a um eventual fracasso para avançar com os planos do governo do presidente Mauricio Macri, bem como a perspectiva de que o estresse nos mercados perdure após a eleição presidencial, que terá primeiro turno em 27 de outubro.

A agência afirma que as vulnerabilidades mais acentuadas do perfil de crédito da Argentina são fruto da “rápida deterioração do ambiente financeiro, da ausência de confiança nos mercados financeiros sob as políticas na próxima administração” e da “incapacidade do Tesouro de rolar dívida de curto prazo com o setor privado”.

O jornal Valor Econômico destaca que economistas e analistas argentinos avaliam que, se o governo Macri não receber nenhum sinal positivo nos próximos dias, seja dos credores da dívida, do mercado de capitais ou do FMI, as chances de uma moratória desordenada cresceram substancialmente.

A Folha destaca que o governo, inclusive, vem tentando evitar o termo moratória ou default, já que, caso isso seja oficializado, serão acionados seguros de crédito que demandariam gasto extra ao país e a detentores de títulos.

5. Noticiário Corporativo

O Bradesco anunciou um novo programa de demissão voluntária (PDV), o segundo na história do banco. O objetivo do movimento, conforme o vice-presidente da instituição, André Cano, é adequar o quadro de colaboradores ao avanço da tecnologia, que, se de um lado permite uma maior produtividade, do outro, diminui a exigência de pessoal.

O PDV do Bradesco ocorre após os concorrentes Itaú Unibanco e Banco do Brasil também anunciarem iniciativas nesta direção. O BB desligou 2,3 mil funcionários, ao custo de R$ 260 milhões, enquanto o Itaú aceita adesões até o próximo sábado e mira um número de 6,9 mil pessoas.

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O Bradesco não abriu o número de funcionários almejado com o PDV nem mesmo a economia de gastos que terá após o movimento. O segundo PDV do Bradesco terá início na próxima segunda-feira, dia 02, e vai até o dia 16 de outubro. Na mira, estão funcionários com mais de 20 anos de casa.

Diante de um cenário dramático de necessidade de corte de despesas em 2020, o governo avalia suspender novas contratações do programa Minha Casa Minha Vida e redirecionar recursos do Sistema S para bancar alguns gastos do Orçamento. A intenção é suspender as contratações por um prazo que garanta uma economia de despesas de R$ 2 bilhões.

O anúncio vem em um momento de recuperação do setor imobiliário, com os financiamentos à compra e à construção de imóveis atingindo R$ 6,7 bilhões em julho, alta de 10,5% em relação a junho e avanço de 36,0% frente ao mesmo mês do ano passado, segundo Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)