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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Expectativa por estímulos nos EUA segue guiando otimismo no mercado, enquanto bolsas europeias caem; Maia reforça discurso de corte de gastos e mais

Bandeira dos EUA
(Shutterstock)
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Os índices futuros americanos oscilam entre leves perdas e ganhos na manhã desta quarta-feira (21), buscando sustentar o otimismo quanto à aprovação de um pacote de estímulo que vem sendo discutido há semanas entre Congresso e o governo de Donald Trump. Mas os mercados europeus têm queda, em meio a uma nova aceleração da propagação do coronavírus na região. Os casos também voltam a se espalhar mais rápido nos Estados Unidos.

Após negociações na terça-feira (20), a democrata Nancy Pelosi, presidente do Congresso americano, e representantes do governo republicano haviam afirmado que houvera progresso o suficiente para justificar novas conversas nesta quarta-feira.

No Brasil, o governo federal anunciou na terça-feira que pretende comprar vacinas desenvolvidas pelo Instituto Butantã e a chinesa Sinovac. Havia temor de que o produto fosse relegado pelo governo por ser desenvolvido em São Paulo, estado governado por João Doria (PSDB), potencial candidato às próximas eleições presidenciais.

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Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) defendeu a criação de um cronograma para votar cortes de gastos que viabilizem a criação de um novo programa de renda mais amplo que o Bolsa Família, sem estourar o teto de gastos.

No campo corporativo, a Petrobras reportou aumento de 2,6% na produção de petróleo no terceiro trimestre, frente o mesmo período do ano anterior.

1.Bolsas mundiais

As bolsas americanas tiveram alta na véspera, com sinais positivos quanto à aprovação de um novo pacote de estímulo antes das eleições, marcadas para 3 de novembro. Representantes do governo e do Congresso continuam negociações na quarta.

O pacote anterior, no valor de US$ 3 trilhões, foi aprovado no início da pandemia de Covid. Nas últimas semanas, o governo Trump apresentou propostas de liberar mais cerca de US$ 1,9 trilhão. A proposta mais recente de representantes do Partido Democrata, que tem maioria no Congresso, girava em torno de US$ 2,2 trilhões.

O índice S&P 500 futuro tem alta de 0,09%; o Nasdaq Futuro, de 0,10%; e o Dow Jones Futuro, de 0,02%.

Mas o jornal norte americano The Washington Post reportou que a proposta de um acordo pode sofrer oposição por parte dos próprios republicanos. O líder republicano no Senado, Mitch McConnel, teria afirmado em um almoço de representantes do partido na terça-feira que havia aconselhado a Casa Branca a não aprovar um acordo antes da eleição.

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Já a Europa acompanha com cautela o crescimento de casos do novo coronavírus, e adoção de medidas de contenção pelas autoridades. Em mais um sinal de alerta, o ministro da Saúde espanhol, Salvador Illa, confirmou na terça que o país estuda adotar um toque de recolher nacional.

Em entrevista divulgada na terça-feira pelo canal francês LCI, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, expressou preocupação com uma segunda onda de contaminações.

“Eu acredito que a maioria dos cientistas e várias instituições científicas esperam que o vírus ganhe tração novamente em novembro e dezembro, com o clima frio e outros fatores que não têm nada a ver com o vírus (…) Mas ele chegou mais cedo e, deste ponto de vista, foi uma surpresa que, evidentemente, não é um bom prenúncio”, disse.

O índice Eurostoxx tem queda de 0,81%; o Dax, da Alemanha, cai 0,75%; O CAC, da França, cai 0,94%; o FTSE MIB, da Itália, cai 0,93%.

Na semana passada, Paris voltou a adotar toque de recolher, e Londres voltou a restringir reuniões entre pessoas que não vivem na mesma residência. A Irlanda iniciou esta semana se preparando para instituir seus níveis mais altos de restrições até o momento, e o País de Gales pretende iniciar um lockdown nacional.

Por outro lado, empresas importantes reportaram ganhos, a despeito da crise do novo coronavírus. A fabricante sueca de equipamentos de telecomunicações Ericsson se beneficiou do aumento da demanda por internet 5G, e teve relativamente pouco impacto com a pandemia, reportando lucro acima do esperado. Suas ações tiveram fortes altas.

Na Ásia, a maioria das bolsas fechou com resultados altos nesta quarta-feira. Os investidores observam com cautela as negociações sobre um novo programa de estímulo nos Estados Unidos.

Em Hong Kong, as ações da companhia aérea Cathay Pacific tiveram alta de mais de 3% após a empresa anunciar a demissão de mais de 5.900 funcionários, como parte de um plano de reestruturação. O movimento levou à alta do preço das ações de outras aéreas da região, como Japan Airlines, do Japão; Korean Air Lines, da Coreia do Sul; e Qantas Airways, da Austrália.

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O índice de Shanghai, na China, oscilou para baixo, em 0,09%. Mas o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,31%; o Hang Seng Index, de Hong Kong, teve alta de 0,75%; e o Kospi, da Coreia do Sul, alta de 0,53%.

No mercado de commodities, o minério de ferro avança com sinais de demanda sustentada na China e o cobre sobe junto com outros metais em Londres com interrupções no fornecimento no Chile. O petróleo cai em Nova York com aumento surpreendente nos estoques americanos.

Confira abaixo o desempenho dos mercados às 7h20 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,09%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,10%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,02%

Europa
*Dax (Alemanha), -0,78%
*FTSE 100 (Reino Unido), -1,12%
*CAC 40 (França), -0,94%
*FTSE MIB (Itália), -0,93%

Ásia
*Nikkei (Japão), +0,31% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +0,75% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +0,53% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,09% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -1,34%, a US$ 41,14 o barril
*Petróleo Brent, -1,18%, a US$ 42,65 o barril
*Bitcoin, US$ 12.226,13, +4%

Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 1,40%, cotados a 789 iuanes, equivalente hoje a US$ 119,72 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,66

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2. Agenda de indicadores

Às 14h30, o Banco Central divulga dados do fluxo cambial no Brasil. A instituição também inicia nesta quarta a rolagem integral de swaps relativos a primeiro de dezembro.

Também às 14h30, a Receita Federal será divulgado o dado de arrecadação de impostos de setembro, com estimativa, segundo consenso Bloomberg, de R$ 119,7 bilhões, ante dado anterior de R$ 124,5 bilhões e de R$ 113,9 bilhões em setembro de 2019.

Às 15h, o Banco Central americano divulga o sétimo e penúltimo Livro Bege do ano. Trata-se um relatório por meio do qual representantes da instituição em cada um de 12 distritos americanos reúne informações anedóticas sobre as condições financeiras locais, por meio de entrevistas com especialistas, economistas e executivos. As informações são sumarizadas por distrito e setor.

3. Vacina no Brasil

Em reunião do Fórum dos Governadores na terça-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou que assinou um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus que vem sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

As doses serão distribuídas como parte do Programa Nacional de Imunizações. Com a fala, Pazuello acaba com temores de que o governo Bolsonaro relegaria o produto desenvolvido no Estado de São Paulo por motivos políticos. A unidade da Federação é governada por João Doria (PSDB), que é cotado como candidato a disputar as próximas eleições presidenciais.

A estratégia do Ministério da Saúde é diversificar os tipos de vacinas disponíveis à população, disponibilizando 186 milhões de doses ainda no primeiro semestre de 2021. Há três vacinas em análise: a da AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, que no Brasil deverá ser produzida pela Fiocruz; e a vacina da Covax Facility (Instrumento de Acesso Global de Vacinas Covid-19). Este último é um consórcio global que vem desenvolvendo 9 vacinas diferentes, a cujos resultados o Brasil terá acesso. Em 18 de outubro, o Ministério da Saúde informou que pagou R$ 830,9 milhões referentes à adesão à Covax Facility.

“Temos a expertise de todos os processos que envolvem esta logística, conquistada ao longo de 47 anos de PNI. As vacinas vão chegar aos brasileiros de todos os Estados”, disse Pazuello.

Na quarta-feira passada (14), o Ministério da Saúde havia apresentado a secretários de saúde estaduais um cronograma de vacinação contra a Covid-19 prevendo o início da vacinação para abril de 2021. Mas o cronograma contava apenas com a vacina da AstraZeneca, e não com a vacina desenvolvida por Butantan e Sinovac. Isso alimentou o temor por parte de secretários de Saúde estaduais e técnicos do Ministério da Saúde de que o governo federal relegaria o produto.

Ainda há, no entanto, pontos de atrito ao redor do tema. Em coletiva de imprensa na sexta-feira (16), o governador paulista João Doria afirmou que a vacinação será obrigatória no estado de São Paulo. Na segunda-feira (19), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reafirmou que pretende fazer com que o governo federal não torne a vacinação obrigatória no Brasil.

“Quem está propagando isso aí, com toda certeza, é uma pessoa que pode estar pensando em tudo, menos na saúde (..,) Essa pessoa está levando terror perante a opinião pública. Metade da população diz que não quer tomar essa vacina, esse é um direito das pessoas. O governo federal não obrigará ninguém”, disse.

4. Maia defende cronograma para corte de gastos

Em entrevista publicada nesta quarta-feira no jornal O Estado de S. Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) defendeu que governo e lideranças dos partidos fechem um cronograma para votar medidas de corte de gastos.

Essas medidas serviriam para dar tranquilidade fiscal ao país, e viabilizar a adoção de um programa de transferência de recursos em substituição ao Bolsa Família e ao auxílio emergencial, que vem sendo chamado provisoriamente de Renda Cidadã. Maia afirmou que o cronograma deveria ser fechado com “máxima urgência”.

Maia avalia que definir um cronograma e o alcance das medidas de corte de gastos seria uma sinalização importante para investidores.

No início da semana, ativos brasileiros tiveram ganhos após representantes do governo e do Congresso afirmarem compromisso com o teto fiscal, que restringe os gastos do governo. No final de semana, o ministro da Economia Paulo Guedes havia dito que o Brasil continuaria fazendo reformas até o fim, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse ser contra a prorrogação do decreto de calamidade, e afirmou que é preciso encontrar uma forma de viabilizar o Renda Cidadã dentro do teto de gastos.

De acordo com a reportagem publicada nesta quarta pelo Estadão, Maia diz esperar que os dois turnos de votações de cortes de gastos sejam concluídas, na Câmara e no Senado, até 15 de janeiro, caso as discussões se iniciem entre o primeiro turno o segundo, em 25 de novembro. Se as discussões se iniciarem após o segundo turno, ele espera encerrar as votações no final de janeiro de 2021.

Segundo o jornal, o ministro Guedes deseja aprovar medidas de contenção de gastos o mais rápido possível, enquanto o presidente Jair Bolsonaro defende que as discussões sobre o assunto fiquem para depois das eleições municipais, cujo segundo turno está marcado para 29 de novembro.

Dentre as propostas discutidas pelo Congresso e pela equipe econômica estão extinção do abono salarial, corte nos salários e na jornada de servidores públicos, e congelamento de aposentadorias e pensões para quem ganha acima de três salários mínimos.

5. Radar corporativo

A Petrobras informou na terça-feira que a produção de petróleo no Brasil no terceiro trimestre cresceu 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 2,952 milhões de barris. A alta foi de 5,6% frente ao segundo trimestre. A empresa aumenta a partir desta quarta o preço do GLP (gás liquefeito de petróleo).

A Totvs prorrogou o prazo para que a produtora de software Linx aprecie sua proposta de compra. A Linx também é disputada pela Stone.

A empresa de programas de fidelidade por meio de programas de pontos, a Dotz prepara uma oferta pública inicial de ações, segundo informações publicadas na terça-feira pelo Brazil Journal. O objetivo de levantar recursos para bancar sua estratégia digital.

O Grupo Fartura de Hortifruti, e o Grupo Uni.co, dono da rede de lojas Imaginarium, também pediram na terça o registro para realizar sua oferta inicial de ações. A empresa de móveis Estok, dona da marca Tok&Stok, também pediu o registro para realizar sua oferta inicial.

A Dasa aprovou a emissão de R$ 600 milhões em debêntures. E o Banco do Brasil anunciou na terça a recompra de 100% dos títulos de dívida perpétuos emitidos em 2009.

Ainda em destaque, depois de mais de dois meses de espera desde que as mudanças nas regras foram anunciadas, qualquer investidor brasileiro poderá investir em BDRs a partir da próxima quinta-feira (22).

Com negociação até então restrita a investidores qualificados, com ao menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras, os certificados negociados na B3 que representem ações de empresas estrangeiras ou ETFs negociados em um “mercado reconhecido” estarão disponíveis de forma ampla, conforme comunicado divulgado pela B3. Veja mais clicando aqui. 

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