FIQUE DE OLHO

Os 5 assuntos que vão mexer no mercado nesta segunda-feira

Após tensão com críticas de Guedes ao texto do relator da reforma, o mercado deve digerir hoje a demissão do presidente do BNDES, Joaquim Levy

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda de 0,74% na sessão de sexta-feira por conta das declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o Congresso fez um recuo que pode “abortar” a reforma da Previdência ao alterar pontos do texto no parecer.

A declaração causou reações, como a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que discordou, afirmando que a economia prevista, de R$ 900 bilhões em dez anos, está muito próxima de R$ 1 trilhão. “É uma grande economia para um governo que não tem base”, disse Maia, reforçando que está “otimista” com a expectativa de votação em dois turnos pela Câmara antes do recesso parlamentar, em julho.

Hoje, em uma sessão em que as bolsas mundiais operam em alta, no Brasil o mercado pode repercutir o pedido de demissão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, após ter sofrido fortes críticas do presidente Jair Bolsonaro. A situação tem sido avaliada como mais uma “crise desnecessária” por parte do governo – gerando preocupações ao setor industrial e críticas do mercado financeiro, por conta do temor de interferência política.

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Especificamente sobre os efeitos sobre a tramitação da reforma da Previdência, com a demissão de Levy, o mercado minimiza o impacto, sobre a agendas da reformas, entretanto é um mal sinal à condução da política econômica. Para a reforma, as críticas de Paulo Guedes, ao texto proposto, podem pesar mais sobre a percepção do mercado, em relação à saída de Levy do Governo.

  1. 1. Bolsas Internacionais

  1. No exterior, o bom-humor domina, mesmo com a disposição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de seguir adiante com a ameaça de tarifar os produtos chineses em US$ 300 bilhões, se Washington e Pequim não conseguirem fechar um acordo comercial, afirmou o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross, em entrevista à emissora CNBC.
  2. “Iremos eventualmente fechar um acordo, mas se não fecharmos, o presidente está perfeitamente feliz em continuar com os movimentos de tarifas que já anunciamos, assim como impor as novas que foram temporariamente suspensas”, disse Ross, em Paris.

As negociações comerciais entre americanos e chineses estão num impasse desde o começo do mês passado. Há expectativas de que Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, se encontrem às margens da reunião de cúpula de líderes do G20 prevista para o fim deste mês, no Japão, para discutir um acordo comercial.

A presença de Xi no evento, porém, ainda não foi confirmada. Ross também reiterou à CNBC que Trump e Xi não deverão chegar a um acordo comercial definitivo caso venham a se encontrar mesmo no Japão.

Na China, os governos locais da China aceleraram emissões de bônus em maio numa tentativa de impulsionar o avanço dos investimentos. Dados do Ministério de Finanças chinês mostraram hoje que governos locais emitiram bônus no valor de 304,3 bilhões de yuans (US$ 44 bilhões) no mês passado, incluindo 146,4 bilhões de yuans em papéis com propósitos específicos – de modo geral, voltados para projetos de infraestrutura.

Em abril, as emissões totalizaram 226,7 bilhões de yuans, sendo que 132,2 bilhões de yuans eram bônus com propósitos específicos.

Na semana passada, em mais uma medida para incentivar o crescimento econômico, o governo chinês facilitou as regras para emissões de bônus por governos locais de forma a canalizar mais recursos para obras públicas.

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No exterior, destaque ainda para a imposição por parte da Índia de tarifas mais altas sobre alguns bens importados dos Estados Unidos, de acordo com autoridades indianas, em uma aparente resposta à decisão americana, anunciada no início de junho, de remover benefícios comerciais especiais de que o país asiático desfrutava.

A medida de Nova Délhi entrou em vigor ontem, apenas dias antes de uma visita do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, à capital indiana com o objetivo de turbinar os laços entre os dois países.

Nesta segunda-feira, as commodities operam em queda, após as recentes valorizações das últimas semanas.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h25 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,07%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,15%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,07%
*DAX (Alemanha), +0,09%
*FTSE (Reino Unido), +0,01%
*CAC-40 (França), +0,17%
*FTSE MIB (Itália), +0,19%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,40% (fechado)
*Xangai (China), +0,20% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,03% (fechado)
*Petróleo WTI, -0,61%, a US$ 52,19 o barril
*Petróleo Brent, -0,48%, a US$ 61,71 o barril
*Bitcoin, US$ 9.168,86, +0,86%
R$ 34.550, -0,43% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuam 2,47%, a 768,50 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, o destaque da manhã, a partir das 8h25, é a publicação pelo Banco Central do boletim Focus, com as projeções atualizadas do mercado para inflação, juros e PIB. Pouco antes, às 8h00, a FGV informa o IPC-S. Às 15h00, o Ministério da Economia publica os dados da balança comercial semanal.

O subsecretario de Política Econômica do Ministério da Economia, Vladimir Teles, afirmou em entrevista ao Valor que “o risco de recessão técnica é praticamente zero”, em referência às expectativas do governo com o PIB do segundo trimestre.

Nos Estados Unidos, os destaques são as divulgações, às 9h30, do índice de atividade industrial Empire State de junho, e, às 11h00, do índice de confiança das construtoras, de junho. À noite, na China, será publicado o índice de preços de moradias.

3. BNDES e Previdência

O destaque no final de semana foi o pedido de demissão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, após ter sido alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro no sábado, em função da nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do banco de fomento. No sábado, Bolsonaro afirmou: “Levy, demite esse cara na segunda ou eu demito você sem passar pelo Guedes (ministro da Economia)”.

Barbosa Pinto trabalhou como assessor do BNDES durante o governo PT, de 2005 a 2007, o que irritou Bolsonaro. Ele foi chefe ainda de gabinete de Demian Fiocca na presidência do BNDES (2006-2007). Fiocca era considerado, no governo federal, um homem de confiança de Guido Mantega, ministro da Fazenda nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O próprio Levy foi ministro da Fazenda de Dilma entre 1º de janeiro e 18 de dezembro de 2015, primeiro ano do segundo mandato da petista.

Em entrevista ao portal G1, Paulo Guedes disse entender a “angústia’ de Bolsonaro com a situação. “Eu entendo a angústia do presidente. É algo natural ele se sentir agredido quando o presidente do BNDES coloca na diretoria do banco nomes ligados ao PT”, disse o ministro da Fazenda.

Uma das promessas de campanha de Bolsonaro era abrir a “caixa-preta” do BNDES em relação a empréstimos polêmicos, como os feitos para Cuba e Venezuela. “Ninguém fala em abrir a caixa-preta e ainda nomeia um petista”, disse Guedes.

Em nota, Levy declarou que sua expectativa é que o ministro da Economia aceite sua demissão. No comunicado, ele deseja a Guedes “sucesso nas reformas”.

Entre os cotados para assumir o cargo, segundo o Estadão/Broadcast, estão Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central que assumiu a presidência do conselho do BNDES neste ano, e Salim Mattar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia. Também estão no páreo Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do banco, e Solange Vieira, funcionária de carreira do BNDES e atual presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

A forma como Levy foi demitido gerou diversas reações. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se disse “perplexo” pela forma como Levy foi demitido. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, ele afirmou que a impressão no Congresso é a de que a equipe econômica continua participando da “usina de crises”. Segundo Maia, Levy era um quadro de qualidade que tinha a acrescentar para garantir as reformas.

A Folha pontua que a demissão foi vista com preocupação pela indústria, gerando expectativas em relação ao seu sucessor e temor de interferência política. Já o Estadão ressalta que a demissão foi mal vista no mercado financeiro, com críticas de pesos pesados do setor, que viram como desnecessária a postura, que pode afastar a atração de bons nomes para compor o governo.

O UOL, por sua vez, diz que a CPI do BNDES quer explicações de Levy e que uma convocação será apresentada hoje pelo Podemos, para que o economista fale sobre a chamada “caixa preta” dos empréstimos internacionais.

4. Bolsonaro e Governo

O presidente da República, Jair Bolsonaro, usou as redes sociais ontem para dizer que o governo estuda reduzir o imposto para produtos de tecnologia. Segundo ele, a intenção é fomentar competitividade e inovação. Bolsonaro afirmou que o imposto poderia cair de 16% para 4%, “para estimular a competitividade e inovação tecnológica”. A intenção é reduzir os impostos sobre importação de produtos de tecnologia da informação, como computadores e celulares.

No sábado, Bolsonaro disse, ao ser questionado sobre a reforma da Previdência, que a “a bola está com o parlamento”. “Na nossa bancada, PSL, a gente orienta de uma forma. Se perder no voto, paciência. Vamos respeitar”, disse ele neste sábado, 15, ao deixar o Palácio da Alvorada.

Questionado sobre as declarações por vezes polêmicas do ministro da Economia, Paulo Guedes, ele disse que isso “é natural”. “Em casa a gente briga as vezes, com filhos”, disse. No entanto, elogiou o ministro. “Ninguém duvida da capacidade do Paulo Guedes”, afirmou.

Bolsonaro afirmou ainda no final de semana, após novos diálogos vazados publicados pelo site The Intecept, que “não existe 100% de confiança” sobre Moro. O presidente, entretanto, defendeu o legado de Moro no combate à corrupção. Na sexta à noite, o site informou que, em supostas conversas, Moro sugeriu aos procuradores uma ação para rebater a defesa do ex-presidente Lula por um “showzinho” da defesa do ex-presidente.

A Folha destaca que Bolsonaro intensifica “fritura” de aliados às vésperas da ida de Moro ao Senado federal para dar explicações sobre os vazamento de conversas com membros da força-tarefa da Lava Jato, como forma de evitar a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso.

O jornal destaca que o clima de “fritura” iniciou com a demissão do ministro da secretaria de governo, general Santos Cruz, se seguindo a de Levy, do BNDES. Tudo isso, em meio às insatisfações de Guedes, com o texto do relator da reforma da Previdência.

5. Noticiário corporativo

A Petrobras fez em Sergipe sua maior descoberta desde o pré-sal, em 2006. De seis campos, espera extrair 20 milhões de m³ por dia de gás natural, o equivalente a um terço da produção total brasileira. Divulgada no mês passado, a descoberta deve gerar R$ 7 bilhões de receita anual à estatal e sócias, calcula a consultoria Gas Energy, cita o Estadão. Na avaliação do governo, a conquista pode ajudar a tirar do papel o esperado “choque de energia barata” prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes e “reindustrializar” o País.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) elevou de R$ 100 mil para R$ 200 mil a multa diária para a Vale por conta das atividades na mina de Onça Puma, no Pará. Desde março, a desobediência da Vale já rendeu R$ 19,5 milhões em multas. Peritos apuraram que setores de metalurgia e beneficiamento estavam em pleno funcionamento. Segundo o MPF, as atividades cercaram por todos os lados três aldeias indígenas na região do Cateté, no sudeste do Pará. No total, são 14 empreendimentos extraindo cobre, níquel e outros minérios.

Segundo o jornal Valor Econômico, a ODB, holding do grupo Odebrecht, deverá formalizar hoje o seu pedido de recuperação judicial, com dívidas de R$ 80 bilhões. Se confirmada, será a maior recuperação judicial já homologada no Brasil, à frente da requerida pela Oi, de R$ 64 bilhões. Do total das dívidas, mais de R$ 50 bilhões são financeiras, detidas ou garantidas pelas holdings e subholdings. Os seis maiores bancos estão os maiores credores, além de detentores de bônus emitidos fora do País.

(Com Agência Estado)