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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Índices globais têm alta, apesar de preocupações com coronavírus, acordo do Brexit e descontentamento de Trump com estímulos nos EUA

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Home brokers com gráficos de ações (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O último pregão da semana de Natal é de alta para as bolsas mundiais, mas sem muita força, com o clima ainda de tensão entre os investidores por conta da nova variante do coronavírus, além das dúvidas sobre a aprovação de um acordo comercial pós-Brexit entre Reino Unido e União Europeia.

Ontem, o negociador-chefe da União Europeia, Michel Barnier, que trabalha no acordo pós-Brexit, afirmou que o bloco realizava um “esforço final” para chegar a um resultado. Mas continuam a existir discordâncias sobre o tema da pesca.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump pediu mudanças no projeto de lei para o pacote de estímulos no valor de US$ 900 bilhões. Ele classificou a medida como uma “desgraça” inadequada, e exortou os legisladores a fazerem mudanças, incluindo pagamentos mais generosos aos americanos.

No Brasil, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, detalhou que o Ministério da Saúde negocia com o Instituto Butantan a expansão do contrato de aquisição da CoronaVac para 100 milhões de doses, a serem entregues no primeiro semestre de 2021. De acordo com o secretário, o contrato com o Butantan está praticamente fechado.

Já na política, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou na terça que a agenda prioritária para 2021 envolve os temas de reorganização do Estado e das contas públicas.

Dentre as propostas citadas pelo líder como essenciais estão as reformas tributária e administrativa, a PEC emergencial e a autonomia do Banco Central, e o pacto federativo, além das privatizações. Ele também repetiu aquele que afirma ser o mantra do presidente Jair Bolsonaro (sem partido): “Não tem aumento da carga tributária, não tem fura teto e não tem prorrogação do orçamento de guerra”.

1. Bolsas mundiais

As bolsas mundiais têm altas nesta quarta-feira (23). Mas temores quanto à perspectiva de aprovação de um acordo comercial pós-Brexit entre Reino Unido e União Europeia, além da propagação de uma nova variante do coronavírus no continente europeu limitam o movimento positivo.

Além disso, nos Estados Unidos o presidente Donald Trump pediu mudanças no projeto de lei para o pacote de estímulos no valor de US$ 900 bilhões.

Na terça (22), o negociador-chefe da União Europeia, Michel Barnier, que trabalha no acordo pós-Brexit, afirmou que o bloco realizava um “esforço final” para chegar a um resultado final. Mas continuam a existir discordâncias sobre o tema da pesca.

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Atualmente, mais de 60% da pesca em águas britânicas é feita por navios estrangeiros, à medida que barcos da União Europeia têm acesso as águas dos países membros. Isso continua a valer para as águas britânicas ao menos até o final do ano, mas o Reino Unido deseja limitar esse acesso.

O índice Eurostoxx sobe 0,44%; o Dax, da Alemanha, sobe 0,74%; o FTSE 100, do Reino Unido, cai 0,02%; o CAC 40, da França, sobe 0,74%; o FTSE MIB, da Itália, sobe 0,6%.

Além disso, a França reabriu nesta quarta suas fronteiras para a Inglaterra, onde uma variante mais contagiosa do coronavírus tem impulsionado a pandemia, contribuindo para lockdowns em Inglaterra e em outras regiões do Sudeste da nação. Agora, para entrar na França ingleses precisam ter um teste negativo de covid.

O Reino Unido voltou a bater na terça seu recorde de novos casos de covid. Foram 36.803 diagnósticos, ainda mais do que os 35.928 registrados na quinta (20), que são o recorde anterior. A Alemanha também registrou seu recorde na terça, com 36.153 novos casos diagnosticados.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump sugeriu na terça que pode não assinar a lei que estabelece o pacote de estímulo econômico no valor de US$ 900 bilhões, aprovada nesta semana pelo Congresso. Ele classificou a medida como uma “desgraça” inadequada, e exortou os legisladores a fazerem mudanças, incluindo pagamentos mais generosos aos americanos. Apesar disso, os índices futuros têm altas nesta quarta.

O índice S&P 500 Futuro sobe 0,33%; o Nasdaq Futuro sobe 0,20%; o Dow Jones Futuro sobe 0,30%.
Mesmo não tendo afirmado que pretende vetar o projeto, Trump pediu que o Congresso envie “uma lei adequada, ou então a próxima administração precisará entregar um pacote de estímulos”.

As falas do presidente levantaram dúvidas sobre a viabilidade do pacote para 2020. Sem a assinatura do projeto, mais de 12 milhões de americanos perdem benefícios voltados a desempregados logo após o Natal.

Na Ásia, as ações têm altas, apesar da apreensão quanto ao pacote de estímulos nos Estados Unidos, e com o acordo comercial pós-Brexit e a propagação da nova variante do coronavírus na Europa.

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O índice Nikkei, do Japão, fechou em alta de 0,33%; o Hang Seng Index, de Hong Kong, subiu 0,86%; o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,96%; o Shanghai SE, da China, subiu 0,76%.

Veja abaixo os principais índices às 7h30 (horário de Brasília):

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,33%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,20%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,30%

Europa
*Dax (Alemanha), +0,74%%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,02%
*CAC 40 (França), +0,74%
*FTSE MIB (Itália), +0,6%

Ásia
*Nikkei (Japão), +0,33% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) +0,86% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +0,96% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,76% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +0,32%, a US$ 47,17 o barril
*Petróleo Brent, +0,26%, US$ 50,21 o barril
*Bitcoin, US$ 23.640,38, +4,17%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com queda de 5,74%, cotados a 1027,0 iuanes, equivalente hoje a US$ 157,12 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,54

2. Agenda de indicadores

Às 8h, a FGV divulga o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal), relativo 22 de dezembro. No mesmo horário, a FGV divulga dados sobre custos de construção no Brasil, relativos a dezembro.

Às 9h, a MBA (sigla em inglês para Associação de Bancos Hipotecários) divulga dados sobre solicitações de empréstimos hipotecários nos Estados Unidos, relativos a 18 de dezembro.

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Às 9h30 são divulgados dados sobre volume de crédito no Brasil, relativos a novembro.

Às 10h30 são divulgados dados sobre pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos, relativos a dezembro. No mesmo horário são divulgados dados de pedidos de bens duráveis, pedidos e frete de bens de capital no país, relativos a novembro. No mesmo horário, são divulgados dados sobre renda pessoal e gastos pessoais nos Estados Unidos em novembro. Também às 10h30 é divulgado o deflator principal DCP, relativo a novembro nos Estados Unidos.

Às 11h é divulgado o FHFA, índice de preços de casas nos Estados Unidos, relativo a outubro. Às 12h a Universidade de Michigan divulga seus índices de Condições Atuais, Sentimento, Expectativas e Inflação, relativos a dezembro nos Estados Unidos. Também às 12h são divulgados dados sobre vendas de casas novas nos Estados Unidos.

Às 12h, a Receita Federal divulga dados sobre a receita tributária federal no Brasil, relativos a novembro.

Às 22h são divulgados dados Swift (sigla em inglês para Sociedade para Telecomunicação Global Interbanco) sobre pagamentos globais em moeda chinesa, relativos a novembro.

3. Pandemia, vacinação e restrições no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de terça, o avanço da pandemia em 24h no país.

A média móvel de novos casos no Brasil em sete dias encerrados na terça foi de 49.395 diagnósticos, um recorde desde que o consórcio começou a sistematizar os dados, no início de junho, e alta de 18% frente 14 dias antes. Apenas em 24 horas foram confirmados 55.799 casos.

A média móvel de mortes em sete dias foi de 776, o maior valor desde 17 de setembro, quando foi registrada média de 779 mortes. Foram 21% casos a mais do que a média de 14 dias antes. Apenas em 24 horas foram registradas 963 mortes.

O Instituto Butantan deve apresentar às 16h desta quarta os dados sobre testes de fase três da CoronaVac, produto desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac que é testado no Brasil e será produzido localmente pelo instituto a partir de insumos importados. O Butantan também pretende fazer nesta quarta pedidos à Anvisa para uso emergencial do imunizante, assim como o para registro definitivo. O imunizante deve ser empregado para imunizar a população de São Paulo, e foi incluído pelo governo federal no Plano Nacional de Imunização.

Além disso, na terça, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, afirmou à comissão externa da Câmara dos Deputados sobre ações contra a Covid que a fundação espera receber em janeiro o ingrediente ativo do imunizante desenvolvido pela parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, e iniciar a entrega de doses da vacina em fevereiro.

“Esse é o nosso cronograma de entregas, a partir dessa semana de fevereiro, de 8 a 12, estaremos entregando um milhão de doses de vacinas ao PNI (Programa Nacional de Vacinação)”, afirmou Trindade. A vacina é uma das principais apostas do governo federal para imunizar a população brasileira.

Na terça, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, afirmou que o Brasil deve receber 150 milhões de doses de vacinas contra Covid-19 no primeiro semestre de 2021, somando os imunizantes Pfizer/BioNTech, Sinovac/Butantan e AstraZeneca/Fiocruz.

Além disso, o secretário detalhou que o Ministério da Saúde negocia com o Instituto Butantan a expansão do contrato de aquisição da CoronaVac para 100 milhões de doses, a serem entregues no primeiro semestre de 2021. De acordo com o secretário, o contrato com o Butantan está praticamente fechado.

Na semana passada, o Ministério da Saúde apresentou o Plano Nacional de Imunização. Na ocasião, o ministro da pasta, general Eduardo Pazuello, anunciou que as primeiras entregas devem ocorrer em janeiro, com um quantitativo de 24,5 milhões de doses juntas dos três laboratórios no mês.

A Anvisa anunciou na terça que está fazendo o acompanhamento das chegadas de voos vindos do Reino Unido nos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e do Galeão, no Rio de Janeiro, após o surgimento de uma nova variante do coronavírus em solo britânico que se mostrou mais transmissível.

Entre as ações adotadas estão a leitura de mensagem sonora no voo já em solo brasileiro, fiscalização do interior da aeronave antes do desembarque, orientação de passageiros e tripulantes sobre o monitoramento deles no Brasil e solicitação às companhias aéreas de informações sobre tripulantes e passageiros.

Além disso, o governo de São Paulo determinou o aumento de restrições de funcionamento de negócios em todo o estado durante o Natal e o réveillon. Apenas serviços essenciais poderão funcionar nos dias 25, 26 e 27 de dezembro e 1, 2 e 3 de janeiro, similar ao estabelecido pela classificação de fase vermelha no estado.

4. Agenda do governo e contas públicas

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou na terça que a agenda prioritária para 2021 envolve os temas de reorganização do Estado e das contas públicas.

Dentre as propostas citadas pelo líder como essenciais estão as reformas tributária e administrativa, a PEC emergencial e a autonomia do Banco Central, e o pacto federativo, além das privatizações. Ele também repetiu aquele que afirma ser o mantra do presidente Jair Bolsonaro (sem partido): “Não tem aumento da carga tributária, não tem fura teto e não tem prorrogação do orçamento de guerra”.

Segundo informações de bastidores publicadas na terça pelo jornal Folha de São Paulo, o aumento de despesas obrigatórias, impulsionadas pela inflação, deve levar o Ministério da Economia a cortar entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões no Orçamento do próximo ano, segundo integrantes da pasta cujo nome não foi divulgado.

Além disso, a Câmara aprovou na terça o texto principal de projeto da chamada lei cambial, que altera a legislação brasileira sobre o mercado de câmbio e é considerado prioritário pelo Banco Central para a elevação de investimentos.

O projeto de modernização cambial dispõe sobre o mercado de câmbio brasileiro, o capital brasileiro no exterior, o capital estrangeiro no país e a prestação de informações ao BC. Por acordo entre os partidos, os deputados decidiram aprovar o texto-base nesta terça e deixar a análise das emendas, que podem alterá-lo, para 2021.

5. Radar corporativo

A Uega (Usina Elétrica a Gás de Araucária) firmou um acordo com a Petrobras para suprimento de gás natural de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2021, informou em comunicado a Copel, detentora da unidade paranaense.

O contrato prevê o fornecimento de 2,15 milhões de metros cúbicos de combustível por dia, sem obrigatoriedade de retirada. Com isso, a Uega permanecerá disponível ao (SIN) Sistema Interligado Nacional e poderá ser despachada a critério do ONS (Operador Nacional do Sistema), afirmou a Copel.

A Petrobras celebrou novos contratos de longo prazo com a Braskem para o fornecimento de nafta petroquímica para unidade industrial em São Paulo e de etano e propano para fábrica no Rio de Janeiro, informou a petroleira na terça.

Segundo a estatal, o contrato de nafta tem valor estimado de R$ 19 bilhões e entrará em vigor na quarta, com validade até o final de 2025. Ele prevê o fornecimento de até 2 milhões de toneladas da matéria-prima por ano. Já o acordo de etano e propano, estimado em R$ 7,6 bilhões, passará a valer em 1º de janeiro de 2021 e também possui vencimento no final de 2025.

O Conselho de Administração da companhia Furnas aprovou um acordo judicial para reaver à elétrica Light R$ 496 milhões referentes a pagamentos indevidos recebidos pela subsidiária da Eletrobras em 1986, informou a estatal na terça. O acordo prevê que o pagamento será realizado em três parcelas, sendo uma de R$ 336 milhões até 28 de dezembro deste ano, uma de R$ 40 milhões até 5 de dezembro de 2021 e outra de R$ 120 milhões até 18 de março de 2022.

O governo do Rio de Janeiro concedeu nesta terça-feira licença para operação de uma usina termelétrica a gás natural no Porto do Açu, no norte do Estado, que possui capacidade instalada de 1,34 gigawatts (GW) e deve iniciar atuação comercial no primeiro semestre de 2021.
A usina, denominada UTE GNA I, é operada pela Gás Natural Açu, que possui como acionistas Prumo Logística, BP e Siemens. Ela faz parte de um parque elétrico que contará com duas térmicas a gás –em conjunto, os ativos atingirão 3 GW de capacidade instalada.

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