Fique de olho

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Investidores devem repercutir Copom dovish e aguardam pedidos de auxílio-desemprego nos EUA; balanços de BB e Ambev e mais destaques

(Beto Nociti/BCB)
Aprenda a investir na bolsa

As bolsas de valores da Europa abriram em alta nesta quinta-feira, impulsionadas por anúncios da volta gradativa da economia na Alemanha e no Reino Unido, em meio à epidemia da Covid-19, que dá sinais de já ter atingido o pico nos países. As bolsas da Ásia fecharam estáveis e os futuros do petróleo operam com poucas variações. Os futuros de Nova York avançam, à espera da divulgação dos pedidos do seguro-desemprego da semana passada.

No Brasil, em dia fraco de indicadores, a expectativa é de que a curva de juros curta deva cair após o Copom surpreender ao reduzir a Selic para novo piso histórico de 3% e sinalizar ao menos mais um corte de até 0,75 ponto.

O comunicado da autoridade monetária mencionou a necessidade de estímulo extraordinariamente elevado e vê inflação abaixo da meta mesmo com dólar a R$ 5,55, apesar de reiterar alerta sobre riscos fiscais. Ainda em destaque, a PEC elevou o escopo de ação do BC, enquanto o contraponto vem do Senado, que aprovou a ajuda aos estados e municípios mantendo o enfraquecimento de contrapartidas feito pela Câmara.

Aprenda a investir na bolsa

As atenções também devem se concentrar nos resultados corporativos do 1º trimestre. O Banco do Brasil publicou balanço na manhã de hoje, informando lucro líquido de R$ 3,40 bilhões no período, uma queda de 20% sobre igual trimestre de 2019, enquanto a Ambev viu o lucro cair 56%. As empresas AES Tietê, Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI) e Banco Pan também publicaram balanços.

1. Bolsas mundiais

As bolsas de valores da Europa abriram em alta, impulsionados pelo anúncio da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, de que a economia do país reabrirá gradativamente, à medida que a epidemia da Covid-19 dá sinais de abrandar no país. O premiê da Grã-Bretanha, Boris Johnson, também afirmou ontem que o “lockdown” será amenizado no Reino Unido a partir da próxima segunda-feira.

As bolsas da Ásia fecharam todas muito próximas à estabilidade, com pequeno avanço em Tóquio, mas quedas nas outras praças. Os mercados refletiram a balança comercial de abril da China, publicada na madrugada pela Autoridade Alfandegária do país. Houve crescimento de 3,9% nas exportações, embora as importações tenham caído. Em Nova York, os futuros avançam, de olho nos pedidos do seguro-desemprego, que serão publicados na manhã de hoje.

O petróleo sustenta nível de US$ 24; metais sobem em Londres e minério de ferro avança com foco em dados na China e otimismo sobre investimentos do país em infraestrutura.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h31*

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), +1,43%
*Nasdaq Futuro (EUA), +1,54%
*Dow Jones Futuro (EUA), +1,27%

PUBLICIDADE

Europa
*Dax (Alemanha), +0,98%
*FTSE (Reino Unido), +0,79%
*CAC 40 (França), +0,92%
*FTSE MIB (Itália), +1,01%

Ásia
*Nikkei (Japão), +0,28% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,01% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), -0,65% (fechado)
*Xangai (China), -0,23% (fechado)

*Petróleo WTI, +8,13%, a US$ 25,94 o barril
*Petróleo Brent, +6,39%, a US$ 31,62 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de +1,96%, cotados a 623.000 iuanes, equivalentes hoje a US$ 87,84 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0922 (+0,07%)

*Bitcoin, US$ 9.316,54 -0,47%

2. Copom e indicadores econômicos

Em uma decisão que surpreendeu boa parte dos economistas, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou o corte em 0,75 ponto percentual da Selic, levando para uma nova mínima histórica de 3% ao ano e indicou no comunicado que pode fazer um novo corte na próxima reunião, não maior do que o atual.

A parte curta da curva do DI deve ter queda forte para se ajustar ao Copom, pois fechou ontem precificando cortes de 61 e 28 pontos para as reuniões de maio e junho, respectivamente; para analistas, além do corte de 0,75 pp agora, BC ainda sinalizou outro alívio entre 0,50 pp e 0,75 pp, sem descartar reduções adicionais se atividade e inflação seguirem declinando.

Roberto Secemski, do Barclays, a decisão foi surpreendentemente dovish, não só por cortar 75 bps, mas por considerá-la a opção ‘mais moderada’. Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de política monetária do Banco Central entre os anos de 1999 e 2003 e hoje presidente da Mauá Capital, diz que a instituição acelerou o passo com o corte de 0,75 ponto porcentual na taxa de juros Selic. No entanto, para ele, há espaço para reduzir ainda mais. “Eu iria para próximo de 2% muito mais rapidamente. Mesmo sendo mais agressivo, o BC ainda está com uma postura mais cautelosa”, afirma.

PUBLICIDADE

Já o Departamento do Trabalho do governo americano divulgará às 9h30 o número de pedidos do seguro-desemprego na semana passada. São esperados 3 milhões de pedidos, segundo estimativa feita pela agência Dow Jones para a CNBC. Na semana anterior, foram feitos 3,8 milhões de pedidos. No Brasil, a Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, divulga produção, vendas e exportação de veículos novos em abril. Os números devem mostram forte retração.

3. Política 

O Senado aprovou auxílio de até R$ 125 bilhões a estados e municípios e lei vai a sanção presidencial. Os senadores recusaram a emenda dos deputados que alteraria um dos critérios de distribuição de recursos entre os estados, mas confirmaram parte de outra emenda da Câmara que atinge as contrapartidas impostas, ampliando as categorias de servidores que não terão salários congelados.

Com o aval do presidente Jair Bolsonaro, o Congresso ignorou o ministro da Economia, Paulo Guedes, derrubou o congelamento de salários de diversas categorias de servidores públicos e reduziu em quase R$ 90 bilhões a economia nos gastos do governo federal, Estados e municípios com a folha de pagamento de pessoal até 2021. Segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo, o congelamento era uma contrapartida que Guedes cobrou para repassar diretamente R$ 60 bilhões aos governadores e prefeitos nos próximos quatro meses, suspender dívidas e manter garantias do Tesouro em empréstimos, num alívio financeiro total de R$ 125 bilhões.

A Câmara aprovou o Orçamento de Guerra; todos os destaques foram rejeitados e texto vai à promulgação. O BC poderá comprar e vender títulos do Tesouro Nacional, nos mercados secundários local e internacional, e também direitos de crédito e títulos privados no âmbito de mercados secundários nos setores financeiro, de capitais e de pagamentos.

4. Pandemia no Brasil 

Diante do avanço da epidemia do coronavírus no país, cientistas estão recomendando que cidades em que o sistema de saúde esteja entrando em colapso adotem o “lockdown”, que é a restrição completa ao trânsito de pessoas, com exceção de idas ao supermercado e a farmácias. Segundo matéria do jornal O Globo, os cientistas pedem o “lockdown” no Rio de Janeiro e no Nordeste.

A Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz – pediu o lockdown urgente no Rio de Janeiro, para evitar “uma catástrofe humana”. O comitê científico do Nordeste também pediu que o lockdown ocorra nos estados da região onde os hospitais estejam no limite. Ontem, o Brasil registrou mais 615 mortes pela Covid-19 em 24 horas. O país tinha na noite de ontem 125.218 casos confirmados, com 8.536 óbitos.

5. Noticiário corporativo 

O Banco do Brasil divulgou os resultados do 1º trimestre de 2020 na manhã de hoje e reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,40 bilhões, uma queda de 20% sobre igual período do ano passado. Já a Ambev viu o lucro líquido ajustado cair 56% no primeiro trimestre, para R$ 1,23 bilhão

Já a AES Tietê também divulgou resultados e apurou lucro líquido de R$ 75 milhões no período, uma expansão de 21,5% sobre igual trimestre de 2019. A empresa justificou os motivos para não ter aceito a oferta hostil da Eneva Energia e informou que pagará dividendos de R$ 89 milhões aos acionistas em 20 de maio. O Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI) – também divulgou resultados e reportou lucro líquido de R$ 208 milhões no 1º trimestre, um crescimento de 40,9%.

PUBLICIDADE

Quer viver do mercado financeiro ou ter renda extra? Experimente de graça o curso do Wilson Neto, um dos melhores scalpers do Brasil

(Com Agência Estado e Bloomberg)