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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Bolsas europeias têm sessão de cautela com aumento dos contágios de Covid por variante delta; impactos da CPI da Covid, reforma tributária e mais

SÃO PAULO – Na sessão desta segunda-feira (28), as bolsas europeias têm sessão de cautela, com os investidores monitorando o aumento dos casos de Covid-19 pelo mundo.

Por aqui, após a forte queda dos mercados com os investidores monitorando os impactos da proposta da reforma tributária, o tema deve seguir pautando o mercado brasileiro nesta sessão, assim como os desdobramentos da CPI da Covid. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

Os principais índices dos mercados europeus registram leve queda na sessão desta segunda-feira (28), com os investidores monitorando o aumento dos casos de Covid-19 pelo mundo.

O índice Stoxx 600 pan-europeu registrava baixa de 0,3% nas primeiras negociações, com as ações de viagens e lazer caindo 2,7%, enquanto as ações de saúde avançaram 0,4%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu na sexta-feira que as pessoas totalmente vacinadas continuem a usar máscaras, já que a variante delta altamente contagiosa se espalha rapidamente por todo o mundo.

Assim como na Europa, o início de semana cauteloso também ocorre em índices da Ásia, depois que dados oficiais mostraram que os lucros industriais da China em maio desaceleraram.

Dados divulgados no domingo pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China mostraram que os lucros das empresas industriais chinesas subiram 36,4% em maio em comparação com o ano anterior, uma desaceleração em relação ao crescimento ano-a-ano de 57% registrado em abril.

Ainda no radar, a China tornará sua política monetária prudente flexível, direcionada e apropriada, disse o banco central na segunda-feira, enquanto mantém a liquidez interbancária em nível razoável. O Banco do Povo da China intensificará a coordenação da política econômica internacional e evitará choques externos para consolidar a atual recuperação econômica, afirmou o órgão após a conclusão de sua reunião trimestral do comitê de política monetária. Isso levará a uma queda ainda maior nas taxas de juros reais de empréstimos, ao mesmo tempo em que mantém a taxa de câmbio do iuan mais flexível, reiterou.

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Os índices futuros americanos, por sua vez, operam próximos à estabilidade, em meio às indicações de autoridades do Federal Reserve de que as pressões inflacionárias dos Estados Unidos são apenas temporárias.

Na sexta passada, o índice S&P marcou seu novo patamar recorde, de 4.280,7 pontos, e fechou sua melhor semana desde fevereiro. Enquanto isso, o Dow Jones subiu 237,02 pontos, ficando a menos de 2% de seu recorde. O Nasdaq Composto teve queda na sexta, mas na semana acumulou alta de 2,35%, o melhor resultado desde 9 de abril, acumulando alta de 4,45% para o mês de junho.

Na semana passada, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que seu indicador de inflação subiu 3,4% em maio, o ritmo mais intenso desde o início da década de 1990.

Apesar disso, o patamar ainda ficou abaixo da expectativa de economistas ouvidos pela Dow Jones. Investidores assumiram uma postura mais confiante quanto à inflação, que vêm encarando como um fator temporário e administrável.

Na próxima sexta, o Departamento de Emprego dos Estados Unidos divulgará seu relatório de emprego relativo a junho, que trará mais informações sobre o estado da economia do país. A expectativa de economistas é de que sejam criados 683 mil empregos não agrícolas, acima dos 559 mil de maio, mas ainda longe do patamar de 1 milhão que alguns analistas apontaram como possível para a economia americana em recuperação após a pandemia.

Na quinta, o presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, declarou que um grupo bipartidário de senadores aprovou um acordo multibilionário visando melhorar as estradas, pontes, hidrovias e banda larga do país, após semanas de negociação.

Democratas vêm buscando promover ainda uma segunda legislação, que incluiria verba para questões como mudança climática, infância, saúde e educação. Mas, no sábado, Biden afirmou que não pretende vetar a legislação já aprovada, caso a nova legislação defendida pelos democratas não prospere. Assim, o presidente fortaleceu a possibilidade de que o acordo já fechado avance.

O Bitcoin sobe, apesar da Inglaterra apertar as regulações sobre criptomoedas ao banir a corretora Binance.

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Veja o desempenho dos principais indicadores às 7h20 (horário de Brasília):

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,03%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,19%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,07%
Europa
*Dax (Alemanha), -0,15%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,54%
*CAC 40 (França), -0,43%
*FTSE MIB (Itália), -0,52%
Ásia
*Nikkei (Japão), -0,06% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -0,07% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,03% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,03% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -0,03%, a US$ 74,03 o barril
*Petróleo Brent, -0,12%, a US$ 76,09o barril
*Bitcoin, +4,36%, a US$ 34.242
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 2,09%, cotados a 1196 iuanes, equivalente hoje a US$ 185,42 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,45

2. Agenda

O Banco Central (BC) publicou às 8h25 o boletim Focus, que compila as projeções econômicas feitas por uma série de instituições. A projeção do Focus para 2021 subiu de 5,90% para 5,97% e foi mantida em 2022 em 3,78%. Já o PIB deste ano foi de alta de 5% para alta de 5,05% e, de 2022, foi de 2,10% para 2,11%. A Selic ao final deste ano e de 2022 foi mantida em 6,5%. A projeção do dólar ao final deste ano foi mantida em R$ 5,10 e permaneceu em R$ 5,30 ao final de 2022.

Às 9h30, sairão os dados de crédito do BC.

Com horário definido, às 14h30 será divulgado o relatório mensal da dívida pública de maio.

Roberto Campos Neto participa, de forma virtual, do Seminário Open Banking, realizado pela Folha e pela Embratel, a partir das 15h.

Ainda na agenda doméstica, às 16h será divulgado o dado do Caged, com a expectativa, segundo consenso Bloomberg, de criação líquida de 157.500 vagas.

Nos EUA, sem indicadores relevantes na agenda, atenção para as falas de autoridades do Federal Reserve. Presidente do Fed de NY, John Williams participa de discussão em painel do BIS às 10h. Já Patrick Harker, da Filadélfia, discursa em evento às 12h.

3. Covid no Brasil e CPI

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O Brasil totalizou 513.544 mortes por Covid-19, sendo 725 nas últimas 24 horas, de acordo com dados do último domingo (27), consolidados às 20h. A média móvel de mortes nos últimos 7 dias foi a 1.661 – ficando abaixo de 2 mil pelo sexto dia seguido. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de queda de 16% .

Após 40 dias, a média móvel de mortes decorrentes do vírus voltou a apontar tendência de queda, de acordo com levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil.

Na sexta-feira, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que levou ao conhecimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) suspeitas de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin e ouviu do mandatário que eram coisa de Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados.

O parlamentar e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, foram ouvidos por mais de 8h pelo colegiado após conteúdo de depoimento sigiloso do servidor junto ao Ministério Público Federal (MPF) ser revelado, sobre um suposto caso de corrupção nas negociações para a aquisição do imunizante por parte da pasta.

Durante o depoimento, o servidor reforçou a versão de que sofreu “pressão atípica” para assinar com celeridade documentos para a liberação da Covaxin. O deputado federal, por sua vez, narrou contatos que teve com Bolsonaro e seu entorno sobre o assunto. Um dos episódios relatados foi de reunião entre os três no Palácio da Alvorada, em 20 de março.

“Ele nos recebeu num sábado, por conta de que eu aleguei que a urgência era urgente, urgentíssima, devido à gravidade das informações trazidas pelo meu irmão para a minha pessoa.

O presidente entendeu a gravidade. Olhando os meus olhos, falou: ‘Isso é grave!’ Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome pra mim, dizendo: ‘Isso é coisa de fulano’. Não me recordo. E falou: ‘Vou acionar o DG da Polícia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave, isso que está ocorrendo’”, afirmou.

O depoimento do deputado vai levar o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a apresentar uma representação contra o presidente Jair Bolsonaro na Procuradoria-Geral da República (PGR). O parlamentar acusa o chefe do Planalto de cometer crime de prevaricação ao não ter determinado a apuração de um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra da vacina indiana.

 

4. Reforma tributária

O grande destaque no noticiário econômico e que deve seguir no radar dos mercados é a reforma tributária, com o governo enviando a parte focada na tributação da renda na sexta-feira.

É esperado que a proposta seja fruto de amplos debates e não saia do Legislativo da mesma forma que chegou. Embora o governo tenha buscado impacto fiscal neutro, a Receita espera aumento de R$ 900 milhões na arrecadação em 2022, caso a proposta original seja aprovada.

O projeto de lei da segunda fase da reforma tributária estabelece alteração na renda de corte para a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas dos atuais R$ 1.903,98, para R$ 2.500. Pelo novo quadro, 16,3 milhões de brasileiros estarão isentos do IR, ante os atuais 10,7 milhões, aumento de 31% na faixa de isenção.

O Ministério da Economia projetou um ganho de arrecadação em torno de R$ 1,9 bilhão em três anos com a implementação da segunda fase da reforma tributária.

Em coletiva de imprensa remota, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que a pasta projeta um efeito líquido positivo das medidas de cerca de R$ 980 milhões para 2022.
Para 2023 e 2024, a Economia projeta resultados positivos, respectivamente, da ordem de R$ 330 milhões e R$ 590 milhões. “Todos os reajustes, as calibrações que foram feitas nas alíquotas, foram com vistas a manter a diretriz de consolidação do resultado fiscal”, explicou.

Em fala à Câmara dos Deputados, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro defendia que o limite fosse para R$ 3.000 mas a avaliação é que não haveria espaço fiscal para se chegar a esse valor. “Não há o menor risco de desequilibrarmos as finanças”, afirmou Guedes.

Ainda assim, o ministro disse que cerca de 30 milhões de brasileiros assalariados vão pagar menos Imposto de Renda.
Além disso, em projeto apresentado à Câmara dos Deputados na sexta-feira, o governo propôs a redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica dos atuais 15% para 12,5% no próximo ano e para 10% a partir de 2023. O adicional de 10% para lucros acima de 20 mil reais por mês será mantido, segundo apresentação da Receita Federal divulgado à imprensa.

Pela proposta do governo, pagamentos de gratificações e participação nos resultados aos sócios e dirigentes feitos com ações da empresa não poderão mais ser deduzidos como despesas operacionais. Também está sendo vedada a possibilidade de deduzir juros sobre o capital próprio.

“Com um mercado de crédito muito mais evoluído e os juros menores, não é mais preciso dar benefício para que o empresário invista seu dinheiro na própria empresa”, diz o texto da apresentação.

O governo informou que também quer acabar com a alternativa de apuração anual. Segundo a apresentação, todas as empresas deverão apurar trimestralmente o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com a permissão de se compensar 100% do prejuízo de um trimestre nos períodos seguintes.

A proposta não agradou o mercado financeiro na sexta, fazendo o Ibovespa cair 1,74%. O governo pretende taxar em 20% os dividendos pagos pelas empresas, na fonte.

Diferentemente do que havia sido noticiado no início da semana passada, a isenção de R$ 20 mil por mês de dividendos recebidos passa a valer apenas para pequenas e microempresas. Dividendos das empresas da Bolsa passam a ser tributados a todos os investidores.

Em entrevista ao Estadão, o economista Bernard Appy, fundador do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e uma das cabeças por trás da reforma tributária vista na PEC 45, classifica as atuais mudanças anunciadas pelo Ministério da Economia como “populistas” e com viés eleitoral. Para ele, há coisas boas no anúncio da equipe do ministro Paulo Guedes, mas que possuem “erros clássicos de desenho tributário”.

Segundo Appy, a proposta nem sequer poderia ser considerada uma reforma tributária, pois não tem o potencial de ampliar o ritmo de crescimento do País. “A minha visão é que as propostas têm um efeito eleitoral positivo, mas são ruins para o crescimento de longo prazo”, diz Appy.

“O aspecto populista é evidente no reajuste na tabela (do IR). É uma medida eleitoral. Em contrapartida, as mudanças, principalmente para as grandes empresas, tornarão o investimento no Brasil menos atraente. E isso tanto para os brasileiros quanto para os estrangeiros. A calibragem foi pesada para as empresas, pois vão reduzir o Imposto de Renda e aumentar na distribuição de lucros, que é uma ideia positiva, mas não foi bem calibrado”, afirmou. Veja mais aqui. 

 

5. Radar corporativo

A Simpar informou em fato relevante na noite desta sexta-feira que os Conselhos de Administração da Movida e da CS Participações aprovaram os documentos finais da reorganização societária, com o objetivo de integrar os negócios da Movida e da CS Frotas, conforme divulgado no dia 3 de fevereiro de 2021.

A incorporação de ações e documentos correlatos serão submetidos à aprovação dos acionistas da Movida e da CS Participações em assembleias convocadas para o próximo dia 26 de julho.

Já o banco BR Partners ganhou a licitação para fazer a avaliação do grupo Eletrobras em seu processo de capitalização. A seleção ocorreu após o envio, pelos bancos contatados de propostas, que foram posteriormente analisadas pela companhia.

A avaliação econômico-financeira é um dos primeiros passos para que a estatal caminhe para sua privatização. Na última semana, a Câmara dos Deputados aprovou o parecer da Medida Provisória que permite a saída da União do controle da empresa de energia elétrica.

Ainda em destaque, a Ambipar fechou  a compra de 100% da Disal Ambiental Holding, atuante há 40 anos com soluções de gestão ambiental no Chile, Peru e Paraguai, com foco na gestão de resíduos industriais, com tratamento e coleta de sólidos e líquidos perigosos.

O conglomerado industrial Ultrapar anunciou na sexta-feira (25) a venda de sua participação de 50% na empresa de meios de pagamento eletrônico ConectCar, que atua na abertura de cancelas de pedágios e estacionamentos. A fatia foi vendida para a Portoseg, unidade da Porto Seguro, por R$ 165 milhões, valor sujeito a ajustes. Trata-se da segunda venda de ativos por parte da Ultrapar, que está se consolidando nos segmentos de distribuição de combustíveis e petróleo e gás. Em meados de maio, a Ultrapar anunciou a venda de sua rede de drogarias Extrafarma para a Pague Menos por R$ 700 milhões.

A Equatorial Energia venceu na sexta-feira o leilão de privatização da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), responsável pela distribuição de energia no Estado do Norte do país. Como vencedora, a Equatorial deverá responder por R$ 3 bilhões de investimentos pelo período de 30 anos. No certame, a companhia fez a única oferta pela CEA, que foi adquirida por um valor simbólico. O novo controlador, porém, terá de assumir passivos precificados em cerca de R$ 1 bilhão

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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