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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Tensões entre EUA e China voltam a impactar bolsas mundiais; BC pode ampliar intervenção no câmbio se necessário e mais destaques

Bandeiras da China e dos EUA (Crédito: Shutterstock)
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A piora da relação entre Estados Unidos e China aumenta a aversão ao risco nos mercados globais no momento em que as principais economias do mundo ensaiam uma recuperação com a adoção de medidas de relaxamento do isolamento social.

Ao mesmo tempo, segue a expectativa em torno de um tratamento para a Covid-19, que já atinge mais de 5 milhões em todo o mundo. A farmacêutica AstraZeneca recebeu um financiamento de mais de US$ 1 bilhão do governo dos Estados Unidos para o desenvolvimento de uma vacina experimental para a doença.

No Brasil, as discussões em torno da prorrogação do auxílio emergencial e a expectativa pela divulgação do vídeo da reunião ministerial que mostraria a interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal também seguem no radar dos investidores.

1. Bolsas mundiais

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Os futuros dos principais índices das bolsas americanas e os principais índices europeus operam em queda refletindo os temores da piora da relação entre Estados Unidos e China, além dos investidores monitorarem o crescimento dos casos de coronavírus pelo mundo e aguardarem a divulgação de novos indicadores econômicos.

“A pandemia e a crise econômica aguda dela resultante tornaram o acordo comercial entre China e Estados Unidos muito mais difícil de cumprir”, disse à Bloomberg Stephen Innes, estrategista-chefe de mercado global da AxiCorp, o acordo comercial entre Estados Unidos e China pode estar em perigo.

Os futuros do Dow Jones registram queda de 0,65% e os do S&P 500 recuam 0,68%.

Nem mesmo a notícia de que a farmacêutica AstraZeneca recebeu um financiamento de mais de US$ 1 bilhão do governo dos Estados Unidos para o desenvolvimento de uma vacina experimental para a Covid-19 parece animar os investidores nesta quinta-feira.

O apetite por risco é limitado pelo clima negativo entre EUA e China, em meio às repetidas críticas do presidente americano, Donald Trump, pela forma como Pequim tem lidado com o coronavírus. Ontem, Trump voltou a culpar os chineses pela pandemia. “Foi a incompetência da China, e nada mais, que causou esse massacre em todo o mundo”, afirmou o presidente em sua conta oficial no Twitter.

Também em destaque, o Senado americano aprovou na quarta projeto que poderia impedir que empresas chinesas como Alibaba e Baidu sejam listadas nas bolsas de valores dos EUA.

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Além da disputa comercial, os investidores também estão atentos aos dados de pedidos de seguros-desemprego.

O avanço do coronavírus no momento em que as principais economias da Europa e regiões dos Estados Unidos adotam medidas de relaxamento do isolamento social também preocupa os investidores. Ao redor do mundo, já são mais de 5 milhões de casos confirmados.

No mercado de commodities, o petróleo engata 6º dia de rali, com WTI superando os US$ 34 após queda de estoques americanos.

A tonelada do minério de ferro está cotada acima de US$ 100 em Dalian (China). Nesta quinta-feira, o minério subiu 2,05%, para 722 mil iunes, o equivalente a US$ 101,73. A cotação está no seu maior patamar desde outubro de 2019 e reflete a recuperação da economia chinesa, a maior consumidora do produto, após as paralisações causadas pelo coronavírus.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h25 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,68%

*Nasdaq Futuro (EUA), -0,62%

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*Dow Jones Futuro (EUA), -0,65%

Europa

*Dax (Alemanha), -1,44%

*FTSE 100 (Reino Unido), -0,96%

*CAC 40 (França), -1,05%

*FTSE MIB (Itália), -0,72%

Ásia

*Nikkei 225 (Japão), -0,21% (fechado)

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*Hang Seng Index (Hong Kong), -0,55% (fechado)

*Shanghai SE (China), -0,55% (fechado)

*Petróleo WTI, +2,03%, a US$ 34,17 o barril

*Petróleo Brent, +1,65%, a US$ 36,34 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 2,05%, cotados a 722.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 101,73 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 7,0971 (+0,05%)

2. Agenda

A agenda de indicadores econômicos doméstica conta com a arrecadação de tributos federais e contribuições previdenciárias, que será divulgada às 10h30 pela Receita Federal. A arrecadação deve ter alcançado R$ 115 bilhões em abril, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, depois de R$ 109,7 bilhões na medição anterior e em queda frente os R$ 139 bilhões de abril de 2019.

Em destaque na agenda política, Bolsonaro tem reunião com ministros às 9h e videoconferência com Governadores dos Estados às 10h. Já o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, participam de live para apresentar estratégia do governo e papel do BNDES na estruturação de projetos de concessão, às 15h.

Nos Estados Unidos, às 9h30 (horário de Brasília), o Departamento de Trabalho irá divulgar os dados sobre pedidos de auxílio-desemprego. A expectativa é que o número de auxílios fique em 2,4 milhões, ante 2,981 milhões na semana anterior.

Ainda nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed, o bc americano) deve fazer um pronunciamento às 15h30. Já o Fed da Filadélfia divulga dados sobre a atividade industrial. Às 11h, serão conhecidos os números sobre vendas de casas nos Estados Unidos.

Na Europa, o PMI da Alemanha de maio ficou em 31,4 pontos, ante 17,4 pontos em abril. No Reino Unido, o indicador chegou a 28,9 pontos em maio, uma leve melhora em relação aos 12,9 pontos do mês anterior. O PMI é um indicador de atividade econômica. Números abaixo de 50 indicam recessão.

3. Auxílio emergencial

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que avalia estender o pagamento do auxílio-emergencial para além dos três meses programados. No entanto, defende que o valor caia dos atuais R$ 600 para R$ 200 (valor inicial da proposta do governo, mas que depois passou por alteração no Congresso).

Após negar a possibilidade de estender o prazo do auxílio emergencial pago aos trabalhadores que ficaram desamparados durante o período de isolamento social, o ministro admitiu que considera pagar um número maior de parcelas, mas em valor menor.

Segundo o jornal “O Globo”, em encontro com empresários o ministro teria dito que era necessário “suavizar a queda” do pagamento do auxílio, mas negou que iria prorrogá-lo indefinitivamente por falta de espaço fiscal no Orçamento.

A Caixa atualmente está pagando a segunda parcela do auxílio e também analisa os pedidos que foram rejeitados.

Mas a extensão do auxílio não é a única preocupação em Brasília. A “Folha de S.Paulo” divulgou nesta quinta-feira que a defesa de Fabrício Queiroz,ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi informada em agosto do ano passado sobre a existência de um inquérito sigiloso da Polícia Federal no Rio de Janeiro que mencionava o policial militar aposentado. Foi no mesmo período em que o presidente Jair Bolsonaro decidiu demitir o então chefe da superintendência da corporação no Rio, dando início ao desgaste na relação com o ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

A revelação aumenta a expectativa em torno da divulgação do vídeo da reunião ministerial em que Bolsonaro teria ameaçado Moro de demissão devido a embates na mudança de direção na PF. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello tem até sexta-feira para decidir se libera a divulgação da íntegra da reunião ou apenas dos trechos relativos ao presidente.

4. Falas de Campos Neto

Durante live realizada na noite de quarta-feira, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, afirmou que a autoridade monetária pode ampliar intervenção no câmbio se necessário e que aumento das atuações nos últimos dias se deveu a um descolamento que a autoridade percebeu em relação aos pares.

Fala do presidente do BC ocorre após queda do dólar ontem, mas com real mantendo desempenho inferior aos principais pares. “Entendemos que tem um espaço amplo de venda de reservas ainda”, disse Campos Neto em webcast da Associação Brasileira de Indústrias de Base.

Brasil tem espaço fiscal limitado para atuação, e se a situação ficar muito pior, pode atrapalhar o momento de juros mais baixos, que de uma forma geral favorecem hedge em projetos de infraestrutura, afirmou.

Ele ainda apontou que a crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus “pode ser mais longa e o desvio fiscal pode ser maior e ressaltou que o governo, atualmente, está fazendo um “desvio fiscal”, mas com a indicação de que voltará para “os trilhos”.

5. Noticiário corporativo

O avanço do coronavírus no Brasil se reflete cada vez mais nos resultados das empresas e nas medidas que as companhias estão lidando para lidar com os efeitos do isolamento social necessário para conter o avanço do vírus no país.

A empresa de administração de serviços de saúde Hapvida registrou um lucro líquido de R$ 164,6 milhões no primeiro trimestre do ano, uma queda de 19,9% em relação a igual período de 2019. A queda é consequência das despesas financeiras e das provisões para ressarciamento ao SUS.

A expansão da rede, fruto de aquisições, levou ao crescimento da receita líquida em 65,4%, para R$ 2,08 bilhões.

Entre as medidas tomadas em meio à pandemia do coronavírus, a empresa afirmou que suspendeu o reajuste de mensalidade dos planos individuais e de empresas com até 29 vidas por 90 dias. Também foram contratados 1,4 profissionais para vagas temporárias. O caixa livre da empresa está em R$ 3 bilhões.

Outra empresa que está tentando se ajustar ao novo cenário é a Unidas, de locação e comercialização de veículos. O lucro líquido contábil da empresa no primeiro trimestre do ano foi de R$ 79,6 milhões, uma alta de 7,8% na comparação com igual período do ano passado. A receita líquida chegou a R$ 1,211 bilhões, aumento de 17,9%

No segmento de veículos para aluguel, a empresa registrou no primeiro trimestre do ano uma taxa média de ocupação de 76,8%, ante 81,6% entre janeiro e março de 2019. Essa queda é reflexo das medidas de isolamento social, que levaram a taxa de ocupação, no mês de março, para em torno de 60%. Em abril, ficou em 55,9%. Já a tarifa média passou de R$ 70,60 no primeiro trimestre para R$ 51,10 em abril, um indicativo de queda das receitas da empresa no segundo trimestre do ano.

No caso da Alliansce Sonae, que administra shoppings, os resultados foram afetados pelo desconto dado nos aluguéis de março, além de um aumento da despesa com provisões, já vislumbrando o aumento da inadimplência.

A empresa registrou no primeiro trimestre de 2020 um lucro líquido de R$ 103,9 milhões, uma alta de 82% na comparação com igual período do ano passado.

Os resultados já contemplam uma maior provisão para inadimplência e os descontos concedidos, no mês de março, de 50% dos aluguéis, uma vez que várias regiões do país passaram a adotar medidas de isolamento social devido para coibir o avanço das infecções pelo coronavírus.

Após o fechamento dos mercados, serão divulgados os balanços da Cogna, Guararapes, Lojas Renner e Valid.

Já as Lojas Americanas divulgou na noite de quarta-feira que o Conselho de Administração aprovou a emissão de R$ 500 milhões de debêntures com esforços restritos de distribuição. O prazo da oferta é de 3% ao ano e o custo planejado é de CDI mais 3% ao ano.

Os recursos serão utilizados para reforçar o caixa da varejista. “Os recursos líquidos captados por meio da integralização das debêntures serão utilizados para o reforço do caixa da emissora, no âmbito da gestão ordinária de seus negócios”, segundo comunicado enviado à CVM.

Saindo do noticiário da pandemia, a Braskem informou na quarta-feira à noite que os contratos para fornecimento de nafta pela Petrobras para as unidades industriais na Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo tem vencimento ao final de dezembro de 2020. Já o contrato de fornecimento de etano e propano para sua unidade industrial no Rio de Janeiro vence em janeiro de 2021. “Nesse contexto, a Braskem esclarece que vem mantendo diálogos com a Petrobras em busca de um acordo de longo prazo e que, até o momento, não foi celebrado nenhum novo acordo de fornecimento de nafta, etano e propano com a Petrobras para as suas unidades industriais”, informou em comunicado à CVM.

A Petrobras também informou que não há um compromisso vinculante até o momento.

Já a Via Varejo divulgou, na quarta-feira à noite, fato relevante em que explica como se dará o repasse de crédito tributário a sua ex-controladora, a Companhia Brasileira de Distribuição, dona das marcas Extra e Pão de Açúcar. Essa compensação considera a apuração de tributos feitas até junho de 2010 e ainda precisa ser apurada antes de ser repassado à CDB.

Na quarta-feira, a CDB informou que teria a receber R$ 500 milhões em créditos tributários fruto de uma ação já transitada em julgado, ou seja, sem possibilidade de recursos, que beneficia a Via Varejo. O crédito se refere à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins.

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