Fique de olho

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Bolsas mundiais caem com segunda onda do coronavírus na Europa e com investidores atentos à impasse fiscal nos EUA; confira os destaques

gráfico de ações e índices em queda
(Shuterstock)
Aprenda a investir na bolsa

As bolsas europeias e os índices futuros americanos amanheceram em baixa nesta segunda-feira (26), com novas restrições na Europa em resposta à aceleração da propagação do coronavírus no Hemisfério Norte e recorde de novos casos nos Estados Unidos desde o início da pandemia. O avanço do vírus em economias importantes também impactou bolsas asiáticas, que fecharam com tendência de baixa.

Há pouco entusiasmo quanto à aprovação de um novo pacote de estímulos para lidar com a crise causada pela pandemia nos Estados Unidos. Além disso a produtora alemã de softwares corporativos SAP revisou para baixo as projeções sobre seus resultados para os próximos anos, impactando as bolsas na Europa, especialmente nas Alemanha.

No Brasil, a maioria dos empresários tem otimismo quanto à melhora da economia. Porém pouco mais da metade cita desconfiança quanto à política econômica do governo como um fator que traz perspectivas negativas. Do lado dos consumidores, a maioria diz que está adiando compras devido a temores quanto à economia, especialmente por causa do coronavírus.

Aprenda a investir na bolsa

O noticiário político continua marcado pela disputa em torno da vacinação contra o coronavírus. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diz que a vacinação não será obrigatória, João Doria (PSDB) afirma que ela será obrigatória em São Paulo. Já há ações no STF pedindo que o modelo de vacinação fique a critério dos governos estaduais, e pressionando para que o governo federal compre vacinas da chinesa Sinovac, como anunciado na terça-feira pelo ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que foi desautorizado pelo presidente.

Na sexta-feira, o presidente do Supremo, Luiz Fux, afirmou que acredita que o tema será judicializado.

1. Bolsas Mundiais

Os principais índices mundiais registram queda com o aumento dos casos de coronavírus na Europa e o impasse fiscal nos EUA. Na sexta-feira (23), o diretor-Geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que o Hemisfério Norte está passando por um momento crítico, com muitos países vivendo crescimento exponencial de novos casos de coronavírus. Foram registradas mais de 83 mil novas contaminações na sexta-feira e no domingo (25) nos Estados Unidos, batendo o recorde anterior, de 77,3 mil casos, registrado em julho, segundo dados coletados pela Universidade Johns Hopkins.

A partir desta segunda, a Itália fechará cinemas e academias. Bares e restaurantes fecham a partir das 18h. A Espanha está iniciando um toque de recolher às 23h. Na semana passada, a França já havia ampliado um toque de recolher no país, e Londres voltara a restringir encontros entre pessoas que não vivem na mesma residência, entre outras medidas.

As ações da produtora alemã de softwares SAP tiveram sua maior queda desde 1996, após a empresa anunciar queda de faturamento em meio à crise do novo coronavírus.

O índice Dax, da Alemanha, tem queda de 2,07%; o FTSE 100, do Reino Unido, oscila em 0,26% para baixo; o CAC, da França, cai 0,51%; O FTSE MIB, da Itália, cai 0,67%.

PUBLICIDADE

Nos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara, e o chefe de gabinete do governo de Donald Trump, Mark Meadows, trocaram acusações por meio de entrevistas que deram separadamente à CNN no domingo. Eles se acusam mutuamente de dificultar a aprovação de um novo pacote de estímulos.

Questionado sobre o que seria feito para controlar a pandemia, Meadows afirmou: “Não vamos controlar a pandemia. Vamos controlar o fato de termos vacinas, terapias e outras áreas de mitigação”. Questionado sobre por que não pretende controlar a doença, que vem avançando com força no meio-oeste dos Estados Unidos, respondeu: “Porque é um vírus contagioso como a gripe”.

O índice S&P Futuro tem queda de 0,95%; o Nasdaq Futuro cai 0,83%; e o Dow Jones Futuro cai 0,95%.
As gigantes Apple, Facebook, Alphabet, Amazon, Boeing e Caterpillar devem anunciar seus resultados até o fim da semana. Ela também será marcada pela divulgação de dados sobre o PIB do terceiro trimestre nos Estados Unidos.

Nesta semana, os investidores buscam se antecipar ao resultado das negociações sobre o acordo econômico entre Reino Unido e União Europeia pós-Brexit, e às eleições nos Estados Unidos, na próxima semana. O candidato democrata Joe Biden mantém vantagem sobre o presidente republicano Donald Trump.

Além disso, o comitê central do Partido Comunista chinês se reúne entre os dias 26 e 29 para discutir uma proposta de desenvolvimento nacional para os próximos cinco anos, de 2021 a 2025.

As bolsas asiáticas fecharam em queda nesta segunda-feira, também impactadas pela aceleração da propagação do coronavírus na Europa e nos Estados Unidos. Bolsas de Hong Kong e da Malásia estão fechadas devido a feriados.

O índice Nikkei, do Japão, fechou em queda de -0,09%; o Kospi, da Coreia do Sul, fechou em queda de 0,72%; e o índice Shanghai, da China, fechou em queda de 0,82%.

Veja o desempenho dos principais índices às 7h20:

PUBLICIDADE

Futuros dos EUA
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,95%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,83%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,95%

Europa
*Dax (Alemanha), -2,07%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,26%
*CAC 40 (França), -0,51%
*FTSE MIB (Itália), -0,67%

Ásia
*Nikkei (Japão), -0,09% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) (não abriu)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,72% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,82% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -2,08%, a US$ 39,09 o barril
*Petróleo Brent, -1,89%, a US$ 40,98 o barril
*Bitcoin, US$ 13.070,86, +0,64%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em baixa de 3,31%, cotados a 760,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 113,41 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,7

2. Agenda de indicadores

Nesta segunda-feira, investidores acompanham a divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central, que traz dados sobre as expectativas de economistas para indicadores importantes no Brasil, como taxa de juros, PIB e inflação.

Os agentes de mercado projetam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine o ano a 2,99% e o dólar feche 2020 cotado a R$ 5,40. A estimativa de queda para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 teve melhora, sendo agora de baixa de 4,81%. Já a expectativa para a Selic, taxa básica de juros, em 2% foi mantida.

Às 9h30, o governo divulga informações sobre a taxa de inadimplência no Brasil.

Às 11h, o governo americano divulga informações sobre as vendas de casas novas no país. E às 15h, o governo brasileiro divulga dados da balança comercial semanal. Às 22h30, serão apresentados os dados de lucro industrial na China referentes ao mês de setembro.

PUBLICIDADE

Na quarta-feira (28), o Banco Central anuncia o ajuste da taxa Selic. A expectativa é que seja mantida em 2%.

Por Dentro dos Resultados
CEOs e CFOs de empresas abertas comentam os resultados do ano. Cadastre-se gratuitamente para participar:
Concordo que os dados pessoais fornecidos acima serão utilizados para envio de conteúdo informativo, analítico e publicitário sobre produtos, serviços e assuntos gerais, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados.
check_circle_outline Sua inscrição foi feita com sucesso.
error_outline Erro inesperado, tente novamente em instantes.

3. Otimismo entre empresários, mas desconfiança quanto a política econômica

Sondagem do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) FGV publicada no domingo na Folha de S. Paulo indica que 67,8% dos empresários brasileiros espera que o ambiente de negócios melhore no Brasil.

Quando questionados sobre fatores que influenciam positivamente as expectativas, o destaque é para a perspectiva de melhora da economia mundial, citada por 56,1% das pessoas questionadas. Além disso, 51,6% citam a consolidação da recuperação em seu setor como um fator positivo.

Quanto aos fatores que influenciam negativamente as expectativas, 70,8% citam incerteza econômica; 64,9% incerteza em relação à pandemia; e 52,1% falta de confiança na política econômica do governo e 42,1% as perspectivas negativas para a economia mundial.

Apenas 27,1% citam o fim de auxílios emergenciais aos consumidores como um fator negativo, e outros 23,9% citam o fim de programas emergenciais às empresas. O consumo de bens voltou em julho ao nível anterior ao da pandemia. Em agosto, estava em 0,8% acima do nível de fevereiro. O indicador é impulsionado pelo auxílio emergencial.

O governo e o Congresso vêm estudando formas de criar um programa substituto ao auxílio emergencial e ao Bolsa Família, sem, no entanto, estourar o teto de gastos. As negociações em torno deste objetivo têm sido acompanhadas por investidores, à medida que o aumento de gastos fora do teto poderia impactar negativamente a imagem das contas públicas e as expectativas sobre a economia brasileira.

Além disso, sondagem feita pelo Ibre, da FGV, e divulgada na segunda-feira mostra desconfiança do lado dos consumidores, dentre os quais 58% afirmaram que têm adiado compras de bens e serviços. A principal justificativa, em 53% dos casos, é a incerteza quanto à pandemia de covid.

Já no noticiário político, o Estadão destaca que o Centrão chega ao Senado e faz articulação pró-governo. A formação do grupo – que só existia na Câmara – envolve negociações para a reeleição do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e distribuição de cargos e verbas na gestão Bolsonaro.

A Casa também prepara a retomada da pauta econômica antes das eleições municipais. Votação prevista para o próximo dia 3 de novembro de dois projetos para blindar o BC, com autonomia e criação dos depósitos voluntários; no dia 4, está prevista a votação de vetos presidenciais à lei de saneamento e prorrogação por um ano da desoneração da folha de pagamento das empresas, e de projetos de remanejamento de recursos entre ministérios.

4. Vacinação no Brasil

O noticiário continua marcado pela disputa em torno da vacinação contra o coronavírus. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro desautorizou a fala do ministro da Saúde Eduardo Pazuello segundo a qual o governo federal compraria 46 milhões da vacina da chinesa Sinovac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. O estado é governado por João Doria, potencial opositor de Jair Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais.

Os dois políticos também disputam abertamente o modelo de vacinação a ser seguido. Doria diz que a vacina será obrigatória em São Paulo, enquanto Bolsonaro afirma que seu governo não instituirá a obrigatoriedade da vacina. Na sexta-feira, o presidente do Supremo, Luiz Fux, afirmou que deve haver uma “judicialização” dos critérios para vacinação. Ele disse avaliar que o Supremo Tribunal Federal será chamado a decidir sobre o assunto.

O PDT pediu que o Supremo conceda autonomia para que os governos estaduais decidam se a vacina é ou não obrigatória em seus territórios. E a Rede Sustentabilidade ingressou com ação, pedindo que o governo Bolsonaro assine protocolo de intenções para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac, a vacina da Sinovac a ser produzida no Instituto Butantan.

Essa discussão pode ter impacto direto sobre o ritmo de imunização da população brasileira. Estudo feito pelo Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública, da Unb (Universidade de Brasília), a partir com 2.771 pessoas indicou que 78,1% se mostraram favoráveis a receberem algum tipo de imunização.

Mas, quando são informados que a vacina viria da China, o interesse cai em 16,4%, segundo informações reproduzidas pela Folha de S. Paulo. Quando são informados de que a vacina seria russa, a intenção de se vacinar cai 14,1%.

Na sexta-feira, a farmacêutica União Química informou que assinou um acordo com o Fundo Russo de Investimento Direto para produzir a vacina russa Sputnik V contra Covid-19, a partir da segunda quinzena de novembro. O laboratório ainda precisa de autorização da Anvisa.

Segundo informações publicadas nesta segunda-feira pelo jornal britânico Financial Times, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em colaboração com a AstraZeneca, gera uma resposta de imunização robusta entre idosos, de acordo com os resultados de testes clínicos ainda não divulgados. Esta é uma das principais vacinas previstas pelo governo federal para o Brasil.

5. Radar corporativo

Na sexta-feira (23) à noite, o Cade aprovou a venda da Biopalma, da Vale, para a BBF. Mas o negócio é contestado na Justiça pela Marborges Agroindústria, que está interessada na Biopalma, e afirma que teria ocorrido “falta de transparência e tratamento isonômico” no negócio. Também na sexta, unidades de BRF e Marfrig tiveram autorização para voltar a exportar para a China.

Na sexta, a empreiteira Método Engenharia pediu aval para realizar uma oferta pública inicial de ações.

Na sexta-feira, a farmacêutica União Química informou que assinou um acordo com o Fundo Russo de Investimento Direto para produzir a vacina russa Sputnik V contra Covid-19, a partir da segunda quinzena de novembro. O laboratório ainda precisa de autorização da Anvisa.

No sábado, o Ministério Público Federal acusou BHP e Vale de conluio para reduzir pagamentos a vítimas do rompimento de barragem da joint venture Samarco, em Mariana, em 2015. Em nota publicada na segunda, o Morgan Stanley encarou o pedido como um sinal de que há alguma “deterioração no trato dos promotores com a Vale”, o que pode atrasar um acordo final.

A Hypera divulgou resultado na sexta à noite, com seu lucro de julho a setembro somando R$ 345,6 milhões, alta de 29,4% sobre mesma etapa de 2019. O Credit Suisse recomendou na manhã de segunda as ações da Hypera Pharma como outperform (perspectiva de ganhos acima da média dos mercados).

Na segunda, a Research XP reiniciou a cobertura da Ambev, com recomendação de compra.

Série gratuita do InfoMoney explica a hora certa de entrar e sair de ativos na Bolsa: clique aqui e aprenda como vencer os tubarões do mercado com consistência e segurança