Após o rali

Onda vendedora de títulos globais está próxima, diz gestor de US$ 1,6 trilhão

Amundi Asset Management reduziu sua exposição a títulos de longo prazo do Tesouro dos Estados Unido

(Bloomberg) — O maior gestor de fundos da Europa diz que agora não é hora de voltar a comprar títulos de dívida globais, que se estabilizaram desde a desvalorização repentina no início do mês. Pascal Blanque, diretor de investimentos da Amundi Asset Management, diz que os mercados estão precificando demais o afrouxamento monetário.

A firma de Paris, que administra 1,5 trilhão de euros (US$ 1,6 trilhão), reduziu sua exposição a títulos de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos, que haviam subido entre maio e agosto.

“Depois do enorme rali de títulos que vimos nos últimos três meses, vimos que houve uma expectativa muito grande em relação aos bancos centrais”, disse Blanque em entrevista, de Cingapura. “Isso deve se traduzir em mais volatilidade global dos títulos e menos suporte a ativos de risco no curto prazo até o fim do ano.”

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O índice Bloomberg Barclays Global Aggregate Bond, que monitora títulos com grau de investimento em todo o mundo, acumula queda de quase 1% desde o fim de agosto e pode fechar setembro com o pior desempenho mensal desde outubro passado.

Uma possível aceleração do crescimento global no quarto trimestre, impulsionada pelo afrouxamento monetário nos últimos 12 meses, representa um risco para os títulos, disse Blanque.

Com tanta dívida global com rendimentos negativos, os mercados emergentes podem ser um ponto positivo para os investidores, disse. Blanque recomenda títulos de dívida denominada em dólar do Brasil, México, Ucrânia, Rússia, Bahrain, Sérvia e Indonésia. Esses países podem estar mais isolados da guerra comercial EUA-China e, em alguns casos, são atraentes graças à credibilidade fiscal, segundo Blanque.

“O que estamos fazendo agora é administrar taticamente“, disse. “Estamos entrando em uma fase em que há mais dispersão de possíveis resultados: com recessão, sem recessão, afrouxamento dos bancos centrais, menos afrouxamento.”

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