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Entrar no mercado logo nos primeiros minutos do pregão pode ser a melhor decisão do dia, ou o erro que define todo o resultado.
Enquanto alguns traders concentram suas operações na abertura para aproveitar a explosão de volatilidade, outros evitam esse período a qualquer custo, alegando que o excesso de ruído torna qualquer leitura menos confiável.
O tema foi um dos destaques do terceiro e último bloco do episódio 255 do programa GainCast.
Marcelo Carvalho, André Felipe (Kod) e Mari Damaceno defenderam a operação na abertura como uma estratégia objetiva e baseada em estatística.
Do outro lado, José Mograbi, Vinícius Miguel (Milho King) e Mauro Botto foram diretos: esperar o mercado mostrar direção pode reduzir riscos e aumentar a consistência.
O momento mais intenso
Para quem opera na abertura, a lógica é clara: é ali que o mercado entrega movimento. Volume alto, liquidez e deslocamentos rápidos criam oportunidades que, ao longo do dia, podem simplesmente não aparecer.
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Carvalho sustenta que não há improviso nesse tipo de operação. “Faço trade da abertura. Vulgo o trade das 9 desde 2018. Tudo documentado, postado, mostrado e trabalho 100% objetiva e estatística”, afirma.
Além disso, a estratégia não depende de um único trade, mas da repetição. Kod reforça que consistência vem de processo, não de acertos pontuais.
“Desde 2021 estou operando trade de abertura. E não só operando. A gente posta o resultado diário, semanal, quinzenal, mensal. Não fica só na fantasia de 1.000, 2.000 pontos que pega um dia assim e nunca mais”, destaca.
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Nesse modelo, o objetivo não é prever o mercado, mas explorar padrões que se repetem, sempre com execução disciplinada.
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O risco dos primeiros minutos
Do outro lado, a leitura é oposta: operar na abertura é assumir um risco que nem sempre compensa. A volatilidade, que para alguns é oportunidade, para outros é justamente o problema.
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Mograbi aponta que o cenário inicial do pregão é marcado por excesso de variáveis.
“Eu acho que é um momento do mercado muito complexo que poucos vão conseguir de maneira devida analisar esses dados. Então poucos vão ter a habilidade de fazer isso”, argumenta.
Além disso, a falta de direção clara pesa na decisão. Miguel prefere aguardar o mercado se organizar antes de entrar. “Eu prefiro pegar continuidade do mercado e não a abertura”, ressalta.
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Nesse caso, a estratégia não abre mão de oportunidades, apenas troca velocidade por clareza.
Método acima do horário
Apesar das diferenças, um ponto une os dois lados: operar na abertura não é sobre coragem ou pressa, mas sobre método.
Damaceno explica que sua escolha está ligada também à gestão do tempo. “Eu opero abertura exclusivamente porque acredito numa alocação não só do financeiro, mas do tempo”, afirma.
Já Botto segue a lógica oposta, mas com o mesmo princípio. Para ele, a leitura do mercado exige contexto, e isso passa pelo tempo necessário para que o preço revele padrões mais confiáveis antes da tomada de decisão.
Nesse modelo, entrar logo na abertura significa operar sem informação suficiente para validar o setup.
“Não gosto de operar abertura porque eu preciso de padrões matemáticos confiáveis e para mim. Preciso de um tempo para o mercado começar a me contar a historinha para que eu possa desenvolver a minha técnica”, explica Botto.
Vale o risco?
No fim, o debate não aponta um vencedor, mas deixa claro que operar na abertura não é uma decisão universal. Para alguns, é o momento mais lucrativo do dia. Para outros, é o mais perigoso.
Na prática, tudo depende da aderência entre estratégia e perfil.
Porque, no day trade, não é o horário que define o resultado, é a capacidade de executar um método com consistência. E, na abertura, essa diferença costuma aparecer rápido.
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