Fundo do poço?

OGX e HRT só possuem uma última cartada antes de decretado “fracasso”

Se até agora as companhias só acumularam fracassos, é em virtude de ter tomado decisões que se provaram erradas sobre onde iriam explorar e desenvolver suas produções

SÃO PAULO – Em 2011 muito se falava de duas empresas que seriam o futuro do setor de petróleo no Brasil: as petrolíferas “junior” OGX Petróleo (OGXP3) e HRT Petróleo (HRTP3), fundadas por Eike Batista e Márcio Mello. Dois anos depois, as duas companhias parecem destinadas ao fracasso – e figuram entre as maiores quedas do Ibovespa no ano. Mas uma esperança existe para cada uma: Tubarão Martelo, para a OGX, e Moosehead, para a HRT.

Se até agora as companhias só acumularam fracassos, é em virtude de ter tomado decisões que se provaram erradas sobre onde iriam explorar e desenvolver suas produções. A OGX apostou forte no pós-sal do Campo de Santos, enquanto a HRT apostou na Amazônia e no offshore (exploração no oceano) da Namíbia.

Com isso, as ações despencaram na Bovespa. Até 6 de agosto, a queda de 2013 da OGX era de 86,76%, levando os papéis a R$ 0,58 enquanto a HRT acumulava perdas de 66,60%, para R$ 1,58. Se olhado ainda para trás, é mais preocupante ainda. Em preços ajustados para desdobramentos, os acionistas da OGX já viram as ações baterem R$ 23,39, enquanto os da HRT já viram suas ações serem negociadas a R$ 44,40 – considerando as cotações já desdobradas.

OGX: produção abaixo do esperado
A OGX encontrou petróleo e iniciou sua produção no Campo de Tubarão Azul – exato um ano depois do prometido. O atraso não seria um problema se a OGX não tivesse tido problemas operacionais: da produção estimada de 20 mil por poço, a companhia só conseguiu extrair cerca de 5 mil – quando haviam dois poços em produção. Na instalação do terceiro, no início de 2013, uma surpresa negativa: queda de produção por poço, fazendo com que a produção se estabilizasse em cerca de 10 mil barris diários.

Era pouco para uma empresa que prometia ser maior que a Petrobras. O anúncio da produção abaixo do esperado, em junho do ano passado, fez com que as ações da petrolífera começassem a despencar – iniciando um inferno astral que dura até hoje. Com o tempo, a dívida da companhia começou a preocupar e a empresa começou a ter problemas de caixa para continuar sua campanha exploratória.

A OGX foi o olho do furacão de uma crise da EBX, a fortuna de Eike Batista, que já chegou a ser estimada em US$ 35 bilhões, já atinge patamares inferiores a US$ 200 milhões, já contando com o US$ 1 bilhão que Eike prometeu entregar para a petrolífera caso fosse necessário. A companhia, porém, não possui conselheiros independentes – e minoritários acreditam que por isso a opção de venda não é exercida pela companhia. 

Sem tecnologia para conseguir aumentar a produção, a OGX deve abandonar o campo de Tubarão Azul, o único onde já extrai petróleo, no ano seguinte, para cessar os prejuízos. A companhia espera agora iniciar a produção no campo de Tubarão Martelo, que foi 40% vendida para a Petronas por US$ 1 bilhão, no final do ano. E se apega ao campo como o possível salvador da lavoura, ou da empresa.

HRT: problemas para encontrar petróleo
Enquanto a OGX teve problemas na produção, a HRT ainda não conseguiu sair da fase da “exploração” – encontrando na incapacidade de encontrar petróleo seu grande inimigo. A companhia foi fundada por um ex-funcionário da Petrobras, Márcio Mello, com apenas dois intuítos: prospectar petróleo na Amazônia e na Namíbia. E parece ter falhado em ambos.

No norte do País, só consegue encontrar gás natural – e encontra grandes dificuldades para monetizar essas reservas. Mello costumava manter o otimismo e exemplificar a situação dos poços com latinhas de Coca-Cola (embaixo do gás, há um líquido petróleo preto). Mas o executivo já não comanda mais a empresa – embora ainda permaneça no conselho de administração. 

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Ele foi substituído por Milton Franke, que herdou os dois problemas da empresa. Na Amazônia, reduziu a campanha exploratória e já desistiu de dois campos e na Namíbia, a HRT prepara-se para seu último tiro, depois de encontrar dois poços secos: Moosehead. Se não encontrar petróleo por lá, a HRT desistirá da Namíbia de vez – e dará início à uma “nova era” para a companhia. 

A companhia então saíra bastante modificada: dando praticamente zero de importância para os motivos que levaram a sua fundação, não seria exagero falar que a HRT vai entrar no período operacional somente se abandonar praticamente toda sua operação anterior. Franke sabe disso e já mirou outro foco: comprou 60% do campo de Polvo, da BP, por US$ 135 milhões, que já produz cerca de 13 mil barris por dia. 

Será, de fato, uma nova era para a HRT. Mas será bastante diferente do que havia sido imaginado por Márcio Mello na sua fundação e de todos os acionistas que embarcaram na “aventura nas selvas” no IPO (Initial Public Offering).