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Destaques do 1° tri

OPAs e dólar fazem trimestre de 6 ações; Gol afunda 48% com piora da economia

Bolsa praticamente não andou nos primeiros meses entre incertezas políticas, escândalos de corrupção e deterioração econômica; exportadoras foram as campeãs do trimestre

SÃO PAULO – O mercado pouco andou nos três primeiros meses de 2014 – a alta foi de 2,29% – “travado” por incertezas políticas, escândalos de corrupção e deterioração do cenário econômico, que contribuíram para a forte arrancada do dólar frente ao real no período. Na bolsa, o reflexo foi claro: as ações de empresas com perfil exportador dispararam no primeiro trimestre. Mas não foi somente elas as “campeãs” do período, empresas que estiveram envolvidas em OPAs (Oferta Pública de Aquisição) de ações também decolaram.

Por outro lado, empresas que possuem os custos atrelados ao dólar, como é o caso da Gol (GOLL4), desabaram no período. A companhia de aviação figurou como a pior ação do Ibovespa nos três primeiros meses do ano. A Vale, embora exportadora, também caiu forte pressionada principalmente pela derrocada do minério de ferro e cenário desafiador na economia chinesa, principal destino de suas exportações. 

Confira abaixo os principais destaques do trimestre

Entre as altas:

– Exportadoras

As ações de empresas com perfil exportador decolaram nesse trimestre juntamente com o dólar, que dispararam com o desgaste do cenário político, risco País cada vez maior, enquanto o quadro econômico seguia em deterioração. Essas empresas ganham com esse movimento dado que suas receitas são atreladas à moeda americana. Nos destaques, as companhias do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3) e Suzano (SUZB5). A Klabin (KLBN11), do mesmo setor, acompanhou a alta, embora possua menos exposição ao dólar. O frigorífico JBS (JBSS3) também registrou forte valorização no período.   

Real entre as piores moedas transforma JBS em máquina de fazer dinheiro

– Souza Cruz

O grande motor das ações da Souza Cruz (CRUZ3) – segundo maior alta do Ibovespa – foi o anúncio de que a British American Tobacco entrou com pedido de OPA das ações da empresa para fechamento de capital, no valor de R$ 26,14 por ação. Se concluída, será uma operação histórica. A companhia, maior fabricante de cigarros do Brasil, é uma das mais antigas da Bolsa, tendo estreado na Bolsa do Rio de Janeiro em 1946, sendo posteriormente listada na Bolsa de Valores de São Paulo, em 1957. 

O que, afinal, a BAT viu para querer fechar o capital da Souza Cruz?

– BR Properties

A BR Properties (BRPR3) também esteve envolvida em pedido de OPA. O BTG Pactual e Brookfield Property Group anunciaram a intenção de realizar uma OPA de controle da BR Properties, acreditando que o valor de mercado da companhia de imóveis comerciais reflete um desconto em relação aos seus ativos. A oferta, no entanto, segue incerta. Na semana passada, a gestora americana Eminence Capital atingiu uma participação de 14,14% do capital da empresa dificultando a OPA. 

– Lojas Renner

A Lojas Renner (LREN3) conseguiu se desvencilhar do cenário econômico ruim no Brasil e ir na contramão de boa parte das varejistas. A empresa tem conseguido enxergar oportunidades de negócios mesmo em um horizonte adverso. Recentemente, a empresa recebeu recomendação outperform (desempenho acima da média) pelo Credit Suisse, em meio à expectativa dos analistas de que ela se beneficie da maturação de suas lojas, uma vez que 52% delas ainda não têm cinco anos. Outro ponto positivo é a remodelação de lojas, uma vez que 31 grandes unidades já passaram por mudanças desde 2012.

Entre as baixas

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– Gol

O ano não poderia ter começado pior para a Gol (GOLL4). A companhia aérea amargou o pior desempenho do Ibovespa no primeiro trmestre, com queda de 48,48%, enquanto vê um cenário de dólar alto, o que eleva os custos da empresa e deixa mais delicada a situação de sua dívida. Além da alta do dólar – que acaba elevando o preço do combustível das aeronaves -, a expectativa de queda para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 é um dos fatores que mais prejudica a empresa. A indústria na qual a empresa está inserida depende muito do PIB: se o País tem um crescimento baixo, isso gera menos oportunidade para o setor como um todo. Tudo isso gerou um efeito nulo na queda do preço do petróleo, que teria um impacto positivo dado que entre todos os custos o combustível das aeronaves é o principal. Quando o petróleo começou a cair, o dólar também subiu, o que acabou anulando qualquer ganho que a companhia pudesse ter.

– PDG Realty 

A PDG Realty (PDGR3) segue em meio a um cenário turbulento diante de alta alavancagem e dificuldade de rolar dívida. No meio de março, a companhia anunciou um aumento de capital de até R$ 500 milhões. Também este mês a empresa apresentou prejuízo de R$ 222 milhões no quarto trimestre, pior do que o esperado pelo mercado, revertendo o lucro de R$ 19 milhões no mesmo período de 2013. 

– Braskem

A Braskem (BRKM5), petroquímica controlada pela Odebrecht, sofre entre as incertezas sobre o contrato de naftta com a Petrobras – atualmente a empresa compra 70% de seu nafta da Petrobras e importa o restante da matéria prima – e possível envolvimento com esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. Em março, notícias apontaram que a empresa pagou vantagens indevidas a Paulo Roberto Costa e ao PP (Partido Progressista) para obter vantagens na compra de produtos da Petrobras. A companhia, no entanto, negou envolvimento. 

– Educacionais 

As ações das empresas de educação tiveram um trimestre agitado em meio às incertezas sobre o Fies e saída do ministro da Educação Cid Gomes. Em meio aos ajustes fiscais que vêm sendo defendidos pelo governo, os gastos com o Fies vêm sendo restringidos. Em março, o MEC anunciou que iria limitar o Fies de acordo com a nota dos cursos e região geográfica. Como boa parte da base de alunos das empresas de educação dependem do programa, as ações das companhia têm desabado nos últimos meses. No Ibovespa, Kroton e Estácio figuraram entre as maiores perdas do período. Fora do índice, desabaram Anima (ANIM3, R$ 15,22, -55,59%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 12,58, -57,49%). 

– Vale

Enquanto há elogios sobre os processos internos da mineradora, o cenário externo, com a desaceleração econômica da China e a queda do preço do minério de ferro pesaram sobre a companhia, além dos decepcionantes números do quarto trimestre divulgados da companhia, no final de fevereiro. Em meio à queda do preço de minério de ferro de 28,4% em 2015, as ações da mineradora sofreram na bolsa. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 10,59, -25,94%), holding que detém participação na mineradora. 

Confira abaixo as maiores altas e baixas do Ibovespa:

EmpresaTickerVariaçãoEmpresaTickerVariação
FibriaFIBR3+39,03%GolGOLL4-48,48%
Souza CruzCRUZ3+34,77% PDG RealtyPDGR3-41,86%
Suzano SUZB5 +31,47% Oi PNOIBR4-40,42%
Ultrapar UGPA3 +27,54% BraskemBRKM5-37,14%
BR Properties BRPR3 +27,51% Marfrig MRFG3-33,77%

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