ONCO3: após salto de 57% na véspera, ação da Oncoclinicas fecha em queda de 20%

Na véspera, a Fleury aderiu a acordo não vinculante para ingressar como investidor em uma potencial nova empresa em conjunto com Porto e Oncoclínicas

Lara Rizério

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Após o salto de 57% de suas ações na última segunda-feira (23), os ativos da Oncoclínicas (ONCO3) tiveram mais um dia de variações expressivas, mas para baixo. Os papéis ONCO3 fecharam em queda de 20%, a R$ 1,96, a sessão desta terça (24).

Na véspera, a Fleury (FLRY3) aderiu a acordo não vinculante para ingressar como investidor em uma potencial nova empresa em conjunto com Porto (PSSA3) e Oncoclínicas.

A NewCo concentraria clínicas de oncologia e também poderia incluir o negócio de diagnóstico da Oncoclínicas (hospitais, portanto, ficariam fora de serviço). A Porto Seguro e o Fleury deteriam pelo menos 30% do capital total e o controle do capital com direito a voto da NewCo por meio de uma injeção combinada de R$ 500 milhões.

A NewCo emitiria R$ 500 milhões em debêntures convertíveis em ações ordinárias a serem subscritas pela pela Porto ou Fleury, com vencimento em quatro anos ao custo de 110% da taxa do CDI. As janelas de conversão começariam até o terceiro aniversário do contrato, enquanto a taxa deveria ser uma função do valor do patrimônio próprio na época.

A Oncoclínicas transferiria uma dívida de até R$ 2,5 bilhões para a NewCo, o que equivale a 87% da dívida líquida da empresa no 3º trimestre (após o aumento de capital de R$1,4 bilhão). O acordo é condicionado à capacidade da Oncoclínicas de concluir sua reestruturação da dívida.

O Bradesco BBI ressaltou ver o anúncio como positivo para a Oncoclínicas, dado que o Fleury é um prestador ambulatorial de alto nível e líder de mercado, fortalecendo a reputação médica e o conhecimento de negócios da Oncoclínicas para administrar a empresa.

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Além de melhorar a governança junto com a Porto Seguro, o acordo reduz o risco de uma grande deterioração do nível de serviço, já que dois dos seus três maiores pagadores estão (indiretamente/diretamente) investindo na empresa (Bradesco e Porto representam representam cerca de 10% e 7% das receitas da Oncoclínicas, respectivamente, segundo a empresa).

A redução de alavancagem decorrente da injeção de capital de R$ 500 milhões é relativamente pequena: de 17% para R$ 2,38 bilhões, ou 3,6 vezes a Relação Dívida Líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) anualizado do 3º trimestre.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.