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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Após respiro da véspera, bolsas mundiais voltam a cair forte; por aqui, olhos voltados à decisão do Copom

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Após o respiro na véspera, os mercados começam a quarta-feira sob estresse. Em Nova York, os futuros voltaram a atingir o limite de queda, enquanto as bolsas da Ásia fecharam em baixa firme, com destaques para Hong Kong e Seul, que caíram mais de 4%, enquanto os mercados europeus também abriram em queda na manhã de hoje.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro pediu na noite de ontem ao Congresso que aprova pedido para declarar estado de calamidade pública até o final do ano. O Congresso deve aprovar o pedido hoje. Ele tem implicações fiscais e permite que o governo gaste além do permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A quarta também é marcada por uma das decisões mais complexas do Copom. No noticiário corporativo, empresas da indústria e do comércio liberaram home office para muitos funcionários e restringiram horário de funcionamento, como os shopping centers.

1. Bolsas mundiais

Após o respiro que tiveram na véspera, os principais índices futuros de Nova York registram novamente forte queda, chegando a atingir “limite de baixa”, com queda de 5% que leva à interrupção por alguns minutos dos negócios.

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Na véspera, a sessão foi de alta para as bolsas por lá, como reação imediata aos anúncios do Federal Reserve de lançar o instrumento de “commercial paper” para apoiar o fluxo de crédito para pessoas e empresas, uma nova injeção de liquidez de US$ 500 bilhões, além do anúncio de Donald Trump de um plano para enviar dinheiro aos americanos imediatamente para aliviar o choque econômico com a pandemia. Nesta data, contudo, a aversão ao risco em meio ao impacto do coronavírus volta a predominar entre os investidores.

O dia de forte queda também se estende para as bolsas da Ásia e da Europa. Os investidores seguem repercutindo os efeitos do novo coronavírus nas economias pelo mundo, com impacto visivelmente grande nas aéreas, mas também afetando diversos setores da economia com países inteiros em quarentena, caso de Itália e Espanha, reforçando a volatilidade do mercado.

Assim, as bolsas europeias abriram em baixa. Os mercados se prepararam para mais um dia de volatilidade e possíveis perdas nos pregões, à medida que a pandemia do coronavírus avança.

As bolsas de valores da Ásia fecharam também com quedas expressivas, mesmo com relatos de que o pico local da pandemia já tenha passado, com o número de novos casos caindo, principalmente na China, país onde se originou a doença, em Wuhan. Contudo, conforme destaca a CNBC News, após Hong Kong ter imposto ontem quarentena para os estrangeiros, hoje foi a vez do governo de Taiwan decretar quarentena por causa da pandemia do coronavírus. Em Hong Kong, o índice HSI se encaminha para fechar logo mais com queda superior a -4%, mas Tóquio, Xangai e Seul também fecham com perdas.

Os contratos futuros do petróleo operam em forte queda nesta quarta-feira, 18, ampliando robustas perdas, em meio a temores sobre o impacto que a pandemia de coronavírus terá na demanda pela commodity e na economia global. Mais tarde, às 11h30 (de Brasília), investidores vão acompanhar a pesquisa semanal do Departamento de Energia (DoE) norte-americano sobre estoques de petróleo e derivados dos EUA.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h41 (horário de Brasília):

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Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -3,69%

*Nasdaq Futuro (EUA), -4,43%

*Dow Jones Futuro (EUA), -3,92%

Europa

*Dax (Alemanha), -5,03%

*FTSE (Reino Unido), -5,01%

*CAC 40 (França), -5,49%

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*FTSE MIB (Itália), -2,39%

Ásia

*Nikkei (Japão), -1,68% (fechado)

*Kospi (Coreia do Sul), -4,85% (fechado)

*Hang Seng (Hong Kong), -4,18% (fechado)

*Xangai (China), -1,83% (fechado)

*Petróleo WTI, -4,45%, a US$ 25,74 o barril

*Petróleo Brent, -2,51%, a US$ 28,02 o barril

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**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 1,65%, cotados a 676,000 iuanes, equivalentes a US$ 96,26 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0225 (-0,04%)

*Bitcoin, US$ 5.162,29 -5,14%

2. Indicadores 

A FGV publica na manhã de hoje o IGP-M do segundo decêndio de março.

Mas o grande destaque mesmo fica para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina nesta quarta-feira.

De acordo com expectativa mediana da Bloomberg, o Copom deve realizar corte de 0,5 ponto na Selic e reduzir a taxa para 3,75%. decisão sai após o fechamento dos mercados. A segunda reunião do colegiado no ano ocorre em meio à pandemia global de coronavírus, o que leva o mercado a se mostrar atipicamente dividido sobre a decisão, com previsões entre os analistas pesquisados pela Bloomberg oscilando desde a estabilidade até corte de 0,75 ponto. Fora da pesquisa, alguns economistas, como Carlos Kawall, do Asa Bank, têm destacado que o BC poderia cortar até 1 ponto.

Ainda sobre o BC, a autoridade monetária anuncia leilão de linha de até US$ 2 bilhões nesta quarta-feira, após dólar ontem fechar acima de R$ 5,00 pela 2ª vez seguida; volume é o mesmo ofertado ontem em leilão de linha, um tipo de instrumento que geralmente afeta o cupom cambial, mas não o preço do dólar. O Tesouro deve fazer leilão de compra e venda de títulos, segundo programa anunciado no dia 12 e que estava previsto para até dia 18.

3. Política 

O presidente da República, Jair Bolsonaro, enviou na noite de ontem um pedido para o Congresso declarar estado de calamidade pública no Brasil, por causa da pandemia do coronavírus.

O Congresso deverá aprovar hoje o pedido. O estado de calamidade pública pedido pelo presidente deverá vigorar até o final deste ano e permitirá que o governo federal exceda o limite de gastos fixado na Lei de Responsabilidade Fiscal.

4. Coronavírus no Brasil

O ministro da Saúde, Luiz Mandetta, traçou um possível quadro dramático da pandemia do coronavírus nos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mandetta disse em entrevista à Folha de S. Paulo que a infraestrutura de saúde dos dois estados, que já atravessavam grave crise fiscal antes mesmo da chegada do Covid-19, é muito frágil e os pacientes poderão migrar para o sistema de saúde de São Paulo.

5. Noticiário corporativo

Várias empresas da indústria e do comércio, como Minerva (BEEF3), Suzano (SUZB3) e Multiplan (MULT3) anunciaram ontem à noite que liberaram home office para funcionários das áreas administrativas, deram férias coletivas ou reduzirão os horários dos funcionamentos das operações comerciais, por causa da pandemia do coronavírus no Brasil. Já nos negócios, A Brasil Properties (BRPR3) anunciou na noite de ontem que recomprará quatro milhões de ações ordinárias, em um programa que se estenderá a 2021.