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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Mercados recuperam parte das perdas com sinais de estabilização de moeda chinesa; no Brasil, reforma da Previdência avança 

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 2,06%, aos 102.164 pontos, seguindo o desempenho das bolsas de Nova York, que tiveram o seu melhor resultado em oito semanas.

A melhora no ambiente externo veio da sinalização do governo norte-americano de seguir negociando com a China para encerrar a guerra comercial, após Pequim fazer esforços para estabilizar a moeda chinesa.

Além disso, a bolsa refletiu as expectativas com a aprovação do texto-base da reforma da Previdência, em segundo turno, o que foi confirmado nesta madrugada. O placar foi de 370 votos a favor e 124 contra, levemente inferior ao observado no primeiro turno (379 votos), porém, suficiente para garantir seu avanço no parlamento – com folga de 62 votos em relação ao mínimo necessário.

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Os deputados vão analisar hoje oito destaques supressivos, que podem alterar o impacto fiscal da proposta. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, porém, disse acreditar que os destaques apresentados serão rejeitados pelo Plenário. Ele estimou que a votação dos destaques inicie por volta de 11 horas e prossiga até as 22 horas desta quarta-feira. A sessão terá início às 9 horas.

No exterior, o Banco Popular da China (PBOC) estabeleceu a referência oficial do ponto médio do yuan em 6,9996 por dólar, o que foi ligeiramente mais fraco do que as expectativas do mercado, segundo a CNBC. O banco central da China permite que a taxa de câmbio aumente ou caia 2% desse número.

1. Bolsas Internacionais

Diante da manutenção das preocupações com a guerra comercial sino-americano e o enfraquecimento do yuan, as ações da Ásia-Pacífico fecharam misturadas. O yuan onshore foi negociado a 7,0397 por dólar, enquanto sua contraparte offshore, usada por investidores e bancos estrangeiros, a 7,0725 contra o dólar.

O yuan quebrou o nível próximo de 7 contra 1 dólar na segunda-feira, provocando a queda dos mercados globais e gerando reação do Departamento do Tesouro dos EUA, que rotulou a China como um manipulador de moedas. O PCOB rejeitou as alegações, acrescentando que isso “minaria seriamente a ordem financeira internacional” e “provocaria turbulências nos mercados financeiros”.

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Os EUA se opõem ao yuan mais baixo, uma vez que isso torna as exportações chinesas mais baratas nos mercados internacionais, oferecendo aos produtos chineses uma vantagem de preço.

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As bolsas europeias operam em alta, mesmo diante dos receios com a intensificação da guerra comercial EUA-China, após Pequim enfraquecer um pouco mais a sua moeda.

Entre os indicadores, a produção industrial alemã caiu em um ritmo acima do esperado em junho, alimentando temores de que a maior economia da Europa possa estar caminhando para uma recessão, diz a CNBC. A produção industrial recuou 1,5% no mês, superando em muito a queda de 0,4% prevista, mostraram dados do Departamento de Estatísticas.

Entre as commodities, o petróleo opera em queda, em meio às preocupações de uma recessão global com o aprofundamento das tensões comerciais entre EUA e China. Já os futuros de minério operam com forte queda nesta quarta-feira.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h27 (horário de Brasília):

S&P 500 Futuro (EUA), +0,41%
Nasdaq Futuro (EUA), +0,67%
Dow Jones Futuro (EUA), +0,41%
DAX (Alemanha), +1,39%
FTSE (Reino Unido), +0,86%
CAC-40 (França), +1,33%
FTSE MIB (Itália), +0,62%
Hang Seng (Hong Kong), +0,08% (fechado)
Xangai (China), -0,32% (fechado)
Nikkei (Japão), -0,33% (fechado)
Petróleo WTI, -0,41%, a US$ 53,41 o barril
Petróleo Brent, -0,54%, a US$ 58,62 o barril
Bitcoin, US$ 11.656, -3,31%
R$ 45.295, -0,23% (nas últimas 24 horas)
Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 5,37%, cotados a 660,50 iuanes, equivalentes a US$ 93,74 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, o IBGE divulga, às 9h00, as vendas do varejo e os dados da produção industrial regional de junho. Às 12h30, será a vez o Banco Central informar

No corporativo, será publicado o balanço da Gerdau antes da abertura do mercado. Após o fechamento do pregão da B3, serão divulgados os balanços da Braskem, BR Properties, CPFL Renováveis, Comgás, Enauta, JHSF, NotreDame, SulAmérica e Totvs.

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Nos Estados Unidos, estão previstas as divulgações de crédito ao consumidor e estoques de petróleo. À noite, a China deverá publicar os dados da balança comercial.

3. Previdência

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, comemorou o resultado da votação do texto-base da reforma da Previdência na Câmara e previu que a tramitação da proposta deve ser concluída até o fim do mês que vem. “Projetamos a votação em dois turnos no plenário do Senado entre 20 e 30 de setembro”, afirmou.

A reforma da Previdência, na forma do substitutivo do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), aprovada em segundo turno, aumenta o tempo para se aposentar, limita o benefício à média de todos os salários, eleva as alíquotas de contribuição para quem ganha acima do teto do INSS e estabelece regras de transição para os atuais assalariados.

A versão aprovada pelos deputados garante, pelos cálculos do governo, um impacto fiscal de R$ 933,5 bilhões em dez anos com mudanças no atual sistema previdenciário e alterações de alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para bancos. O montante é R$ 303,5 bilhões menor do que o texto original.

Em relação aos destaques, Maia mencionou especificamente o que retira da proposta trecho, já aprovado em primeiro turno, que determina que o beneficiário receba, no caso da morte de seu parceiro ou parceira, 60% do benefício do titular, mais 10% por dependente.

De acordo com deputados da oposição, a medida permite o pagamento de benefícios inferior a um salário mínimo. Para evitar a retirada do trecho da reforma, o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, assinou portaria que deixa claro que nenhum pensionista terá renda inferior ao salário mínimo.

“No ponto mais polêmico, o secretário Rogério Marinho já construiu maioria ao assinar a portaria que garante que nenhum brasileiro vai receber menos de um salário mínimo”, disse Maia.

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Maia disse ainda ter fechado um acordo para a votação da chamada PEC paralela, que tratará da inclusão de Estados e municípios nas novas regras previdenciárias. Os entes federativos foram retirados da proposta original feita pelo governo. O texto deverá ser formalizado pelos senadores e depois encaminhado à Câmara.

O presidente da Câmara sinalizou ainda que a discussão sobre o regime de capitalização da Previdência poderá ser retomada na chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Paralela, que será criada no Senado para a inclusão dos Estados e municípios nas novas regras previdenciárias.

Ao ser questionado sobre a proposta, Maia contou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu a ele que avaliasse a possibilidade de incluir a capitalização no texto, que ainda será escrito pelos senadores.

Tantos os entes federativos quanto a capitalização faziam parte da proposta original do governo, mas acabaram sendo retirados do texto final da reforma por não haver apoio suficiente dentre os deputados.

Ficou acordado então que uma nova proposta seria construída no Senado para retomar a reinclusão dos Estados e municípios. Para o deputado, o ambiente na Câmara estará “bem melhor” quando a proposta chegar para análise dos parlamentares.

Já o líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (SP), acusou o governo de estar “comprando votos” ao enviar um projeto de lei para remanejar recursos do Orçamento. Valente disse que o Palácio do Planalto liberou R$ 40 milhões para cada deputado que votar a favor da reforma da Previdência no segundo turno. “Isso é corrupção”, afirmou.

O governo encaminhou nesta terça um projeto de lei do Congresso Nacional (PLN) abrindo crédito suplementar de R$ 3,041 bilhões aos orçamentos fiscal e da seguridade social da União, em favor de diversos órgãos do Poder Executivo. O objetivo é abrir caminho para a votação da reforma.

4. Bolsonaro

O Estadão destaca que o discurso adotado pelo governo Jair Bolsonaro de minimizar dados sobre aumento de desmatamento, de flexibilizar regras sobre áreas de preservação e os frequentes embates com outros países relacionados ao tema ambiental causa apreensão e tem sido classificado como prejudicial pelo agronegócio. O incômodo se tornou explícito após publicações estrangeiras, como a revista britânica The Economist, criticarem a atual política ambiental do Brasil.

A repercussão negativa, aliada a pressões do setor, levou a área de comunicação e o Itamaraty a prepararem uma campanha no exterior para tentar rebater narrativas que, na visão de integrantes do governo, pode afetar o País comercialmente, acrescenta o Estadão. O agronegócio aponta risco de impacto negativo nas exportações.

A Folha traz que, em conversas reservadas na cúpula do G-20, o presidente dos EUA, Donald Trump, sondou sobre uma possível ação militar conjunta para derrubar o presidente Nicolas Maduro. Segundo a publicação, Bolsonaro rejeitou a proposta, afirmando que o Brasil não poderia adotar tal postura.

O presidente Jair Bolsonaro editou ontem uma Medida Provisória permitindo que as publicações obrigatórias de empresas de capital aberto previstas na Lei das S/A, como balanços, sejam divulgadas apenas nos sites da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da entidade administradora do mercado em que os valores mobiliários da companhia estiverem admitidos à negociação, como a B3, além do próprio endereço eletrônico.

Antes, a legislação determinava que esses documentos fossem divulgados no órgão oficial da União, Estado ou Distrito Federal, como diários oficiais, conforme o lugar em que a companhia estivesse situada, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade da sede da empresa.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que a MP não lhe parece uma boa proposta, porque pode inviabilizar “milhares de jornais” da noite para o dia. Para ele, os jornais impressos são instrumentos importantes de “divulgação de informação, da garantia da liberdade de imprensa, liberdade de expressão e da nossa democracia”. Maia sinalizou que o Congresso deve modificar a medida.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a MP é uma “retribuição” à forma como ele foi tratado pela imprensa na época da campanha eleitoral, mas disse que ela não é uma retaliação. Questionado sobre a fala do presidente, Maia disse que a imprensa não o está atacando.

“Não acho que a imprensa está atacando ele, está divulgando notícia. Se é contra ou a favor, é uma avaliação que cada um de nós tem de fazer quando é criticado ou elogiado pela imprensa. Não acho que o presidente tenha tomado a decisão por isso”, disse Maia.

5. Noticiário Corporativo

O Estadão traz informação de que as negociações entre o fundo de private equity Advent e o Casino para a compra das operações do Grupo Pão de Açúcar no Brasil esbarraram na complexa estrutura acionária do dono do GPA. Segundo a publicação, o fundo teria oferecido um prêmio de 20% em relação ao preço atual do GPA na bolsa. O sistema de participação cruzada vem sendo revisado pelo Casino. Endividado, o grupo francês entrou com pedido de proteção na Justiça.

A Atvos, companhia do Grupo Odebrecht, pediu à Justiça corte de 46% de sua dívida bruta com fornecedores. Os débitos totais somam R$ 15 bilhões, mas R$ 3,9 bilhões são devidos a empresas do próprio grupo, diz o Valor Econômico. No plano de recuperação apresentado, a empresa propôs redução da dívida com terceiros de R$ 10,5 bilhões para R$ 5,7 bilhões.

Na safra de resultados, destaque para a BB Seguridade, que reportou um lucro líquido ajustado de R$ 1,087 bilhão no segundo trimestre deste ano, uma alta de 18,4% ante o mesmo período do ano passado. No semestre, o lucro alcançou R$ 2,092 bilhões, crescimento de 15,1% e o maior resultado recorrente semestral da história da Companhia.

Também saíram os balanços de Guararapes, com lucro em IFRS 16 de R$ 54,9 milhões (-38,4%); RD – Raia Drogasil – lucro em IFRS 16 de R$ 140,745 milhões (+13%); Iguatemi com lucro de R$ 60,1 milhões (-0,8%); e Arezzo com lucro líquido pro-forma de R$ 42,4 milhões (+27,9%).

A elétrica Cesp reportou prejuízo líquido de R$ 4 milhões, revertendo lucro de R$ 340,9 milhões de um ano antes. A Engie Brasil reportou lucro de R$ 385,4 milhões (-34,6%).

O Banco Pan reportou um lucro líquido de R$ 117,7 milhões no segundo trimestre, uma alta 179% na comparação anual e de 22% sobre o primeiro trimestre. Segundo a empresa, este foi o melhor lucro operacional já registrado pelo Banco.

A Valid reportou lucro de R$ 6,3 milhões, em IFRS 16, queda de 53,3%. Já a Terra Santa Agro reportou prejuízo de R$ 3,4 milhões, revertendo lucro de R$ 15,1 milhões.

(Com Agência Estado, Agência Câmara e Bloomberg)