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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Futuros americanos e bolsas europeias registram alta em sessão de recuperação após queda com Fomc; votação da MP da Eletrobras na Câmara e mais destaques

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Em uma sessão sem grandes catalisadores da agenda econômica, os investidores seguem repercutindo as sinalizações da reunião do Federal Open Market Committee (Fomc) da semana passada enquanto que, nos próximos dias, serão divulgados dados de atividade nos EUA, com atenção para a terceira estimativa do PIB do primeiro trimestre na quinta-feira (24).

Por aqui, nesta data, atenção para a votação da Medida Provisória da Eletrobras na Câmara, além dos dados do boletim Focus.

Ainda no radar, o presidente Jair Bolsonaro pode anunciar a extensão do auxílio emergencial por mais três meses, mantendo os valores e o número de beneficiados atuais. Confira no que ficar de olho:

1.Bolsas mundiais

Os índices futuros americanos têm altas nesta segunda (21) de manhã, enquanto que as bolsas europeias viraram para alta após baixa no início das negociações acompanhando a queda das bolsas asiáticas. Os mercados americanos buscam recuperar as perdas, enquanto investidores da Ásia seguem repercutindo a sinalização do Federal Reserve de que pode vir a elevar as taxas referenciais de juros dos Estados Unidos mais cedo do que o esperado até então.

Na sexta (18) passada, os índices futuros americanos registraram quedas. Os investidores digeriram novas projeções do Federal Reserve, o banco central americano, para a economia, e sinais de que elevações nas taxas de juros referenciais poderiam ocorrer mais cedo do que o esperado até então.

Na quarta (16), o Fed elevou suas expectativas para inflação e sobre o aumento das taxas de juros em 2023. O presidente do Fed de Saint Louis, James Bullard, afirmou na sexta em entrevista à rede de notícias CNBC que é natural que o banco central demonstre mais preocupação com a inflação, e apontou a possibilidade de alta nas taxas de juros já em 2022.

Na semana passada, o índice Dow acumulou queda de 3,5%; o S&P 500, de 1,9%; e o Nasdaq, de 0,2%. Os setores mais ligados à perspectiva de recuperação econômica após a Covid lideraram as perdas. Ações dos setores de finanças e de materiais listadas no S&P perderam mais de 6% na semana, enquanto que as do setor de energia perderam mais de 5%, e as do setor industrial, mais de 3%.

Até 19 de junho, 52,85% da população dos Estados Unidos havia sido vacinada, segundo dados oficiais compilados pelo site Our World in Data. A vacinação vem contribuindo para normalizar o funcionamento da economia. Mas uma expansão duradoura pode ser dificultada em um cenário de política monetária menos acomodativa.

A curva dos rendimentos dos títulos do Tesouro com vencimento em dez anos também se reduziu na semana passada. Esses rendimentos correspondem à taxa paga pelo Tesouro dos Estados Unidos para emprestar dinheiro, com vencimento em diferentes períodos. As taxas variam de acordo com a oferta e a demanda pelos papéis, e influenciam o custo de empréstimos por empresas e pela população.

Como são garantidos pelo Estado, que tem o poder de criar impostos para pagar dívidas, esses títulos são considerados um investimento seguro, ao qual investidores recorrem quando há incerteza sobre a economia.

A demanda de muitos investidores pelos papéis contribui para a queda dos rendimentos, que sinaliza a expectativa negativa para a economia e barateia a tomada de empréstimos. A expectativa de crescimento contribui para a redução da demanda por esses títulos, e ao aumento da taxa paga pelo Tesouro, elevando o preço dos empréstimos e sinalizando uma possível alta da inflação.

Na semana passada, o rendimento de títulos de prazo mais curto, como a nota com vencimento em dois anos, subiu, refletindo a expectativa de que o Fed eleve suas taxas. Os rendimentos de títulos de prazo mais longo, como as notas com vencimento em dez anos, caíram, sinalizando menos otimismo quanto à retomada da economia.

Nesta segunda, investidores aguardam por falas de autoridades do Fed. Robert Kaplan, presidente do Fed de Dallas e James Bullard, presidente do Fed de Saint Louis.

As bolsas asiáticas tiveram quedas na segunda, com destaque negativo para as japonesas. Há receio quanto a uma normalização da taxa de juros nos Estados Unidos. Além disso, investidores podem estar buscando embolsar ganhos com o bom desempenho recente das ações no Japão.

No país, o Nikkei chegou a cair 4% antes de recuperar parte dos ganhos e fechar mais baixo, em 28.010,93. Fabricantes de carros, como Nissan e Honda, tiveram quedas de 4,07% e 3,93%, respectivamente. No setor financeiro, as ações do Mitsubishi Financial Group caíram 2,72%, e as do Mizuho Financial Group, 2,25%.

Na segunda, o governo da China anunciou que a Taxa Básica de Empréstimo com vencimento em um ano se mantém inalterada, em 3,85%, enquanto que a taxa com vencimento em cinco anos se mantém em 4,65%. O anúncio está em linha com as expectativas da maioria dos analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters, que esperavam a manutenção de ambas as taxas.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 1,28%; na China continental, o composto Shanghai subiu 0,12%; na Coreia do Sul, o Kospi recuou 0,83%.

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, perde mais de 0,8%, com destaque negativo para ações do setor de recursos básicos, que recuam 0,6%, enquanto que ações do setor químico sobem 0,8%.

No mercado de commodities, a Bolsa de Dalian fechou com a cotação do minério de ferro em queda de 8,79%, a US$ 173,28. De acordo com informações da Reuters, o planejador estatal da China e o regulador de mercado lançaram em conjunto uma investigação sobre o mercado spot de minério de ferro e vão reprimir a acumulação e especulação, citando a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) da República Popular da China.

Já o bitcoin registra baixa: na China, mineradoras de criptomoedas da província de Sichuan foram fechadas durante o fim de semana. O jornal Global Times, ligado ao Partido Comunista, informou que mais de 90% da capacidade de mineração de bitcoin no país será encerrada.

Veja o desempenho dos principais índices às 7h40 (horário de Brasília):
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,59%
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,45%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,49%
Europa
*FTSE (Reino Unido) +0,16%
*Dax (Alemanha), +0,59%
*CAC 40 (França), +0,32%
*FTSE MIB (Itália), +0,16%
Ásia
*Nikkei (Japão), -3,29% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,12% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -1,08% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,83% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +0,168%, a US$ 71,76 o barril
*Petróleo Brent, +0,05% a US$ 73,55 o barril
*Bitcoin -5,01%, a US$ 32.415,45
**A Bolsa de Dalian fechou com o minério de ferro em queda de 8,79%, cotado a 1121 iuanes, equivalente hoje a US$ 173,28 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda

O Banco Central (BC) publicou às 8h25 (horário de Brasília) o boletim Focus, que compila as projeções econômicas feitas por uma série de instituições. Os economistas elevaram a projeção para a Selic do final do ano de 6,25% para 6,50%, na segunda alta seguida para as previsões, e para o IPCA de 2021 de 5,82% para 5,9%. Para o PIB de 2021, a projeção foi de alta de 5%, ante de alta de 4,85% uma semana atrás.

Às 15h, atenção para os dados da balança comercial semanal.

Paulo Guedes, ministro da Economia, participa de reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), às 15h.

Ainda no radar, a Medida Provisória 1031/21, sobre a desestatização da Eletrobras, está na pauta de sessão deliberativa remota da Câmara dos Deputados convocada para às 15h desta segunda.

Na Bélgica, às 11h15, atenção para o discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Às 9h30 o Fed de Chicago divulga o seu Índice de Atividade Nacional relativo a maio nos Estados Unidos. Às 16h30, John Williams, membro do Comitê Federal do Mercado Aberto do Fed, realiza um discurso.

3. Aceleração de novos casos e mortes por Covid

Na sexta-feira (19), o Brasil bateu a marca de 500 mil mortos por Covid, em um momento em que tanto o ritmo de contaminação quanto o de mortes vêm se acelerando. Apesar de o Brasil ter a sexta maior população do planeta, possui a terceira maior contagem de mortos por Covid, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia.

No domingo (20), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 2.063, alta de 24% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Assim, a alta da média móvel de mortes volta a se acelerar, e ultrapassa pelo segundo dia consecutivo a marca de 2.000. Em apenas um dia, foram registradas 1.050 mortes. Como de praxe, a Secretaria de Saúde do estado de Roraima não divulgou dados sobre mortes no domingo, alegando que os números de óbitos não são alimentados pelos municípios no final de semana.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 73.200, alta de 17% em relação ao patamar de 14 dias antes e a maior média desde 1º de abril. Em apenas um dia foram registrados 45.348 casos.

Chegou a 63.187.356 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 29,84% da população. A segunda dose foi aplicada em 24.280.894 pessoas, ou 11,47% da população.

A CPI da Covid no Senado pretende aprofundar as investigações sobre a atuação de Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde do Ministério da Saúde, que atuou durante a gestão do general Eduardo Pazuello.

No domingo, integrantes da cúpula da CPI afirmaram à TV Globo que pretendem questionar por que o governo federal priorizou a vacina indiana Covaxin, com atuação direta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), apesar de as doses da vacina serem mais caras, o prazo de entrega, mais longo. Além disso, as negociações envolveram uma empresa intermediária, a Precisa Medicamento, o que foge ao padrão dos contratos de outras vacinas.

Segundo o portal G1, os senadores decidiram pedir a quebra dos sigilos de Marinho após um servidor do Ministério da Saúde afirmar, em depoimento ao Ministério Público Federal, que sofreu pressões “anormais” para superar entraves da Covaxin junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A agência negou em março autorização para importar 20 milhões de doses da Covaxin, e também negou a certificação de boas práticas de fabricação à Bharat Biotech, empresa indiana que desenvolveu o imunizante, apontando questões sanitárias, de controle de qualidade e segurança na fabricação.

No último mês, a equipe do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, contabilizou ao menos 38 declarações contraditórias ou falsas de depoentes, segundo informações do jornal O Globo.

Além disso, a Anvisa autorizou na sexta o estudo clínico para testar uma possível dose de reforço que poderia ser usada como complemento da vacina contra Covid-19 desenvolvida pelos laboratórios Pfizer e BioNTech.

Segundo o comunicado, nos testes será usado o imunizante Cominaryt, da Wyeth/Pfizer. A previsão é recrutar 443 participantes no centro clínico do Hospital Santo Antônio da Associação Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador (BA), e outros 442 participantes no Centro Paulista de Investigação Clínica e Serviços Médicos, em São Paulo (SP).

A agência disse que o estudo quer incluir participantes com 16 ou mais anos de idade, do sexo masculino e feminino, que já tomaram as duas doses de vacina ainda na fase de testes pelo menos 6 meses antes de receber a dose de reforço.

4. Pacote de bondades, crise hídrica e desemprego

O presidente Jair Bolsonaro pode anunciar oficialmente hoje a extensão do auxílio emergencial por mais três meses, mantendo os valores e o número de beneficiados atuais. Espera-se com menos certeza que ele anuncie o novo Bolsa Família, que, segundo a coluna de Lauro Jardim no Globo, teria o tíquete médio ampliado de R$ 189 para R$ 284 e o número de beneficiados estendido de 14,7 milhões para 17 milhões. O impacto fiscal anual do reajuste estaria em torno de R$ 25 bilhões. portanto.

Ainda no radar, em audiência pública na Câmara dos Deputados realizada na semana passada, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, afirmou que os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste devem chegar a novembro com 10,3% de sua capacidade, o menor nível em 20 anos. Este é o cenário mais positivo, para o caso de os planos do governo e de órgãos do setor elétrico serem bem sucedidos.

Esses reservatórios são responsáveis por cerca de 70% de toda a energia produzida no Brasil. Segundo o ONS essa situação seria considerada “preocupante”, embora suficiente para assegurar o fornecimento de energia. Caso as ações não surtam o efeito desejado, o nível dos reservatórios pode cair para 7,5%, nível em que o sistema de geração de energia entraria em colapso.

“Com as ações que propomos e estamos realizando, a gente consegue chegar em 10,3% [de armazenamento], que ainda é um nível preocupante, mas que nós não teremos nenhum problema de energia ou de potência ao final de novembro de 2021”, afirmou Ciocchi na audiência.

Atualmente, os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste estão com 30% da capacidade. Os próximos meses devem ser de seca. Para garantir o fornecimento de energia em dezembro e em 2022, o ONS conta com o período das chuvas para encher os reservatórios. Normalmente, o período chuvoso no Brasil vai de meados de outubro a abril. Mas tem ocorrido um prolongamento do período seco nos últimos anos.

“A gente espera que nessa data [novembro de 2021], a estação chuvosa deste ano já tenha chegado e a situação seja amenizada”, afirmou Ciocchi.

Além disso, de acordo com informações do Valor Data, mesmo com indicadores melhores sobre a retomada da economia, o desemprego deve continuar elevado. Segundo a mediana das estimativas de 28 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo serviço, a taxa de desempregados deverá ficar em 14,3% na média do ano, nível recorde para a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do IBGE, iniciada em 2012. Segundo economistas ouvidos pelo jornal Valor, a recuperação desigual da economia, com desempenho pior do setor informal, deve atrasar a redução do emprego no Brasil.

5. Radar corporativo

As atenções se voltam para a votação da MP da desestatização da Eletrobras na Câmara. Ainda no radar da companhia, a Eletrobras informou na sexta que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reconheceu que a Boa Vista Energia deverá ser reembolsada em R$ 103,9 milhões pela Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), a preços de fevereiro de 2020. Em comunicado ao mercado, a companhia acrescentou que o montante reconhecido pela diretoria colegiada da Aneel está de acordo com o que havia sido registrado pela estatal em seu balanço do primeiro trimestre deste ano.

Ainda em destaque, o grupo especializado em diagnósticos médicos Hermes Pardini anunciou nesta sexta-feira a aquisição do laboratório Paulo C. Azevedo, de Belém (PA), por R$ 127 milhões. Em fato relevante, o Hermes Pardini apresenta a companhia adquirida como líder no mercado de medicina diagnóstica no Pará, onde tem 28 unidades, sendo 22 na capital Belém.

A Méliuz anunciou nesta sexta-feira que avalia realizar uma oferta pública primária e secundária subsequente de ações. Por meio de fato relevante, a empresa explicou que a oferta será com esforços restritos, em condições similares às de sua oferta inicial de ações (IPO), e que nomeou BTG Pactual e Itaú BBA para coordenarem a possível operação. A companhia sediada em Minas Gerais fez sua estreia na bolsa paulista em novembro passado, com uma oferta inicial de ações, na qual levantou cerca de R$ 370 milhões para ampliar seu marketplace, serviços financeiros e para aquisições de empresas.

O BR Partners estreia as suas units BRBI11 na B3 nesta segunda. Na semana passada, o banco de investimento precificou a sua oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) em R$ 16,00 por unit, no piso da faixa indicativa de R$ 16,00 a R$ 19,00. A oferta restrita movimentou R$ 364 milhões.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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