FIQUE DE OLHO

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Sinalização de diálogo de Pequim para acordo comercial com Washington anima mercados, antes da divulgação do PIB nos EUA e no Brasil 

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 0,94% aos 98.193 pontos, seguindo o dia de otimismo do exterior e terminando o segundo pregão consecutivo com valorização. Os papéis de Petrobras (repercutindo o petróleo) e Itaú Unibanco (que caíram muito recentemente), puxaram o Ibovespa.

Hoje, o mercado vai acompanhar uma agenda intensa de indicadores, com destaque para a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do Brasil e dos Estados Unidos. Além disso, deve sair o resultado da inflação dos aluguéis de agosto, medida pelo IGP-M, entre outros números nos EUA e Europa.

Destaque ainda para as repercussões da crise na Argentina após o país pedir ao Fundo Monetário Internacional (FMI) mais prazo para o pagamento da dívida com o órgão de US$ 56 bilhões. Em meio a uma recessão e a escalada da desvalorização do peso, manifestantes protestaram nas ruas de Buenos Aires.

No exterior, o Ministério de Comércio da China disse hoje que Pequim e Washington continuam “em comunicação efetiva” sobre a atual disputa comercial, e que ambos os lados estão discutindo se seguirão adiante com negociações marcadas para setembro.

O porta-voz do ministério chinês, Gao Feng, afirmou na coletiva de imprensa semanal que a China tem amplas medidas retaliatórias para tomar contra eventuais aumentos de tarifas dos EUA. Ele também apelou a Washington que crie as condições necessárias para que as conversas bilaterais tenham continuidade.

Confirma os destaques desta quinta-feira:

1. Bolsas Internacionais

No início da manhã os futuros de Nova York viraram para o positivo com as declarações por parte da China de que desejava resolver o conflito comercial com os Estados Unidos.

Os comentários chineses trazem alívio à medida que a rentabilidade dos títulos de longo prazo, de 30 anos, dos EUA apresentam a menor taxa de todos os tempos e os rendimentos de 2 anos superam os de 10 anos.

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Na Europa, as bolsas operavam em alta generaliza e consistente, com as declarações chinesas de disposição à negociação com os Estados Unidos.

Os investidores europeus monitoram ainda a suspensão do parlamento britânico, após seu primeiro-ministro, Boris Johnson, fazer a solicitação, atrapalhando os planos da oposição de evitar um Brexit sem acordo.

Destaque ainda para eleição italiana, com o Movimento Cinco Estrelas (M5S) e o Partido Democrata (PD) da oposição anunciando tentativa de formação de um governo de coalizão.

Entre os indicadores, o índice de sentimento econômico da zona do euro subiu de 102,7 em julho para 103,1 em agosto, segundo dados publicados hoje pela Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia.

O resultado surpreendeu analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda do indicador, a 102,3.

Na Ásia, as ações fecharam de forma mista. O yuan chinês onshore desvalorizou-se brevemente, cotado a 7,17 por 1 dólar, pela primeira vez em mais de 11 anos e meio na quinta-feira, informou a Reuters, antes de se recuperar na tarde do pregão asiático.

Na região, o governo da Coreia do Sul propôs um orçamento consideravelmente maior para o próximo ano, sinalizando que ampliará os estímulos fiscais para acalmar os temores de uma desaceleração na quarta maior economia da Ásia.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h29 (horário de Brasília):

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S&P 500 Futuro (EUA), +0,96%
Nasdaq Futuro (EUA), +1,24%
Dow Jones Futuro (EUA), +0,99%
DAX (Alemanha), +1,20%
FTSE (Reino Unido), +1,13%
CAC-40 (França), +1,42%
FTSE MIB (Itália), +2,06%
Hang Seng (Hong Kong), -0,19% (fechado)
Xangai (China), -0,29% (fechado)
Nikkei (Japão), +0,11% (fechado)
Petróleo WTI, +0,43%, a US$ 56,02 o barril
Petróleo Brent, -0,25%, a US$ 60,34 o barril
Bitcoin, US$ 9.486, -6,59%
R$ 40.500, -4,57% (nas últimas 24 horas)
Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian estavam estáveis, cotados a 580,00 iuanes, equivalentes a US$ 81,11 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, antes da divulgação do PIB, pelo IBGE, às 9h00, será divulgado o IGP-M de agosto, às 8h00, pela FGV. O PIB brasileiro deve ter avançado 0,2% no segundo trimestre de 2019 na comparação trimestral, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg. O resultado se seguirá a dois trimestres anteriores de expansão também perto de zero, o que mostra um cenário de economia estagnada, segundo apontam economistas. Às 10h00, o Tesouro informa o resultado primário do governo central.

Nos Estado Unidos, às 9h30, o destaque é a publicação da segunda estimativa do PIB do segundo trimestre, com expectativa de crescimento anualizado de 2%, ante dado anterior de 2,1%. No mesmo horário saem o índice de preços do PCE, balança comercial e pedido de auxílio-desemprego.

3. Noticiário Político e Econômico

A votação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado, prevista para a próxima quarta-feira, 4, pode ficar para o dia seguinte, de acordo com o relator da proposta, Tasso Jereissati (PSDB-CE). O atraso pode ocorrer se as discussões se alongarem, afirmou o relator.

Até o momento, foram apresentadas 287 emendas à proposta, 135 entre terça-feira, 27, e esta quarta, após Jereissati apresentar o relatório. Ele deverá se manifestar sobre as novas emendas antes da votação. Depois, os parlamentares poderão apresentar novas sugestões de alterações no plenário.

Jereissati afirmou que poderá fazer novas alterações ao texto mantendo o princípio de “atender às eventuais durezas de baixo da pirâmide social para cima”. Ele defendeu, por exemplo, a cobrança de contribuições previdenciárias para empresas do agronegócio e entidades filantrópicas.

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Juntas, as cobranças devem render aos cofres públicos R$ 120 bilhões em 10 anos – R$ 60 bilhões referente às filantrópicas e R$ 60 bilhões referentes ao agronegócio. Além disso, o relator propôs uma cobrança no Simples destinada a incentivar micro e pequenas empresas na prevenção de acidentes de trabalho, o que pode render R$ 35 bilhões em receitas ao longo de dez anos.

As taxações foram incluídas para compensar uma desidratação da reforma, na qual a proposta deve resultar no Senado. As medidas já provocaram reações contrárias no Congresso. A oneração do agronegócio foi retirada da reforma quando o texto passou pela Câmara por articulação da bancada ruralista.

O porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, informou que o presidente Jair Bolsonaro vetará, ao menos em parte, o Projeto de Lei 7.596/17, que define os crimes de abuso de autoridade. A matéria foi aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados no dia 14 de agosto.

Rêgo Barros disse que o presidente deve receber até terça-feira (3) a consolidação de informações por parte dos ministérios, para subsidiá-lo na decisão final sobre os vetos. Bolsonaro só deve anunciar a decisão no dia 5 de setembro, quando termina o prazo de 15 dias úteis para o veto ou sanção.

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Em caso veto (total ou parcial), o texto volta para análise do Congresso Nacional, que pode manter ou derrubar os vetos presidenciais.

Ainda na política, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou que o processo da compra do terreno e de um apartamento em São Bernardo (SP), que envolvem o ex-presidente Lula, dentro das investigações da Lava Jato, voltem à fase de alegações finais.

Fachin também decidiu remeter ao Plenário do STF a discussão que levou à anulação da sentença contra o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, dentro dos processos da Lava Jato. O resultado do julgamento terá um efeito cascata sobre ao menos 32 processos, calcula a Lava Jato, segundo o Estadão.

A Folha traz ainda entrevista com Walter Delgatti Neto, que foi preso pela Polícia Federal por ter vazado mensagens hackeadas e vazadas de diálogos de integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Por escrito, ele afirmou que repassou as informações ao site The Intercept por considerá-las de interesse público e negou que tenha planejado vendê-las ao PT.

Na economia, em meio ao debate sobre a reforma tributária, a Receita Federal estuda forma de alterar o cálculo do Imposto de Renda das empresas, deixando de lado as regras contábeis do IFRS adotadas no Brasil em 2008, informa o Valor Econômico. Essa norma foi adotada como forma de tornar comparáveis os balanços das empresas do Brasil com o exterior.

Outras medidas em estudo pelo governo são o fim da isenção de IR para aplicações em LCI e LCA, diz o Estadão. Já a Bloomberg informa que a equipe econômica planeja um corte de 44% nos recursos destinados ao Sistema S, com o objetivo de redistribuir os valores para o Bolsa Família. As contribuições compulsórias ao Sistema S cairiam de R$ 22 bilhões anuais para R$ 12,3 bilhões.

O Estadão destaca ainda que a recuperação econômica é a mais fraca dos últimos 40 anos, sendo que o País recuperou apenas 30% dos R$ 486 bilhões do PIB perdidos entre 2014 e 2016. Faltariam, segundo estudo do Ibre/FGV, informado na reportagem, R$ 388 bilhões para a economia recuperar o seu patamar pré-crise.

4. Argentina

O ministro das Finanças da Argentina, Hernán Lacunza, anunciou que o governo do presidente Mauricio Macri propôs ao FMI que se inicie o diálogo para rever os vencimentos da dívida com a instituição. O governo pretende controlar o quadro de instabilidade local, como a extensão dos vencimentos de dívida de curto prazo para investidores institucionais, como bancos e seguradoras.

Segundo Lacunza, deverá haver uma reunião com representantes do FMI “nas próximas semanas” para se discutir a revisão da dívida argentina com o Fundo. Esse diálogo será de mais longo prazo e necessariamente será concluído apenas no próximo governo, seja ele de Macri ou de outro nome, acrescentou o ministro.

Candidato favorito à presidência, o oposicionista Alberto Fernández tem insistido na necessidade de renegociar os termos do acordo com o FMI, que atualmente seriam inviáveis, segundo o político. Os pagamentos a pessoas físicas prosseguirão normalmente, complementou a autoridade, citando ainda que as medidas anunciadas hoje foram antes informadas ao FMI.

Lacunza destacou que o diálogo não altera o cumprimento das metas atuais já fechadas com o Fundo. Lacunza também ressaltou que os pagamentos da dívida não serão interrompidos, mas haverá a extensão daquelas de curto prazo com investidores institucionais, retirando a pressão nos meses anteriores ao primeiro turno presidencial, marcado para 27 de outubro.

Segundo ele, Macri lhe deu como missão impedir que o dólar e a inflação não subam mais. Ele solicitou ainda que os candidatos à presidência se comuniquem com prudência e que a preservação da estabilidade seja vista como objetivo prioritário e comum pelas forças políticas no país.

Já o presidente do Banco Central da República Argentina (BCRA), Guido Sandleris, afirmou em comunicado que as medidas “constituem uma resposta rápida diante da incerteza política que tem impedido a renovação normal da dívida pública de curto prazo”.

Sandleris disse que as decisões “priorizam o uso das reservas internacionais para preservar a estabilidade monetária e financeira, mesmo que isso implique adiar o pagamento aos grandes investidores da dívida pública”.

A expectativa é de que se reduza a pressão sobre o mercado cambial, onde o peso sofre grande desvalorização este ano, “reduzindo a eventual demanda por moeda estrangeira e garantindo a disponibilidade de recursos para reduzir a volatilidade”.

O FMI declarou, por meio de comunicado de seu porta-voz principal, Gerry Rice, que está “em processo de analisar e avaliar o impacto” das medidas relativas à dívida da Argentina anunciadas hoje pelo governo local.

“A equipe [do FMI] entende que as autoridades tomaram esses passos importantes para fazer frente às necessidades de liquidez e para salvaguardar as reservas”, diz a nota.

“O pessoal do FMI também se reuniu com o sr. Alberto Fernández e membros de sua equipe econômica para trocar visões sobre a economia argentina”, afirmou Rice.

5. Noticiário Corporativo

A Petrobras informou que obteve decisão favorável definitiva, sem possibilidade de recurso, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cancelando débito da ordem de R$ 5,9 bilhões em favor da companhia referente à homologação de créditos de PIS e Cofins.

A petroleira informou ainda que aprovou uma nova política de remuneração aos acionistas. A principal alteração trazida pela nova política é a definição de que da distribuição dos proventos com base no nível de alavancagem da companhia.

Entre as captações que podem surgir no mercado, a Bloomberg informa que a BR Distribuidora pretende levantar cerca de R$ 3 bilhões em dívida local.

Já Light e a Energisa enviaram para os bancos um pedido para que apresentem propostas para liderar captações de recursos no mercado local. A Light quer levantar cerca de R$ 1 bilhão e a Energisa, R$ 1,4 bilhão

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)