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O Brasil segue como o principal destaque entre os mercados da América Latina na estratégia de ações do Itaú BBA para 2026. Em relatório temático, o banco reafirma sua recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para a Bolsa brasileira, sustentada por valuation descontado, bom potencial de retorno total e perspectiva de alívio monetário, mesmo em um ambiente global ainda marcado por incertezas geopolíticas e fiscais.
Segundo o relatório, o Ibovespa negocia a cerca de 9,1 vezes o lucro projetado, aproximadamente 10% abaixo da média histórica, em contraste com mercados desenvolvidos e emergentes que operam com prêmios relevantes. Para o Itaú BBA, esse desconto já embute um cenário bastante conservador e limita o risco de queda mais acentuada, ao mesmo tempo em que preserva espaço para ganhos adicionais.
Apesar de uma visão positiva, o BBA tem oficialmente projeção para o Ibovespa ao fim de 2026 de 185 mil pontos, em patamares similares aos que o índice opera atualmente.
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Contudo, os cenários de alta e baixa ainda parecem assimétricos, avaliam. Ao analisar os potenciais cenários de alta e baixa, assumem um múltiplo P/L (preço sobre lucro) de aproximadamente 12,1x para um cenário de alta, acima da média histórica, e 7,2x para um cenário de baixa, próximo às mínimas recentes. O cenário negativo (bear case) colocaria o Ibovespa na casa dos 122 mil pontos (25% de chances), enquanto o positivo (bull case) seria do índice indo para a casa dos 253 mil pontos (25% de chances).
Quatro pilares sustentam a visão positiva
A estratégia para o Brasil se apoia nos chamados quatro pilares de investimento em renda variável.
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Em primeiro lugar, está o valuation: o Itaú BBA vê o mercado “ligeiramente positivo”, com múltiplos atrativos frente à média histórica e a outros emergentes.
O segundo ponto é que, em lucros, a avaliação é neutra, mas com crescimento de dois dígitos esperado em setores domésticos, como bancos, consumo e serviços, compensando a maior incerteza em commodities após o choque do petróleo.
No pilar macroeconômico, em terceiro lugar, o banco reconhece desafios fiscais e geopolíticos, mas destaca que o Brasil deve se beneficiar de um ciclo de corte da Selic, ainda que mais lento do que o antecipado anteriormente. A estimativa é que reduções de juros ajudem a sustentar a atividade e reforcem o apelo de ações ligadas à economia doméstica.
O último e quarto lugar é do ponto de vista técnico e de posicionamento. O mercado segue com alocação local relativamente baixa, o que abre espaço para uma retomada gradual do apetite por risco.
Preferência por domésticas e “bond proxies”
Dentro da bolsa brasileira, o Itaú BBA mantém maior otimismo com utilities, saneamento, shoppings e infraestrutura, grupos tratados como “bond proxies” por sua previsibilidade de caixa e proteção inflacionária. Esses setores lideram a alocação recomendada e concentram algumas das principais apostas do banco.
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Outra frente relevante são os cíclicos domésticos de qualidade, incluindo bancos e nomes ligados a consumo e transporte, que devem se beneficiar da queda dos juros e de uma economia resiliente. O banco também enxerga valor em empresas com histórias estruturais de crescimento, como saúde, serviços e fitness, nas quais o reinvestimento do capital tende a sustentar retornos elevados no longo prazo.
Cautela com commodities e atenção ao fiscal
Apesar do bom desempenho recente de ações ligadas a energia e mineração, o Itaú BBA mantém postura underweight (exposição abaixo da média, equivalente à venda) em commodities, citando maior volatilidade dos preços, risco de revisões negativas de lucros e menor assimetria frente aos setores domésticos.
Entre os principais pontos de atenção, o relatório destaca o risco fiscal, com trajetória de dívida pública crescente e necessidade de geração de superávit primário mais elevado para estabilizar o endividamento. Ainda assim, o banco avalia que os fundamentos externos do país, como reservas internacionais robustas e fluxo consistente de investimento estrangeiro direto, ajudam a reduzir vulnerabilidades.
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