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SÃO PAULO – Mais do que comentários sobre os números conquistados entre abril e junho deste ano, a teleconferência da Vale sobre os resultados do segundo trimestre trouxe declarações da diretoria da empresa sobre as perspectivas para o setor de mineração e suas próprias operações.
Frisando os sinais de recuperação no mercado internacional de commodities e na economia global, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da mineradora, Fábio Barbosa, afirmou esperar por um segundo semestre mais estável, com o crescimento liderado pelos mercados emergentes. As perspectivas positivas impulsionam as ações nesta sessão.
“O segundo semestre pode ter um resultado melhor em termos de performance de mercado e da própria economia. É esse o cenário que nós trabalhamos”, declarou o executivo. De acordo com a diretoria da Vale, há um processo de retomada nos preços e na demanda dos principais produtos exportados pela empresa, incluindo o minério de ferro e o níquel.
Preços do minério de ferro
Conforme era esperado, a convergência dos preços do minério de ferro para o benchmark acordado com siderúrgicas europeias, japonesas e coreanas foi um dos principais motivos para os resultados pobres da Vale, já que foram firmados reajustes negativos de 28% para o minério fino e 48% para as pelotas.
Esse efeito, entretanto, não é esperado para os resultados do segundo semestre do ano. “Independente de chegarmos a um acordo em relação ao benchmark, os preços que estamos contando consideraram que todos ajustes foram feitos. Isso significa que não deve ter outros ajustes”, assegurou Barbosa.
China
Um outro assunto tratado durante a teleconferência foram as exportações para a China, onde os preços à vista estão mostrando uma recuperação relevante. Comemorando as relações com a China, Tito Botelho Martins Junior, diretor-executivo de Não-Ferrosos, ressaltou que “mesmo nesse momento difícil, nós conseguimos aumentar as vendas para a China”.
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Segundo Martins, um dos melhores pontos da performance da Vale foi, na verdade, a prova de que a empresa tem capacidade de mudar e se adaptar a novos cenários. Dito isso, o diretor destacou as mudanças no jeito de vender e embarcar os produtos para a China.
Se as mudanças nas vendas se concentram na capacidade da empresa de entrar no mercado à vista do país, as alterações no modo de embarcar refletem o aumento das entregas CIF (Custo e Frete), em substituição aos preços FOB (Free On Board), que contribuem também para a redução de custo, dentro de uma estrutura renovada da empresa.
Complementando as informações, Fábio Barbosa afirmou que a Vale está se preparando para embarcar todas as toneladas que produz, apesar do que acontece no mercado de frente. Para isso, é necessária uma maior porção das vendas em C&F e também uma maior porção das exportações com embarcações próprias. “Eu posso dizer que nós estamos numa posição confortável baseado nisso”, conclui Barbosa.
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Fertilizantes e greves
Além das discussões sobre as operações da empresa, a diretoria da Vale também abordou alguns assuntos atuais, como a possibilidade de compra da Mosaic ou outros ativos de potássio. Conforme explicado por Barbosa, já é conhecido há algum tempo o interesse da mineradora nos negócios de fertilizantes.
“Nós operamos já em Sergipe. E no último ano concluímos as negociações e adquirimos ativos interessantes da Rio Tinto na Argentina e no Canadá”, comentou o diretor Financeiro, ressaltando que a empresa tem a pretensão de se tornar um grande player no segmento. “E podemos conseguir isso sem grandes aquisições”, acrescentou, mantendo o discurso de que a Vale está sempre procurando novas oportunidades, porém com foco em crescimento orgânico.
Por fim, os executivos da Vale informaram que não há novidades em relação à greve na planta da Vale Inco no Canadá, que já está na terceira semana. “Nós colocamos nossa proposta na mesa, eles decidiram não aceitar. Eu não posso elaborar muito sobre o que acontecerá”, concluiu Barbosa.