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SÃO PAULO – A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) divulgou relatório sobre o mercado de petróleo referente ao mês de maio, destacando a alta dos preços da commodity mediante a crise nos mercados financeiros globais e crescimento de especulações no mercado futuro.
Os números da organização mostram que sua cesta de referência alcançou uma alta recorde em abril, tendo aumentado cerca de 7% ou US$ 6,13, passando para a média de US$ 105,20 por barril. Em maio, o movimento continuou, com a média de preço da cesta atingindo US$ 118,78. Além dos motivos já citados, a Opep também afirmou que a disparada nos preços se deve a acontecimentos geopolíticos no Oriente Médio e interrupção da oferta no oeste da África e na Europa.
De acordo com Abdalla Salem El-Badri, secretário geral da Opep, a organização “continuará trabalhando por um mercado estável e balanceado, com preços que refletem fundamentos, sendo favoráveis tanto para consumidores quanto para produtores”. O secretário geral também afirmou que o órgão está pronto para agir com novas medidas, caso haja necessidade.
Não há deficiência na oferta
Conforme reportado no relatório, os estoques de petróleo comercial dos EUA aumentaram em 2,6 milhões de barris em abril, alcançando 973 milhões de barris, levemente acima da média dos últimos cinco anos. Já os estoques de petróleo cru cresceram pelo quarto mês consecutivo, ficando em 325 milhões de barris, o nível mais alto desde julho do ano passado.
Já na zona do euro, o estoque de petróleo total foi reduzido em 2 milhões de barris para 1,1 bilhão de barris em abril, em linha com a média dos últimos cinco anos. No Japão, apesar de ter apresentado crescimento em março, o estoque ainda foi inferior à média sazonal, com os dados preliminares de abril indicando pouca mudança.
Considerando esses números, Abdalla Salem El-Badri declarou que não há deficiência na oferta de petróleo, citando ainda que a capacidade ociosa da Opep continua a crescer, sendo que alguns países-membro não conseguem vender sua oferta adicional.
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Em relação à demanda, o crescimento maior foi visto nas regiões fora da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), como era esperado. Já o grupo de países pertencentes a essa organização apresentou uma demanda fraca, apesar de ter crescido devido ao inverno na Europa. Nos EUA, o consumo caiu graças à crise da economia e ao clima quente no inverno. Para o próximo trimestre, a demanda deve desacelerar devido ao baixo consumo, típico da época.
Perspectivas
Para este ano, as perspectivas da Opep contam com um cenário em que a economia mundial crescerá cerca de 3,9%, no momento em que a crise dos EUA parece estar diminuindo e no qual a inflação preocupa principalmente os países emergentes.
As estimativas para oferta de petróleo de países não pertencentes à Opep são de crescimento de 0,7 milhões de barris por dia, levemente abaixo das previsões do mês anterior, devido à queda nas projeções para México, Noruega, Reino Unido, Dinamarca, Austrália, Nova Zelândia, Brasil e Rússia.
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Para os países da Opep, as estimativas para este ano apontam para um avanço de 0,54 milhões de barris por dia. Já a média da demanda pelo petróleo cru da organização deve diminuir cerca de 120 mil barris por dia, para 31,8 milhões de barris por dia.