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SÃO PAULO – Junho foi o mês da retomada das ofertas de ações na bolsa paulista. Além das novas distribuições de MRV Engenharia e BR Malls, o período contou com a conturbada oferta inicial da VisaNet. Durante a operação, um total de 23 corretoras foram excluídas do processo de colocação dos papéis, inclusive instituições ligadas aos coordenadores.
A exclusão não foi sem precedentes. Em 2006, a oferta da Submarino foi ainda mais turbulenta, sendo que o coordenador líder Credit Suisse optou por suspender a oferta de varejo – e excluir as 53 corretoras que participavam do processo – após analistas falarem em anonimato ao jornal Valor Econômico sobre a oferta, desrespeitando as regras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Ainda assim, a situação da VisaNet ainda deixou diversos investidores e instituições perplexos. Com mais três ofertas de ações em análise na autarquia (Gafisa, Perdigão e Natura) e duas em processo de realização (Light e Hypermarcas), a questão que fica é se o episódio irá se refletir nas próximas distribuições, especialmente a da Perdigão, que objetiva ser quase tão grande quanto a da companhia de cartões de crédito.
Maturidade da regulação
O primeiro fator que deve ser considerado é que a exclusão das corretoras da oferta da VisaNet se deu em caráter preventivo, por escolha do coordenador líder. “É uma surpresa. As próprias corretoras ligadas aos coordenadores foram excluídas”, observa o presidente da Apimec São Paulo, Reginaldo Alexandre.
De acordo com Alexandre, isso mostra que o ambiente regulatório está cada vez mais forte no Brasil. Acima da imaturidade das corretoras, há um amadurecimento do mercado de capitais. “Você tem elementos de mercado em um ambiente regulatório favorável. Isso reflete um amadurecimento do mercado, com componentes de auto-regulação”, explica o presidente da Apimec SP.
Nesse contexto, o papel da CVM é acompanhar a oferta e avaliar as denúncias. No caso específico da VisaNet, o superintendente de Registro de Valores da CVM, Felipe Claret, afirma que “toda vez que recebíamos a informação de que alguma corretora estava divulgando material publicitário regular, nós informávamos o líder”, porém, a decisão enérgica foi tomada pelo Bradesco.
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Repercussão para as corretoras
O segundo fator que deve ser levado em consideração é o reflexo que o episódio com a VisaNet terá nas próprias corretoras. As que foram excluídas da oferta agora passam por uma avaliação pela CVM de forma a analisar as denúncias e a defesa, para determinar se houve realmente uma conduta errônea.
“Toda a investigação é confidencial. Mas existe um procedimento de investigação e a CVM pode julgar que a irregularidade não foi grave, pode arquivar o processo ou pode acusar a corretora, se for considerado que houve um dano ao mercado”, comenta Claret, explicando que a Lei prevê que a CVM possa fazer advertência, multar e inabilitar as corretoras, dependendo das investigações.
Como objetivo da regulação, segundo o superintendente, as instituições devem colocar para o investidor todos os riscos de investimentos nos valores mobiliários para que ele possa tomar uma decisão pensada. Sem mencionar nomes devido ao sigilo, ele explica que houve materiais publicitários com linguagem muito agressiva, prometendo retorno de 40% no primeiro dia de negociação.
Dessa forma, de acordo com Claret, o episódio deve servir para que as próprias corretoras – tanto as que foram excluídas quanto as demais – redobrem a atenção frente a qualquer material publicitário nas próximas ofertas.
Impactos para o investidor
De fato, as instituições ainda estão temerosas em relação a dar depoimentos ou opiniões sobre ofertas de ações e o episódio ocorrido durante o mês de junho. Para os investidores, fica a apreensão de que outro fato como esse pode acontecer, levando, mais uma vez, ao cancelamento de suas reservas.