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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Ânimo com recuperação econômica diminui e impacta bolsas mundiais; expectativa por dados do varejo no Brasil e mais destaques

O avanço do coronavírus continua a colocar dúvidas sobre a capacidade da recuperação da economia global e eleva a aversão ao risco, fazendo com que os principais índices acionários operem em queda.

No Brasil, destaque para a divulgação das vendas de varejo do mês de maio. Entre as notícias corporativas, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da medida provisória que ajuda o setor de aviação e a MRV divulgou recorde de vendas no segundo trimestre do ano.

1.Bolsas mundiais

O avanço do coronavírus continua a colocar dúvidas sobre a capacidade da recuperação da economia global e eleva a aversão ao risco, o que leva as Bolsas europeias e os futuros americanos a operarem em queda.

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Uma das preocupações é com o avanço do coronavírus nos Estados Unidos, que se aproxima dos 3 milhões de contaminados. A Florida já enfrenta escassez de leitos de UTI e outros estados apresentam aumento dos casos.

Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta, disse ontem que o ressurgimento do vírus pode estar ameaçando o ritmo da recuperação dos EUA; ele volta a participar de webinar hoje às 13h15.

Os futuros do Dow Jones caem 0,19%, enquanto os do S&P registram leve desvalorização de 0,07%.

Robert Shiller, economista e ganhador do Nobel, mostrou preocupação com possíveis efeitos duradouros da pandemia na economia. “Podemos ter novos fechamentos. Isso pode causar uma resposta psicológica pior nessa segunda vez”, disse em entrevista à CNBC, se referindo a uma segunda onda de contágio.

Na Europa, DAX, de Frankfurt, registra desvalorização de 0,66% e o FTSE 100, de Londres, tem leve queda de 0,39%.

Já a economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath, alertou na terça-feira que muitos países estão tomando novos empréstimos e talvez precisem reestruturar suas dívidas.

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Além da pandemia da Covid-19, volta a causar preocupação as tensões entre Estados Unidos e China. A repressão do governo chinês à oposição em Hong Kong e as restrições à emissão de vistos para autoridades de ambos os lados estão entre as tensões da vez.

No mercado asiático, o Nikkei 225, de Tóquio, registrou desvalorização de 0,78%. O Shangai SE fechou em alta de 1,74% e o Hang Seng Index, de Hong Kong, subiu 0,59%.

No mercado de commodities, os futuros de minério de ferro ampliam ganhos em meio a sentimentos de risco positivo, impulsionados pela demanda de aço resiliente e pelo otimismo econômico subjacente sobre a China. Já o petróleo WTI opera de lado, em torno de US$ 40 após API indicar alta dos estoques.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h29 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,07%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,10%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,19%

Europa
*Dax (Alemanha), -0,66%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,39%
*CAC 40 (França), -1,01%
*FTSE MIB (Itália), -0,59%

Ásia
*Nikkei 225 (Japão), -0,78% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +1,59% (fechado)
*Shanghai SE (China), +1,74% (fechado)
*Petróleo WTI, -0,34%, a US$ 40,48 o barril
*Petróleo Brent, -0,14%, a US$ 43,02 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 3,14%, cotados a 788.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 112,29 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 7,0174 (+0,05%)

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*Bitcoin, US$ 9.284, +0,25%

2. Indicadores econômicos

O principal indicador a ser divulgado no Brasil nesta quarta-feira é o comportamento das vendas de varejo em maio medido pelo IBGE. As vendas no varejo subiram 13,9% em maio na comparação com abril, mostrou o Instituto. O dado foi bem melhor que o esperado, uma vez que a expectativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg apontava para uma alta de 5,9% depois da queda de 16,8% registrada em abril. Na comparação com maio de 2019, as vendas no varejo caíram 7,2%, diante de projeções para uma contração de 13,2%.

Mais cedo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o IGP-DI referente a junho, com alta de 1,60% no mês após um avanço de 1,07% em maio.

Nos Estados Unidos, os estoques de petróleo serão divulgados às 11h30 (horário de Brasília). Raphael Bostic, presidente do Federal Reserve (Fed, o bc americano) de Atlanta, faz discurso às 13h15.

Às 22h30 será a vez da China divulgar os dados de inflação (IPC e IPP) referentes ao mês de junho.

Na agenda desta quarta-feira, às 14h30, o InfoMoney faz live com a gerente-executiva de Gente e Gestão da XP Inc., Lana Brandão, e com o diretor-geral do LinkedIn na América Latina, Milton Beck. O tema é o êxodo do eixo Faria Lima-JK. No bate-papo, além de mergulhar nos novos conceitos de espaços de trabalho, os executivos falam sobre temas como: os erros das empresas na adaptação ao home office; os novos processos de recrutamento online; como se dar bem nas entrevistas em tempos de pandemia; e os aprendizados sobre foco e disciplina após meses de trabalho em casa. A transmissão será pelo Youtube e Linkedin.

Já às 19h, o InfoMoney conversa com Leonardo Linhares, gestor de renda variável da SPX, que fala sobre a estratégia da gestora para compor sua carteira. A entrevista será transmitida pelo Youtube do portal.

3. Fôlego menor 

A contaminação do presidente Jair Bolsonaro pelo novo coronavírus deve antecipar o esvaziamento da pauta legislativa, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

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A projeção é que serão votadas apenas as medidas provisórias prestes a vencer. A partir do dia 15, líderes dos partidos devem se concentrar na formação de candidaturas em suas bases.

Paulo Guedes, ministro da Economia, fez teste com resultado negativo e fará novo exame para coronavírus em 4 dias. Guedes não tem sintomas da doença e cumprirá agenda por meio de videoconferência, disse o ministério. Nos últimos dias, Guedes teve reuniões com o presidente Jair Bolsonaro.

Ao menos 13 ministros estiveram com Bolsonaro nos últimos dias, diz o Estado; segundo a Folha, presidente se aglomerou e interagiu com centenas de pessoas nos últimos 14 dias e empresários que estiveram com Bolsonaro entram em quarentena.

4. Arrecadação fraca

Dados preliminares mostram que a arrecadação de impostos e tributos registrou nova queda em junho, a quinta seguida, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo. Esse cenário de retração nas receitas agrava ainda mais a situação das contas públicas do país.

Números prévios colhidos no Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira), do governo federal, apontam até agora para uma queda aproximada de 25%. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre a Importação (II) e tributos aplicados sobre operações das empresas, como o Cofins, estão entre os que apresentam retração.

5.  Panorama corporativo

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira o texto-base da medida provisória (MP) sobre reembolso e a remarcação de passagens de voos cancelados durante a pandemia de Covid-19. O texto ainda prevê que trabalhadores do setor saquem recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Os destaques da MP devem ser votados nesta quarta-feira.

Já o governo negocia duas alterações no projeto de lei, já enviado ao Congresso Nacional, que trata da privatização da Eletrobras. A primeira prevê o uso da “golden share” (ação especial que dá alguns direitos de veto ao governo) e a criação de um fundo destinado especificamente para investimentos na região Norte, segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”.

A incorporadora MRV registrou recorde de vendas no segundo trimestre do ano, se beneficiando da regularização de repasses para o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). A companhia informou que as vendas entre abril e junho somaram R$ 1,81 bilhão, alta de 37,4% na comparação com igual período de 2019. O número de unidades negociadas foi de 11.479, alta de 33,7%.

E a Camil registrou lucro líquido de R$ 109,5 milhões no primeiro trimestre de 2020, mais que o dobro dos R$ 49,8 milhões de igual período de 2019.

O passo a passo para trabalhar no mercado financeiro foi revelado: assista nesta série gratuita do InfoMoney.