Obama pode elevar déficit público dos EUA para US$ 1 trilhão, afirma Pimco

De acordo com gestor, propostas do democrata para elevar a arrecadação não compensarão aumento de gastos

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SÃO PAULO – Caso o democrata Barack Obama seja eleito presidente dos Estados Unidos e implemente suas medidas econômicas, o déficit fiscal do país pode atingir US$ 1 trilhão até 2011, afirma a equipe da Pimco.

A proximidade do pleito presidencial de 4 de novembro intensifica debates em torno dos programas econômicos dos principais candidatos, mas o favoritismo de Obama sobre o republicano John McCain levou o gestor Bill Gross a comentar os efeitos de suas principais propostas.

Crítico

Embora seja filiado ao partido republicano, Gross é crítico em relação ao governo de George W. Bush, que teria estimulado excessivo consumo privado no país, bem como promovido maior desregulamentação dos mercados, quando era necessário cuidado.

Todavia, o analista tem dúvidas quanto à capacidade do candidato democrata em cumprir seu programa de apoio aos detentores de hipotecas, entre outros estímulos econômicos, ao mesmo tempo em que recupera o equilíbrio fiscal do país.

Buraco no orçamento

Admitindo a relação entre consumo privado, gasto público, investimentos e produto para uma economia fechada (Y=C+I+G), Gross entende que o Governo norte-americano necessitaria gastar adicionalmente US$ 500 bilhões de dólares para recuperar exatamente o nível de produto perdido com a redução do consumo e do investimento no país.

Somado ao déficit fiscal de igual montante esperado para 2008, estes novos gastos poderiam elevar a diferença entre arrecadação e despesas do governo a US$ 1 trilhão. Para efeito de comparação, o PIB (Produto Interno Bruto) nominal brasileiro, atingiu em 2007 aproximadamente US$ 1,5 trilhão, caso seja considerada a atual taxa de câmbio.

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Cenários possíveis

De acordo com Gross, as medidas para elevação da arrecadação propostas por Obama, como a volta dos impostos sobre grandes riquezas, retirados por Bush, não serão suficientes para solucionar o problema. Ademais, fortes pressões inflacionárias devem ocorrer após o auge do período deficitário.

Por outro lado, tal volume de investimentos públicos poderia conduzir o país a uma situação próxima à da economia japonesa, que, após sucessivos anos de política fiscal expansionista, atingiu taxas de juro próximas a zero e deflação, em uma armadilha de liquidez que sufocou o investimento privado por quase uma década, afirma Gross.