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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Bolsas mundiais seguem em queda ainda repercutindo falas de incerteza econômica do Fed; investidores no Brasil reagem ao Copom e mais destaques

As bolsas mundiais caem nesta manhã, mesmo após o Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, reforçar a visão de que vai manter as taxas de juros próximas a zero por um longo tempo, pelo menos até 2023. Isso porque, durante fala após a reunião do comitê de política monetária, Jerome Powell, presidente do Fed, reforçou dúvidas sobre o ritmo de recuperação da economia dos EUA em meio aos desafios com o coronavírus. Os índices das bolsas europeias estão em queda, assim como os índices futuros da Nasdaq e do S&P. Na Ásia, os mercados também fecharam no vermelho.

No Brasil, o mercado reage à decisão do Copom, que ontem optou por manter a taxa Selic em 2% e disse que não pretende reduzir o grau de estímulo monetário. A decisão ficou em linha com as expectativas do mercado.

Outro destaque é a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal a depor no inquérito que apura a denúncia do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de uma suposta interferência no órgão. Como resposta, o presidente Jair Bolsonaro com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo para a prestar o depoimento por escrito.

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No noticiário corporativo, a Copel anunciou que o preço mínimo de venda da Copel Telecomunicações será de R$ 1,4 bilhão. Outro destaque foi a captação de US$ 500 milhões pela BRF no mercado externo, por meio de senior notes. Além disso, a Eletrobras teve seu rating elevado pela agência de classificação de risco Moody´s, de “Ba3” para “Ba2”.

1. Bolsas mundiais

As bolsas mundiais operam em baixa nesta manhã, reagindo à decisão de política monetária do Federal Open Market Committee (Fomc). Ontem, o comunicado do comitê apontou que as taxas de juros devem ficar perto de zero até 2023 para ajudar a economia a se recuperar.

Normalmente, a previsão de taxas baixas por um longo período incentiva a compra de ações, mas este não foi o caso ontem, com os índices Nasdaq e S&P 500 fechando em queda. Nesta manhã, os índices futuros de Nova York sinalizam que estes mercados devem abrir no negativo. Os futuros do S&P 500 caem 1,03% e os da Nasdaq recuam 0,80%. Os futuros do Dow Jones vão no sentido contrário, com ligeira alta de 0,12%.

Durante fala após a reunião do comitê de política monetária, Jerome Powell, presidente do Fed, reforçou dúvidas sobre o ritmo de recuperação da economia dos EUA em meio aos desafios com o coronavírus.

Na Europa, os investidores acompanham a decisão de política monetária do Banco Central da Inglaterra, que manteve os juros. Na região, o índice Euro Stoxx cai 0,63%. O DAX, da Alemanha, perde 0,59%, enquanto o CAC, de Paris, cai 0,65%, e o FTSE MIB, da Itália, tem queda de 1,19%. Ao mesmo tempo, o FTSE 100, de Londres, perde 0,93%.

Já na Ásia, o Banco do Japão manteve a sua política monetária, com a taxa de juro de curto prazo de -0,1% ficando inalterada. Em sua declaração, o BoJ disse que a economia começou a melhorar mas continua em uma situação severa, devido ao impacto da pandemia. No país, o Nikkei 225 fechou em queda de 0,67%.

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Os outros mercados asiáticos também recuaram. Na China, o Shangai SE caiu 0,41%. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,56%. O índice Kospi, da Coreia do Sul, fechou em queda de 1,22%.

No mercado de petróleo, os preços caem devido à preocupação sobre a baixa demanda por combustíveis. O WTI cai 0,30% para US$ 40,04 por barril, enquanto o tipo Brent recua 0,31% para US$ 42,09 por barril. O minério de ferro também mostra queda. Os futuros negociados na bolsa de Dalian fecharam em baixa de 2,71%, a 790.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 116,69.

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h00 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -1,03%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,80%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,12%

Europa

*Dax (Alemanha), -0,59%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,93%
*CAC 40 (França), -0,70%
*FTSE MIB (Itália), -1,24%

Ásia

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*Nikkei 225 (Japão), -0,67% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -1,56% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,41% (fechado)

Commodities e petróleo

*Petróleo WTI, -0,35%, a US$ 40,02 o barril
*Petróleo Brent, -0,31%, a US$ 42,09 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 2,71%, cotados a 790.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 116,69 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,77020

*Bitcoin, US$ 10.893,02 +0,69%

2. Agenda

Os investidores acompanham a reunião do Bank of England. O banco central britânico disse nesta quinta-feira que decidiu manter sua taxa básica de juros em 0,1% e deixou inalterado o tamanho de seu programa de compra de títulos em 745 bilhões de libras (US$ 966 bilhões).

As autoridades de política monetária do banco central votaram por 9 a 0 pela manutenção dos juros e também por 9 a 0 a favor de não fazer nenhuma mudança em seu programa de compra de títulos.

Também são aguardados os números semanais de pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos, às 9h30, e o índice de atividade do Fed Filadélfia.

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Por aqui, os investidores reagem ao Copom. O Comitê decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em seu menor patamar histórico, de 2% ao ano. A decisão colocou fim a um ciclo de cortes que havia sido iniciado em julho de 2019, quando a taxa era de 6,5% ao ano.

A decisão ficou em linha com que os economistas esperavam e a avaliação, no geral, é de que o comunicado continua reforçando um forward guidance de que os juros vão continuar baixos por bastante tempo. Mas a preocupação fiscal torna o cenário bastante incerto. Veja análise no vídeo abaixo:

Confira ainda o Radar InfoMoney, novo programa diário que resume, em poucos minutos, os fatos mais relevantes do noticiário econômico e político do Brasil e do mundo e os seus impactos no comportamento das ações e de outros ativos financeiros. O programa é transmitido ao meio-dia em ponto, de segunda a sexta-feira, pelo canal do InfoMoney no YouTube.

3. Presidente sob pressão

O presidente Jair Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal a depor no inquérito que apura a denúncia do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de uma suposta interferência no órgão. Como resposta, o presidente Jair Bolsonaro com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo para a prestar o depoimento por escrito.

O ofício da PF chamou o presidente a um ato interrogatório nos dias 21, 22 ou 23 de setembro de 2020, às 14 horas. De acordo com o Estado de S.Paulo, o pedido de depor por escrito foi baseado em uma decisão de 2017 que permitiu a Michel Temer fazer o mesmo.

Ao mesmo tempo, a PF intimou os filhos do presidente – o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) – a depor como testemunhas no inquérito que apura a realização de atos antidemocráticos. O pedido de investigação foi apresentado depois de atos que defendiam o fechamento do Congresso Nacional e do STF, além de pautas antidemocráticas.

O mercado reage hoje à informação de que a taxa básica de juros será mantida em 2%. A decisão foi anunciada ontem à noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom), e representa uma parada no processo de baixa de juros, iniciado em julho de 2019. A instituição sinalizou que não pretende aumentar a Selic, e também avaliou que o espaço para novos cortes é pequeno.

Outro destaque é a informação de que o presidente pretende fazer um corte bilionário em despesas da Educação, de programas sociais, e de ministérios como a Agricultura para turbinar o Plano Pró-Brasil de investimentos públicos e outras ações apadrinhadas pelo Congresso Nacional.

De acordo com O Estado de S.Paulo, o corte foi definido em reunião da Junta de Execução Orçamentária (JEO). O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) e o Ministério da Infraestrutura receberão R$ 1,6 bilhão cada. Já o Congresso ficará com R$ 3,3 bilhões. Nos cortes, a maior redução, de R$ 1,57 bilhão, é prevista no Ministério da Educação. O Ministério da Defesa sofreu corte de R$ 430 milhões.

4. Novo programa social

Ontem, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator do Orçamento de 2021, disse que o presidente autorizou a criação de um novo programa social no seu relatório. No entanto, ele evitou detalhar valores e as origens de recursos para viabilizar o programa.

Além disso, foi noticiado que a segunda fase de pagamento do auxílio emergencial de R$ 300, que vai até dezembro, vai deixar de fora um universo de seis milhões de pessoas, segundo estimativas do Ministério da Cidadania.

O mercado segue acompanhando os passos da equipe econômica do governo. Ontem, a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes fez uma reunião de quatro horas em Brasília, mas não falou com a imprensa.

Segundo a Folha de S.Paulo, o ministro mudou de estratégia e quer que o presidente dê aval a suas propostas, com líderes partidários, antes que elas sejam divulgadas. Na terça-feira (15), Bolsonaro ameaçou o time de Guedes com “cartão vermelho” caso fossem feitas propostas de criação do Renda Brasil com cortes em outros programas sociais.

Existem rumores sobre uma possível saída do secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues. Foi ele quem falou sobre um possível congelamento de aposentadorias para bancar o Renda Brasil, mas a medida foi publicamente criticada pelo presidente, que decidiu encerrar os planos de criar o programa.

De acordo com O Globo, Guedes aguarda um pedido de demissão do secretário, e a equipe econômica estaria tentando construir uma saída honrosa para Waldery, como um cargo em organismo internacional, por exemplo.

5. Radar corporativo

No noticiário corporativo, a Copel anunciou que o preço mínimo de venda da Copel Telecomunicações será de R$ 1,4 bilhão. O leilão pela empresa deve ocorrer no dia 09 de novembro de 2020. Outro destaque foi a captação de US$ 500 milhões pela BRF no mercado externo, por meio de senior notes.

Além disso, a Eletrobras teve seu rating elevado pela agência de classificação de risco Moody´s, de “Ba3” para “Ba2”. A agência também aumentou a avaliação de crédito básica da empresa (BCA) de “b1” para “Ba3”. A perspectiva para todos os ratings foi alterada de positiva para estável. Os investidores aguardam hoje a fixação do preço por ação em IPO da Cury após bookbuilding.

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