Etapa concluída

Oi aprova mudança em plano de recuperação e abre caminho para venda de ativos – mas por que as ações caíram?

A modificação do plano anterior, que valia desde 2017, abrirá a porta para a venda de ativos da quarta maior tele do país

Loja da Oi Móvel/Oi telecomunicações em São Paulo
Loja da Oi Móvel/Oi telecomunicações em São Paulo (Foto: Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)
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A proposta de mudança no plano de recuperação judicial da Oi (OIBR3;OIBR4) foi aprovada na noite de terça-feira (8) em assembleia virtual de credores que durou 12 horas marcada por tensões, conflitos e problemas técnicos. A modificação do plano anterior, que valia desde 2017, abrirá a porta para a venda de ativos da quarta maior tele do país.

O novo plano prevê a venda de redes móveis, torres, data centers e parte da rede de fibra ótica, levantando mais de R$ 22 bilhões. O dinheiro será usado para fazer o pagamento antecipado de dívidas, com cortes dos valores na faixa de 50% a 55%, além de sustentar os investimentos futuros.

O principal ativo são as redes móveis: no fim de semana, a companhia informou que colocou a proposta vinculante de R$ 16,5 bilhões do consórcio formado pelas rivais Vivo, Claro e TIM na condição de “stalking horse”. Assim, as companhias terão direito de cobrir eventual oferta de maior valor que seja apresentada no processo. Com as vendas, a Oi espera reduzir o endividamento e concluir a recuperação judicial em maio de 2022.

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A assembleia foi marcada por divergências com Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, entre outras instituições financeiras. Os bancos criticavam o fato de a nova versão do plano ter estabelecido um deságio entre 55% e 60% no valor da dívida a ser paga pela tele, em comparação à versão original do plano, de 2017.

Representantes dos bancos defenderam durante a reunião a suspensão por pelo menos 30 dias da assembleia para que o aditamento ao plano proposto pela Oi fosse rediscutido, pedido negado pelo administrador judicial do processo. A assembleia foi paralisada três vezes para que as partes tentassem um acordo.

Já no fim da noite, a Oi ainda anunciou uma leve diminuição do deságio para a faixa de 50% a 55%. “As modificações vêm no espírito de viabilizar aprovação do plano, mas garantindo também a sustentabilidade da execução do plano”, declarou o presidente da Oi, Rodrigo Abreu, antes do começo da votação.

Em comunicado ao mercado, a companhia destacou acreditar que o “aditamento ao PRJ [plano de recuperação judicial] aprovado atende a todas as partes interessadas de forma equilibrada e garante a viabilidade operacional, maior flexibilidade e eficiência financeiras e a sustentabilidade das recuperandas, com a execução do plano de recuperação judicial e do plano estratégico de transformação, o reposicionamento da companhia e a criação de valor para todos os seus stakeholders”.

Papéis fecham em baixa

Contudo, apesar do cenário positivo com a aprovação do plano, as ações não corresponderam e fecharam em queda nesta quarta-feira. Após chegarem a subir 4,84%, os ativos OIBR3 fecharam em queda de 3,23%, a R$ 1,80, enquanto as ações PN, depois de abrirem com alta mais expressiva, chegando a subir 11,26%, tiveram baixa de 5,63%, a R$ 2,85.

A percepção é de que os papéis já tiveram uma forte alta no ano, de 110% para as ações OIBR3 e de 137% para os ativos OIBR4; ou seja, a maior parte do valor gerado com essa reestruturação já foi precificado na ação nos últimos meses.

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“Como a aprovação era muito aguardada pelo mercado, pode haver algum movimento de realização de lucros nos próximos dias, conforme a velha história do sobe no ‘boato e cai no fato’, tão presente no mercado acionário”, destacaram os analistas da Levante Ideias de Investimentos.

Já de acordo com o Bradesco BBI, a aprovação do plano deve desbloquear um valor significativo para os acionistas da Oi. Em análise anterior em que reforçou a sua visão otimista, o BBI destacou um preço-alvo de R$ 3,20 (upside de 72% frente o fechamento da véspera) para as ações OIBR3 para a aprovação do plano, assumindo que a venda da operação móvel por R$ 15 bilhões e um desconto de 60% da dívida com os bancos.

Já em meio às mudanças durante a assembleia, os analistas apontam esperar um aumento de R$ 1 bilhão na dívida líquida devido à redução no desconto com os bancos, que é totalmente compensado pelo aumento nas propostas pela operação móvel da Oi.

“Com a aprovação, vemos um caminho claro e mais sustentável para a Oi, pois a empresa poderá focar inteiramente na sua implantação de fibra ótica, que vem apresentando excelentes resultados e é onde vemos as maiores oportunidades hoje no segmento. Além disso, os resultados alcançados reforçam o trabalho diferenciado que a gestão vem realizando, o que reforça nossa visão otimista sobre a empresa”, apontam os analistas.

Eles reforçam a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os papéis OIBR3 com preço-alvo de R$ 2,10, (upside de 13%), mas veem tendências de revisão para cima.

Conforme destaca a equipe de análise da Levante, a aprovação do novo plano é uma grande vitória para a Oi, pois viabiliza a venda dos ativos de telefonia móvel, data center, torres dentre outros ativos considerados dispensáveis dentro da sua estratégia de investimento focada na prestação de serviços de banda larga (internet) por meio da tecnologia de fibra ótica.

“Tem início um novo capítulo na história da Oi, que agora poderá vislumbrar a saída da recuperação judicial e a retomada gradual da sua competitividade no contexto operacional de telecomunicações no mercado brasileiro”, avaliam os analistas.

Agora, apontam, é esperar pelas cenas dos próximos capítulos: eles envolvem um longo processo de aprovação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) da venda do negócio de telefonia móvel para o consórcio TIM/Claro/Vivo, caso seja a proposta vencedora, bem como as necessárias aprovações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

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(Com Agência Estado)

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