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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

China anima mercados mundiais e ofusca alta de casos do coronavírus; falas de Paulo Guedes e mais destaques

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Bandeiras da China ao vento
(Shutterstock)

O sentimento de otimismo predomina nesse início de semana no mercado de ações global. O maior impulso vem da Ásia, com o índice Shangai SE fechando em alta de mais de 5%. O pregão também é de ganhos na Europa e os futuros de Nova York também operam em terreno positivo.

No Brasil, destaque para a entrevista do ministro da Economia, Paulo Guedes, à CNN Brasil. Ele afirmou que uma reforma tributária deve ser aprovada ainda em 2020 e que em até três meses devem ser realizadas quatro grandes privatizações, embora não tenha informado quais estatais serão vendidas.

Entre as notícias corporativas, a Lojas Americanas fará oferta de ações e a varejista Marisa informou que as vendas das lojas de rua estão com desempenho superior ao de lojas de shoppings. Confira no que ficar de olho:

1.Bolsas mundiais

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O sentimento de otimismo predomina nesse início de semana no mercado de ações global. O maior impulso vem da Ásia, com o índice Shangai SE fechando em alta de mais de 5%. O pregão também é de ganhos na Europa e nos futuros de Nova York.

O impulso do Shangai SE veio de um aparente controle nos contágios do novo coronavírus e das perspectivas de uma retomada da economia, o que estimula a busca por ativos de maior risco. O jornal estatal Securities Times, da China, disse que promover um mercado em alta “saudável” após a pandemia é agora mais importante para a economia do que nunca.

“A China está saindo rapidamente da epidemia da Covid-19. Todos os dados desde meados de fevereiro apontam para uma recuperação em forma de V”, disse, à CNBC, Michael Spencer, economista-chefe e de pesquisa para a Ásia do Deutsche Bank.

O Shangai SE fechou em alta de 5,71%, contribuindo para os demais índices da região fechassem em terreno positivo. O Hang Seng Index, de Hong Kong, encerrou os negócios em alta de 3,81% e o Nikkei 225, de Tóquio, subiu 1,83%.

Na Europa, o otimismo também predomina. Os investidores estão na expectativa da recuperação econômica e de um medicamento capaz de conter o coronavírus, o que contrabalanceia evidências de avanço da pandemia em alguns locais.

O FTSE, de Londres, sobe 1,95% e o DAX, de Frankfurt, registra valorização de 1,86%. Nos Estados Unidos, os futuros do Dow Jones avançam 1,58%.

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Veja o desempenho dos mercados, às 7h27 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), +1,33%
*Nasdaq Futuro (EUA), +1,27%
*Dow Jones Futuro (EUA), +1,58%

Europa
*Dax (Alemanha), +1,86%
*FTSE 100 (Reino Unido), +1,95%
*CAC 40 (França), +1,83%
*FTSE MIB (Itália), +2,06%

Ásia
*Nikkei 225 (Japão), +1,83% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +3,81% (fechado)
*Shanghai SE (China), +5,71% (fechado)

*Petróleo WTI, +0,32%, a US$ 40,78 o barril
*Petróleo Brent, +1,40%, a US$ 43,40 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 0,87%, cotados a 7500.500 iuanes, equivalente hoje a US$ 106,73 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 7,0317 (-0,49)

*Bitcoin, US$ 9.191, +1,65%

2. Agenda

No Brasil, o Banco Central (BC) publicou o boletim Focus, que compila as projeções econômicas feitas por uma série de instituições: o mercado faz a projeção de que o PIB brasileiro caia 6,50% neste ano, ante expectativa de 6,54% na última semana. Para 2021, a estimativa de crescimento foi mantida em 3,50% pela sexta semana consecutiva. A estimativa para a Selic foi mantida em 2% para 2020 e em 3% para 2021.

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As projeções para a inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), continuou em 1,63% neste ano. Para 2021, a projeção segue em 3%.

Às 15h, será a vez da Secretaria de Comércio Exterior divulgar a balança comercial semanal.

Também está prevista para essa segunda-feira a divulgação dos dados da produção e venda de veículos.

Nos Estados Unidos, às 10h45 (horário de Brasília), será divulgado o índice dos gerentes de compras, o PMI, Composto e do setor de serviços. Às 11h, será a vez do PMI não-manufatura.

No Youtube, Ricardo Reis, professor do InfoMoney, falará sobre o mercado imobiliário às 13h30.

3. Reforma tributária

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em entrevista à CNN Brasil que a reforma tributária deve ser aprovada ainda em 2020.

A eventual proposta deve buscar, segundo ele, uma “substituição tributária”. Um dos exemplos é a tributação sobre dividendos, atualmente isentos. Segundo o ministro, hoje o assalariado paga um Imposto de Renda (IR) elevado e o “milionário ou bilionário não paga nada sobre os dividendos”.

Guedes reforçou ainda que o objetivo da proposta de reforma tributária não é aumentar impostos, mas ampliar a base de incidência. Isso permitiria a desoneração da folha de pagamento e de setores como comércio e serviços.

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O ministro afirmou ainda que o governo pretende fazer até quatro “grandes privatizações” em até três meses, mas não revelou quais estatais seriam vendidas.

4. Política

O governo Jair Bolsonaro tenta melhorar sua imagem no país e no exterior e, para isso, tenta garantir um maior volume de verbas para a áreas de publicidade. Segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, a Secretaria de Comunicação (Secom) do Palácio do Planalto pediu a liberação ainda neste ano de R$ 325 milhões para gastar em publicidade e em relações públicas. O atual orçamento prevê R$ 138,1 milhões em gastos com ações da área.

A tentativa de recuperar a imagem do governo, abalada por uma sucessão de crises provocadas por decisões de Bolsonaro e sua equipe, ocorre no momento em que a oposição classifica como “rachadinha” a movimentação de pessoal no gabinete de Bolsonaro no período em que ele foi deputado federal.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que vai acionar o Ministério Público Federal para investigar essa movimentação, que seria indício de um esquema de “rachadinha”.

De acordo com reportagem da Folha, documentos relativos aos 28 anos em que Jair Bolsonaro foi deputado federal mostram uma rotatividade salarial incomum de seus assessores.

5. Panorama corporativo

Ainda não está clara qual será a solução para a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, mas as empresas seguem animadas em acessar o mercado de ações para levantar recursos para os seus negócios.

Nesta manhã, a Lojas Americanas comunicou que o Conselho de Administração aprovou uma oferta primária. Os recursos são utilizados para investimentos na Ame Digital, na expansão das áreas de tecnolgoia e lógisticas; capitalização da B2W; e na melhora da estrutura de capital.

Ainda sobre o setor varejista, a Lojas Marisa afirmou que as lojas de rua estão com um desempenho cerca de 10% superior ao das lojas de shoppings, segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”.

A rede conta com 354 lojas, sendo metade em shoppings. Desse total, 240 estão em funcionamento. Marcelo Pimentel, presidente da varejista, informou que o tempo de permanência dos clientes na lojas está menor, mas com tíquete médio maior.

Já as medidas para contenção de novos casos da Covid-19 podem estar por trás da suspensão temporária das importações, pela China, de carne suína de uma unidade da BRF em Lajeado (RS) e uma outra da JBS em Três Passos (RS). A suspensão foi comunicada pela autoridade aduaneira chinesa, segundo a agência Reuters.

E na noite de sexta-feira a Cosan, Cosan Logística e Cosan Limited anunciaram que seus conselhos de administração aprovaram o início do estudo de uma proposta de reorganização societária que será submetida à aprovação dos acionistas.

Se aprovada, a Cosan será consolidada em uma única holding. A empresa continuará a ser controlada pela Aguassanta, veículo de investimento da família de Rubens Ometto Silveira Mello.

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