FIQUE DE OLHO

Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta segunda-feira

Mercados internacionais operam em queda generalizada em meio ao aumento das tensões comerciais entre EUA e China; no Brasil, semana começa com retomada das discussões de reforma da Previdência 

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão de sexta-feira com alta de 0,54%, aos 102.674 pontos, puxado pelas ações da Petrobras, que dispararam com a divulgação do balanço trimestral de abril a junho.

O resultado levou a bolsa brasileira a mitigar parte das perdas acumuladas durante a semana passada – por conta das declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que colocou em dúvida as expectativas do início do ciclo de queda dos juros, e com o aumento das tarifas de produtos chineses pelos EUA –, fechando o período com queda de 0,14%.

Hoje, as bolsas internacionais e os futuros de Nova York operam em queda generalizada, com os investidores preocupados com aumento das tensões entre as duas maiores economias globais.

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Isso ocorre após a China contra-atacar a decisão de Donald Trump de elevar tarifas com o enfraquecimento do yuan, que ultrapassou 7 por dólar, no nível mais fraco em uma década, além de pedir a estatais para suspender as importações de produtos agrícolas dos EUA. 

Na Ásia, o destaque de perda é em Hong Kong, com queda de 2,85%, em meio à uma greve geral que está paralisando a cidade.

Enquanto isso, investidores estão migrando para ativos considerados mais seguros, como o iene, ouro e outros títulos. Já o yuan sofre desvalorização, com a moeda sendo cotada acima de 7 yuans por dólar pela primeira vez desde 2008.

No Brasil, a semana começa sob as expectativas do avanço da reforma da Previdência, com a votação em segundo turno, que deverá entrar na pauta da Câmara dos Deputados nesta terça-feira.

Assim como no primeiro turno, a proposta precisa do voto de um mínimo de 308 deputados para ser aprovada e seguir ao Senado, onde também passará por dois turnos. Nessa fase de tramitação, os partidos podem apresentar apenas destaques supressivos, ou seja, para excluir algum trecho do texto aprovado em primeiro turno.

1. Bolsas Internacionais

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As bolsas internacionais operam em expressiva baixa com o acirramento das tensões comerciais sino-americanas.

O presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a criticar no final de semana, pelo Twitter, as “dezenas de bilhões de dólares” pagas pela China por meio das tarifas impostas pelos EUA a bens exportados, dizendo que só são possíveis porque o gigante asiático desvaloriza sua moeda e estimula sua economia.

“As coisas estão indo muito bem com a China”, escreveu Trump. “Eles [China] estão nos pagando dezenas de bilhões de dólares, possibilitados por suas desvalorizações monetárias e injetando quantias enormes de dinheiro para manter seu sistema funcionando”, atacou.

Ele acrescentou, ainda, que, “até agora”, o consumidor americano não tem pago pelas tarifas impostas a Pequim e reiterou que “não há inflação” no país.

Trump voltou a criticar o Fed ao dizer que não recebe “nenhuma ajuda” da instituição. Trump já classificou a autoridade monetária, que cortou os juros em 25 pontos-base na última quarta-feira, como “maior ameaça” à economia americana e diz que os juros estão “muito altos”.

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Entre os indicadores asiáticos, o Índice de Gerente de Compras (PMI) de serviços na China recuou a 51,6 pontos em julho, de 52,0 pontos de junho. Já o PMI composto chinês subiu de 50,6, em junho, para 50,9 em julho, segundo a Markit e Caixin.

Já no Japão, o PMI de serviços em julho ficou em 51,8 ante 52,3 de junho, enquanto o composto se manteve estável, em 51,2 pontos.

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Na Europa, as bolsas operam em queda, acompanhando a piora nos mercados internacionais.

O PMI composto da zona do euro encerrou julho em 52,2 pontos, ante 51,5 pontos do mês imediatamente anterior. O PMI de serviços terminou julho em 53,2, ante 53,6 de junho.

Entre as commodities, a desvalorização da moeda chinesa levou o preço futuro do minério a recuar abaixo dos US$ 100, diante da piora das negociações entre EUA e China.

O petróleo também recua, com a perspectiva de uma desaceleração global da demanda pelo produto.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h21 (horário de Brasília):

S&P 500 Futuro (EUA), -1,11%
Nasdaq Futuro (EUA), -1,47%
Dow Jones Futuro (EUA), -1,04%
DAX (Alemanha), -1,36%
FTSE (Reino Unido), -1,78%
CAC-40 (França), -1,77%
FTSE MIB (Itália), -1,22%
Hang Seng (Hong Kong), -2,85% (fechado)
Xangai (China), -1,62% (fechado)
Nikkei (Japão), -1,74% (fechado)
Petróleo WTI, -0,65%, a US$ 55,29 o barril
Petróleo Brent, -0,76%, a US$ 61,42 o barril
Bitcoin, US$ 11.701,71, +9,22%
R$ 42.938, +4,22% (nas últimas 24 horas)
Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 6,00%, cotados a 689,50 iuanes, equivalentes a US$ 97,95 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, destaque para a divulgação do boletim Focus, do Banco Central, às 8h25, com as atualizações das projeções do mercado para juros, inflação, dívida e PIB. Às 10h00, a Markit divulga o PMI do Brasil composto e de serviços. À tarde, o Ministério da Economia informa o resultado da balança comercial semanal.

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No corporativo, destaque para as publicações, antes da abertura, dos resultados do Banco ABC Brasil e da Klabin. Após o fechamento do mercados, estão programadas as divulgações dos balanços da AES Tietê, IRB, Marcopolo, Taesa, Unidas e Vulcabras.

Nos Estados Unidos, está previsto, para as 10h45, a divulgação do PMI composto e de serviços. Devem sair ainda, às 11h00, os índices de tendência do emprego (Conference Board) e de atividade do setor de serviços (ISM).

3. Noticiário Político

Para garantir a aprovação da reforma da Previdência em segundo turno, o governo vai investir em uma de suas principais preocupações, que são os gastos com pensão por morte, informa o jornal O Globo.

Para discussão, o governo vai mostrar estudo da OCDE mostrando que o Brasil gasta 2,8% do PIB com pensões, índice superior ao de países com população idosa, como Itália e Grécia, com 2,6%. A intenção do governo é manter a concessão a viúvos em 60%, mais 10% por dependente. A regra atual prevê 100%.

A Folha de S.Paulo traz que tentativas de promotores de devolução ao estado de São Paulo de valores que empreiteiras repassaram a políticos esbarram na resistência de outros membros do Ministério Público e até da gestão de João Dória.

Os acertos com CCR e Odebrecht foram homologados por juízes estaduais e chegam a R$ 103 milhões. Segundo a publicação, os acordos poderiam interromper ações de improbidade administrativa em curso contra políticos citados pelas empresas.

Segundo a Folha, os ex-governadores José Serra e Geraldo Alckmin, além do ex-prefeito Gilberto Kassab, entre outros estão na lista das delações.

Os promotores que firmaram as colaborações disseram considerar “irreversível a possibilidade de acordo em casos de improbidade”. A defesa do estado não se manifestou, diz o jornal.

No domingo, O Globo trouxe levantamento de que, desde 1991, quando Jair Bolsonaro se elegeu deputado, foram nomeados para o seu gabinete e de seus três filhos políticos (Flávio, Carlos e Eduardo) 286 assessores, dos quais 102 têm algum parentesco ou relação familiar entre si. Segundo a publicação, só da família Bolsonaro foram 22.

O jornal diz ainda que há indícios de que as pessoas não exerceram as funções dos contratos. Em resposta, Flávio disse que as contratações foram legais, enquanto o Planalto e os demais filhos não comentaram o assunto.

Na saída do Palácio do Planalto, o presidente respondeu a questionamentos de jornalistas sobre matéria do jornal O Globo, afirmando que já empregou parentes, mas minimizou o problema.

“Você acha meus filhos incompetentes? Quando coloquei parentes da Ana Cristina [ex-esposa] eu não era casado com ela. Vou devolver porque casei com ela?”, indagou. Bolsonaro falou também sobre a indicação do filho, deputado Eduardo Bolsonaro, para a embaixada dos Estados Unidos. “Sim, o Senado pode barrar. Mas vocês têm notícia de alguém barrado?”, perguntou aos jornalistas.

Ao jornal O Estado de S.Paulo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello afirmou que o presidente Jair Bolsonaro “minimiza perigosamente” a importância da Constituição e “degrada a autoridade do Parlamento brasileiro”.

As críticas foram em resposta à reedição de um trecho de uma Medida Provisória (MP) que manteve a demarcação de terras indígenas com a Funai, que foi rejeitada pelo Congresso no mesmo ano. “Ninguém, absolutamente ninguém, está acima da autoridade suprema da Constituição da República”, afirmou.

Em relação à reedição da MP, Bolsonaro assumiu que errou e disse ter sido falha sua, já que o envio de duas medidas provisórias no mesmo ano é inconstitucional.

Segundo o presidente, ele não foi bem assessorado. Bolsonaro acrescentou ainda que ficou “chateado” com as críticas feitas Celso de Mello. “Me equivoquei na questão da MP. Foi assessor que fez, mas a responsabilidade é minha. Estou chateado porque ele (Mello) foi para o lado pessoal.

Sobre a polêmica da da exoneração do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ricardo Galvão, Bolsonaro disse que foi uma decisão sua.

“Certas coisas eu não peço, eu mando. Não tinha clima para continuar, mesmo que provasse que os dados estavam certos. A forma como foi divulgado aí fica complicado”, justificou.

O governo prepara um mutirão para fechar acordos de conciliação com fazendeiros que questionam na Justiça a tomada de suas terras para a reforma agrária, informou o Estadão.

São casos em que os proprietários defendem que o espaço é produtivo e não deveria ser desapropriado ou argumentam que receberam pouco pelos terrenos. O objetivo é iniciar a investida ainda neste semestre, “destravando” investimentos no campo e a reforma agrária de Bolsonaro.

4. Noticiário Econômico

O jornal Valor Econômico publica que, após um longo período de redução de débitos, pós-recessão, o endividamento das famílias voltou a crescer, alcançando o maior nível em três anos, segundo dados do Banco Central.

Em maio, a taxa de endividamento sobre a renda acumulada em 12 meses subiu para 44,04%, maior nível desde abril de 2016. Há um ano, o índice estava em 41,9% e, no pior momento da crise, em abril de 2015, era de 46,8%.

A liberação imediata de recursos do FGTS e do PIS/Pasep pode levar a um crescimento do PIB, em 12 meses, superior ao previsto pelo governo (+0,35 p.p.), aponta estudo da LCA Consultores, divulgado pelo Estadão.

Em exercício, que leva em conta liberações semelhantes em 2017 e 2018, a consultoria calcula um impacto aproximado de 0,55 ponto em um ano, considerando os cerca de R$ 42 bilhões de recursos e o impacto direto e indireto na economia.

O Ministério da Infraestrutura fará novas reuniões essa semana com representantes dos caminhoneiros para discutir a tabela de frete mínimo, suspensa pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), após protesto de caminhoneiros, que ameaçavam nova greve.

O ministro Tarcísio de Freitas diz que a ideia é revisar os custos mínimos do frete a cada seis meses e fechar acordos coletivos anualmente.

O leilão da tecnologia de telefonia 5G, previsto para o primeiro semestre de 2020, pode extinguir os serviços de televisão por assinatura, informa a Folha de S.Paulo. A capacidade de transmissão dispensaria o uso cabo ou fibra ótica para conexão nas residências, fazendo com que as operadoras de telefonia percam relevantes receitas.

Já o Globo destacou que a Anatel teme que boatos relacionados ao 5G, como causador de câncer, mutação de DNA ou envelhecimento, atrapalhem o leilão.

A Caixa acelerou a liberação de novos empréstimos para Estados e municípios do Nordeste depois que a reportagem do Estadão procurou o banco para questionar o motivo da queda das operações. O valor de novos empréstimos à região triplicou na última semana, a R$ 270 milhões.

Até o dia 29 de julho, haviam sido de R$ 89 milhões – 2,2% do total de R$ 4 bilhões autorizados para governadores e prefeitos de todo o País.

Após a polêmica, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, convidou parlamentares da bancada do Nordeste para um café da manhã, na próxima quarta-feira, 7.

O governo estuda passar para a Agência Nacional de Mineração (ANM) a responsabilidade por fiscalizar as barragens no País. Hoje, as próprias mineradoras contratam as empresas que fazem a inspeção em seus empreendimentos. A agência seria responsável por criar um cadastro de empresas habilitadas para a fiscalização.

5. Noticiário Corporativo

O Valor Econômico traz reportagem do Financial Times informando que aumentam as pressões sobre o CEO e acionista controlador do Casino, Jean-Charles Naouri. Segundo a publicação, circulam no mercado especulações de que ele será obrigado a reestruturar a divida do grupo, de cerca de 3 bilhões de euros. Ele resiste a vender “joias da coroa” como a Franprix e Monoprix. A recente simplificação das operações latino-americanas, que conta com o Grupo Pão de Açúcar, por sua vez, poderia abrir caminho para a venda total ou parcial, destaca.

A capacidade da Petrobras na exploração no mar, somada à crise da petroleira, colocou em segundo plano a produção de petróleo em terra firme. Segundo o Estadão, a produção de petróleo em terra do Brasil, o chamado onshore, caiu pela metade entre 2000 e 2019. A exploração em terra é concentrada sobretudo no Nordeste, que abriga mais de 80% das reservas provadas do Brasil e 70% da produção.

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que a produção desse segmento caiu da média de 209,1 mil barris de petróleo por dia, no ano 2000, para 107,4 mil barris diários, em 2019 (média de 12 meses até maio). Na direção oposta, alavancada pelo pré-sal, a produção total brasileira mais do que dobrou no mesmo período, de 1,2 milhão de barris para 2,6 milhões de barris por dia.

Ainda sobre a Petrobras, o Estadão destaca que a Petrobras cobra mais caro pelos combustíveis nos mercados atendidos por suas maiores refinarias e derruba o preço onde há portos e a concorrência de importados, conforme a Abicom, associação que reúne importadores do setor. O cenário, diz a entidade, pode ser resultado de uma política deliberada da estatal brasileira de bater de frente com os concorrentes na oferta de combustível no Brasil.

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) informou que a Petrobras vai reduzir o preço do GLP Residencial (embalagens até 13 kg) entre 6,5% e 12%, e do GLP Empresarial entre 11% e 17%, dependendo da localidade. A redução passa a valer a partir de hoje, informou o Sindigás.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Agência Câmara)