De olho nos bancos centrais

Operadores de câmbio procuram joias em mercados emergentes

Para especialistas, com rendimentos subindo e câmbio mais fraco, é possível que mercados emergentes fiquem melhor posicionados em meio à alta da taxa do Fed

(Bloomberg) – Operadores de câmbio de mercados emergentes terão que escolher suas batalhas com cuidado no próximo ano, depois que um dólar surpreendentemente forte e o aumento dos rendimentos dos Treasuries afetaram quase tudo no mundo em desenvolvimento em 2021.

Com os investidores ampliando as expectativas de que o Federal Reserve e outros bancos centrais de mercados desenvolvidos apertarão a política monetária, os detentores de posições no real e no florim húngaro têm lidado com a inflação e preocupações políticas, mesmo com o aumento dos custos dos empréstimos. O yuan chinês e o dólar taiwanês estão entre os poucos que se mantêm firmes.

Algumas moedas podem ter sido muito punidas e a perspectiva de uma mudança na dinâmica global pode levar os investidores a apostarem novamente, mesmo que as perspectivas para os mercados emergentes como um todo permaneçam incertas.

O Barclays aconselha clientes a apostar nas moedas brasileira, russa, mexicana e sul-coreana. Discovery Capital Management, o fundo multimercado de US$ 2,4 bilhões, está mais focado em oportunidades na Europa Oriental, como o florim.

“A maioria dos bancos centrais de emergentes está à frente dos países desenvolvidos no ciclo de normalização e os prêmios de risco dos mercados emergentes generosos devem atrair alguns fluxos, mas fatores estruturais, como certas exposições a commodities, também devem orientar a seleção de ativos”, escreveram analistas do Barclays, incluindo Christian Keller, em carta a clientes na semana passada.

A TD Securities avalia que os mercados futuros estão precificando enfraquecimento excessivo para uma série de moedas, como o real, a rupia indonésia e o rand sul-africano, e recomendou uma cesta incluindo essas e outras.

“Com os rendimentos subindo e o câmbio mais fraco, é possível que os mercados emergentes fiquem melhor posicionados para um eventual aumento da taxa do Fed”, escreveram estrategistas do TD, incluindo Sacha Tihanyi, em relatório na semana passada.

Do ponto de vista do financiamento, a América Latina parece ser a região de maior risco, segundo o TD, enquanto as perspectivas para a Ásia são mais robustas. Dito isso, os estrategistas veem oportunidade no Brasil, que atualmente está prejudicado pela incerteza política antes das eleições.

Embora haja muitos riscos e uma potencial volatilidade, eles estimam que o real pode se fortalecer para o nível de R$ 5 por dólar.

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O fundador da Discovery Capital Rob Citrone é mais cauteloso quanto ao Brasil e Rússia. Embora veja potencial para que o real ganhe após o ruído das eleições brasileiras diminuir, a moeda provavelmente ficará enfraquecida e os mercados permanecerão tensos antes da votação.

Apesar de a divisa da Rússia ter sido impulsionada por preços elevados de energia e aumento de taxa – e alguns continuam a classificá-la como barata – Citrone diz que não vale o risco geopolítico e a incerteza.

As apostas nas moedas húngara, tcheca e polonesa em relação ao euro oferecem o melhor risco-benefício. Todas as três nações viram aumentos nos juros pelo banco central e “achamos que provavelmente ainda haverá um aumento porque a inflação está mais alta”, disse Citrone.

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