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É impressionante que, em pleno século XXI, boa parte das empresas ainda considere a minimização de seus custos de RH como fator de gestão eficiente e moderna.
Este raciocínio, que ignora o valor que os funcionários trazem aos negócios, leva as empresas a contratarem pessoal que aceita os salários mais baixos e menos benefícios, quando deveriam verificar o resultado líquido de tais contratações – a diferença entre o valor adicionado pelos funcionários e o referido custo destes.
Efeitos econômicos
As empresas lançam mão de vários tipos de programas para atrair e reter bons funcionários. O efeito líquido (e não apenas os custos) de tais programas pode ser estimado e projetado em termos de seus efeitos econômicos e financeiros sobre o seu resultado final.
A mensuração do valor criado pelos funcionários requer estimativas e projeções que necessariamente incorporam risco e incerteza. Talvez por isto ela tenha sido desprezada, em favor da mensuração dos custos, muito mais simples e objetiva.
Mas tal atitude é, para o dizer o mínimo, excessivamente cômoda no ambiente de alta pressão competitiva em que vivemos. As empresas que conseguirem refinar sua visão sobre o resultado líquido criado por seus recursos humanos certamente tomarão melhores decisões ao criarem programas de atração e retenção de bons talentos.
Melhores resultados
Conseguirão, assim, criar um círculo virtuoso, no qual uma força de trabalho mais bem qualificada lhes traga melhores resultados. Em artigo recentemente apresentado no X SEMEAD (Seminários em Administração FEA-USP), demonstro esta nova forma de avaliar programas de RH, aplicada à comparação de diferentes políticas de remuneração de uma grande empresa brasileira.
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Uma conclusão bem pouco intuitiva é que a empresa obteria melhores resultados pela adoção de uma política com custos mais altos do que a atual – pela postura tradicional, centrada na análise dos custos, esta política seria rejeitada. Entretanto, sua adoção traria um aumento nos resultados de cerca de R$ 10 milhões em um período de cinco anos.
Este tipo de análise poderá ajudar os profissionais de RH a justificarem a implantação dos programas que afetam o fator humano – o mais importante nas empresas modernas – em linguagem que a direção e o resto da empresa entende bem: resultados.
Lucio de Moura Netto é Sócio-Diretor da Evolve Gestão.