OGX volta aos níveis “pré-desistência” e caminha para 1º mês de alta no ano

Após caírem 29% no começo de julho com o abandono de Tubarão Azul, ações da petrolífera de Eike Batista acumulam ganhos de 25% em agosto

Publicidade

SÃO PAULO – A desistência de seu único campo produtor provocou uma queda de 29,11% nas ações da OGX Petróleo (OGXP3) no dia 1 de julho, levando a ação de R$ 0,79 para R$ 0,56 ao final do dia – o movimento de queda se acentuaria nas duas sessões seguintes, levando os papéis até os R$ 0,39. Provavelmente muitos investidores se assustaram com a notícia e a reação dos mercados e liquidou suas posições em OGXP3; no entanto, aqueles que aguentaram a pressão hoje vêem os ativos da petrolífera de Eike Batista voltar aos níveis pré-desistência.

Na última sexta-feira (23), as ações da OGX fecharam a R$ 0,81, voltando aos patamares de antes do anúncio. Já nesta segunda-feira (26), o movimento altista continua pela manhã, com ganhos de 3,70% na cotação das 11h50 (horário de Brasília), cotados a R$ 0,84. Com essa valorização, a empresa acumula um ganho de 25,76% de valor de mercado em agosto, podendo assim ser seu primeiro mês no positivo em 2013. Do começo de julho pra cá, a alta é ainda mais forte: 50,0% – no mesmo período, o Ibovespa, principal índice de ações da BM&FBovespa, subiu pouco mais de 10%. Vale mencionar que, no acumulado do ano, ela ainda apresenta queda de 81%.

Se o mercado reagiu com pânico e medo à notícia lançada no final de junho, parece que isso já foi digerido. Além de Tubarão Azul, a ser abandonado em 2014, a petrolífera desistia de outros três campos, que tinham características semelhantes – e eram tidos como economicamente inviáveis pela companhia. O write-off desses campos fez com que a OGX tivesse no 2º trimestre o maior prejuízo de sua história: R$ 4,7 bilhões.

A situação, porém, pouco mudou desde então: a companhia continua esperançosa a respeito de Tubarão Martelo, que, de acordo com rumores mercado, é a única salvação que a OGX terá. Para isso, contará com a plataforma flutuante OSX-3, que chegou no Brasil neste sábado (24), até mesmo de forma mais rápida do que era esperado. É o próximo, e possivelmente mais importante, passo para a OGX. 

Além disso, a petrolífera de Eike aguarda o Cade (Conselho de Administração de Defesa Econômica) e a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) se pronunciarem a respeito de dois assuntos: a venda de 40% de dois campos para a Petronas e a aquisição da participação da Petrobras (PETR3; PETR4) no campo BS-4. 

Foi mesmo uma má notícia?
Mas se encontrar poços economicamente viáveis é difícil, vale lembrar que isso é parte inerente do setor de petróleo e gás, tido como um dos mais arriscados do mundo – e lucrativos. Além disso, uma mudança repentina nos planos das empresas X não era de fato algo inesperado: por meio de sua página no twitter, Eike Batista já havia prometido um novo plano de negócios em maio – o que ainda não se materializou – mas que já seria delimitado nos “bons projetos antigos e parcerias novas”, afirmou o megaempresário.

Continua depois da publicidade

A expressão “parcerias novas”, porém, pode ser o que está movimentando a OGX nos últimos pregões, diante da possibilidade do empresário se desfazer de todas as suas empresas negociadas na Bovespa. MPX Energia (MPXE3) e LLX Logística (LLXL3) já tiveram o controle negociado e não têm mais Eike como acionista controlador; além disso, praticamente todas as outras companhia, com exceção da OGX, já afirmaram que estão “avaliando novas oportunidades”.

No momento, é bastante difícil encontrar um interessado – a OGX é vista como uma empresa muito endividada e arriscada para atrair um comprador em um acordo interessante. Mas talvez essa decisão não passe pelo crivo de Eike. Na última semana, informações da Bloomberg apontaram que os credores da petrolífera, liderados pela gestora de recursos Pimco – uma das maiores do mundo em ativos de renda fixa -, contrataram a Rothschild para representá-los no processo de reestruturação de dívida e já avisaram que aceitam “perdoar” parte dela desde que o megaempresário abdique do controle da companhia. É esperar para ver.