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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Bolsas mundiais caem após Trump fazer alerta sobre coronavírus; Bolsonaro modera tom e mais destaques

(Crédito: World Economic Forum/Greg Beadle/ Fotos Públicas)
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Os mercados começam abril pressionados pela pandemia do coronavírus e por notícias negativas vindas da Ásia, embora uma pesquisa tenha confirmado hoje que houve retomada econômica da indústria chinesa em março. No Japão, contudo, o índice Tankan, que mede a atividade industrial no país, recuou -8% no primeiro trimestre, enquanto em Hong Kong os bancos HSBC e Standard Chartered suspenderam o pagamento de dividendos.

As bolsas europeias abriram em queda e os futuros de Nova York estão negativos, sob o impacto do avanço do coronavírus, que já contaminou mais de 861 mil pessoas e matou mais de 42 mil, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, projetou que haverá, ao menos, 100 mil mortes no país por conta da Covid-19.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro moderou o discurso na TV, mas sofreu outro forte panelaço da população. No noticiário corporativo, a Petrobras anunciou a venda dos seus 10% restantes de participação na NTS – transportadora de gás natural da Região Sudeste.

1. Bolsas mundiais

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Os mercados começam abril com novas quedas nas bolsas de valores da Ásia, com destaque negativo para Hong Kong e Tóquio, mesmo que uma pesquisa da empresa Markit tenha confirmado que a indústria chinesa começou a recuperação em março. As bolsas europeias abriram em baixa forte, com o aumento dos casos do coronavírus. O número de pessoas atingidas pela doença ultrapassou 861 mil ao redor do mundo, com mais de 42,3 mil mortes.

Ontem o índice Dow Jones fechou o seu pior março desde 2008 e o presidente americano Donald Trump advertiu que os EUA terão “duas, três semanas muito duras, um inferno” pela frente, o que afeta os mercados nesta sessão. A Casa Branca disse que os EUA poderão ter entre 100 mil e 240 mil mortes pelo coronavírus.

Em Hong Kong, os bancos HSBC e Standard Chartered suspenderam o pagamento de dividendos, o que derrubou as ações das empresas e o índice HSI.

A maior queda foi a do índice Nikkei-225 de Tóquio, que despencou 4,50%. O Banco do Japão (BoJ) divulgou queda trimestral de -8% na indústria japonesa, mostrada pelo índice Tankan. Foi a maior retração do Tankan desde 2013.

Na China, contudo, o índice dos gestores de compras (PMI) da manufatura da Markit-Caixin confirmou que em março a indústria se recuperou, com leitura em 50,1 pontos, acima da projeção feita pela Reuters, de 45.5 pontos. Em fevereiro, o PMI da Markit-Caixin despencou a 40 pontos. Os dados confirmam o PMI do governo chinês divulgado terça-feira, com 52 pontos em março, bem acima dos 38 pontos de fevereiro.

No mercado de commodities, o petróleo cede e WTI toca em US$ 20 na mínima após Aramco, da Arábia Saudita, elevar produção acima de 12 milhões de barris por dia, enquanto a Rússia diz que não vai ampliar sua produção; metais caem em Londres e minério de ferro recua na Ásia.

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Veja o desempenho dos mercados, às 7h32 (horário de Brasília):
Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -2,84%
*Nasdaq Futuro (EUA), -2,41%
*Dow Jones Futuro (EUA), -2,80%

Europa
*Dax (Alemanha), -3,08%
*FTSE (Reino Unido), -3,48%
*CAC 40 (França), -3,37%
*FTSE MIB (Itália), -1,63%

Ásia
*Nikkei (Japão), -4,50% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -3,94% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), -2,19% (fechado)
*Xangai (China), -0,57% (fechado)

*Petróleo WTI, -1,42%, a US$ 20,15 o barril
*Petróleo Brent, -5,28%, a US$ 24,96 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de -2,50% cotados a 557.500 iuanes, equivalentes a US$ 78,55 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0972 (-0,02%)

*Bitcoin, US$ 6.275,89 -1,94%

2. Agenda de indicadores

A produção industrial deve ter registrado queda de 0,4% em fevereiro na comparação mensal, segundo
estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, ante alta de 0,9% na medição anterior. Na comparação anual, indicador deve ter registrado recuo de 2,3%, após cair 0,9% no mês anterior. O IBGE divulga o dado às 9h.

Já o Banco Central inicia rolagem de swaps de maio com leilão de 10 mil contratos. O BC divulga fluxo cambial semanal às 14h30. A Fenabrave, por sua vez, divulga dado de vendas de veículos em março no país em seu website a partir das 14h. Às 15h, será revelada a balança comercial mensal de março, com estimativa de superávit de US$ 4 bilhões.

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A agenda dos EUA também é movimentada. Às 09h15, serão revelados os dados de emprego do ADP do setor privado de março, já dando indicações sobre o impacto do coronavírus no mercado de trabalho. A expectativa, segundo consenso Bloomberg, é de perda de 150 mil de postos de trabalho, ante dado anterior de criação de 183 mil postos em fevereiro.

Às 10h45, será revelado o PMI de Manufatura nos EUA do Markit de março. Às 11h, serão divulgados os gastos com construção de fevereiro e o ISM de março, com dados de manufatura.

3. Pronunciamento de Bolsonaro

Em meio ao crescente isolamento, Jair Bolsonaro moderou o tom sobre o coronavírus em novo pronunciamento feito na noite de terça-feira (31). O presidente classificou a crise do novo coronavírus como o “maior desafio da nossa geração”

Em seu quarto discurso desde o início da pandemia do coronavírus no Brasil, Bolsonaro trocou as provocações por uma lista de medidas do governo na saúde e na economia. “Temos uma missão: salvar vidas sem deixar para trás os empregos”, afirmou. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o presidente tem demonstrado fragilidade emocional durante a crise e chorou pelo menos uma vez no Palácio do Planalto.

Durante o pronunciamento, houve forte panelaço da população em São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal contra o mandatário, que segundo o jornal O Globo, desagradou a ministros ao dar uma sala perto do seu gabinete, no Palácio do Planalto, para o filho Carlos.

Além disso, horas depois do discurso moderando o tom, Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar os governadores pelas redes sociais nesta quarta, mais uma vez questionando as medidas de isolamento social.

Os casos confirmados de coronavírus dispararam de 4.579 a 5.717, com aumento diário de 1.138 – o maior saldo visto em apenas um dia desde o início do surto no Brasil. O número de mortes no país subiu de 159 para 201, segundo dados do Ministério da Saúde da última terça-feira.

4. Novas medidas

O Plenário do Senado deve votar nesta quarta-feira o projeto de lei da Renda Básica de Cidadania Emergencial (PL 873/2020), que garante até R$ 1.500 para famílias de baixa renda durante a pandemia do novo coronavírus.

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A versão final do texto também vai promover mudanças no auxílio emergencial para trabalhadores informais, aprovado pelo Senado na segunda-feira (30), acrescentando outros cidadãos que poderão recebê-lo.

A Renda Básica, proposta pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), será acionada em todos os períodos de epidemias e pandemias. Ela consistirá em auxílio de R$ 300 por pessoa, durante seis meses, para beneficiários do Bolsa Família e para cidadãos inscritos no Cadastro Único com renda familiar per capita inferior a três salários mínimos. Os valores poderão ser acumulados por uma mesma família até o valor de R$ 1.500, e a vigência dos pagamentos poderá ser prorrogada enquanto durar a pandemia.

5. Noticiário corporativo

A Petrobras lançou a oferta de oportunidade (teaser) para a venda dos 10% restantes que possui de participação na NTS – Nova Transportadora do Sudeste. A NTS opera mais de dois mil quilômetros de gasodutos nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A Vulcabrás anunciou ontem que concluiu a venda da sua operação no estado de Sergipe por R$ 41 milhões. Já a Tegma teve um lucro líquido de R$ 43,4 milhões no quarto trimestre de 2019, 24,3% acima na comparação com igual período do ano anterior.

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(Com Agência Senado, Bloomberg e Agência Estado)