FIQUE DE OLHO

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Mercados operam com cautela após início de nova rodada de taxas na guerra comercial EUA-China, em meio a feriado nos EUA; no Brasil, Bolsonaro fará nova cirurgia 

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a última semana acumulando alta de 5%, atingindo os 101.134 pontos, puxado pela divulgação do Produto Interno Bruto de 0,4% – resultado acima do esperado, que era de 0,2% – assim como pela disposição da China em negociar um acordo comercial com os Estados Unidos.

Hoje, com os mercados acionários norte-americanos fechados por conta de feriado, os investidores monitoram os primeiros efeitos do início das taxas de produtos chineses pelos Estados Unidos e vice-versa, em meio à guerra comercial travada entre os dois países.

Os EUA passaram a taxar em 15% uma variedade de produtos, como calçados, relógios inteligentes e televisores de tela plana, enquanto pelo lado chinês os alvos foram as compras de petróleo e soja, com taxas entre 5% e 10%.

Segundo CNBC, porém, apenas um terço dos cerca de 5 mil itens que a China espera taxar passaram a vigorar neste final de semana. A maioria entrará em vigor no dia 15 de dezembro, assim como os planos de restabelecer tarifas sobre automóveis e autopeças dos EUA.

No Brasil, os investidores seguem acompanhando a agenda política no Congresso, que terá a votação essa semana do relatório da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Sem indicadores nos EUA, a agenda econômica estará focada no Brasil, com o Boletim Focus, às 8h25, que poderá trazer revisão positiva para o PIB deste ano e 2020, após o resultado acima do esperado do segundo trimestre.

Ainda entre os indicadores brasileiros, a FGV informa, às 8h00, a inflação medida pelo IPC-S; a Markit divulga, às 10h00, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês); e à tarde saem os da balança comercial de agosto e os indicadores industriais da CNI.

Destaque no Brasil ainda para a nova cirurgia de Jair Bolsonaro, desta vez, para correção de uma hérnia incisional. O problema surgiu em decorrência das intervenções cirúrgicas pelas quais o presidente foi submetido após ter sido vítima de uma facada há um ano, às vésperas da eleição presidencial.

Já a Folha de S.Paulo traz pesquisa informando que a reprovação do governo Bolsonaro subiu de 33% em julho para 38% em agosto. Dessa forma, segundo o DataFolha, ele segue sendo o presidente mais mal avaliado em início de mandato, desde Fernando Collor.

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Confirma os destaques desta segunda-feira:

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, as bolsas fecharam de forma mista nesta segunda-feira, após o início da última rodada de tarifas da guerra comercial sino-americana entrando em vigor no final de semana.

Uma pesquisa privada sobre o setor manufatureiro da China mostrou que a atividade fabril cresceu inesperadamente em agosto, diz a CNBC. Os dados contrastaram com dados oficiais divulgados no fim de semana mostrando que a atividade fabril na China caiu pelo quarto mês consecutivo em agosto.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da China caiu de 49,7 em julho para 49,5 em agosto, informou nesta sexta-feira o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) do país, ligeiramente abaixo da estimativa de 49,6 de analistas consultados pelo Wall Street Journal.

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Ainda na China, o Conselho Estatal afirmou em comunicado publicado no domingo que atribui “grande importância” ao desenvolvimento de setores como os de infraestrutura e de alta tecnologia, assim como à transformação de indústrias tradicionais.

O documento diz que a atual situação da China é “estável, de forma geral”, que o sistema financeiro funciona “suavemente” e com solidez e que todos os tipos de riscos são “controláveis”. Além disso, afirma que o país precisa ampliar o ajuste contracíclico das políticas macroeconômicas e promover a transmissão da política monetária “de maneira vigorosa”.

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Na Europa, os principais índices operam cautelosamente em alta, em meio à nova rodada de tarifas comerciais e questões políticas, como a saída do Reino Unido da União Europeia e as discussões para formação de um novo governo na Itália.

Entre os indicadores, o PMI industrial da zona do euro subiu de 46,5 em julho para 47 em agosto, mas permaneceu perto dos menores níveis em mais de seis anos, segundo pesquisa final divulgada hoje pela IHS Markit. A leitura abaixo de 50 marcou contração na manufatura do bloco pelo sétimo mês consecutivo.

O resultado final confirmou a prévia de agosto e veio em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Entre as commodities, destaque para a disparada no minério de ferro e a queda no petróleo.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h37 (horário de Brasília):

S&P 500 Futuro (EUA), (fechado por feriado)
Nasdaq Futuro (EUA), (fechado por feriado)
Dow Jones Futuro (EUA), (fechado por feriado)
DAX (Alemanha), +0,18%
FTSE (Reino Unido), +1,20%
CAC-40 (França), +0,28%
FTSE MIB (Itália), +1,30%
Hang Seng (Hong Kong), -0,38% (fechado)
Xangai (China), +1,31% (fechado)
Nikkei (Japão), -0,41% (fechado)
Petróleo WTI, -0,05%, a US$ 55,09 o barril
Petróleo Brent, -0,19%, a US$ 58,41 o barril
Bitcoin, US$ 9.813,21, +2,05%
R$ 40.423, +0,08% (nas últimas 24 horas)
Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 5,97%, cotados a 630,00 iuanes, equivalentes a US$ 87,99 (nas últimas 24 horas).

2. Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro se manifestou no domingo pelas redes sociais sobre o seu estado de saúde e a nova cirurgia que será submetido. “Agora em São Paulo com os Drs.[Antonio Luiz] Macedo e Leandro [Echenique, cardiologista]. Pelo que tudo indica curtirei uns 10 dias de férias com eles brevemente. Bom dia a todos”, disse.

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O problema, segundo informou em nota o médico da Presidência da República, Ricardo Peixoto Camarinha, surgiu em decorrência das intervenções cirúrgicas pelas quais o presidente foi submetido depois de ter sido vítima de uma facada.

No final de semana, Bolsonaro, voltou a criticar a proposta da equipe econômica de criar um imposto sobre meios de pagamento, que tem sido comparado à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), extinta em 2007.

“Essa ideia não dá, já falei para a equipe”, afirmou o presidente, em almoço com jornalistas no quartel-general do Exército, em Brasília. “A CPMF é um imposto muito carimbado, as pessoas não gostam”, disse.

Bolsonaro afirmou também que o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, poderá enviar uma nova reforma trabalhista, caso ele tenha propostas para isso. Apesar de não concordar com a “nova CPMF”, Bolsonaro defendeu que a reforma tributária inclua apenas os tributos federais.

O jornal Folha de S.Paulo informa que porcentual de pessoas que consideram o governo ruim ou péssimo subiu a 38% em agosto, assim como ocorreu a redução de sua aprovação, de 33% em julho, para 29% em agosto.

A pesquisa do DataFolha traz que 32% dos entrevistados consideram que Bolsonaro não se comporta como presidente em nenhuma situação, enquanto 23% consideram que se comporta em algumas situações. Já 27% afirmam que se comporta na maioria das vezes e 15% em todas as ocasiões.

Já no quesito confiança, 44% afirmam que nunca confiam, 36% que confiam às vezes e 19% que sempre confiam. No geral, os números destacam ainda uma alta na rejeição do presidente no Nordeste, entre os períodos da pesquisa, de 41% para 52%, e entre os mais ricos, de 52% para 37%.

3. Congresso e Economia

A proposta paralela da reforma da Previdência, elaborada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB) para ser analisada depois da votação do texto principal, que foi aprovado na Câmara, corre o risco de desidratar ainda mais a economia esperada com a reforma ou até mesmo “morrer” já no Senado se o formato desenhado for mantido, na avaliação de parlamentares ouvidos pelo Estadão.

Em outubro, o Senado deverá concluir a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) principal. Sobre esse texto, Jereissati propôs alterações que apenas suprimem alguns pontos. Dessa forma, o texto não precisa voltar à Câmara e pode seguir para sanção presidencial. Mas essas mudanças tiram o equivalente a R$ 31 bilhões, em dez anos, da economia do projeto aprovado pelos deputados.

As compensações a essa perda – como a cobrança de contribuição previdenciária para o agronegócio e para entidades filantrópicas – dependem da aprovação de outras medidas, que serão reunidas no que passou a se chamar de “PEC paralela”. Essa proposta, se aprovada no Senado, ainda terá de passar pela Câmara.

Mas alguns parlamentares têm dúvidas sobre a aprovação dessas mudanças no próprio Senado. “Para mim hoje será a PEC da balela. Ela não é paralela, porque está na cara que essa PEC só passa aqui no Senado e vai para a gaveta. Ela não anda na Câmara, por razões óbvias”, comentou o líder do PDT no Senado, Weverton Rocha (MA).

A apresentação da PEC paralela também abriu brechas para corporações tentarem flexibilizar regras estabelecidas pela reforma da Previdência. O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), já prepara emendas que atendam às forças policiais.

Senadores já consultaram a Comissão de Constituição e Justiça sobre a possibilidade de apresentar emendas para a PEC paralela. Na quinta-feira, 29, os presidentes da Câmara e do Senado se reuniram com Jereissati e fecharam um acordo para acelerar a tramitação da PEC paralela.

Eles admitiram, no entanto, que não será simples, especialmente na Câmara. Rodrigo Maia lembrou que a oneração para o agronegócio não passou na Comissão Especial. A cobrança para as filantrópicas, por outro lado, “é um debate que pode ter um bom resultado”, considerou.

Destaque ainda para o primeiro Orçamento apresentado pela gestão do presidente Jair Bolsonaro, em que as despesas com custeio da máquina pública e investimento prometem ficar no menor patamar da história, o que pode travar no próximo ano o funcionamento dos ministérios.

Para 2020, as chamadas despesas discricionárias – que reúnem gastos com itens como compra de materiais, diárias, energia elétrica, além de investimentos em infraestrutura e bolsas de estudo – estão estimadas em R$ 89,161 bilhões. Neste ano, essas despesas começaram em R$ 102 bilhões, mas, após cortes, estão agora em R$ 84 bilhões.

No caso dos investimentos, o Orçamento para 2020 prevê apenas R$ 19 bilhões, uma queda de 29,3% em relação ao previsto na Lei Orçamentária de 2019. Será o menor patamar de investimentos em uma década. O número é 15% inferior ao volume que será de fato executado neste ano.

O estrangulamento é efeito da regra do teto de gastos, que limita o crescimento do total das despesas públicas à variação da inflação no ano anterior. Como o governo não pode cortar aposentadorias, benefícios sociais e salários, os chamados gastos obrigatórios, o ajuste acaba sendo feito nas despesas discricionárias.

Do fim de 2016 até o fim de 2019, os gastos obrigatórios vão crescer mais de R$ 200 bilhões, enquanto custeio e investimento terão caído mais de R$ 46 bilhões no mesmo período.

Dessa forma, o governo vai precisar de uma autorização especial do Congresso para cumprir o Orçamento de 2020. O prevê uma insuficiência de R$ 367,031 bilhões para o cumprimento da regra de ouro, montante superior aos R$ 248,9 bilhões pedidos para este ano.

4. Argentina

O Banco Central da República Argentina (BCRA) começará a intervir a partir de hoje de forma mais agressiva no mercado de câmbio para tentar conter a alta do dólar, segundo o jornal La Nación.

A expectativa é de que a autoridade monetária utilize um esquema semelhante ao adotado há pouco mais de um ano, quando, em meio a uma depreciação do peso e a um novo acordo com o FMI fixou o valor da moeda americana com uma oferta diária de US$ 5 bilhões. A medida, que durou 20 dias, foi efetiva.

Dessa forma, o governo argentino também buscará recuperar a paz no mercado de câmbio mostrando um diálogo com a oposição no Congresso, disseram fontes oficiais ao La Nación.

A procura por dólares no país se intensificou na semana passada, após o governo de Mauricio Macri anunciar que não pagará a maior parte de sua dívida de curto prazo na data de vencimento, adiando uma parcela para daqui a seis meses.

Isso significa que a conta poderá ficar nas mãos de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, que formam a chapa da oposição e saíram vencedores nas eleições primárias para a presidência do país, em 11 de agosto. A eleição final será em 27 de outubro.

Caso o BC argentino mantenha a queima de reservas internacionais, para tentar segurar a desvalorização do peso, elas poderão se esgotar em menos de dois meses. Apesar de afirmar possuir US$ 57 bilhões em reservas, pouco menos de US$ 13 bilhões são líquidos.

O BC anunciou ainda que os bancos que operam no país terão de pedir autorização para distribuir seus resultados. A medida inviabiliza a remessa de lucros de bancos internacionais para suas sedes.

5. Noticiário Corporativo

A Petrobras informou, em relação à primeira fase dos processos de venda de ativos de refino e logística associada no país, que inclui as refinarias Abreu e Lima (RNEST), Landulpho Alves (RLAM), Presidente Getúlio Vargas (REPAR) e Alberto Pasqualini (REFAP) e seus ativos logísticos correspondentes, que, tendo em vista o interesse do mercado, estendeu o prazo de notificação para participar em tais processos para 16/09/2019. O prazo para assinatura do Acordo de Confidencialidade e dos demais documentos previstos nos Teasers permanece 27/09/2019.

Já a Petrobras Distribuidora informou ter recebido valores referentes aos Instrumentos de Confissão de Dívidas – ICDs assinados com as Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – Eletrobras e suas controladas distribuidoras de energia. Até o presente momento, a companhia recebeu o montante de aproximadamente R$ 2,679 bilhões, dos quais R$ 125,9 milhões correspondem à 16ª parcela. A companhia informa que futuros pagamentos vinculados a estes ICDs serão tempestivamente divulgados ao mercado.

(Com Agência Estado e Bloomberg)