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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Semana movimentada com Copom e Fomc começa com alta para principais índices mundiais; especulações sobre saída de Pazuello e mais

SÃO PAULO – A semana é movimentada, com os investidores na expectativa pelas decisões de política monetária do Copom, no Brasil, e do Federal Reserve nos EUA, sendo que este último já repercute nos principais mercados mundiais na sessão desta segunda-feira (15).

Por aqui, os investidores também repercutem o noticiário do fim de semana sobre as especulações sobre a possível saída do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, do cargo, uma vez que está desgastado devido ao agravamento da crise sanitária no Brasil, com colapso de sistemas de saúde estaduais, recordes sucessivos na média móvel de mortes, e ritmo de vacinação lento. Diversos veículos vêm noticiando que o presidente articula sua saída do cargo, apesar de Pazuello negar a informação.

A sessão no Brasil também é marcada pelo vencimento de opções sobre ações, que deve adicionar volatilidade ao índice, além dos dados do IBC-Br de janeiro, considerado uma prévia do PIB. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

Os índices futuros americanos tiveram alta nas negociações de overnight, indicando perspectiva de ganhos nesta segunda-feira (15), e dando continuidade ao movimento da semana anterior, que levou os índices Dow e S&P 500 a altas recordes.

O Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve se encontra entre terça (16) e quarta (17). Alguns analistas esperam que o banco central americano revise sua previsão para o PIB, reagindo ao lançamento do pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão, que enviará pagamentos diretos de até US$ 1.400 para a maioria dos americanos.

Após as reuniões, o Fed divulgará sua decisão a respeito das taxas de juros referenciais e a perspectiva para o futuro. A taxa de juros deve influenciar o comportamento dos rendimentos de títulos de longo prazo, que tem ganhado espaço no noticiário financeiro nas últimas semanas.

Alguns analistas avaliam que o comitê pode elevar a sua previsão para o PIB.

A pandemia de Covid, contudo, continua a ser motivo de preocupação. O principal conselheiro médico da Casa Branca, Anthony Fauci, alertou a líderes no domingo (14) que a batalha dos Estados Unidos com o coronavírus ainda não está “na zona final”, e instou americanos a aderirem a medidas de saúde pública, em um momento em que diversos países europeus passam por aumentos de casos.

Na sexta, Lothar Wieler, chefe da agência alemã para saúde pública, o Instituto Robert Koch para Doenças Infecciosas, alertou: “Nós temos sinais claros: A terceira onda na Alemanha já começou”.

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Na quinta-feira, a Alemanha registrou 14.356 novos casos de Covid em 24 horas. No mesmo dia da semana anterior, foram  2.400 casos. A taxa de contágio atingiu, na sexta, 69,1 novos casos para 100.000 pessoas, em sete dias. Na quinta, fora de 65,4 para 100.000 pessoas.

Os planos do governo alemão são de vacinar 80% da população até o início do outono no Hemisfério Norte, no final de setembro.

O índice Eurostoxx, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 economias europeias, tem alta de 0,7% nesta manhã, com destaque para os papéis dos setores de viagens e lazer, que subiram 2,4%, liderando os ganhos.

O ritmo das bolsas asiáticas desacelerou na segunda-feira. Os investidores também buscam se adiantar para os anúncios do Fed nos Estados Unidos.

As ações da gigante de tecnologia Rakuten tiveram alta de 24% após a empresa anunciar na sexta que pretende emitir ações para levantar US$ 2,2 bilhões em capital e competir com rivais americanos. O Japan Post deve adquirir 8,3% da empresa, enquanto a Tencent, da China, deverá ficar com 3,6%, e o Walmart, com 0,9%.

Já o mercado acionário da China fechou em baixa nesta segunda-feira, com ações de consumo, saúde e novas energias liderando as perdas, depois que a recente meta conservadora de crescimento anual reaqueceu temores de aperto da política monetária para conter as fortes valorizações.

Veja o desempenho dos principais indicadores às 7h30 (horário de Brasília):
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,29%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,29%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,39%
Europa
*Dax (Alemanha), +0,32%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,45%
*CAC 40 (França), +0,45%
*FTSE MIB (Itália), +1,05%
Ásia
*Nikkei (Japão), +0,17% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +0,33% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,28% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,96% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +0,76%, a US$ 66,11 o barril
*Petróleo Brent, +0,75%, a US$ 69,74 o barril
*Bitcoin, -7,25%, a US$ 56.294,45
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com queda de 3,5%, cotados a 1035 iuanes, equivalente hoje a US$ 159,25 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,50

2. Agenda

Nesta segunda haverá um encontro do Eurogrupo, que reúne ministros das Finanças de países da Zona do Euro.

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O Banco Central (BC) publica às 8h25 o boletim Focus, que compila as projeções econômicas feitas por uma série de instituições. Às 9h, será revelado também pelo BC o dado de prévia do PIB de janeiro medidos pelo IBC-Br.

Vale destacar que esta segunda marca o vencimento de opções sobre ações na B3. Além disso, a B3 antecipa em uma hora o fechamento do mercado à vista, operando das 10h às 17h. Já a Bolsa de Nova York e a Nasdaq operam entre 10h30 e 17h.

Às 9h30 será divulgado o Índice Empire de Manufatura, referente a março nos Estados Unidos. Às 17h são divulgados dados sobre o Fluxo líquido total de compra e venda de ativos nos Estados Unidos, relativos a janeiro.

Às 15h é divulgada a balança comercial semanal nos Estados Unidos.

3. Novo recorde na média de mortes e possível saída de Pazuello

Pelo 16º dia seguido, o país bateu no domingo (14) seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 1.832, alta de 50% em comparação com a média de 14 dias antes. O patamar de 1.500 mortes na média de 7 dias foi ultrapassado pela primeira vez na semana passada.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de domingo, o avanço da pandemia em 24 h no país. Apenas em um dia foram registradas 1.111 mortes.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 66.353, alta de 18% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 43.781 diagnósticos.

Até a segunda, 9.716.458 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 4,59% da população. A segunda dose foi aplicada em 3.568.251 pessoas, ou 4,59% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

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Segundo o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), um dos coordenadores do Fórum Nacional dos Governadores, os líderes estaduais se comprometeram em manter até ao menos o próximo domingo medidas para reduzir o funcionamento de negócios e conter aglomerações. O objetivo é transmitir à população a mensagem de que o momento é crítico, e de que é necessária união para reduzir o número de mortes.

Dias também encaminhou ao governo federal “um apelo para que possa coordenar essas medidas de contenção do coronavírus (…) nas suas áreas, como aeroportos, portos e outras”.

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, está desgastado devido ao agravamento da crise sanitária no Brasil, com colapso de sistemas de saúde estaduais, recordes sucessivos na média móvel de mortes, e ritmo de vacinação lento. Diversos veículos vêm noticiando que o presidente articula sua saída do cargo, apesar de Pazuello negar a informação.

No domingo, o general afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que: “não estou doente, o presidente não pediu o meu cargo, mas o entregarei assim que o presidente pedir. Sigo como ministro da Saúde no combate ao coronavírus e salvando mais vidas”.

No sábado, Bolsonaro havia se reunido com o general Pazuello e mais três ministros militares: general Walter Braga Netto (Casa Civil), general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e general Fernando Azevedo (Defesa).

No domingo (14), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se reuniu no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, com a cardiologista Ludhmila Hajjar, cotada para assumir a pasta da Saúde, com apoio de membros do Centrão, base de apoio de Bolsonaro no Congresso, com destaque para presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Pelas redes sociais, Lira afirmou que o enfrentamento da pandemia “exige competência técnica” e “capacidade de diálogo político”, qualidades que disse enxergar em Hajjar.

Ele afirmou também que: “Espero e torço para que, caso nomeada ministra da Saúde, consiga desempenhar bem as novas funções. Pelo bem do país e do povo brasileiro, nesta hora de enorme apreensão e gravidade. Como ministra, se confirmada, estarei à inteira disposição”.

O jornal O Globo destaca, no entanto, que a médica tem um histórico de posicionamentos contrários àqueles adotados pelo governo até agora. Ela defende o isolamento social e condenou o uso de cloroquina para tratar a doença, devido à falta de evidências científicas que comprovem sua eficácia. Há uma semana, a média afirmou em entrevista: “O Brasil está fazendo tudo errado”.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a reunião entre Bolsonaro e Hajjar foi inconclusiva. Caso a substituição se efetive, será o quarto ministro da Saúde do governo Bolsonaro. Contudo, de acordo com Lauro Jardim, do jornal O Globo, Ludhmila Hajjar não será ministra da Saúde. “Hoje, a cardiologista comunicará oficialmente ao governo que não aceitará o convite para ser sucessora de Eduardo Pazuello”, aponta o colunista.

De acordo com informações de bastidores publicadas pelo jornal Valor, caso a saída de Pazuello seja confirmada, o general deve voltar para o Exército, de onde se licenciou em maio do ano passado para assumir o cargo no governo. Depois, passaria um período na ativa e seguiria para a reserva, com a promessa de ser nomeado para um cargo no exterior.

Ainda segundo O Globo, auxiliares do presidente têm recomendado que Bolsonaro mude o tom e se vacine assim que a fila da imunização chegar àqueles com 66 anos de idade. No ano passado, Bolsonaro afirmou que não precisaria se vacinar porque já tinha contraído o vírus.

4. Mudança nos juros e auxílio emergencial

Conforme aponta o jornal O Estado de S. Paulo, a aceleração da inflação coloca o Banco Central em uma posição difícil, de ter de elevar a taxa de juros em meio a crise econômica e piora da pandemia. Analistas do mercado apostam em uma alta de 0,5 ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) dos dias 16 e 17.

No mês passado, o Congresso aprovou a autonomia do Banco Central, presidido por Roberto Campos Neto. Caso a alta se confirme, encerrará um longo período de queda de juros, que levou a Selic (taxa básica de juros) ao patamar histórico de 2% ao ano.

No próximo trimestre, a economia deverá entrar em recessão, em um momento de pressão inflacionária, impulsionada pela tentativa de flexibilizar o teto de gastos e pela intervenção na Petrobras, que levaram a maior depreciação do real.

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Essa combinação entre baixo crescimento e inflação acelerada é chamada de estagflação, que deixa o Banco Central com menos ferramentas para manejar a economia.

Além disso, na sexta-feira (12), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que, caso os impactos econômicos e sanitários da pandemia da Covid-19 persistam por mais tempo do que o período abarcado pelo nova rodada de auxílio emergencial, de quatro meses, o governo terá de examinar novamente eventual extensão do benefício concedido aos mais vulneráveis.

“O auxílio emergencial é para a pandemia. Se a pandemia continuar conosco, aí nós temos que falar de novo de auxílio emergencial lá na frente. Mas se a pandemia for embora, acaba o auxílio emergencial, e quem está no Bolsa Família volta, talvez não mais para o Bolsa Família, e, sim, para o Renda Brasil“, disse Guedes em videoconferência promovida pelo site Jota, focado em notícias jurídicas.

A aprovação da PEC Emergencial em segundo turno na Câmara dos Deputados, ocorrida na quinta, abriu caminho para a concessão do benefício, em um montante de até R$ 44 bilhões, por fora das regras fiscais.

O presidente Jair Bolsonaro já disse que a ajuda mensal terá valor médio de R$ 250, e que será paga por quatro meses. A sessão conjunta para promulgar a PEC ocorrerá nesta segunda.

5. Radar corporativo

Acontece nesta segunda às 9h a assembleia de acionistas da Smiles para discussão da proposta de incorporar a empresa feita pela Gol. A proposta está sujeita à aprovação de dois terços dos acionistas minoritários da Smiles (grupo de controle não votará).

Os acionistas terão duas opções para se candidatar: 1º) 20% em dinheiro (R$ 4,46) + 80% de swap de ações (0,825 GOLL4 para cada 1 SMLS3, ou R$ 17,73, com base na última cotação da ação), totalizando R$ 22,19 / SMLS3. A última cotação da Smiles é de R$ 20,55, atualmente oferecendo um ganho de 8% para o titular do SMLS4; 2º) 80% à vista (R$ 17,86) + 20% de swap de ações (0,165 GOLL4 para cada 1 SMLS3, ou R$ 3,55, com base na última cotação da ação), totalizando R$ 21,41 / SMLS3. A última cotação da Smiles é de R$20,55, oferecendo atualmente um ganho de 4,2% para o titular do SMLS4. “Assumindo a aprovação do negócio, a Gol teria que emitir cerca de 10 milhões a 48 milhões de novas ações, promovendo uma diluição entre 3% e 12% para os atuais acionistas da Gol”, avalia a Safra Corretora.

A Eletrobras divulgará seus resultados nesta segunda, após o fechamento do pregão.

No radar de recomendações, o Credit Suisse iniciou a recomendação para os papéis da Mitre Realty com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 17. Já o Itaú BBA manteve a recomendação outperform do Bradesco, com um preço-alvo de R$ 32, enquanto rebaixou o Banco do Brasil para underperform (desempenho abaixo da média do mercado), enquanto Santander Brasil diminuiu a recomendação para marketperform (desempenho em linha com a média do mercado).

A Petrobras informou na sexta que o mandato da diretoria executiva será estendido automaticamente até que o conselho de administração da empresa delibere sobre a eleição dos novos presidentes e diretores executivos, cujos mandatos seriam encerrados em 20 de março. Mas a assembleia de acionistas para escolher os novos conselheiros, incluindo o indicado para ser o novo presidente-executivo, Joaquim Silva e Luna, só ocorrerá em 12 de abril. Com a extensão dos mandatos, deve ser resolvido um hiato entre a saída do atual presidente e a chegada do novo, que ocorreria devido aos trâmites para Luna ser eleito.

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A operadora de ferrovias Rumo e o Ministério da Infraestrutura divergem sobre a melhor alternativa para a extensão de 600 km da Malha Norte, o prolongamento da ferrovia de Rondonópolis, sul do Mato Grosso, até Lucas do Rio Verde, no mesmo estado. As informações são do Valor. A Rumo quer fazer a obra mediante aditivo m seu contrato de concessão, que vale até 2079. O ministro Tarcísio Freitas entende que construir um trecho tão extenso sem licitação seria objeto de contestação no TCU.

O varejista francês Carrefour, controlador do Carrefour Brasil, foi multado em 1,75 milhão de euros por pressionar fornecedores em negociações de preços de contratos anuais, afirmou o Ministério das Finanças da França, na sexta. A decisão do Tribunal de Comércio de Paris acontece após investigação sobre as práticas do Carrefour durante as negociações de preço de 2016 com fornecedores.

A Energisa, que controla distribuidoras de energia e tem negócios em transmissão e geração renovável, prevê ampliar os investimentos em 2021 em quase 45%, para R$ 3,9 bilhões, contra R$ 2,7 bilhões em 2020. Desse valor, R$ 834 milhões seriam para projetos de transmissão em andamento. As informações foram divulgadas pelo diretor financeiro da companhia, o CFO Maurício Botelho, durante teleconferência com investidores na sexta.

(com Reuters e Agência Estado)

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