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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta sexta-feira

Futuros de NY e bolsas internacionais operam em alta em meio à expectativa com o segundo dia de conversas comerciais entre EUA e China

Bandeiras da China e dos EUA (Crédito: Shutterstock)
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O Ibovespa encerrou a sessão da véspera com alta de 0,56%, aos 101.817 pontos, em meio à expectativa de que os EUA cheguem pelo menos a um acordo parcial com a China. O presidente americano, Donald Trump, avisou que irá se encontrar hoje com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, que lidera as negociações em Washington para solucionar a guerra comercial.

Hoje, os índices futuros de Nova York e as bolsas internacionais operam em alta nesta manhã, refletindo declarações de Trump de que as negociações comerciais entre as duas maiores economias globais estão “indo muito bem”. As conversas entre os países acontecem às vésperas do prazo para que os EUA ampliem de 25% para 30% a tarifação sobre a compra de US$ 250 bilhões em produtos chineses, a partir do dia 15 de outubro.

“O lado chinês veio com grande sinceridade e está disposto a fazer sérias trocas com os EUA em questões de interesse comum, como balança comercial, acesso a mercados e proteção a investidores, e promover progressos positivos nas consultas”, disse Liu à estatal chinês agência de mídia Xinhua. O secretário do Tesouro Steven Mnuchin e o representante comercial dos EUA Robert Lighthizer lideraram a equipe de negociadores americanos.

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No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro negou que o governo dos Estados Unidos tenha preterido o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em live semanal, no Facebook, Bolsonaro afirmou que o apoio dos norte-americanos à entrada de Romênia e Argentina já era conhecido e que o Brasil terá sua oportunidade de integrar o chamado “clube dos ricos”, como a OCDE é conhecida.

Ontem à noite, Trump reiterou a posição favorável ao ingresso do Brasil na OCDE. “A declaração conjunta divulgada com o presidente Bolsonaro em março deixa muito claro que eu apoio que o Brasil inicie o processo para se tornar membro pleno da OCDE. Os EUA apoiam essa declaração e apoiam Jair Bolsonaro”, escreveu, classificando ainda a informação da Bloomberg como “fake News”.

A agência de notícias Bloomberg informou que governo dos Estados Unidos, por meio do secretário de Estado, Mike Pompeo, rejeitou um pedido para discutir o aumento de integrantes na OCDE, grupo que reúne 36 países, a maioria da Europa e América do Norte.

Enquanto isso, em meio à briga dentro do PSL, Bolsonaro afirmou que a legenda deve ser investigada pelo uso de recursos públicos recebidos por conta do fundo partidário. “Vamos pedir uma auditoria nas contas do partido nos últimos cinco anos”, disse ao jornal O Estado de S.Paulo.

Entre os indicadores, destaque nos EUA para a divulgação do Índice do sentimento do consumidor da Universidade de Michigan e do índice de preços de importação. No Brasil, está prevista apenas a publicação da pesquisa mensal do setor de serviços pelo IBGE.

Confira os destaques desta sexta-feira:

1. Bolsas Internacionais

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Em meio às expectativas positivas em relação à conclusão, ao menos de um acordo comercial parcial entre EUA e China, os mercados globais operam de forma positiva.

O presidente Trump caracterizou as discussões como “muito, muito boas” e planeja se encontrar com o vice-primeiro-ministro chinês Liu He, na Casa Branca, nesta sexta-feira.

Na Europa, o primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar disse que um acordo com o Brexit poderia ser fechado até o final de outubro para permitir que o Reino Unido saia da União Europeia de maneira ordenada, após uma reunião com o colega britânico Boris Johnson.

Na Ásia, as bolsas fecharam em forte alta, por conta das expectativas positivas quanto ao fechamento do acordo, elevando o preço do minério de ferro, com os futuros de Dalian encerrando em alta de 1,86%.

Entre as commodities, os preços do petróleo chegaram a disparar mais de 2,3% durante a madrugada, mas desaceleram o ritmo de valorização no início da manhã. Segundo a mídia estatal do Irã, dois foguetes atingiram um navio-tanque do país, que atravessava o Mar Vermelho.

A região vive em tensão desde os ataques, há menos de um mês, a refinarias de petróleo na Arábia Saudita, o que gerou um corte de cerca de 5% da produção global do produto, fazendo o preço do Brent saltar mais de 19% logo após o acontecimento.

Confira o desempenho dos mercados, segundo cotação das 07h40 (horário de Brasília)

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,94%
*Nasdaq Futuro (EUA), +1,09%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,94%

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*DAX (Alemanha), +1,89%
*FTSE (Reino Unido), +0,33%
*CAC-40 (França), +1,21%
*FTSE MIB (Itália), +1,02%

*Hang Seng (Hong Kong), +2,34% (fechado)
*Xangai (China), +0,88% (fechado)
*Nikkei (Japão), +1,15% (fechado)

*Petróleo WTI, +1,79%, a US$ 54,51 o barril
*Petróleo Brent, +1,61%, a US$ 60,05 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam com alta de 1,86%, cotados a 658,00 iuanes, equivalentes a US$ 92,68 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0991 (-0,22%)

*Bitcoin, US$ 8.414,65, -1,50%
R$ 34.735, -2,43% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, a agenda reserva a divulgação, às 9h00, a pesquisa mensal de serviços do IBGE referente a agosto.

Nos EUA, saem, às 9h30, os preços das importações e exportações do país, enquanto às 11h00 será conhecido o Índice do sentimento do consumidor da Universidade de Michigan.

3. Bolsonaro e OCDE

O apoio dos Estados Unidos às candidaturas da Argentina e da Romênia à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) frustrou as expectativas do governo brasileiro. Segundo a Bloomberg, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, defendeu, em carta, um “ritmo contido” de ampliação dos países membros da OCDE.

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No documento ao qual a Bloomberg teve acesso, o Brasil não é nem citado, mesmo após os EUA terem divulgado suporte à candidatura do País, em março, quando Bolsonaro esteve em Washington – fato alardeado por Bolsonaro como trunfo da viagem, pontua Folha de S.Paulo. A União Europeia defende a expansão acelerada da ODCE, o que não é aceito pelos EUA.

Ontem à noite, Trump reiterou a posição favorável ao ingresso do Brasil na OCDE. “A declaração conjunta divulgada com o presidente Bolsonaro em março deixa muito claro que eu apoio que o Brasil inicie o processo para se tornar membro pleno da OCDE. Os EUA apoiam essa declaração e apoiam Jair Bolsonaro”, escreveu, classificando ainda a informação da Bloomberg como “fake News”.

Já Pompeo afirmou que a carta “não representa com precisão a posição dos EUA a respeito da ampliação da OCDE”. “Somos apoiadores entusiasmados da entrada do Brasil nesta instituição e os EUA farão um grande esforço para apoiar o acesso ao Brasil”, disse, acrescentando que o país acolhe os esforços do Brasil em fazer reformas econômicas, melhores práticas e um marco regulatório em linha com os padrões da OCDE.

“Estamos praticamente chegando lá, só que dois países estavam na frente, Argentina e Romênia, e isso foi mais uma vez externado hoje”, disse Bolsonaro. “Não é chegou e vai entrando. Eles [OCDE] fazem uma seleção, e a seleção é a conta-gotas, para exatamente esse novo país que entra cumpra tudo aquilo que está no Estatuto da OCDE, porque eles não podem errar. E o Brasil vai chegar a sua hora”, acrescentou.

A Embaixada do Estados Unidos divulgou nota oficial para reafirmar o apoio ao ingresso do Brasil na organização, mas ressaltou que a expansão da OCDE deve seguir “um ritmo controlado que leve em conta a necessidade de pressionar as reformas de governança e o planejamento de sucessão”.

“A primeira vez que estive com Donald Trump [presidente dos EUA], pedi esse apoio. Imediatamente [ele] nos deu. Agora, não depende só dele, nós temos que procurar todos os países, porque tem que haver unanimidade”, disse Bolsonaro.

Na rede social Twitter, o presidente postou um tuíte do presidente Donald Trump no qual o líder norte-americano reitera o apoio ao Brasil.

4. Bolsonaro e PSL

O Estado de S.Paulo destaca que o presidente Jair Bolsonaro quer que o PSL seja investigado quanto ao uso dos recursos públicos do Fundo Partidário recebidos entre 2014 e 2018, quando a legenda era considerada “nanica”. Neste período, o PSL recebeu cerca de R$ 29 milhões em recursos, ao passo que neste ano, inflado pelo “bolsonarismo”, deverá receber aproximadamente R$ 110 milhões.

A publicação acrescenta que Bolsonaro acusa o PSL de autoritarismo, após uma nova queda-de-braço com o presidente do PSL, Luciano Bivar, querer destituir o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) da presidência Comissão de Relações Exteriores da Câmara – o que é uma prerrogativa do partido.

Já Bivar marcou convenção extraordinária do partido para o dia 18, com o objetivo de reduzir a força “bolsonarista” na legenda, acrescenta o Estadão. Segundo a publicação, o encontro vai referendar uma mudança no estatuto da sigla que reduz a influência de deputados e senadores no diretório nacional – grupo responsável por eleger o presidente da sigla.

Há 25 anos no cargo, desde a fundação do partido, o atual mandato de Bivar vai até o dia 29 de novembro. Parlamentares afirmam que a mudança no estatuto está por trás da crise entre Bolsonaro e Bivar. A convenção foi marcada no mesmo dia em que o presidente disse a um apoiador para “esquecer” o PSL. A reunião deverá confirmar a ampliação do número de membros do diretório nacional com poder de voto, dos atuais 101 para 153.

A Folha destaca que uma possível saída do presidente do PSL deve fragilizar sua base de apoio no Congresso e aproximar a legenda do bloco conhecido como Centrão – movimento já sinalizado por Bivar. A aliados, Bolsonaro afirmou ter tomado a decisão de deixar o PSL, mas busca uma saída jurídica para evitar perdas de mandatos e tentar manter o fundo partidário. Dos 53 de deputados do PSL, cerca de 20 devem migrar de partido com Bolsonaro.

Ainda sobre Bolsonaro, ele aproveitou a live semanal para rebater notícias de que o governo planeja acabar com a estabilidade dos servidores públicos. Segundo ele, o que está em estudo só valeria para funcionários contratados, por meio de concurso, no futuro, após a aprovação da mudança

“O que o governo estuda é o fim da estabilidade para quem adentrar no serviço após a promulgação da emenda constitucional, isso é o que está sendo estudado. Quem está no serviço público pode ter um dia de serviço que não será afetado”, disse.

Já o ministro Paulo Guedes afirmou ontem que o governo estuda travar reajustes de salários a funcionários públicos de estados que gastem mais de 80% da receita com a folha de pagamentos, dentro da uma proposta que o governo vai apresentar à reforma administrativa.

5. Noticiário Corporativo

A 16ª Rodada de Licitações da ANP arrecadou R$ 8,915 bilhões em bônus de assinatura, um novo recorde nas recentes rodadas de concessões. Foram arrematados 12 dos 36 blocos oferecidos para exploração e produção de petróleo e gás natural em regime de concessão, sendo dez na Bacia de Campos. Ao todo, dez empresas diferentes compuseram as propostas vencedoras. O ágio foi de 322% para o bônus de assinatura.

A Braskem informou que o Juiz da 7ª Vara do Trabalho de Maceió negou os pedidos liminares do Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) na Ação Civil Pública proposta contra a Companhia no contexto do fenômeno geológico ocorrido em Maceió, incluindo o pedido de bloqueio no montante de R$ 2,5 bilhões.

A Camil Alimentos registrou lucro líquido R$ 40,1 milhões no segundo trimestre, considerado pela empresa os meses entre junho e agosto, um desempenho 49,3% inferior ao reportado no mesmo período do ano passado. O Ebitda atingiu R$ 88,7 milhões (-34,1%), com uma margem de 7,3% (-4,5pp). A receita líquida subiu 6,8%, para R$ 1,2 bilhão, em período marcado pelo aumento no volume de vendas de grãos e internacional.

O Banco Inter atingiu a marca de 3,3 milhões de correntistas no terceiro trimestre, número 3,1 vezes maior que o do mesmo período do ano passado. A originação de crédito atingiu o recorde de R$ 1,2 bilhão, crescimento de 123% e 37%, respectivamente, frente ao terceiro trimestre do ano passado e o segundo trimestre deste ano.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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