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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Mercados mundiais seguem cautela após falas de Powell e Trump; balanços e tensão política seguem no radar no Brasil

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com fundo preto, gesticulando durante comício
(Shutterstock)
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Os mercados começam a quinta-feira com viés de baixa, após as declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, terem tido impacto sobre as bolsas de valores da Ásia, que fecharam todas em queda, e as da Europa, que abriram em baixa.

Os futuros de Nova York estão estáveis. O indicador mais importante do dia será divulgado pela manhã, com os dados de quantos trabalhadores pediram o seguro-desemprego na semana passada. A China divulgará diversos de indicadores às 23h sobre a sua economia em abril, que devem mostrar se a segunda maior economia do mundo está em recuperação e a qual velocidade. No noticiário corporativo, destaques para os balanços da Via Varejo, Ultrapar, Pão de Açúcar e da Sul América, entre outros, divulgados na noite de ontem.

1.Bolsas mundiais

As bolsas de valores da Europa abriram em queda, enquanto as da Ásia fecharam todas em baixa nesta quinta-feira. Os futuros de Nova York estão próximos à estabilidade. Os comentários do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, feitos ontem, seguem repercutindo nos mercados.

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Powell disse que medidas adicionais de política monetária podem ser necessárias para retirar os Estados Unidos da recessão e previu tempos duros para a economia pela frente, mas sem colocar juros negativos como uma medida para reverter esse quadro.

Os comentários feitos mais tarde pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foram mal vistos pelos mercados. Trump afirmou que as declarações do doutor Anthony Fauci no Senado americano “não são aceitáveis”. Fauci alertou que uma reabertura precipitada da economia nos EUA pode levar a mais “sofrimento e mortes”. Fauci é diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA há décadas.

Além disso, Trump afirmou que está “olhando” as empresas chinesas que negociam na NYSE, Nasdaq, mas não seguem as regras contábeis dos EUA, segundo a Fox Business. Já o Goldman Sachs disse ontem que agora vê taxa de desemprego nos EUA chegando a 25%, e não 15%.

No mercado de commodities, o petróleo sobe, com o WTI chegando a US$ 26, enquanto Arábia Saudita corta oferta. A Agência Internacional de Energia disse ainda que perspectivas “melhoraram um pouco”, com a demanda pouco mais forte que esperado e oferta restrita pela brutal queda de preço.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h43 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,17%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,08%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,27%

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Europa
*Dax (Alemanha), -1,84%
*FTSE (Reino Unido), -2,36%
*CAC 40 (França), -2,02%
*FTSE MIB (Itália), -1,88%

Ásia
*Nikkei (Japão), -1,74% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,80% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), -1,45% (fechado)
*Xangai (China), -0,96% (fechado)

*Petróleo WTI, +5,26%, a US$ 26,62 o barril
*Petróleo Brent, +4,28%, a US$ 30,44 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de +1,09%, cotados a 647.500 iuanes, equivalentes hoje a US$ 91,29 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0922 (-0,02%)

*Bitcoin, US$ 9.782,46 +4,97%

2. Indicadores econômicos

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulga às 9h30 os pedidos por seguro-desemprego na semana passada. A projeção do mercado é que 2,5 milhões de trabalhadores tenham feito o pedido, abaixo dos 3,1 milhões verificados na semana anterior.

Na China, o governo divulga às 23h uma série de dados sobre a economia em abril: investimentos em ativos fixos, produção industrial e taxa de desemprego.

3. Política 

Conforme destaca a Bloomberg, o presidente Jair Bolsonaro busca atender Paulo Guedes, ministro da Economia, com veto a reajuste do funcionalismo sem se desgastar com categorias que o apoiam. A possível solução seria vetar reajustes, mas ao mesmo tempo permitir que regras que permitem pagamento de benefício, como licença prêmio, continuem sendo aplicadas. Também está em estudo encaminhar ao Congresso um novo projeto autorizando reajustes apenas para policiais. Isso faria parte de uma costura política para evitar que o Congresso derrube o veto.

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Vale destacar que, na véspera, o Ministério da Economia disse que vê queda do PIB de até 6% com isolamento.

Ainda no radar, está a tensão política, que segue no ar com vídeo ainda pendente de decisão do STF e novos depoimentos que reforçariam suspeita de interferência de Bolsonaro na PF, o que ele nega.

4. Coronavírus

Após um mês e meio de disputa judicial, o presidente Jair Bolsonaro entregou ontem três exames para detecção do coronavírus e todos deram resultado negativo. Os exames foram solicitados pelo jornal O Estado de S. Paulo. Foram apresentados dois exames do laboratório Sabin, nos quais constam codinomes, mas com CPF, RG e data de nascimento de Bolsonaro; e um terceiro da Fundação Oswaldo Cruz, que identifica o presidente apenas como “paciente 05”. As três coletas para os exames foram feitas em março. Para juristas, prevaleceu o direito à informação.

O Brasil ultrapassou ontem a França e tornou-se o sexto país com mais casos da Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, Rússia, Espanha, Reino Unido e Itália. Segundo o jornal O Globo, o Brasil reportou ontem 11.385 casos confirmados em 24 horas e agora tem 188.974 pessoas com a doença. O número de mortos chegou na noite de ontem a 13.149.

5. Noticiário corporativo

A temporada de balanços é movimentada. A Via Varejo, dona de marcas como Ponto Frio e Casas Bahia, registrou um lucro líquido de R$ 13 milhões no primeiro trimestre de 2020, revertendo o prejuízo de R$ 50 milhões registrado um ano antes. Já a Ultrapar divulgou lucro de R$ 160,9 milhões.

O Grupo Pão de Açúcar reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 130 milhões, revertendo lucro líquido de R$ 126 milhões de igual trimestre do ano passado. Segundo o grupo, embora as vendas tenham tido forte expansão, houve o impacto de R$ 92 milhões da incorporação das operações na Colômbia, Argentina e Uruguai ao GPA. Não fosse a incorporação e o aumento dos serviços da dívida bruta, o GPA teria lucrado R$ 65 milhões.

Já a seguradora Sul América reportou um lucro líquido de R$ 79,8 milhões no 1º trimestre deste ano, uma queda de 64,3% na base anual. Houve expansão nos planos de saúde e odontológico, mas o resultado financeiro teve impacto da redução na taxa Selic, das quedas na bolsa de valores e por aumento de 3 pontos porcentuais na sinistralidade.

Nesta quinta-feira, a atenção continua para os resultados, com os números de Azul, ABC Brasil, Bradespar, Ânima, B3, CCR, Copel, CSN, Localiza, Suzano, entre outras, enquanto o principal destaque ficará para a Petrobras.

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Ainda em destaque, segundo a Bloomberg, o pacote de resgate para Gol, Azul e Latam será de R$ 4 bilhões. Já a ação da Estapar teve preço fixado em R$ 10,50 em IPO, no piso.

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