Destaques da Bolsa

Oi desaba 10% com dividendos, Petrobras afunda e Fibria sobe 3% com dólar

Entre os destaques ainda está a sétima derrocada dos papéis da PDG em meio a resultados ruins e a Vale, que subiu 3% nesta sexta

SÃO PAULO – A sexta-feira (30) voltou a ser de fortes perdas para a Bolsa, com o Ibovespa fechando com queda de 1,79%, a 46.907 pontos, no menor patamar desde março de 2014. Entre os destaques estiveram o terceiro dia de fortes perdas para as ações da Petrobras, que tiveram hoje derrocada de 6,5%, e os ganhos da blue chip Vale, que fecharam com valorização de 3%.

O setor elétrico também voltou ao radar dos investidores, com fortes perdas em meio ao aumento do risco de racionamento de energia. E como a maior queda do Ibovespa fecharam os papéis da Oi, que tiveram derrocada de mais de 10% após informar que seu Conselho de Administração aprovou o cancelamento da Política de Remuneração aos Acionistas para os Exercícios Sociais de 2013-2016, ou seja, seus dividendos.

Na ponta negativa também estiveram as ações da PDG Realty (PDGR3), cujas ações desabaram pelo 7° pregão seguido. Os papéis seguiram pressionados por dados ruins do quarto trimestre, que mostrou queda de 30% nas vendas de lançamentos em 2014 e elevado endividamento, enquanto o mercado repercute ainda rumores de que a companhia estaria tendo dificuldades nas negociações com credores em relação às dívidas da companhia. A companhia disse ontem, no entanto, que está em negociações avançadas com seus credores para equacionamento das eventuais necessidades de rolagem a partir de março.  

Já no positivo, fecharam os papéis das companhias de perfil exportador como a Fibria, que fechou como a maior alta do Ibovespa nesta sexta. Os papéis foram beneficiados hoje pela alta do dólar que fechou com forte alta de 2,96%, a R$ 2,689; o movimento ajuda a impulsionar as ações uma vez que os lucros das companhias são lastreados na moeda norte-americana.

Confira os principais destaques da Bolsa nesta sexta-feira: 

Petrobras (PETR3, R$ 8,04, -5,08%PETR4, R$ 8,18, -6,51%)
A estatal fechou com fortes perdas nesta sexta após ter seu rating cortado pela Moody’s de Baa2 para Baa3. Segundo relatório da agência de risco, todos os ratings da estatal foram cortados e as notas permanecem em revisão para um possível novo rebaixamento, devido a “incertezas sobre a divulgação oportuna de comunicados financeiros auditados (que) podem levar a significativas pressões de liquidez” e “preocupações com as investigações sobre corrupção”. 

“Corte na nota de crédito é um dos riscos que corre a Petrobras neste momento conturbado. A redução do rating seguramente vai impactar os custos de captação de dívida, elevando as despesas financeiras no futuro, o que reduz o lucro e os dividendos a serem distribuídos aos acionistas”, ressalta a Planner. Ontem, a companhia disse ainda que pode não pagar dividendos, dependendo da avaliação da situação financeira da empresa. 

Usiminas  e CSN 
A Usiminas (USIM5, R$ 3,35, -5,63%) e CSN (CSNA3, R$ 4,16, -5,45%) tiveram seus preços-alvo cortados pelo BTG Pactual nesta sexta-feira, citando expectativas de baixos volumes, poder de preços prejudicado, pressão nos custos e preço do minério de ferro a US$ 70 a tonelada (contra estimativa anterior de US$ 80). O target da Usiminas caiu para R$ 5, contra R$ 8 anteriormente, enquanto da CSN passou de R$ 9 para R$ 5. Para a Gerdau (GGBR4, R$ 9,11, +2,24%), contudo, a estimativa permanece inalterada, com recomendação de compra. A recomendação para Usiminas e CSN é neutra. No caso da Gerdau, os papéis da companhia viraram para o campo positivo nesta tarde depois de chegarem a cair 3% nesta manhã.  

Ainda no radar, o Rio de Janeiro poderá restringir a oferta de água para a indústria e a planta da Gerdau deve ser impactada, disse o Estadão. Segundo a Guide Investimentos, a notícia é marginalmente negativa. “O fato transparece que os níveis atuais dos reservatórios aumentam a chance de racionamento de água e energia e impõem um risco maior á deteriorada indústria local”, ressalta a Guide.

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Vale mencionar ainda a continuidade da “novela” na companhia por conta da disputa societária entre a Ternium e a Nippon Steel. Uma vez que um acordo entre elas, na atual conjuntura, parece ser algo bem distante, alguma das partes do bloco venderá sua participação na Usiminas. Com uma possível venda, a ação ordinária (USIM3, R$ 17,01, +13,32%) torna-se muito mais atrativa do que a preferencial  por causa do “tag along”, uma ferramenta de proteção aos acionistas minoritários em momentos de troca de controle numa companhia.

A preferência pelas USIM3 ao invés de USIM5 está gritante no mercado. As ações ON da Usiminas acumulam ganhos de 36% nos últimos 4 pregões e atingiram nesta manhã seu maior patamar em Bolsa desde maio de 2012. Já USIM5 caiu 14% nos mesmos 4 pregões e vão às mínimas desde outubro de 2003.

Elétricas 
As elétricas seguiram o movimento de baixa neste fechamento em meio à aversão ao risco do mercado e com os riscos crescentes de racionamento de energia, com destaque para a Copel (CPLE6, R$ 31,20, -5,45%) e Cemig (CMIG4, R$ 11,91, -3,87%), além de Cesp (CESP6, R$ 23,56, -3,84%) e Tractebel (TBLE3, R$ 31,14, -4,68%). 

Nesta sexta-feira, o de Minas e Energia, Eduardo Braga, fez reunião com a ONS (Operador Nacional do Sistema) no Rio de Janeiro. E, segundo a ONS, as chuvas que devem chegar aos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste do país para geração de energia em fevereiro, importante mês do período úmido, serão de cerca de 52%.  Já a região Nordeste deverá ter chuvas equivalentes a 18% da média histórica e o Norte a 76%. Apenas o Sul deverá continuar tendo afluências acima da média, a 126% em fevereiro.

A exceção no setor ficava por conta das transmissoras, depois de reportagem do Valor que mostrou que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) vai elevar a taxa de retorno mínima em leilões de novas linhas de 5,5% para uma faixa entre 7% e 8%. As ações da Taesa (TAEE11, R$ 19,48, -0,10%) fecharam com leves perdas, assim como os papéis da Alupar (ALUP11,R$ 18,94, -0,05%). 

Oi (OIBR4, R$ 4,99, -10,57%)
A Oi fechou com queda após informar que seu Conselho de Administração aprovou o cancelamento da Política de Remuneração aos Acionistas para os Exercícios Sociais de 2013-2016, ou seja, seus dividendos. Esta política da empresa foi anunciada em 13 de agosto de 2013, quando seu conselho estimou o pagamento de R$ 500 milhões para os dividendos relativos ao período 2013-2016.

Na época, a Oi afirmou que este valor representava aproximadamente o mínimo dividendo capaz de atender os seguintes objetivos: pagar dividendos de 25% sobre o lucro liquido do exercício ajustado, ou 3% do Patrimônio Liquido, ou 6% do Capital Social, o que for maior; e também garantir um pagamento igualitário entre as espécies de ações preferencial e ordinária.

Exportadoras
Por outro lado, ações de empresas com perfil exportador fecharam no positivo nesta sexta em meio à forte arrancada do dólar frente ao real, que sobe mais de 2% na sequência da fala do ministro Joaquim Levy de que não há a intenção de manter o câmbio artificialmente valorizado. Destaque para os papéis da Embraer (EMBR3, R$ 23,74, +2,77%), Suzano (SUZB5, R$ 10,87, +2,16%), Fibria (FIBR3, R$ 32,30, +3,53%) e BRF (BRFS3, R$ 63,79, +64,38%), que driblaram o ia bem negativo no mercado. A moeda norte-americana fechou com alta de 2,96%, a R$ 2,689. 

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Vale (VALE3; R$ 18,61, +3,10%; VALE5, R$ 16,55, +2,22%) 
Após chegar a cair quase 2%, as ações da Vale fecharam entre os ganhos nesta tarde. A Moody’s alterou a perspectiva da Vale de positiva para estável e afirmar todos os ratings da companhia. A agência de classificação de risco afirmou que a mudança da perspectiva reflete a visão de que o perfil de crédito e as operações da empresa continuam sólidos, mas incluem uma deterioração nos fundamentos do mercado de minério de ferro e metais básicos.

O mercado também aguarda a divulgação da proposta de remuneraçãomínima aos acionistas essa semana e repercute o noticiário chinês. Dentre os dados da China, destaque para a receita fiscal, que alcançou 14,035 trilhões de yuans (US$ 2,2 trilhões) em 2014, um crescimento de 8,6% em relação a 2013, informou o governo chinês. Esta é a menor alta da arrecadação do país desde 1991.

Sabesp (SBSP3, R$ 13,30, -1,41%)
A Sabesp viu suas ações fecharem no negativo nesta sexta em meio às perspectivas de racionamento. O Santander cortou em 12% o preço justo para a ação da empresa.

Dentro do noticiário da companhia, o Conselho de Administração  aprovou o processo de contratação do empreendimento da interligação entre as represas Jaguari (Bacia do Paraíba do Sul) e Atibainha (Bacia do Sistema Cantareira). Segundo a companhia, o objetivo deste projeto é a recuperação e o aumento da segurança hídrica do Sistema Cantareira e, consequente atendimento da demanda por água da Região Metropolitana de São Paulo.

Educacionais
As ações das companhias de educação seguiram também no negativo em meio às expectativas pelas mudanças no Fies. As ações da Ser Educacional (SEER3, R$ 13,51, -10,71%), Anima (ANIM3, R$ 19,73, -11,52%) desabaram enquanto os papéis da 
Kroton (KROT3, R$ 12,30, -4,28%) e Estácio (ESTC3, R$ 16,69, -2,68%) fecharam com uma queda mais amena.

IMC (IMCH3, R$ 7,65, -10,00%)
As ações da International Meal Company despencaram nesta sexta, renovando sua mínima histórica na Bolsa e estendendo as perdas acumuladas em janeiro para quase 40%. O movimento ganhou forças por volta das 13h (horário de Brasília), quando um investidor que utiliza a corretora do Credit Suisse vendeu 803.400 ações da empresa a R$ 7,50 – vinte centavos a menos do que a cotação de antes das vendas. O alto volume movimentado para a operação feita com um papel de baixa liquidez e o fato da venda ter sido feita por um grande investidor (que cosutma ser mais bem informado que o investidor “pessoa física”) colaboram para acelerar as perdas da cadeia de restaurantes multi-marca no Brasil, que tem como principal marca a Frango Assado. 

Banco Pine (PINE4, R$ 3,67, -6,14%)
Após despencarem mais de 20% nos últimos 6 pregões, as ações do banco Pine voltaram a fechar em queda nesta sexta-feira, com os resultados para o quarto trimestre da companhia previstos para serem divulgados no próximo dia 12. Vale mencionar que no mês de janeiro, as ações já acumulam derrocada de 42%.