Retrospectiva 2015

Os 11 pregões que resumem o melhor 1º semestre da Bolsa desde 2009

Conheça os 11 episódios que explicam como foram os primeiros 6 meses no mercado brasileiro

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SÃO PAULO – Apesar do kit de fatores macroeconômicos desaforáveis – retração da economia, aumento da inflação, depreciação do câmbio e aumento do desemprego – o Ibovespa caminha para fechar esses 6 primeiros meses do ano com alta de 6,2%, o que lhe garante o melhor 1º semestre desde 2009. Na comparação com cada semestre, essa foi a maior alta desde a segunda metade de 2013, quando o índice subiu 6,85%.

Apesar de tantos eventos desfavoráveis, alguns fatores ajudaram a manter o principal índice da bolsa brasileira no saldo positivo, tais como as sinalizações de que o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy,  quer colocar ordem na bagunça fiscal do Brasil, assim como os programas de estímulo anunciados na Europa e os juros próximos de zero nos Estados Unidos, o que contribui para manter o “dinheiro fácil” no mundo.

A enxurrada de eventos que tivemos neste 1º semestre do ano não deixaria fácil a tarefa de resumir estes 6 meses – e muito menos deixaria agradável a leitura. Então o InfoMoney separou os 11 pregões que marcaram esta primeira metade de 2015. Nosso levantamento “exclui” as mudanças no Fies – embora tenha surtido efeito no setor educacional ao longo do ano, o anúncio foi feito no último dia de 2014.

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1º) 19 de janeiro: Apagão: o retorno
Que o Brasil vive uma crise hídrica que atinge tanto os sistemas de abastecimento de água quanto os reservatórios de usinas hidrelétricas todo mundo sabia, mas poucos esperavam pelo apagão que ocorreu em janeiro deste ano. As quedas de energia atingiram 11 estados mais o Distrito Federal. Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, o apagão que atingiu as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste foi causado por um problema técnico em uma linha de transmissão de Furnas, que faz a ligação Norte-Sul da rede da companhia administrada pelo Grupo Eletrobras (ELET3; ELET6). Durante muito tempo, investidores ficaram preocupados que a situação levasse a um racionamento de energia no ano, o que causaria uma retração ainda maior no PIB, contudo, a fraqueza da economia, a melhora nos níveis das chuvas e o aumento das tarifas de energia elétrica ajudou a tirar um pouco da pressão sobre as geradoras. 

Desempenho do Ibovespa: -2,57%

2º) 22 de janeiro: O Quantitative Easing europeu
O mercado perdeu o dinheiro fácil dos Estados Unidos, que já se preparam para realizar um “soft landing” e elevar os juros para a economia voltar a andar com as próprias pernas. Contudo, outro dinheiro fácil entrou quando o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mário Draghi, decidiu realizar um Quantitative Easing na Europa. As compras de títulos dos 19 países da zona do euro custa 60 bilhões de euros por mês e injetaram uma liquidez impressionante nos mercados financeiros globais. O resultado disso são as várias suspeitas de bolhas em bolsas globais, já que o investidor europeu está cheio de dinheiro no bolso e poucas opções para investir em renda fixa diante das taxas de juros negativas praticadas no continente. 

Desempenho do Ibovespa: +0,44%

3º) 9 de abril: Mudanças na CSLL
Os bancos sofreram na Bolsa com o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, imposto que atinge o lucro real das companhias, de 15% para 20%. Embora a Medida Provisória ainda tenha que passar por votação e só vá valer a partir de setembro, investidores preocupados com o efeito nos resultados das instituições financeiras já aproveitaram para vender participações no maior setor da BM&FBovespa em valor de mercado.  

Desempenho do Ibovespa: +0,26%

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4º) 22 de abril: Balanço da Petrobras
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) desabaram na Bolsa depois da saída da ex-presidente da estatal, Maria das Graças Foster, que deu lugar a Aldemir Bendine. No entanto, foi sob a gestão deste que, após meses de novela por conta dos desdobramentos da Operação Lava Jato, o balanço auditado do ano de 2014 da petroleira foi divulgado no dia 22 de abril, mostrando um cenário nada positivo para a empresa no ano passado. As perdas por fraudes, superfaturamentos e corrupção em geral ficaram em R$ 6 bilhões, enquanto as perdas por impairment (reavaliação de ativos) ficaram em R$ 44 bilhões. Com isso, a companhia registrou o maior prejuízo nominal de uma companhia de capital aberto brasileira na série histórica. Foram R$ 21 bilhões de prejuízo líquido anual.  

Desempenho do Ibovespa: +1,59%

5º) 19 de maio: Acordos com EUA e China
Por falar em investimento estrangeiro, os acordos do Brasil com a China geraram impacto positivo para diversos setores, principalmente o de frigoríficos, que se vê aliviado com a abertura de dois grandes mercados para a exportação de carne. Contudo, são investimentos em infraestrutura que mais são esperados por economistas e analistas. No dia 19, a presidente Dilma Rousseff e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, assinaram, em Brasília, um plano de cooperação até 2021. Os dois países firmaram 35 acordos, entre eles um que trata de estudos de viabilidade para construção de uma ferrovia que ligue o Brasil ao Oceânico Pacífico, passando pelo Peru, chamada de Ferrovia Transoceânica. Os acordos totalizaram US$ 53 bilhões. Apesar de tudo isso, a Bolsa caiu por conta do desempenho da Petrobras, que se via alvo de mais uma ação judicial nos EUA. 

Desempenho do Ibovespa: -1,26%

6º) 25 de maio: A gripe de Joaquim Levy
Quando o governo anunciou o contingenciamento de R$ 69,9 bilhões para o Orçamento dentro do horizonte do ajuste fiscal, a ausência de Levy gerou suspeitas de que pelo número estar abaixo do que ele queria, um valor entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões, o ministro estivesse brigado com o governo e pensando em sair. As especulações causaram um furor que derrubou o Ibovespa em 22 de maio. A Bolsa só voltou a subir quando Levy tranquilizou os investidores afirmando que só faltou ao evento porque estava gripado: “Não tinha divergência, não tinha nada. Houve um certo alvoroço em cima dessa história, não entendi o porquê, mas é dado direito a todo mundo se alvoroçar”, comentou o ministro da Fazenda. 

Desempenho do Ibovespa: +0,43%

7º) 27 de maio: Aprovação da MP 665 no Senado
Depois de registrar um déficit primário de 0,6% do PIB em 2014 nas contas públicas, o governo entrou em 2015 com o objetivo claro de ajustar os gastos. Os programas de austeridade do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no entanto, ganharam um oponente à altura no Congresso: a base aliada do Planalto, que, liderada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB – RJ), impôs dificuldades e derrotas ao ajuste. Os principais pontos de divergência ficaram por conta do fator previdenciário e do reajuste das aposentadorias pela regra do salário mínimo, duas propostas altamente custosas à Previdência que destoam completamente da ideia de ajustar as contas públicas. Apesar disso, as aprovações em outras questões importantes como nas MPs das desonerações, mudanças no auxílio-desemprego e no seguro-saúde, tiveram um impacto bastante positivo no mercado. 

Desempenho do Ibovespa: +1,13%

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8º) 10 de junho: tributos sobre proventos
Um dos mais recorrentes boatos do ano foi o de que o governo pretendia tributar dividendos e extinguir os juros sobre capital próprio. Isso causou até uma queda na Bolsa de 1,08% no dia 20 de maio, mas o rumor saiu de cena com notícia de que o Ministério da Fazenda não está tão afim de tomar medidas que impactem os investimentos. Por mais que fosse melhorar a imagem do Planalto com a base do PT, por ser uma medida que afeta os mais ricos, o benefício para a Fazenda, não paga o custo da fuga de capitais da Bolsa, principalmente do capital estrangeiro. 

Desempenho do Ibovespa: +2,01%

9º) 17 de junho: Fomc perto do primeiro aumento
O evento mais aguardado do ano e que deve ocorrer também em setembro é o aumento das taxas de juros nos EUA. A cada reunião do Fomc (Federal Open Market Comittee), aumentam as expectativas por uma definição clara de quando isso ocorrerá. E a julgar pelo dito em junho, o Federal Reserve deve mesmo realizar o aumento na reunião de setembro. Com a melhora do mercado de trabalho no país, o banco central dos EUA está só tomando o cuidado de não causar um impacto muito brusco no mercado de capitais com a decisão, dando tempo para os investidores precificarem a nova realidade de retorno maior dos títulos da dívida norte-americana. 

Desempenho do Ibovespa: -0,85%

10º) 19 de junho: Lava Jato prende Marcelo Odebrecht
A Operação Lava Jato chegou onde poucas pessoas imaginavam e levou à prisão do presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht. A prisão do executivo de uma das maiores empreiteiras do Brasil levou a uma tensão na Bolsa, já que leva ao investidor estrangeiro a impressão de menor previsibilidade institucional do País. A proximidade de Odebrecht ao ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também gera instabilidade política. 

Desempenho do Ibovespa: -0,90%

11º) 30 de junho: Grécia entra em default 
A Grécia pode terminar o semestre em default, já que não pagou ainda a dívida de 1,7 bilhão que possui com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Hoje a Grécia entregou uma nova proposta de auxílio financeiro de dois anos, enquanto o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, disse a parlamentares que a Grécia não teria que deixar a zona do euro se os gregos votarem contra o pacote de resgate no referendo de domingo.“Tem havido preocupações de que os gregos deram um tiro no próprio pé, fecharam a porta e eliminaram financiamento, levando a uma saída da zona do euro. Mas Schaeuble fez algumas declarações conciliatórias, dando esperanças de que a porta ainda está aberta para encontrar uma solução”, disse o diretor-gerente do B Capital Wealth Management, Lorne Baring.

Desempenho do Ibovespa: +0,17% (até o leilão de fechamento)

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