Novo ministro

O “tóxico” Yanis sai, entra o “amigável” Euclid: como o novo ministro pode salvar a Grécia?

Por enquanto, as expectativas são de que pouco pode ser feito, mas desamarra alguns obstáculos ao acordo

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SÃO PAULO – De uma forma surpreendente, após a vitória do “não” a acordo em referendo neste último domingo, o ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis, anunciou a sua renúncia.

Ele disse que pouco depois de serem anunciados os resultados do referendo, foi informado de certa preferência de alguns participantes do Eurogrupo, e de vários parceiros, pela sua ausência nas reuniões. E o próprio Varoufakis destacou quem seria o seu sucessor: Euclid Tsakalotos.

Com isso, os mercados, que abriram em queda, diminuíram as perdas animados com as mudanças que estão por vir nas difíceis negociações com os credores. 

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Economista formado em Oxford que já trabalhou como ministro de relações exteriores, Tsakalotos já havia começado a exercer um papel principal em conversas sobre a dívida antes do chamado por um referendo surpresa de Tsipras no dia 27 de junho. Ele também já obteve avanços nas negociações com o BCE (Banco Central Europeu) e pode representar um alívio para os mercados. 

Diferentemente de Varufakis, que chegou logo antes das eleições em janeiro desse ano, o novo ministro é membro da Coalizão da Esquerda Radical no partido de Tsipras, o Syriza, desde 2004. Ele venceu as eleições ao parlamento ela primeira vez em 2012.

Nascido em 1960 nos Países Baixos, Tsakalotos foi educado no Reino Unido nas universidades de Sussex e Oxford, onde recebeu o ´titulo de doutor em 1989.

Tsakalotos tornou-se mais proeminente nas negociações da dívida grega em junho, quando as relações entre Varoufakis e os credores pioraram. Varoufakis disse hoje que estava renunciando porque “havia certa preferência” em meio a alguns governos europeus de que ele estivesse “ausente” nas próximas rodadas de conversas, se e quando elas começassem.

Conforme destaca matéria da CNBC, Varoufakis tinha se tornado “tóxico” para as negociações e sua permanência no governo acabou se tornando insustentável, mesmo com o não prevalecendo. 

“Varoufakis tornou-se ‘tóxico’ e teve que ir. Tsakalotos tem sido uma parte fundamental da equipe de negociação. Ele é uma das figuras mais sensíveis/ moderadas no Syriza e sua nomeação aumentaria as chances para uma negociação sensata, e um resultado positivo, “, disse o economista do ICBC Standard Bank, Demetrios Efstathiou. 

Em fevereiro, em entrevista ao portal CNBC, Tsakalotos afirmou: “eu disse nos últimos seis anos que a zona euro está em perigo por conta das políticas de austeridade. Quando as pessoas são pobres, quando há diferenças regionais, quando existem desigualdades sociais, os sistemas de taxa de câmbio fixos como os da união monetária estão sempre sob pressão”.

Ele vai fazer diferente?
A CNBC destaca que Tsakalotos é visto como um aliado próximo do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras. Por outro lado, sua fala mais amigável pode ser mais apreciada pelos representantes dos credores do país e pela Troika – formada pela União Europeia, BCE e FMI (Fundo Monetário Internacional) – que se certificarão de que a Grécia está aderindo aos termos de seus empréstimos.

“Nem mesmo o mais charmoso negociador vai ajudar a desbloquear os fundos sem que a Grécia concorde em implementar as reformas exigidas por seus credores”, afirmou o economista sênior da IHS Global Insight, Diego Iscaro de Tsakalotos, ao portal. 

(Com Agência Bloomberg)

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