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A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) começou e já trouxe algumas reações importantes do mercado, como a disparada das ações da WEG (WEGE3) e perspectivas mais positivas após o balanço.
Para os estrategistas do Itaú BBA, a temporada deve confirmar um cenário de crescimento dos lucros das empresas brasileiras, embora com uma qualidade considerada mais desigual.
O banco avalia que os resultados devem refletir tendências operacionais resilientes, mas alerta que boa parte da expansão dos ganhos continua concentrada em empresas ligadas a commodities, enquanto o ambiente de juros elevados limita o potencial de aceleração das companhias domésticas.
Segundo as projeções do banco, as empresas do Ibovespa devem registrar crescimento de 11,9% na receita, 22,7% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e 18,4% no lucro líquido na comparação anual. Excluindo os setores de commodities, os números continuam positivos, mas mais modestos: alta de 9,4% na receita, 11,4% no Ebitda e 12,1% no lucro líquido.
Para os estrategistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani, o principal desafio para o mercado é que parte relevante da melhora continua vindo do complexo de commodities, enquanto as revisões de lucro para empresas domésticas e financeiras seguem pressionadas. Para os estrategistas, as estimativas de lucro para 2026 avançaram 42,3% nos setores de commodities nos últimos 12 meses, enquanto ficaram negativas para financeiras e companhias voltadas à economia doméstica.
O cenário macroeconômico também se tornou menos favorável ao longo do trimestre. Embora o Banco Central tenha reduzido a Selic em 50 pontos-base, para 14,25%, as expectativas de inflação e juros futuros pioraram significativamente. O mercado passou a projetar Selic de 14% no fim de 2026, acima dos 12,5% esperados anteriormente, enquanto as projeções para o IPCA subiram para 4,92%.
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Além disso, indicadores de atividade monitorados pelo banco apontam desaceleração da economia. O índice IDAT registrou queda de 1,7% em junho na série dessazonalizada, com destaque para a fraqueza do setor de serviços e das categorias mais dependentes de crédito, como veículos e materiais de construção.
Petróleo lidera, mineração decepciona
Entre os destaques positivos da temporada, o Itaú BBA vê o setor de óleo e gás como o principal motor dos resultados corporativos. A expectativa é de crescimento de 55,3% do Ebitda e de 79,9% do lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado.
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Os setores de utilities, transportes e logística e bancos também devem apresentar desempenho sólido. O banco projeta expansão de 7,5% do Ebitda para utilities, crescimento de 42% do lucro líquido para transportes e alta de 6,5% nos lucros dos bancos.
Na outra ponta, os maiores pontos de preocupação aparecem nos segmentos de mineração e siderurgia e de papel e celulose. O lucro líquido das empresas de mineração e aço deve recuar 17,2% na comparação anual, enquanto o Ebitda do setor de papel e celulose é projetado para cair 23,4%.
5 ações entre as favoritas
O Itaú BBA também elencou cinco empresas que considera particularmente relevantes nesta temporada de balanços, sendo possíveis destaques positivos.
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A Embraer (EMBJ3) aparece entre os principais destaques, com projeção de crescimento de 11,2% da receita e de 14% do Ebitda, além de lucro líquido de US$ 152 milhões, reforçando a confiança do banco nas projeções para 2026.
O banco também vê espaço para resultados fortes de BTG Pactual (BPAC11), sustentados por retorno sobre patrimônio (ROE) de 25,3% e expansão de 27% da carteira de crédito corporativo.
No varejo, os estrategistas destacam Smart Fit (SMFT3), impulsionada pelo crescimento do TotalPass, e RD Saúde (RADL3), que deve apresentar receita próxima de R$ 12,7 bilhões e desaceleração mais suave do que a esperada pelo mercado.
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Já na siderurgia, o BBA vê a Gerdau (GGBR4) como o “highlight” da temporada, com os números mais fortes trimestralmente no Brasil e na América do Norte e com expansão de margem esperada para o 3T26 (alta de 11% do Ebitda trimestralmente, para R$ 3,28 bilhões).
Também vale destacar alguns nomes que são monitorados com a expectativa mais negativa, caso de Vale (VALE3), CSN Mineração (CMIN3) e Aura Minerals (AURA33), que devem ser pressionadas por maiores custos e pior realização de preços. Também aparecem entre os desafios da temporada empresas como Natura (NATU3), Grupo Mateus (GMAT3) e Vivara (VIVA3).
Crescimento continua, mas com menor qualidade
Apesar de projetar crescimento médio anual dos lucros do Ibovespa próximo de 15% entre 2025 e 2028, o Itaú BBA afirma que a composição desse avanço ficou menos equilibrada. A redução do potencial de queda dos juros e a piora das expectativas para a Selic diminuem a capacidade de aceleração dos setores domésticos, tornando o mercado mais dependente do desempenho das commodities.
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Na avaliação dos estrategistas, o segundo trimestre deverá confirmar um quadro ainda resiliente para as empresas brasileiras, mas o foco dos investidores tende a migrar rapidamente para as sinalizações sobre o segundo semestre e 2027, período em que os efeitos da desaceleração econômica e dos juros elevados poderão se tornar mais evidentes.
