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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta quinta-feira

Mercados globais operam de forma mista, em meio a receios de recessão mundial; no Brasil, governo tentar conter novas perdas com reforma na Previdência

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou o pregão da véspera com queda de 2,91%, aos 101.031 pontos, no maior tombo desde 14 de agosto, puxado pelas perdas da Vale e de bancos. O cenário externo adverso, com os sinais de recessão da global rondando as principais economias, e a desidratação da reforma da Previdência, após a votação dos destaques, em primeiro turno, no Senado, levaram os investidores ao movimento de vendas.

Para evitar novas surpresas, durante a votação do segundo turno da reforma no Senado, o governo mira agora manter a economia de R$ 800,3 bilhões em dez anos, evitando novas reduções. Quando chegou ao Senado, após aprovação da Câmara, a redução dos gastos com a Previdência era R$ 933 bilhões, mas já havia sido reduzido a R$ 877 bilhões, na etapa anterior ao Plenário, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a intenção do ministro Paulo Guedes é que cada bilhão perdido no Senado seja compensado no “pacto federativo”, que deve reunir medidas para descentralizar recursos em favor de Estados e municípios. Essa indicação, porém, gerou mais animosidade no ambiente já hostil criado com os senadores, que estão insatisfeitos com os rumos da divisão dos recursos do pré-sal.

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Enquanto os senadores buscam respaldo do governo para garantir mais fatia aos Estados, a Câmara articula no sentido de elevar os repasses do pré-sal aos municípios. O Estadão acrescenta que, sem uma definição sobre esse ponto, um grupo de senadores ameaça, inclusive, travar a votação do segundo turno da reforma, prevista, inicialmente, para o dia 10 de outubro.

No exterior, as bolsas operam de forma mista, alimentadas pelos temores de uma recessão global, enquanto os futuros de Nova York apontam para uma recuperação. Na Europa, os mercados refletem a vitória dos EUA em uma disputa comercial contra a União Europeia, com os norte-americanos aplicando tarifas de US$ 7,5 bilhões contra produtos do bloco.

Na agenda, destaque para as divulgações de pedidos de auxílio-desemprego, índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês), encomendas à indústria e índice de atividade de serviços nos EUA. No Brasil, às 10h00, sai o PMI composto e de serviços.

Confira os destaques desta quinta-feira:

1. Bolsas Internacionais

Enquanto aguarda por uma série de indicadores previstos para hoje, os índices futuros de Nova York apontam para uma recuperação após a recente queda das bolsas norte-americanas. Os mercados refletem os possíveis impactos do prolongamento da guerra comercial sino-americana sobre o ritmo da atividade dos EUA.

As aflições podem ser dissipadas, porém, diante dos resultados da nova rodada de negociações comerciais entre os dois países, prevista para o dia 10 de outubro. Ainda nos EUA, as preocupações seguem diante da possibilidade de avanço do processo de impeachment do presidente Donald Trump. Democratas planejam intimar a Casa Branca caso o governo recuse fornecer documentos relacionados aos contatos de Trump com o líder ucraniano.

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Na Ásia, com os mercados chineses fechados, as bolsas do Japão e Austrália fecharam com fortes perdas, com exceção de Hong Kong. Os mercados asiáticos refletiram no pregão desta quinta-feira, sobretudo, a ressaca dos mercados europeus e norte-americano da véspera, com as preocupações sobre os impactos da guerra comercial sobre o ritmo de crescimento da economia mundial.

Na Europa, os mercados operam de forma mista, após a decisão da OMC de autorizar os EUA a imporem tarifas aos bens importados europeus. Washington impôs taxas de 10% aos aviões da Airbus e 25% de impostos sobre o vinho francês, uísques irlandeses e escoceses e queijo de todo o continente. As tarifas entrarão em vigor a partir de 18 de outubro.

Entre os indicadores, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro recuou de 51,9 em agosto para 50,1 em setembro, atingindo o menor patamar desde junho de 2013, e indicando praticamente uma estagnação do setor privado ao final do terceiro trimestre. Na Alemanha, o PMI composto caiu de 51,7 em agosto para 48,5 em setembro, na primeira marca abaixo de 50 desde abril de 2013.

Ainda na Europa, as vendas do varejo da zona do euro subiram 0,3% em agosto ante julho, segundo a Eurostat. Já o preço ao produtor industrial (PPI, na sigla em inglês) recuou 0,5% na zona do euro em agosto, ante julho.

Entre as commodities, com os mercados chineses fechados, as atenções se voltam ao petróleo, que após operar em alta na madrugada, virou para queda por volta das 7h30, em meio aos receios de desaceleração econômica e oferta excessiva.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h37 (horário de Brasília)

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,42%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,48%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,37%

*DAX (Alemanha), (fechada por feriado)
*FTSE (Reino Unido), -0,49%
*CAC-40 (França), +0,66%
*FTSE MIB (Itália), +0,39%

*Hang Seng (Hong Kong), +0,26% (fechado)
*Xangai (China), (fechado por feriado)
*Nikkei (Japão), -2,01% (fechado)

*Petróleo WTI, -0,23%, a US$ 52,52 o barril
*Petróleo Brent, -0,23%, a US$ 57,56 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fechados por feriado.

*Bitcoin, US$ 8.280,57, -0,14%
R$ 34.815, +0,26% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, a agenda está concentrada, às 10h00, com as divulgações do PMI composto e de serviços; dados de endividamento e inadimplência do consumidor da CNC; e indicador de formação bruta de capital fixo.

Nos EUA, saem os dados de pedidos de auxílio-desemprego semanais, às 9h30; PMI composto e de serviços, às 10h45; índice de atividade de serviços (ISM) e as encomendas à indústria, ambos às 11h00.

3. Congresso

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já admite que a votação do segundo turno da reforma da Previdência pode ficar para a segunda quinzena de outubro. Inicialmente, a expectativa de Alcolumbre era que a votação da matéria fosse concluída até o dia 10. No entanto, governadores insatisfeitos com a regulamentação da partilha do excedente da cessão onerosa de petróleo querem adiar a votação para o dia 15.

“Se alguns senadores compreenderem que não é razoável quebrar o interstício – mesmo minha posição atual e de vários outros líderes sendo favoráveis à quebra –, para a gente resolver a votação em segundo turno desta matéria, a gente vai ter que adiar da semana que vem para a próxima semana”, afirmou Alcolumbre ao se referir ao prazo estipulado entre as votações em primeiro e segundo turno.

Segundo o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), a equipe econômica tem dialogado com lideranças partidárias e com os presidentes de Câmara e Senado em busca de alternativas para a partilha dos recursos da cessão onerosa. Bezerra ressaltou também que o impasse poderá atrasar a votação da reforma da Previdência em segundo turno no Senado.

“Se tivermos com os problemas encaminhados e resolvidos podemos votar na próxima semana. Se não, terá que se fazer uma avaliação e eventualmente poderemos precisar de mais uma semana para poder ter a matéria deliberada em plenário”, avaliou o senador.

Sobre Bezerra, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou que ele será mantido como líder do governo no Senado. “O presidente não tem intenção de substituir o seu líder no Senado”, afirmou o porta-voz. “Não há no escantilhão [instrumento usado para regular medidas padrão] do senhor presidente a substituição de nosso líder no Senado”, assegurou.

Ainda no Senado foi aprovado o projeto de lei que define o teto de gastos de campanha para as eleições municipais de 2020. O texto prevê que o valor seja o mesmo do pleito de 2016, corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A matéria segue para sanção presidencial, que deve ocorrer até a próxima sexta-feira (4) para que a medida tenha validade nas próximas eleições.

Para garantir a aplicação dos valores nas próximas eleições, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta na madrugada desta quarta e a medida foi encaminhada em regime de urgência para apreciação dos senadores.

4. STF e PGR

Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que em ações penais com réus colaboradores e não colaboradores, é direito dos delatados apresentarem as alegações finais depois dos réus que firmaram acordo de colaboração. Prevaleceu o entendimento de que, como os interesses são conflitantes, a concessão de prazos sucessivos, a fim de possibilitar que o delatado se manifeste por último, assegura o direito fundamental da ampla defesa e do contraditório.

No entanto, a definição sobre o alcance da possibilidade de anulação de julgamentos – como o do ex-presidente Lula – foi adiada pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Ele alegou a necessidade de composição completa do quadro da Corte, já que alguns ministros não estariam presentes na sessão prevista inicialmente para hoje, mas, na prática, ainda não há um acordo sobre como ajustar a decisão.

Segundo o Estadão, Toffoli pode levar o tema ao Plenário quando pautar o debate sobre a constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância, o que poderá ocorrer ainda este mês.

Durante discurso de posse, o novo procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que “não há poder do Estado que esteja imune ao Ministério Público [MP]”, e que deve priorizar durante sua gestão o combate “intransigente à corrupção”.

Entre as operações de combate à corrupção, Aras citou nominalmente a Lava Jato, elogiando o ex-juiz Sergio Moro, também presente à solenidade, antigo responsável por julgar os casos da operação.

Já o presidente Jair Bolsonaro fez um apelo aos procuradores para que continuem atuando com independência, altivez e bons propósitos, mas que, se necessário, atuem numa correção de rumos agora, antes de promover punição futura de eventuais erros.

“É importante investigar, fazer cumprir a lei, mas muitas vezes se nós não estivermos num caminho não muito certo, que muita vezes estamos fazendo aquilo bem-intencionados, que possamos corrigir. Corrigir é muito melhor que uma possível sanção lá na frente”.

Ainda sobre a PGR, a CCJ da Câmara dos Deputados aprovou convite para o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot falar sobre sua atuação à frente da Operação Lava Jato e sobre sua declaração de que teria ido ao STF armado para matar o ministro da Corte Gilmar Mendes.

5. Noticiário Corporativo

A Vale informou que o lucro antes de impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) este ano deve variar entre US$ 10,8 bilhões e 12,9 bilhões. A empresa atualizou ainda a sua projeção de capex, para um montante total entre US$ 3,6 bilhões e US$ 3,8 bilhões este ano.

Em relação à tragédia de Brumadinho, a Vale estima para este ano gastos entre US$ 900 milhões e US$ 1,15 bilhão; em 2020, de US$ 1,5 bilhão a US$ 2,1 bilhões; em 2021, entre US$ 1 bilhão e 1,5 bilhão; e em 2022, entre US$ 200 milhões e US$ 500 milhões.

A Natura informou que obteve consentimentos dos titulares de notes com vencimento em 2023 e 2043 emitidos pela Avon Products ou suas subsidiárias em relação às cláusulas de mudança de controle que seriam acionadas pela combinação de negócios entre as empresas.

Em estágio final de uma reestruturação de dívida de US$ 19 bilhões, a Oi possui um “leque de opções” para levantar capital enquanto reorganiza seus negócios em um modelo sustentável e não vai decidir entre uma ou outra opção sob pressão, segundo o COO, Rodrigo Abreu, e o CEO, Eurico Teles.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado, Agência STF e Bloomberg)

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