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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta sexta-feira

Mercados globais operam de forma mista à espera do Payroll; no Brasil, avança articulação para votação da Previdência em segundo turno no Senado

O Ibovespa encerrou o pregão da véspera com alta de 0,48%, aos 101.516 pontos, numa sessão em que abriu com ganhos, virou para queda após dados ruins da economia dos EUA – perdeu os 100 mil pontos –, mas se recuperou ao final do dia, terminando no positivo. A bolsa brasileira acabou seguindo o movimento de Nova York, que, diante dos fracos dados do índice de serviços do ISM, passou a elevar as apostas de que Federal Reserve possa cortar os juros.

Hoje, os futuros de Nova York operavam em baixa em meio à cautela dos investidores no aguardo do principal dado da economia norte-americana desta semana, que é o relatório de empregos Payroll. Os dados serão apresentados às 9h30, com a projeção do mercado apontando para uma geração de 145 mil postos de trabalho.

O indicador de emprego vai ajudar corroborar ou não os indícios de desaceleração da atividade econômica dos EUA vistos ao longo desta semana, com fracos indicadores de atividade industrial e de serviços. No mesmo horário do Payroll, sairão os dados da balança comercial dos Estados Unidos, que vão atualizar os investidores sobre os impactos da guerra comercial travada com a China no resultados das importações e exportações.

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No Brasil, após a decepção do mercado com a nova desidratação, dessa vez de R$ 76 bilhões, aprovada esta semana, em votação do primeiro turno da reforma da Previdência no Senado, o governo elevou sua articulação no Congresso e prepara uma contraposta.

Além de Estados e municípios, o governo quer dividir os recursos do megaleilão do pré-sal com deputados e senadores, destaca o jornal O Estado de S.Paulo, por meio do aumento de verbas para emendas parlamentares. Assim, o Planalto espera destravar a aprovação da PEC da Previdência em segundo turno.

No corporativo, destaque para o pedido da Caixa de falência da Odebrecht. Destaque ainda para as declarações do secretário especial de desestatização, Salim Mattar, de que o governo não pretende privatizar em seu mandato a Caixa, o Banco do Brasil e a Petrobras.

Confira os destaques desta sexta-feira:

1. Bolsas Internacionais

Enquanto aguardam pelos dados do Payroll nos EUA, as bolsas internacionais e os futuros de Nova York operam de forma mista. Além da guerra comercial e do processo de impeachment contra o presidente Donald Trump, as preocupações se voltam aos indícios de desaceleração econômica norte-americana.

Se por um lado a piora nos indicadores de emprego e atividade econômica acendeu o sinal amarelo, por outro pode ajudar a determinar as decisões de politica monetária do Fed. Especialmente hoje, após a maratona de indicadores da economia desta semana, Powell irá discursar, o que pode trazer novos caminhos a serem perseguidos pela autoridade monetária.

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A CNBC cita que os participantes do mercado já estimam em quase 90% de chance a possibilidade de o banco central dos EUA reduzir as taxas de juros em 25 pontos base em outubro, segundo o CME Group. O Fed já cortou as taxas de juros duas vezes este ano, enquanto os formuladores de políticas tentam limitar as consequências causadas pela guerra comercial entre EUA e China.

Com o mercado chinês fechado, a bolsa do Japão fechou em alta, enquanto a de Hong Kong em baixa, com o aumento das tensões políticas em meio à uma onda de protestos contra Pequim – o que levou o país a proibir, a partir de amanhã, o uso de máscaras nas ruas.

Na Europa, as bolsas operam de forma mista no início desta manhã, após abrirem em alta, no aguardo da divulgação do Payroll. Na região, o debate sobre o Brexit segue, com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, dizendo que está “aberto, mas não convencido” pelas propostas do primeiro-ministro britânico Boris Johnson sobre um acordo.

Confira o desempenho dos mercados, segundo cotação das 07h37 (horário de Brasília)

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,35%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,35%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,34%

*DAX (Alemanha), -0,09%
*FTSE (Reino Unido), +0,28%
*CAC-40 (França), +0,06%
*FTSE MIB (Itália), +0,04%

*Hang Seng (Hong Kong), -1,11% (fechado)
*Xangai (China), (fechado por feriado)
*Nikkei (Japão), +0,32% (fechado)

*Petróleo WTI, +0,19%, a US$ 52,55 o barril
*Petróleo Brent, +0,59%, a US$ 58,05 o barril

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*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fechados por feriado.

*Bitcoin, US$ 8.199,59, -1,08%
R$ 33.087, +0,47% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

Com agenda esvaziada no Brasil, os destaques vêm dos Estados Unidos, a partir das 9h30, com os dados de emprego do Payroll, taxa de desemprego e salários. No mesmo horário, sairão os dados do comércio exterior dos EUA.

Também destaque para o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, às 15h00, com novas avaliações sobre os recentes indicadores dos EUA, que apontam para um desaceleração da atividade econômica.

Além de Powell, estão previstos discursos hoje Eric Rosengren (Fed Boston) e dos diretores Lael Brainard e Randal Quarles.

3. Congresso

Para evitar novas desidratações na economia previsto ao longo de dez anos com a reforma da Previdência, o Planalto pretende dividir os recursos obtidos com o megaleilão do pré-sal – que devem somar R$ 106,5 bilhões –, não só com Estados e municípios, como também com senadores e deputados, por meio da distribuição de mais recursos a partir de emendas parlamentares.

A disputa por esses recursos abriu um disputa entre governadores e prefeitos, onde o Senado e a Câmara, respectivamente, defendem uma distribuição maior para cada um dos lados. Segundo o Estadão, entretanto, a proposta não foi bem recebida pela cúpula do Congresso. A briga levou as bancadas do Norte e do Nordeste, organizadas em torno dos governadores, a impor uma derrota ao governo desidratando a PEC da Previdência em votação do primeiro turno no Senado.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que o governo deve compensar as perdas econômicas com a desidratação parcial da reforma da Previdência por meio do projeto de um novo pacto federativo. Ele reuniu-se com o ministro da Economia, Paulo Guedes, ontem no fim da tarde.

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Maia advertiu que a redução do impacto fiscal da reforma da Previdência no Senado provocará uma perda nos recursos que o governo deverá distribuir para estados e municípios. “Essa foi uma decisão legítima do Senado [a retirada de pontos da reforma da Previdência], mas sem dúvida nenhuma, vai ser preciso [o governo] recompor o valor ao longo dos próximos dez anos”, disse.

Em relação à oposição de governadores do Nordeste à reforma da Previdência, Maia disse que esses estados são os mais interessados na redistribuição de recursos do novo pacto federativo. Segundo ele, a retirada de pontos da reforma da Previdência diminuirá o montante que a região deve receber após a revisão do pacto federativo.

Maia também criticou a possibilidade de o governo editar uma medida provisória (MP) para regulamentar a distribuição de 30% do leilão do excedente da cessão onerosa do petróleo na camada pré-sal. Segundo ele, uma MP não pode entrar em matéria de uma proposta de emenda à Constituição (PEC).

Sobre a reforma tributária, o ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu a Maia enviar a proposta do governo até o final de outubro. Guedes estaria finalizando um pacote de medidas econômicas, o que inclui o pacto federativo e a reforma administrativa para enviar ao Congresso, diz o Valor Econômico.

4. Justiça

Como primeira consequência do resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que pode anular várias condenações oriundas das investigações da operação Lava Jato, o ministro Edson Fachin mandou soltar o ex-gerente da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira, condenado a 10 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Fachin determinou o cumprimento da decisão do plenário, apesar de ter ficado vencido e ter votado contra a anulação da condenação. Agora, caberá à primeira instância da Justiça Federal em Curitiba estabelecer medidas cautelares em troca da prisão preventiva, como uso de tornozeleira eletrônica e entrega do passaporte ao juízo.

Enquanto isso, o presidente do STF, Dias Toffoli, pretende concluir ainda neste mês o julgamento da tese que pode levar à anulação de sentenças da Operação Lava Jato e de outros processos criminais. “Ainda este mês, com certeza [o julgamento] será finalizado”, afirmou à TV Globo. Ele citou a importância de uma jurisprudência sobre o tema, que orientará julgamentos semelhantes nas demais instâncias em todo o país.

A Folha de S.Paulo destacou que em meio a questionamentos sobre os métodos da Lava Jato, o STF tomará iniciativas para validar juridicamente as mensagens envolvendo integrantes da operação. Segundo a publicação, por meio do ministro Gilmar Mendes, a Corte vai acionar a Procuradoria-Geral da República para verificar a autenticidade dos arquivos. Outro ministros apoiam o movimento de Mendes, acrescenta a Folha.

Já o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, decidiu que o ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, deverá responder pelo crime de lavagem de dinheiro na Justiça Federal de São Paulo. Com a decisão, o ex-diretor não vai responder às acusações na 13ª Vara Federal em Curitiba, juízo que comanda as investigações da Operação Lava Jato.

Uma operação deflagrada ontem pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), baseada em colaboração do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci com a Justiça, investiga vazamentos dos resultados das reuniões do Copom para beneficiar um fundo de investimento administrado pelo banco BTG Pactual. A operação recebeu o nome de Estrela Cadente.

A Coluna do Estadão destaca que o anexo da delação de Palocci já é considerado por integrantes do Judiciário e do Congresso uma narrativa histórica sobre a estrutura que o PT e vários partidos políticos – entre os quais o PSDB – montaram para desviar recursos públicos, numa espécie de “anatomia do crime”, de acordo com o relato de um membro do STF; resgatando detalhes do julgamento do Mensalão.

5. Noticiário Corporativo

Com dívidas de cerca de R$ 100 bilhões e em processo de recuperação judicial (RJ), a Odebrecht enfrenta, agora, um pedido de falência de um dos seus maiores credores, a Caixa. O banco estatal busca ainda que a Justiça dê aos credores o direito de nomear novos administradores para o conglomerado e suas subsidiárias em uma assembleia. Já o Banco do Brasil solicitou à Justiça a anulação da RJ, obrigando o grupo a apresentar uma nova proposta, diz a Folha.

Enquanto isso, a Braskem, principal ativo do grupo Odebrecht, anunciou ontem a distribuição de dividendos obrigatórios correspondentes a 25% do lucro líquido ajustado, no montante de R$ 667,418 milhões. Os dividendos serão pagos com base na posição acionária de hoje, porém a empresa ainda não divulgou a data.

Ainda no corporativo, destaque para as declarações do secretário especial de desestatização, desinvestimentos e mercados, Salim Mattar, de que a Caixa, o Banco do Brasil e a Petrobras não serão privatizadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, porém, Bolsonaro é favorável ao movimento de privatizações e de redução do tamanhos do Estado. No caso da Eletrobras, Mattar ressaltou que a sua venda depende do Congresso.

A Gol informou os dados prévios de setembro, que apontaram, no mercado doméstico, aumentos de 7% na oferta (ASK) e de 11,5% na demanda (RPK). A taxa de ocupação doméstica ficou 82,0%, alta de 3,3 p.p. ante setembro do ano passado. De forma consolidada, com as operações internacionais, a oferta avançou 11,0%, com o aumento de 10,7% no total de assentos e de 10,1% de decolagens. A demanda total subiu 15,5% e a taxa de ocupação foi 81,2%.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

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