OCDE eleva projeção de crescimento do PIB japonês de 0,7% para 1,8% em 2010

OCDE afirma que Japão ainda precisa cuidar de sua situação deflacionária e da dívida pública para crescer no longo prazo

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SÃO PAULO – A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta quinta-feira (19) relatório em que aumentou a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) japonês para 2010 e 2011.

A organização prevê que a economia do Japão deve crescer 1,8% em 2010 e 2,0% em 2011. Em seu último relatório, divulgado em junho, a OCDE havia previsto que o PIB do Japão cresceria 0,7% no próximo ano. Foi a primeira vez que o órgão divulgou previsões para 2011.

A explicação para a revisão da projeção é que o Japão está bem colocado para aproveitar os benefícios do crescimento do restante da Ásia e do crescimento do consumo interno, no qual as medidas de estímulo ainda estão fazendo efeito.

Demonstrando otimismo, o Secretário-Geral Angel Gurria disse em entrevista coletiva que “a boa notícia é que a recuperação que começou em algumas regiões no começo deste ano, após a pior recessão desde a Segunda Guerra, finalmente se espalhou para os países compreendidos pela OCDE”.

A organização também revisou a expectativa de crescimento dos seus 30 países-membros como um todo, que agora é de 1,9% para 2010 e 2,5% para 2011.

Pontos negativos

No entanto, a OCDE também mencionou os entraves que podem prejudicar a recuperação da economia japonesa. Segundo o relatório, o governo japonês tem que se concentrar no crescimento a longo prazo, já que o peso elevado da dívida pública do país não permite novos gastos para estimular a economia.

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O Japão tem hoje a maior proporção entre o PIB e a dívida pública, e em 2011 os débitos do governo podem representar 204% do produto japonês. Gurria afirmou que o país precisa buscar saídas alternativas para estimular o crescimento, como aumentar a participação das mulheres no mercado de trabalho, por exemplo.

“Há relativamente pouco espaço de manobra por causa de todos esses entraves”, o que significa que o Japão não pode mais contar exclusivamente com políticas monetárias e fiscais, disse Gurria em Tóquio.

Uma das alternativas sugeridas pelo relatório é a compra de títulos pelo governo japonês, pois a medida injetaria liquidez no mercado, o que pode ajudar a combater o estado deflacionário em que se encontra o Japão.

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A OCDE também revisou os números para o PIB deste ano: a organização espera que a economia japonesa encolha 5,3%, um número melhor do que os 5,6% apresentados no relatório de junho, mas ainda longe de fazer a segunda maior economia do mundo respirar aliviada.