OGX cai 15% e lidera perdas do Ibovespa na semana; Hering é a maior alta

Investidores mostraram cautela mesmo com nova injeção prometida por Eike; já a varejista se recuperou das fortes perdas na semana passada após divulgar resultados

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SÃO PAULO – No período que o Ibovespa teve sua pior semana desde setembro, as ações da OGX Petróleo (OGXP3) encabeçaram a ponta vendedora do índice, enquanto as da Cia Hering (HGTX3) lideraram o ranking de altas. O índice fechou em baixa de 2,79%, aos 57.276 pontos, enquanto os papéis da petroleira se retraíram 14,80%, para R$ 4,49 e os da varejista se valorizaram 4,28%, a R$ 46,00.

As ações da petrolífera de ganharam maior volatilidade com o mercado digerindo a notícia de que Eike Batista   realizou contrato de “put” firmado entre o controlador e a companhia trazer algum otimismo para o mercado. Os papéis passaram por um rali negativo durante a última hora de sessão, depois da Fitch afirmar que a qualidade de crédito da companhia pode ser afetada pela utilização de recursos do exercício da opção de venda.

A queda pode ter sido causada por conta do próprio contrato, diz o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos. “Talvez o mercado esteja reavaliando a notícia depois de um um ânimo inicial na sessão anterior”, destaca.  Para ele, há um descontentamento com a OGX por parte do mercado já há algum tempo – por conta da falta de resultados positivos.

Com essa medida, ele avalia que Eike pode mostrar desespero para conseguir limitar as perdas de valor de marcado da companhia – responsável por grande parte do grupo EBX. Com a queda de hoje, a empresa que já foi uma das 10 mais valiosas da BM&FBovespa e a ter valor de mercado beirando os R$ 50 bilhões, já atinge os R$ 14,52 bilhões – apenas a 30ª empresa mais cara do Ibovespa.

Cia Hering se recupera 
No outro lado, os papéis da Cia Hering se destacaram entre as altas, recuperando-se da expressiva desvalorização na semana anterior, logo após divulgar seu resultado trimestral. Segundo o balanço, a varejista informou recuo de 14,2% no lucro líquido, passando de R$ 63,6 milhões para R$ 54,63 milhões. A receita da companhia teve acréscimo de 1,0%, para R$ 323,9 milhões. Na sexta-feira (19), após a empresa relatar resultado, as ações retrocederam 5,04%.

Em comunicado, a empresa disse que o desempenho do terceiro trimestre ainda foi reflexo do cenário presente no período anterior, no entanto, já percebeu uma retomada da ordem de compra em todos os canais, o que traz confiança para a perspectiva do quarto trimestre. A Hering também reiterou a meta de abrir 20 lojas Hering Kids, enquanto atualizaram a previsão para abertura da rede Hering Store para 87 novas lojas no ano.

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De acordo com os analistas do HSBC Francisco Chavez e Manisha Chaudhry, o recente enfraquecimento das receitas da companhia pode evidenciar a desvantagem das coleções com baixo conteúdo de moda e de seu processo de reformas de lojas concluído no ano passado. “Acreditávamos que a empresa poderia manter suas margens se o crescimento da receita desacelerasse, mas a receita muito fraca pode afetar as margens ao longo dos próximos trimestres”, afirmam Chavez e Manisha. Eles rebaixaram a recomendação para os papéis de de overweight (desempenho acima da média do mercado) para neutro.

Além disso, serão necessários alguns trimestres para reverter a tendência negativa que impactou a receita da companhia em um momento em que a indústria está mostrando sinais de recuperação. Para o quarto trimestre, apesar de esperarem alguma recuperação, os analistas acreditam que o processo de retomada deve levar mais tempo do que o estimado anteriormente.