OCDE prevê açúcar mais caro até 2007, com base em lacunas de suprimento

Este é o quarto ano consecutivo em que o consumo excede a oferta; política agrícola na Europa e etanol brasileiro influenciam

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SÃO PAULO – Um estudo publicado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) prevê que o açúcar tende a ficar mais caro no mercado internacional entre o fim de 2006 e 2007.

Segundo a análise da instituição, este é o quarto ano consecutivo em que o consumo global excede o nível de oferta. Desequilíbrio que deve levar a um reajuste nas cotações no médio prazo, até que os produtores reajam com mais suprimento.

Cortando subsídios na Europa

O principal catalisador por trás da lacuna de oferta está na nova política agrícola adotada por países da União Européia. Seguindo determinações da Organização Mundial do Comércio, os europeus estão cortando gradativamente subsídios dados aos agricultores locais.

A idéia é que a agricultura do continente perca espaço para importações a partir de países com vantagem comparativa no setor agrícola. A OCDE espera que tais importações aumentem 75% até 2015.

O impacto do Brasil

O estudo da OCDE também aponta que os preços do açúcar podem subir em resposta à oferta brasileira de etanol. Para a Organização, os produtores de cana no Brasil estão realocando parte de seu suprimento em prol do álcool combustível e em detrimento do açúcar.

As exportações brasileiras de açúcar devem crescer em média 4% ao ano até 2015, contra um avanço de 12% ao ano entre 1996 e 2005, afirma o estudo.