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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Bolsas mundiais têm nova queda com preocupações sobre recuperação econômica; Relatório Trimestral de Inflação do BC e mais destaques

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(Getty Images)
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As bolsas mundiais estão em queda nesta manhã, com temores crescentes de um aumento nos casos de coronavírus, principalmente na Europa. As bolsas europeias caem, assim como os futuros de Nova York. Na Ásia, as bolsas também fecharam no negativo.

No Brasil, o mercado acompanha os movimentos do governo para criar um novo imposto. Para reduzir as resistências, o governo está negociando na Câmara a possibilidade de aprovar a reforma tributária em troca da criação da uma nova CPMF, com a desoneração da folha de pagamento.

Além disso, o governo já definiu um novo programa social para substituir o Bolsa Família, que deve ser chamado de Renda Cidadã. Outro destaque foi a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de enviar para o plenário virtual da Corte a decisão sobre como deve ser o depoimento de Jair Bolsonaro – se pessoalmente ou por escrito.

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Já no noticiário corporativo, o aumento da volatilidade do mercado fez com que o banco de investimento BR Partners decidisse cancelar sua listagem, segundo o Valor Econômico. Ao mesmo tempo, a Hidrovias do Brasil emplacou sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) com preço no piso da faixa indicativa. Além disso, a CVC informou que está avaliando alternativas de captação ou rolagem de dívida com os credores. Outro destaque é o pedido de convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária na JBS, feita pelo BNDESPar.

1. Bolsas mundiais

As bolsas mundiais operam em baixa nesta manhã, em meio a crescentes preocupações sobre o impacto de uma segunda onda de casos de coronavírus sobre a economia. As bolsas europeias estão em queda, assim como os índices futuros de Nova York. As principais bolsas asiáticas também fecharam no vermelho.

O avanço do número de casos da doença na Europa pesam sobre o sentimento do mercado. O número de casos diários no Reino Unido subiu 25% de um dia para outro, segundo a BBC. O país reportou ontem 6.178 casos, alta de 1.252 desde terça-feira. Ao mesmo tempo, dois ministros alemães, Heiko Maas and Peter Altmaier, estão em quarentena depois de terem tido contato com pessoas infectadas pelo vírus.

Na Europa, o índice Euro Stoxx recua 0,77%. O DAX, da Alemanha, cai 0,30%, enquanto o CAC, de Paris, recua 0,56% e o FTSE 100, de Londres, perde 0,67%. Ao mesmo tempo, o FTSE MIB, da Itália, sobe 0,09%.

Nos Estados Unidos, os índices futuros das bolsas recuam, depois de um dia de perdas na véspera, também pressionados pelas incertezas sobre o coronavírus. Além disso, o mercado local aguarda definições sobre um novo pacote de estímulos à economia. Os futuros do S&P 500 estão em queda de 0,18%, enquanto os do Dow Jones caem 0,13%. Os futuros da Nasdaq perdem 0,54%.

Na Ásia, o mercado também operou em baixa, depois do pregão de quedas em Wall Street na quarta-feira. A Coreia do Sul liderou as perdas, com o índice Kospi fechando em queda de 2,59%. As ações caíram no país depois que o ministro da defesa da Coreia do Sul disse que um oficial local foi morto por tropas da Coreia do Norte. Foi a primeira vez desde julho de 2008 que um civil sul coreano foi morto na Coreia do Norte, segundo a agência de notícias Yonhap.

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No Japão,o Nikkei caiu ,1,11%, enquanto na China, o Shangai SE recuou 1,72% e o índice Hang Seng, de Hong Kong, registrou queda de 1,82%.

No mercado de commodities, os futuros de minério de ferro mostram alguma recuperação, com alta de 0,33% na bolsa de Dalian, a 767.000 iuanes. O petróleo está em queda, com o WTI recuando 0,35% e o Brent em queda de 0,22%.

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h11 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,18%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,54%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,13%

Europa

*Dax (Alemanha), -0,26%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,64%
*CAC 40 (França), -0,48%
*FTSE MIB (Itália), +0,20%

Ásia

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*Nikkei (Japão), -1,11% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -2,59% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -1,82% (fechado)
*Shanghai SE (China), -1,72% (fechado)

Commodities e Bitcoin

*Petróleo WTI, -0,18%, a US$ 39,86 o barril
*Petróleo Brent, -0,05%, a US$ 41,75 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 0,33%, cotados a 767.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 112,37 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,82535

*Bitcoin, US$ 10.326,88, -1,05%

2. Agenda

Os investidores acompanham a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central. Roberto Campos Neto e Fábio Kanczuk dão coletiva sobre o RTI às 11h. O BC elevou a previsão para o PIB, que passou de queda de 6,4% em 2020 para baixa de 5%, vendo crescimento de 3,9% no próximo ano, mas que há incerteza maior que a usual sobre as projeções no próximo ano. No relatório, ele reforçou que as reformas fiscais são essenciais para uma recuperação econômica sustentável.

Vale destacar ainda que, na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC manteve a Selic em sua mínima de 2% ao ano e vem reforçando em suas comunicações que o espaço para reduzir ainda mais os juros, se existente, deve ser pequeno. No RTI, a informação foi reiterada: a autoridade monetária reforçou a mensagem de que, apesar de uma assimetria em seu balanço de riscos para a inflação para o lado altista, não pretende subir a Selic a menos que o quadro para o avanço de preços na economia ou o regime fiscal sejam modificados.

O mercado também fica de olho no discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no Comitê Econômico Conjunto, em Washington, às 11h. Os números semanais de pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos serão revelados às 9h30.

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Esta quinta-feira marca o terceiro dia do maior evento de fundos imobiliários do país. Online e gratuito, o FII Summit – Fórum de Fundos Imobiliários, realizado pelo InfoMoney, reúne executivos de algumas das maiores construtoras e incorporadoras do país, além de economistas, analistas e gestores de FIIs, que vão discutir as tendências desse mercado nos seus diversos segmentos (comercial, hoteleiro, logístico e residencial).

Para participar do FII Summit, que conta com apoio da XP Investimentos, basta se cadastrar gratuitamente no site do evento. Confira a programação completa clicando aqui. 

3. Nova CPMF

O mercado acompanha os movimentos do governo para criar um novo imposto. Para reduzir as resistências, o governo está negociando na Câmara a possibilidade de aprovar a reforma tributária em troca da criação da uma nova CPMF, com a desoneração da folha de pagamento. Segundo O Estado de S.Paulo, a estratégia pretende “pegar carona” na votação da reforma. Neste acordo, a CPMF seria incluída na proposta de reforma tributária que está tramitando na Câmara, a PEC 45.

Com isso, a ideia é conquistar a aprovação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que é contrário à CPMF, mas pode mudar sua posição em troca do apoio do governo para a propostas de reforma tributária que está na Câmara, segundo o jornal.

Ontem, o ministro da Economia Paulo Guedes anunciou a ofensiva para a criação do imposto. Ele citou a criação de “tributos alternativos” para garantir a desoneração da folha de pagamentos e ligou o imposto ao financiamento do novo programa de renda mínima que será criado na PEC do Pacto Federativo, de acordo com a Folha de S.Paulo.”Queremos desonerar, queremos ajudar a buscar emprego, facilitar a criação de empregos, então vamos fazer um programa de substituição tributária”, disse Guedes.

O ministro pretende desonerar totalmente o salário mínimo em todos os setores. Para contratos com remuneração maior, a contribuição cairia de 20% para 15%, de acordo com O Globo. O imposto sobre transações compensaria a perda.

Ontem, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que o veto do presidente Jair Bolsonaro à desoneração da folha salarial deve ser derrubado pelo Congresso Nacional. Se o cenário se concretizar, empresas de 17 setores da economia terão o benefício garantido até o fim de 2021.

Ainda sobre questões tributárias, ontem foi sancionado o projeto de lei que altera a atual cobrança do ISS pelos municípios brasileiros. A iniciativa transfere a competência de cobrança do imposto para o município onde o serviço é prestado ao usuário final.

Também foi sancionada a lei que permite a prorrogação por mais um ano de incentivos fiscais a empresas exportadoras, suspendendo temporariamente o pagamento de tributos federais como o Imposto de Importação, o IPI e o Cofins por concessões de drawback, segundo a CNN Brasil.

Em meio às discussões sobre a reforma administrativa, enviada ao Congresso no início deste mês, chama atenção a informação de que a Advocacia-Geral da União (AGU) promoveu 607 procuradores federais. Desse total, 606 foram promovidos para o topo da carreira e irão receber R$ 27,3 mil,, segundo O Globo.

4. Renda Cidadã

A criação do Renda Brasil foi derrubada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas o governo já definiu um novo programa social para substituir o Bolsa Família, que deve ser chamado de Renda Cidadã. A informação foi dada ontem pelo relator da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do chamado Pacto Federativo, senador Márcio Bittar (MDB-AC).

De acordo com O Estado de S.Paulo, o presidente deu aval para Bittar negociar o tema no Congresso. O relator fará um parecer com um conjunto de medidas para cortar despesas, enquanto os senadores incluirão propostas impopulares para abrir espaço no Orçamento, garantindo a criação do novo programa.

Segundo o jornal, o projeto terá medidas que atingem servidores, propostas de retirar a obrigatoriedade de dar reajustes e desvinculação do Orçamento. Além disso, deve ocorrer a eliminação do piso para a saúde e educação.

No noticiário nacional, outro destaque foi a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de enviar para o plenário virtual da Corte a decisão sobre como deve ser o depoimento de Jair Bolsonaro – se pessoalmente ou por escrito. A decisão ocorre no contexto das investigações que apuram se o presidente tentou interferir na Polícia Federal.

O início do julgamento foi marcado para 2 de outubro. Segundo o Estado de S.Paulo, neste modelo os magistrados apenas depositam no sistema eletrônico seus votos escritos, sem debates, sem exposição à opinião pública ou transmissões ao vivo da TV Justiça.

Além disso, o presidente editou uma medida provisória que disponibiliza um montante de R$ 10 bilhões para empréstimos a micro e pequenas empresas cuja venda de produtos seja feita por meio de máquinas de cartões de crédito e débito, segundo a Folha de S.Paulo.
Segundo o governo, o programa tem como objetivo de diminuir os efeitos econômicos negativos causados pela pandemia da Covid-19.

Ainda sobre meios de pagamento, o presidente Jair Bolsonaro editou o decreto que institui a plataforma de pagamentos de valores à Conta Única do Tesouro Nacional, o chamado PagTesouro. Segundo a CNN Brasil, será possível pagar por serviços públicos sem precisar preencher boleto ou se deslocar para alguma instituição financeira.

Em meio à crise ambiental e à fuga de capital estrangeiro do Brasil, o Ministério Público Federal cobrou à Justiça que avalie o afastamento imediato do ministro Ricardo Salles do cargo. Segundo o Estado de S.Paulo, o pedido foi anexado nos autos da ação de improbidade apresentada em julho que pede a saída do ministro do governo por ‘desestruturação dolosa’ das políticas ambientais.

5. Radar corporativo

No noticiário corporativo, o aumento da volatilidade do mercado fez com que o banco de investimento BR Partners decidisse cancelar sua listagem, segundo o Valor Econômico. Ao mesmo tempo, a Hidrovias do Brasil emplacou sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) com preço no piso da faixa indicativa.

Além disso, a CVC informou que está avaliando alternativas de captação ou rolagem de dívida com os credores. De um endividamento total na ordem de R$2 bilhões, R$600 milhões vencem em novembro de 2020. A empresa disse que tem caixa de R$ 1,5 bilhão e está preparada para a retomada integral de suas operações.

Outro destaque é o pedido de convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária na JBS, feita pelo BNDESPar, que quer discutir as consequências dos atos ilícitos de ex-administradores sobre os negócios da empresa.

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