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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Bolsas buscam recuperação com investidores à espera de Trump e dados de emprego nos EUA; Mandetta reforça tom de despedida do Ministério da Saúde

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Os mercados iniciam a quinta-feira à espera da publicação de resultados corporativos do primeiro trimestre e de indicadores nos Estados Unidos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá dar uma coletiva mais tarde nesta quinta e falar sobre seu plano de reabrir a economia americana, onde a epidemia do coronavírus já atingiu 639 mil pessoas e matou mais de 30 mil.

No Brasil, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa de reunião conjunta do FMI e do Banco Mundial. No noticiário corporativo, a Petrobras divulgou na noite de ontem o seu relatório fiscal de 2019 e a construtora Tenda prévia do seu resultado do primeiro trimestre de 2020.

1.Bolsas mundiais

Os mercados terão mais um dia de volatilidade nesta quinta-feira. As bolsas da Ásia fecharam em leve queda e as da Europa abriram em alta. Os futuros de Nova York, após terem operado em terreno negativo durante boa parte da madrugada, estavam positivos na manhã de hoje.

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Os mercados aguardam indicadores sobre a economia americana, como os pedidos semanais do seguro-desemprego, e resultados corporativos, como do banco Morgan Stanley. Ambos serão divulgados antes da abertura da NYSE.

A expectativa é que o número de pedidos de auxílio fique em 5 milhões. Nas últimas três semanas, mais de 16 milhões de americanos deram entrada no seguro-desemprego. Só na semana passada foram 6,6 milhões, o maior patamar já registrado.

As iniciativas de Donald Trump, presidente dos EUA, sobre coronavírus, como ordenar que governadores reabram seus estados, esbarram em limites dos poderes presidenciais. No entanto, presidente americano disse que vai revelar diretrizes para relaxar as regras de isolamento nesta quinta-feira, citando dados que mostrariam que o surto está encontrando um platô em partes do país.

É também a expectativa de relaxamento das medidas de isolamento social que faz as bolsas europeias operarem em alta. A Alemanha, maior economia da região, divulgou que os estabelecimentos comerciais de menor porte podem reabrir a partir do dia 20 de abril se implementarem medidas de higiene adequadas. Já as escolas devem voltar a funcionar em 4 de maio.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h24 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,35%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,65%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,24%

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Europa
*Dax (Alemanha), +0,74%
*FTSE (Reino Unido), -0,28%
*CAC 40 (França), +0,40%
*FTSE MIB (Itália), +1,22%

Ásia
*Nikkei (Japão), -1,33% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,01% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), -0,58% (fechado)
*Xangai (China), +0,31% (fechado)

*Petróleo WTI, +2,47%, a US$ 20,36 o barril
*Petróleo Brent, +2,60%, a US$ 28,41 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 0,33%, cotados a 606.000 iuanes, equivalentes a US$ 85,62 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0771 (-0,18%)

*Bitcoin, US$ 7.070,50 +6,65%

2. Indicadores econômicos

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga na manhã de hoje a inflação medida pelo IPC-S, segunda quadrissemana de abril.

Nos Estados Unidos, serão divulgados às 9h30 os dados relativos à construção de novas casas em março e, mais importante, os pedidos semanais do seguro-desemprego relativos à semana passada. Os dados devem mostrar a evolução da epidemia do coronavírus na maior economia do mundo.

Já a China divulga PIB às 23h.

3. Radar político

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O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem que estados e municípios podem tomar as medidas que acharem necessárias para combater o novo coronavírus, como isolamento social, fechamento do comércio e outras restrições. Com a decisão, os governadores e prefeitos também poderão definir os serviços essenciais que podem funcionar durante o período da pandemia. O ministro Gilmar Mendes disse que a Constituição de 1988 veda ao presidente “adotar política de caráter genocida”.

Já o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, deu ontem uma coletiva de imprensa e falou em caráter de despedida. Mandetta disse que Bolsonaro quer outra “posição” na Saúde que ele, baseado na ciência, não pode oferecer. Mandetta defendeu o isolamento social e disse que graças à medida, foi possível pelo menos abrandar a curva da epidemia no Brasil.

Em entrevista à Veja, Mandetta reforçou o tom. Ao ser perguntado se não tem mais jeito de permanecer no governo, respondeu que não. “Sessenta dias tendo de medir palavras. Você conversa hoje, a pessoa entende, diz que concorda, depois muda de ideia e fala tudo diferente. Você vai, conversa, parece que está tudo acertado e, em seguida, o camarada muda o discurso de novo. Já chega, né? Já ajudamos bastante”, afirmou. Ele ainda pontuou que fica no governo até encontrarem uma pessoa para assumir seu lugar.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tinha na noite de ontem 28.320 casos confirmados do Covid-19 e 1.736 mortos pela doença. Segundo reportagem de O Globo, três nomes estão no páreo para suceder Mandetta na Saúde: o oncologista Nélson Teich, a cardiologista Ludhmila Hajjar e o oftalmologista Claudio Lottenberg.

Já o Senado aprovou em 1º turno texto- base da PEC do orçamento de guerra, que visa facilitar o aumento de gastos pelo governo federal para enfrentar a pandemia do coronavírus e amplia a caixa de ferramentas do BC. A votação em 2º turno será sexta-feira. A PEC precisará voltar à Câmara, onde havia sido aprovada no início do mês, porque senadores alteraram texto para restringir possibilidade de o Banco Central comprar títulos privados.

4. Bancos preparam pacote

Os bancos preparam um pacote para os setores empresariais mais atingidos pelos efeitos da epidemia do coronavírus, informa reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. O valor final ainda não foi fechado, mas deve ficar ao redor de R$ 50 bilhões.

Empresas de energia, companhias aéreas e a cadeia automotiva devem ser atendidas com prioridade, através de um consórcio de bancos liderado pelo BNDES e que conta com a participação do Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander Brasil. Dois ou três bancos de menor porte devem aderir. O varejo – à exceção de supermercados e farmácias – também será contemplado. Segundo fontes, o socorro ao setor elétrico é o que está mais avançado e é estimado entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. A indústria automotiva deverá contar com R$ 20 bilhões. O presidente do Bradesco, Octávio de Lazari, disse ontem ao Estadão que “ninguém quer ver empresa quebrar”.

5. Noticiário corporativo 

A Petrobras divulgou na noite de ontem seu relatório fiscal de 2019 e informou que pagou R$ 246 milhões em tributos no ano passado, um aumento de 34,91% sobre 2018. A empresa aumentou o pagamento de impostos ao governo federal, mas reduziu levemente os pagamentos aos governos estaduais e municipais. Já a construtora Tenda divulgou prévia do primeiro trimestre de 2020 e informou uma expansão de 8% nas vendas líquidas sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 439,7 milhões. Especializada no segmento popular do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), a Tenda comentou que a epidemia do coronavírus prejudicou os lançamentos, principalmente no final de março.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)