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SÃO PAULO – Após fechar ontem com queda de 1%, diante do aumento da tensão das negociações comerciais entre EUA e China, o Ibovespa deve voltar hoje a se guiar por fatores internos. O principal assunto da pauta é a realização da primeira reunião ordinária da Comissão Especial que analisa a PEC da reforma da Previdência, às 14h30. A expectativa é de que ocorram 11 audiências públicas para debater o tema, e o ritmo da condução das reuniões vai ser essencial para ditar os ânimos do mercado em relação à aprovação do projeto.
O relator da reforma, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), deu indicações de que irá propor medidas para aumentar a arrecadação previdenciária e, com isso, buscar manter a meta do governo no corte de despesas públicas. A pressão na Câmara é para que a reforma seja modificada, com a retirada, por exemplo, das alterações no BPC, aposentadoria rural e regras para os professores.
No front externo, as tensões nas relações comerciais entre americanos e chineses seguem, mas agora com a confirmação de que o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, deverá partir em visita Washington nesta quinta-feira (9), quando as discussões para o fechamento de um acordo podem continuar, mesmo após as ameaças do presidente Donald Trump de elevar tarifas de importações.
Entre as commodities, o destaque é o preço do minério de ferro, que voltou a subir forte, com alta de 2,84% na bolsa de Dailian, por conta de uma nova suspensão da produção à Vale. O petróleo, por sua vez, opera em queda, refletindo a disputa comercial entre EUA e China, o que poderia desacelerar o ritmo de crescimento global. No Brasil, o destaque é divulgação do balanço da Petrobras.
1. Bolsas Internacionais
As bolsas internacionais refletem as incertezas em relação ao avanço das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Na China, os mercados voltaram a operar em alta, mas recuperaram apenas parte das perdas depois do tombo de mais de 5% de ontem (foi a maior queda diária desde fevereiro de 2016). Pesa favoravelmente a manutenção da reunião em Washington esta semana para debater o acordo comercial. Já a bolsa japonesa fechou em queda, após ter ficado mais de dez dias fechada, por conta do entronamento do novo imperador.
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Na Europa, as ações são negociadas ligeiramente em queda nesta terça-feira. Entre os dados econômicos, destaque para os números industriais alemães, mostrando que os pedidos subiram menos do que o esperado em março, após dois meses de forte queda, trazendo pouco alívio para a maior economia da Europa.
Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 06:59 (horário de Brasília):
*S&P 500 Futuro (EUA) -0,49%
*Nasdaq Futuro (EUA) -0,55%
*Dow Jones Futuro (EUA) -0,48%
*DAX (Alemanha) -0,38%
*FTSE (Reino Unido) -0,77%
*CAC-40 (França) -0, 48%
*FTSE MIB (Itália) +0,26%
*Hang Seng (Hong Kong) +0,52% (fechado)
*Xangai (China) +0,69% (fechado)
*Nikkei (Japão) -0,69%
*Petróleo WTI -0,61%, a US$ 61,87 o barril
*Petróleo Brent -0,80%, a US$ 70,67 o barril
*Bitcoin US$ 5.958,09, +4,76%
R$ 23.179, +1,89% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian estavam em alta de 2,84%, cotados a 652 iuans nesta segunda-feira.
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2. Agenda Econômica
No Brasil, destaque para a divulgação dos números da produção industrial de automóveis da Anfavea, a partir das 9h15. Estão previstas as divulgações dos balanços de Petrobras, TIM, Iguatemi, BR Properties, Comgás, CPFL, Hermes Pardini, JHSF, Sanepar, Banco Pan e Terra Santa.
No exterior, está prevista a divulgação do relatório de empregos Jolts nos Estados Unidos, às 11h00, além dos estoques semanais de petróleo, gasolina e destilados.
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3. Noticiário Político
No Brasil, hoje está prevista a primeira reunião ordinária da Comissão Especial que analisa a PEC da reforma da Previdência. Pelo cronograma apresentado pelo presidente do colegiado, deputado Marcelo Ramos, serão realizadas 11 audiências públicas com cerca de 60 convidados para debater o tema.
O jornal O Globo destaca estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que aponta os gastos com aposentadoria no Brasil como o maior da América Latina e Caribe. Segundo a publicação, a Previdência consumiu 12,5% do PIB em 2015. Além de gastar mais, o Brasil tem uma trajetória explosiva de despesas e, caso nada seja mudado, esse número poderá saltas para 50% do PIB em 2065. O estudo afirma ainda que o Brasil destina aos idosos sete vezes mais do que o investido na infância. Nos demais países, essa relação é de quatro vezes. Ontem, o presidente Jair Bolsonaro fez mais uma defesa da PEC, dizendo que a reforma da Previdência vai tirar o Brasil da “armadilha do baixo crescimento”.
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O ex-comandante do exército e atual assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Eduardo Vilas Boas, aumentou o tom de suas críticas ao escritor Olavo de Carvalho, afirmando ao jornal O Estado de S.Paulo que ele “passou do ponto, agindo com total desrespeito aos militares e às Forças Armadas”. Para o general, Carvalho presta “enorme desserviço ao País”. Vilas Boas declarou ontem ainda nas redes sociais que Olavo de Carvalho é um “verdadeiro Trotski de direita” e que “age para acentuar divergências nacionais”. Nos últimos dias, no WhatsApp, grupo militares têm exposto o inconformismo com os ataques do escritor.
4. Noticiário Econômico
O Ministério da Economia prepara um projeto de lei complementar para alterar pontos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) voltados aos estados, segundo o jornal Valor Econômico. A proposta, diz a publicação, vai padronizar o cálculo de gastos com pessoal e ainda alongar os prazos para reenquadramento dos entes que estourarem limites legais de indicadores fiscais. A LRF estabelece limite de 60% da receita recorrente líquida para as despesas com pessoal nos estados, mas alguns usam metodologias diferentes, como a desconsideração das despesas com pensionistas, imposto retido na fonte e obrigações patronais. Na maioria dos casos, os governadores são respaldados pelos tribunais de contas estaduais.
A Folha de S.Paulo destaca que nos próximos dois meses o governo tem uma leva de julgamentos importantes para acompanhar no Supremo Tribunal Federal (STF), com a Advocacia-Geral da União (AGU) monitorando, especificamente, cinco casos que, em caso de derrota, poderiam criar gastos adicionais de mais de R$ 147 bilhões. Os casos trazem riscos jurídicos aos cofres públicos, mas também aos estados e municípios. Dois estão na pauta de amanhã, sendo de discussão da aplicação da inflação na correção de precatórios e o outro que debate parâmetros para que uma entidade se considerada filantrópica – neste caso, o risco de ressarcimento do governo a essas entidades pode chegar a R$ 76 bilhões.
O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Marcelo Guaranys, afirmou ao Estadão que mesmo com projeções de crescimento do PIB em baixa, o governo não dará incentivos, subsídios e proteção ao setor produtivo. Segundo ele, a nova matriz é apostar no aumento da competitividade para impulsionar o crescimento, atacando empresários que pedem benefícios. Já o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou em entrevista à GloboNews que o governo poderá adotar o um novo contingenciamento nas despesas públicas caso o Congresso Nacional não aprove até junho o projeto de lei que pede crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões para este ano.
5. Noticiário corporativo
No universo corporativo o destaque é a decisão anunciada ontem à noite pela Vale de que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspendeu os efeitos da decisão da 1ª Vara da Fazenda Federal de Belo Horizonte, de 18 de março, que autorizava a retomada das atividades da barragem de Laranjeiras e do complexo de Brucutu. “Consequentemente, as operações a úmido de Brucutu foram paralisadas, em cumprimento à referida decisão do TJMG”, informou a empresa em comunicado, reiterando que “Laranjeiras e todas as demais estruturas geotécnicas de suporte à operação de Brucutu” possuem declaração de estabilidade. A mineradora reafirmou ainda seu guidance de vendas de minério de ferro e pelotas para um intervalo de 307 a 332 Mt para 2019, mas com a expectativa atual de que “as vendas fiquem entre o mínimo e o centro da faixa”.
O leilão da cessão onerosa do pré-sal vai precisar do aval do Congresso e, até que seja aprovado, a União não poderá fazer o pagamento de cerca de US$ 9 bilhões à Petrobras, por conta da revisão do contrato. A decisão é do ministro Bruno Dantas, relator do assunto no Tribunal de Contas da União (TCU), alegando que “seria inconcebível a realização” do leilão sem que esteja juridicamente resolvida a questão da forma como se dará este pagamento, afirmou em despacho. Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e de Minas e Energia, Bento Albuquerque, entregaram a documentação referente ao acordo entre União e Petrobras.
O leilão de ativos da Avianca, previsto para hoje, foi suspenso pelo desembargador Ricardo Negrão do TJSP. A decisão, liminar, atendeu a um pedido da Swissport, que tem R$ 17 milhões a receber e alega ter ocorrido manipulação no quórum da assembleia de credores que aprovou o projeto de recuperação judicial. A empresa questiona ainda o fato do leilão prever a venda de slots da Avianca, o que é proibido pela a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo a coluna do Broadcast, a Anac sinalizou que não pode fatiar as autorizações de pouso e decolagens da Avianca, como deseja a empresa. O órgão argumenta que há incapacidade de assegurar um nível aceitável de segurança aos passageiros.
Agora pela manhã, a Ambev divulgou um lucro líquido ajustado de R$ 2,762 bilhões no primeiro trimestre deste ano, resultado 6,2% superior ao do mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado (sem efeitos não recorrentes) somou R$ 5,120 bilhões, uma alta de 7%. A receita líquida somou R$ 12,640 bilhões, representando uma expansão de 8,6% na comparação anual. Já o Magazine Luiza apresentou um lucro líquido de R$ 132,1 milhões, um desempenho 10,4% inferior na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. O Ebitda subiu 31,6%, para R$ 395,4 milhões, enquanto a receita líquida avançou 19,8%, para R$ 4,329 bilhões.
Nos resultados trimestrais do primeiro trimestre publicados ontem à noite destaque para o BB Seguridade, com um lucro líquido de R$ 1,013 bilhão, incremento de 11,7% sobre o desempenho de um ano antes. Também registraram alta no lucro a AES Tietê (+13,3%), para R$ 62,014 milhões; e Unidas (+53,3%), cujo resultado líquido recorrente avançou a R$ 81,8 milhões. A Duratex teve retração no lucro de 22,5% (a R$ 23,8 milhões); Vulcabras viu seu resultado líquido recuar 21,6% (R$ 26,2 milhões) e Marcopolo apresentou queda de 12,7% no resultado líquido, para R$ 27 milhões. A CPFL Renováveis, por sua vez, elevou em 28,3% seu prejuízo, a R$ 93,023 milhões
A Gol anunciou ontem à noite que o tráfego no mercado doméstico em abril teve uma alta de 4,3% na demanda e de 3,6% na oferta, em comparação ao mesmo mês do ano passado. A taxa de ocupação doméstica da Gol foi 81,1%, alta de 0,5 pontos porcentuais ante abril de 2018. O volume de decolagens reduziu 0,5% e o total de assentos aumentou 2,8%, em relação a abril de 2018.
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